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#Filmes | The Post – A Guerra Secreta

Oi gente!
Hoje tem resenha de “The Post – A Guerra Secreta”, novo filme do diretor Steven Spielberg, com Meryl Streep e Tom Hanks e que concorre ao Oscar 2018.

A história gira em torno de Kat Graham (Meryl Streep), a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa.

“The Post – A Guerra Secreta”, para mim, é o filme mais injustiçado deste ano. Eu simplesmente adorei – e ele concorre apenas em duas categorias do Oscar 2018: melhor filme e melhor atriz para Meryl Streep em sua 21ª indicação – sendo a atriz que mais concorreu na história da premiação, tendo levado a estatueta três vezes – por “Kramer vs Kramer” (1980 – como atriz coadjuvante), “A Escolha de Sofia” (1983) e “A Dama de Ferro” (2012). Acho que valia indicações nas categorias de melhor direção, melhor ator para Tom Hanks e até melhor roteiro.

Mas enfim, vou falar um pouquinho do filme, e para isso, preciso trazer alguns dados da história americana. “The Post” se passa no início da década de 70 quando os jornais The New York Times e o The Washington Post divulgaram os “Pentagon Papers” – Papéis do Pentágono – um amplo estudo mostrando como os governos Eisenhower, Kennedy, Johnson e Nixon haviam ludibriado a opinião pública para justificar o envolvimento cada vez mais acentuado dos EUA no Vietnã, que inclusive não teve “final feliz” para os americanos.

Os documentos incriminariam Robert McNamara, grande amigo de Kat Graham, e que foi Secretário de Defesa durante os governos Kennedy e Johnson. Inclusive, Kat tinha herdado o jornal do marido e, arriscou o futuro do seu Washington Post, ao decidir publicar os documentos proibidos. Depois disto o jornal passou a ter o mesmo patamar do New York Times. A revelação dos Pentagon Papers levou também, logo a seguir, ao caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon.

Com relação ao filme – ele tem o mesmo estilo de “Spotlight: Segredos Revelados”, que venceu o Oscar em 2016, inclusive ambos têm o mesmo roteirista Josh Singer, em parceria com a estreante Liz Hannah. O roteiro é ótimo, discutindo diversos assuntos importantes como a liberdade de imprensa, o poder da verdade, o empoderamento feminino, o comercial em conflito com o editorial de uma redação, além dos bastidores da investigação jornalística – tudo isso sem ser cansativo.


Kat Graham e Ben Bradleey

A direção de Spielberg é sempre impecável. Ótima trilha sonora, fotografia e edição. Além de contar com a brilhante interpretação de Streep e Hanks tem também Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Matthew Rhys no elenco. Acredito que não irá vencer nada no Oscar, mas adoraria se surpreendesse, que nem aconteceu com Spotlight.