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#Série | Sintonia

Oi gente!
Nesta semana estreou na Netflix a nova produção original brasileiraSintonia, idealizada pelo KondZilla (um dos principais nomes do audiovisual musical), em parceria com Guilherme Quintella e Felipe Braga, e produzida pela Losbragas (que também é responsável pela produção de “Samantha!”). A série possui uma premissa realmente interessante: apresentar a vida de três amigos na periferia paulistana, sob um ponto de vista menos estigmatizado e mais humano.

Primeiro temos Doni (MC Jottapê), um jovem que, como muitos, sonha em um dia atingir o sucesso no mundo do funk, mas mesmo investindo todo seu esforço em escrever músicas para se tornar um MC, não tem a aprovação e compreensão do pai. Rita (Bruna Mascarenhas) se mantém vendendo produtos clandestinamente em estações de ônibus e ajudando a traficar maconha, mas sua vida sofre uma grande virada quando acaba colocando sua melhor amiga em perigo, o que a faz enxergar na religião uma forma de melhorar sua vida. Por último, entre os protagonistas, temos Nando (Christian Malheiros), um jovem que já se encontra em uma vida de crimes para poder sustentar sua mulher e filha, mas o desejo de crescer nesse mundo acaba fazendo com que ele se afundasse mais do que gostaria.

Já começo dizendo para não ter preconceitos com a série! Sim, ela retrata o mundo do funk, das drogas e da favela em São Paulo. Mas vai muito além. O roteiro é bem desenvolvido, conta uma história envolvente, com cenas interessantes, sempre tendo um jogo de câmera ou imagens aéreas, um diálogo real cheio de gírias da quebrada paulistana e, por fim uma fotografia atraente.

As três histórias vão se relacionando cada vez mais ao longo da trama, com o encontro dos protagonistas sendo utilizado para interligar cada um dos três núcleos, onde vemos cada um dos amigos empenhado em apoiar o outro nestas novas fases de suas vidas. Em nenhum momento a série se perde ao contar a história de seus personagens, conseguindo fazer com que o espectador não só entenda o ponto de vista de cada um, mas torça pra que obtenham sucesso no que procuram. A relação de irmandade é bem construída e facilitada graças à boa química do trio de atores.

Falando em elenco, o nome mais conhecido é do MC Jottapê, que já fez alguns filmes e novelas como “O Menino da Porteira” (ao lado do sertanejo Daniel) e “Chiquititas”, no SBT. Além de atuar, ele já gravou diversas músicas e clipes no canal do próprio KondZilla. Christian Malheiros iniciou sua carreira no teatro e fez sua estreia nos cinemas em 2018, no drama “Sócrates”, pelo qual foi nomeado aos Prêmios Independent Spirit de Melhor Ator Principal. Já Bruna Mascarenhas fez sua estreia em TV.

A direção de KondZilla também dá tom à produção, que mostra tudo de uma forma crua e real, mesmo não usando sangue, muito sexo ou palavrões. O episódio final traz uma belíssima sequência que mostra e compara rituais de cada um desses ambientes. A edição ficou bem caprichada. E o que falar da trilha sonora!? Eu curto funk, então achei muito boa, retrata bem esse estilo que, inegavelmente, é uma forma de expressão artística e se tornou um forte patrimônio cultural brasileiro. Também tem, ao longo dos episódios, a utilização de músicas gospel, nos momentos da igreja. Foi uma construção musical interessante. Eu já estou ouvindo a trilha completa no Spotfy.

E mesmo que a Netflix não tenha se pronunciado sobre a renovação, a 1ª temporada chega ao fim deixando uma estrutura já definida para próximos arcos. Tanto que, em entrevista ao programa The Noite do Danilo Gentili, o Kondzilla já adiantou que a série foi pensada para ter três temporadas.

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