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#Série | 13 Reasons Why (4ª temporada)

Oi gente!
Quem aí já terminou a maratona da 4ª temporada de “13 Reasons Why“?  A série, que abordou conteúdos sensíveis como depressão e suicídio, chegou ao final. E infelizmente precisamos dizer que a Netflix não soube lidar bem com os temas delicados que a produção se propôs a tratar. Nem vou voltar a repetir que deveria ter parado na 1ª temporada, que foi muito boa! Mas, de qualquer forma, o final não foi o maior desastre, como a 2ª e 3ª temporadas.

A narrativa começa após os acontecimentos da 3ª temporada, onde sabemos que Monty (Timothy Granaderos), que foi culpado injustamente pela morte de Bryce (Justin Prentice), acabou morrendo na prisão. Clay (Dylan Minnette) e seus amigos agora precisam seguir suas vidas, no último ano do high school. Ao longo da temporada vemos Clay sofrer de síndrome do pânico e ter várias crises de ansiedade, enquanto tenta lidar com ameaças vindas de um celular. Ao invés de confiar nas pessoas ao seu redor, o protagonista vai perdendo a linha com tudo e todos. Além disso, sabemos desde o primeiro episódio que mais um personagem irá morrer. E no desenrolar da temporada, vemos que a escola Liberty passa a sofrer com intervenções do diretor Bolan (Steven Weber), afim de trazer maior segurança aos alunos, assim como notamos a evolução de alguns personagens, como Alex (Miles Heizer), que se descobriu bissexual, tendo momentos com Winston (Deaken Bluman), até se apaixonar por Charlie (Tyler Barnhardt), deixando seus traumas para trás.

Já os demais personagens pouco evoluem em seus arcos narrativos. Jessica (Alisha Boe) passou a se envolver com Diego (Jan Luis Castellanos) – um personagem que surgiu do nada, afim de tentar descobrir informações sobre as chantagens com a morte de Monty. Tyler (David Druid) teve que se reencontrar e mostrar aos amigos que mudou. Tony (Christian Navarro) pouco acrescentou à história, até ter seu final feliz. Zach (Ross Butler) entra em um período de negação, se afundando em bebidas, o que poderia ter rendido ótimos momentos, se tivesse sido bem trabalhado. E Justin (Brandon Flynn) sonha com um futuro em uma universidade, após passar pela rehab.

Os 5 primeiros episódios são horríveis, pouco acrescentam à história, são extremamente enrolados. Os surtos do Clay acabam cansando o espectador e suas idas ao consultório do Dr. Ellman (Gary Sinise), em nada ajudam no desenvolvimento do personagem. Mas uma coisa preciso dizer, ainda bem que não insistiram com Ani (Grace Saif). Foi uma das grandes críticas que fiz na 3ª temporada, e nessa, a personagem é deixada totalmente de lado. A partir do episódio 6 a série dá uma leve melhorada em direção ao seu final. Inclusive, este capítulo que mostra uma simulação de tiroteio na escola é um dos melhores, com várias cenas interessantes, culminando num surto do Clay.

AGORA VAI UM SPOILER!  (Se ainda não assistiu, pula esse parágrafo) Chegamos ao final e descobrimos o “grande mistério” dessa temporada – quem morreu. Justin não teve o seu final feliz, seus anos nas ruas o deixou sequelas e mesmo com o tratamento das drogas, o jovem teve sua morte por conta da AIDS/HIV, que ele nunca soube ter contraído nos anos que foi garoto de programa. Entendo que a revelação aconteceu no último episódio para garantir a surpresa, mas acho que o tema poderia ter sido tratado antes, teria sido interessante. No último episódio temos a volta de alguns personagens, como Ryan (Tommy Dorfman) e Courtney (Michele Selene Ang), e até uma cena com Hannah Baker (Katherine Langford). Gostei da cena final, onde todos enterram as famosas fitas do início, foi bacana para encerrar o ciclo.

Enfim, 13 Reasons Why foi uma série problemática, que merecia ter sido muito mais. Tratando de temas fortes, a produção apenas ativou gatilhos, muitas vezes desnecessários, com passagens até irresponsáveis. Ainda bem que acabou. E lembrando que se você passa por algumas dessas questões, como depressão, converse com alguém e procure ajuda! Agora quero saber se vocês, já assistiram? O que acharam do final? Me contem nos comentários!

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#Série | Normal People

Oi gente!
A produção irlandesa da BBC Three e da Hulu, “Normal People” – uma adaptação do romance de Sally Rooney – é a nossa dica de hoje! A produção tem o intuito de retratar a vida de pessoas normais, mostrando os encontros e desencontros, com sensibilidade e sensualidade.

Em 12 episódios, acompanhamos a história de amor moderna de Marianne (Daisy Edgar-Jones) e Connell (Paul Mescal) em uma pequena cidade a oeste da Irlanda. Marianne é uma jovem rica, nada popular, vivndo ao lado de uma  família disfuncional . Apesar da clara inteligência e do humor ácido, a garota prefere se isolar de uma comunidade que também não a quer. Já Connell é popular, jogador de futebol, pobre e sempre dá preferência aos estudos. A mãe do rapaz trabalha na casa de Marianne, e logo os dois desenvolvem uma atração que estabelecerá uma conexão profunda. Após o período escolar, acompanhamos os dois na faculdade, deixando a cidade de Sligo pela capital Dublin, quando o cenário se inverte um pouco.

Lendo assim, você irá imaginar que a série trata-se de mais um clichê das relações estudantis entre a menina não popular e o jogador de futebol. Não, “Normal People” vai muito além disso. Amplamente elogiada pela crítica, a produção se propõe em retratar a normalidade banal. Os diálogos longos são recheados de emoção e sentimentalismo. Os esteriótipos são deixados de lado, a razão torna-se principal ao tentar explicar atitudes.

Com cenas quentes, a série retrata o desejo e a paixão dos jovens, através de uma profundidade e abordagem complexa. Um boa direção, bela fotografia, trilha viciante e o frio melancólico da Irlanda completam o pacote. Os episódios são curtos, em torno de 30 minutos, o que facilita a maratona. O elenco é o grande destaque – Daisy Edgar-Jones e o estrante Paul Mescal roubam a cena e demonstram grande química.

Esteja preparado para uma série cabeça, que vai te fazer repensar as atitudes da vida, ao mesmo tempo que emociona e agrada o lado crítico. No Brasil, “Normal People” deverá ser exibida pelo serviço de streaming Starzplay.

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#Série | Noite Adentro (Into the Night)

Oi gente!

Se liga nessa dica de hoje! “Noite Adentro”, nova série original Netflix – a primeira produção belga, com língua francesa – mistura ficção científica, drama e muito mistério, sendo uma ótima maratona para essa quarentena.

Com seis episódios de menos de quarenta minutos, “Into the Night” (nome original) traz uma trama eletrizando e extremamente viciante. A série começa apresentando Terenzio (Stefano Cassetti), um homem que corre aleatoriamente até um avião com uma arma, fazendo um sequestro. O personagem não está ali para fazer terrorismo e sim para salvar vidas (a sua pelo menos). Ele deseja levar o avião para o oeste, e explica que a humanidade está morrendo simplesmente por entrar em contato o sol. Nenhum dos passageiros acredita nele mas, logo, todos se dão conta que isso é verdade. A intenção de todos é correr através da escuridão, o máximo de tempo que puderem, para evitarem suas inevitáveis mortes.

Se você gosta de séries como “Lost”, “Manifest” ou “The Walking Dead”, com certeza irá gostar também de “Noite Adentro”. Ao longo dos episódios, vamos sendo apresentados aos demais personagens e suas histórias pessoais – Sylvie (Pauline Etiene) serviu ao exército, porém passava por uma depressão após a morte de seu companheiro; Mathieu (Laurent Capelluto) é o piloto do avião, que traia a esposa com uma das aeromoças; O engenheiro do avião Jakub (Ksawery Szlenkier), a aeromoça Gabrielle (Astrid Whettnall), entre outros personagens.

O roteiro é bem interessante e coeso. As relações humanas e as situações tensas criadas são o enfoque. A série não tenta explicar o que está acontecendo – o embasamento científico não é o principal. Geralmente o episódio se inicia com um flashback do personagem que será o centro da narrativa, assim conhecemos um pouco sobre cada um deles. Ao final dos capítulos sempre há um plot, que nos faz querer continuar vendo sem parar.

“Noite Adentro” é uma agradável surpresa do gênero de ficção cientifica e deve agradar ao público com seu enredo cheio de mistério e tensão. Seu final deixa em aberto uma segunda temporada, então dona Netflix providencie isso pra já.

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#Série | Eu Nunca

Oi gente!
Quem quer uma série teen para assistir? Hoje a dica é “Eu Nunca”, da Netflix, que veio com tudo nessa quarentena, pra fazer você rir, se encantar e se apaixonar pelos seus personagens. E que surpresa boa foi esta série!


Criada por Mindy Kaling e Lang Fisher, “Eu Nunca” acompanha a história de Devi (Maitreyi Ramakrishnan), uma garota que teve um trágico começo no ensino médico após perder o pai (Sendhil Ramamurthy – vocês vão lembrar dele de “Heroes” ou então, mais recentemente em “The Flash”) e ficar paralítica – temporariamente. Quando ela começa o segundo ano, ela quer uma vida nova. Principalmente, porque ela também quer um namorado. E aproveito para perguntar: vocês são #TeamBen ou #TeamPaxton?

E o mais legal é que outra vez a Netflix traz diversidade cultural e de gênero. Em 10 episódios, são exibidos para nós a cultura indiana, o casamento arranjado, o tabu da virgindade, a dificuldade que muitos enfrentam em se aceitar no mundo LGBT e aqueles clichês da adolescência. Além disso, a série é narrada pelo divertidíssimo ex-tenista John McEnroe.

Os personagens coadjuvantes são bem construídos, suas histórias também conquistam o público. As amigas Eleanor (Ramona Young) e Fabiola (Lee Rodriguez) vão ganhando destaque a cada episódio. Eleanor cresceu sem sua mãe, já que esta a “abandonou” para tentar uma carreira como atriz. Já Fabiola não sabe como comunicar os pais que é gay. Outro personagem muito interessante de se ver é Ben (Jaren Lewison) – o grande inimigo de Devi. Super inteligente, rico, porém não possui o afeto dos pais, que estão sempre ocupados e viajando. A disputa entre Ben e Devi é hilária, até que eles se aproximam e muita coisa acontece! Já Paxton (Darren Barnet), o interesse amoroso de Devi, possui um esteriótipo bem superficial, mas que também acaba contribuindo para o desenvolvimento da série, principalmente em sua relação com a irmã com síndrome de down.

Leveza, humor e delicadeza definem como a série é tratada. Vale muito a pena maratonar “Eu Nunca”!

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#Séries | 13 Reasons Why 3

Oi gente! 
Assim que saiu a 3ª temporada de 13 Reasons Why já fiz minha maratona no fim de semana. Com 13 novos episódios abraçando uma proposta de reparação de erros, a série consegue cometer novos problemas. Após reações negativas para a temporada anterior (que não era necessária) 13 Reasons Why volta trazendo um novo mistério.

Preciso confessar que a proposta foi bem chamativa, um escape que traria uma luz no fim do túnel, podendo ser bem interessante. A nova temporada girou em torno da morte de Bryce Walker (Justin Prentice). Afinal, quem foi o responsável por sua morte? Bryce sempre foi o vilão absoluto, sem piedade, sem nuances. A segunda temporada, inclusive, reforçou todo esse maniqueísmo. Agora, a produção resolveu humanizar o personagem. Vemos um Bryce arrependido pelo que fez, tentando, à sua maneira, consertar um pouco as coisas. A face humana mostra um garoto rejeitado pelos pais, principalmente o pai, desde sua infância. Há uma tentativa de justificar todas as atrocidades cometidas pelo playboy, bem como dar um peso maior à sua morte.

Por outro lado, temos Clay (Dylan Minnette), que continua sendo o amigo que tenta salvar todos. Dessa forma, ele se torna um dos principais suspeitos pelo assassinato. Além dele, todos os demais personagens possuem motivos para terem cometido o crime e, ao longo dos episódios, são descobertos vários segredos de Jessica (Alisha Boe), Justin (Brandon Flynn), Alex (Miles Heizer), Chloe (Anne Winters), Zach (Ross Butler), Tyler (Devin Druid) e Monty (Timothy Granaderos).  Além deles, temos o surgimento de uma nova personagem Amarowat Anisia Achola (Grace Saif). Toda a temporada é narrada pela perspectiva de Ani como é mais chamada, o que trouxe um certo incômodo. Ela chega à Liberty High após os acontecimentos do baile de primavera, que deram fim à segunda temporada, e rapidamente se envolve com os personagens principais. Porém, Ani, que não é nada carismática, narra diversos fatos, sentimentos, ações de todos os outros – coisas que ela não poderia saber devido ao pouco tempo de amizade ou até mesmo pouco contato com alguns deles. Ela sabe de tudo, domina tudo, está envolvida em tudo e praticamente dita a sequência de acontecimentos.  Ficou estranho. Na minha opinião – como não souberam aproveitar Katherine Langford na temporada anterior – poderiam ter recorrido novamente a atriz para narrar em off os fatos acontecidos, sem aparecer em nenhum momento. Teria sido mais crível para a história, já que a personagem está morta. E caberia a Grace Saif apenas o “relato” final.

Além disso, todo o desenvolvimento ocorre tanto no presente como no passado. E assim, algumas cenas ficaram confusas, mesmo com a produção distinguindo as fases com alguns efeitos, como por exemplo, no passado são utilizadas cores vivas e vibrantes; no presente temos cores mais escuras para vislumbrar os sentimentos daquele momento. Além disso, o formato da tela também é diferente – no passado a cena ocorre em tela cheia; no presente temos aquelas tarjas pretas. Por outro lado, a trilha sonora é um bom diferencial e traz um certo escape positivo.

Comentando sobre o elenco, temos boas atuações. Alisha Boe traz uma nova perspectiva à sua personagem acerca da sobrevivência ao trauma, e isso é muito bem desenvolvido quando Jéssica inicia um grupo com outras pessoas que passaram por experiências parecidas. Juntas, elas buscam acabar com o machismo dentro da cultura esportiva e a impunidade aos assediadores dentro da escola.

Brandon Flynn (Justin) e Justin Prentice (Bryce) também trazem arcos interessantes de seus personagens. Mas o grande destaque é sem dúvida nenhuma Devin Druid – o Tyler é o personagem que mais teve altos e baixos, que desenvolveu um contexto interessante. No final da season anterior, ele estava prestes a entrar atirando no baile e matar vários alunos (coisa que acontece bastante nos EUA). Depois disso, ele começou a construir amizades, a evoluir como pessoa e, principalmente, a deixar a vitimização de lado e crescer perante a sociedade. Sua performance foi arrebatadora e sensível.

Foram 13 episódios com um desenvolvimento mais contido, em relação às tramas. A impressão que fica é que 13 Reasons Why não quer mais se envolver em polêmicas desnecessárias, como foi o caso da cena de suicídio da Hannah (que inclusive foi retirada pela Netflix), ou do polêmico vislumbre de um estupro explícito com o Tyler. Mas, ao mesmo tempo, parece que a série perdeu um pouco da sua audácia, apresentada no início. Não vou dar spoilers (talvez dê ), mas a achei a ideia da revelação do assassino muito interessante, porém a temporada inteira discutiu a importância da moralidade, de consequências aos atos, de sempre dizer a verdade e, no fim, é desencadeada uma grande mentira.

Com uma quarta temporada já confirmada, resta saber o que os autores pretendem fazer para dar continuidade à história.  Não acho que o que aconteceu no final seja um gancho suficiente para o que virá. Agora é esperar pela 4ª e última temporada de 13 Reasons Why.

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#Séries | 3ª temporada de The Handmaid’s Tale

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Uma das melhores séries da atualidade encerrou sua terceira temporada – The Handmaid’s Tale, baseada na obra de Margaret Atwood, trouxe um ritmo mais lento, que dividiu a opinião do público. Aclamada em sua estreia e criticada em sua segunda temporada, desta vez, os showrunners tiveram que mudar um pouco – a história se desenrolou mais lentamente, cenas de violência (muito criticadas) foram cortadas e o desenvolvimento se tornou arrastado. Ainda assim, trata-se de uma grande produção.

A grande expectativa para esta temporada girava em torno da promessa de revolução e vingança de June. A personagem de Elisabeth Moss desistiu da fuga, no final da segunda temporada, e retornou para Gilead para buscar sua filha Hannah (não podemos negar que foi um mega plot twist). A terceira temporada iniciou mostrando a vida de Emily (Alexis Bledel) depois de ter escapado de Gilead com a ajuda de June. A adaptação não é fácil, já que ela precisa se envolver com o filho, que não via desde pequeno, além da esposa. Ela conhece Luke (O.T. Fagbenle) e Moira (Samira Wiley), passando a ajudar no trabalho com os refugiados.

Aos poucos, com o passar dos episódios, a história no Canadá começa a ser ofuscada pelos anseios de June. Primeiramente, ela é forçada a aparecer em programas de TV, entre outras mídias para que o casal Waterford tenham a bebê Nichole de volta. E depois de ter uma vida conturbada com Serena (Yvonne Strahovski) e o comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes), ela acaba sendo remanejada de casa e passa a viver com os Lawrence. Lá, ela descobre que o comandante, apesar de não ser a pessoa mais confiável do mundo, ajuda as pessoas a fugirem para o Canadá. Com isso, a relação entre ele e June se torna complicada, pois o comandante Lawrence (Bradley Whitford) não consegue controlar as ações e planos da aia. Em um determinado momento, ela descobre que Gilead foi moldado com a ajuda do comandante, que se mostra arrependido principalmente pela sua esposa, Eleanor (Julie Dretzin), que ficou completamente perturbada com o novo mundo e precisa de ajuda psicológica.

O que estávamos ansiosos para ver, aconteceu apenas nos últimos episódios. June, com ajuda das aias e Marthas, resolve bolar um plano para tirar as crianças de Gilead. Embora a temporada tenha sido a menos acalorada da série – talvez por ter mais episódios – 13, a transformação de June é algo para aplaudir. A personagem tem se tornado cada vez mais fria e calculista – algo muito importante para o desenvolvimento da história.

E como a história tem seguido um ritmo mais arrastado era de se esperar que coadjuvantes roubassem a cena. Alexis Bledel brilhou quando Emily chega ao Canadá com Nichole – vê-la encontrando Moira e Luke foi um dos momentos mais emocionantes de toda a série. Outros personagens também tiveram enfoque. A Tia Lydia (Ann Dowd), por exemplo, ganhou um episódio de origem muito bem desenvolvido. Podemos ver como a personagem era antes de tudo e, principalmente, os motivos que a levam a aceitar todas as atrocidades. Mas, por outro lado, a figura de Serena passa vários episódios distante e volta apenas no final. O que é realmente uma pena, primeiro pela atuação incrível de Yvonne Strahovski, e segundo pela expectativa criada sobre a relação dela com Fred. Há sim um ou dois momentos na temporada que entregam isso, mas a sensação é que a personagem foi deixada um pouco de lado.

Tivemos ótimos episódios – a sequência em Washington é muito boa – podemos ver que a situação já saiu de controle, com um nível de atrocidades muito maior do que ocorre em Gilead. Como falei, o episódio da Tia Lydia também foi bom, assim como os capítulos finais. A fotografia continua incrivelmente perfeita. Mas uma coisa tem começado a me irritar também – as cenas com close no rosto da atriz Elizabeth Moss – é um atrativo que funcionou muito bem na primeira temporada – fazendo com que a atriz ganhasse o Emmy – mas tem sido muito utilizado e, em momentos desnecessários. O público cansa disso. É necessário? Sim, até porque Elizabeth Moss é muito talentosa e consegue passar suas emoções e expressões apenas com o olhar, mas tem que ser em momentos estratégicos.

Enfim, mais uma temporada se passou e June permanece presa em Gilead. Mas agora, o sentido dela ali é mais claro. Ela é um símbolo de esperança. Vamos aguardar a 4ª temporada, que já está confirmada pela Hulu.

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#Série | Sintonia

Oi gente!
Nesta semana estreou na Netflix a nova produção original brasileiraSintonia, idealizada pelo KondZilla (um dos principais nomes do audiovisual musical), em parceria com Guilherme Quintella e Felipe Braga, e produzida pela Losbragas (que também é responsável pela produção de “Samantha!”). A série possui uma premissa realmente interessante: apresentar a vida de três amigos na periferia paulistana, sob um ponto de vista menos estigmatizado e mais humano.

Primeiro temos Doni (MC Jottapê), um jovem que, como muitos, sonha em um dia atingir o sucesso no mundo do funk, mas mesmo investindo todo seu esforço em escrever músicas para se tornar um MC, não tem a aprovação e compreensão do pai. Rita (Bruna Mascarenhas) se mantém vendendo produtos clandestinamente em estações de ônibus e ajudando a traficar maconha, mas sua vida sofre uma grande virada quando acaba colocando sua melhor amiga em perigo, o que a faz enxergar na religião uma forma de melhorar sua vida. Por último, entre os protagonistas, temos Nando (Christian Malheiros), um jovem que já se encontra em uma vida de crimes para poder sustentar sua mulher e filha, mas o desejo de crescer nesse mundo acaba fazendo com que ele se afundasse mais do que gostaria.

Já começo dizendo para não ter preconceitos com a série! Sim, ela retrata o mundo do funk, das drogas e da favela em São Paulo. Mas vai muito além. O roteiro é bem desenvolvido, conta uma história envolvente, com cenas interessantes, sempre tendo um jogo de câmera ou imagens aéreas, um diálogo real cheio de gírias da quebrada paulistana e, por fim uma fotografia atraente.

As três histórias vão se relacionando cada vez mais ao longo da trama, com o encontro dos protagonistas sendo utilizado para interligar cada um dos três núcleos, onde vemos cada um dos amigos empenhado em apoiar o outro nestas novas fases de suas vidas. Em nenhum momento a série se perde ao contar a história de seus personagens, conseguindo fazer com que o espectador não só entenda o ponto de vista de cada um, mas torça pra que obtenham sucesso no que procuram. A relação de irmandade é bem construída e facilitada graças à boa química do trio de atores.

Falando em elenco, o nome mais conhecido é do MC Jottapê, que já fez alguns filmes e novelas como “O Menino da Porteira” (ao lado do sertanejo Daniel) e “Chiquititas”, no SBT. Além de atuar, ele já gravou diversas músicas e clipes no canal do próprio KondZilla. Christian Malheiros iniciou sua carreira no teatro e fez sua estreia nos cinemas em 2018, no drama “Sócrates”, pelo qual foi nomeado aos Prêmios Independent Spirit de Melhor Ator Principal. Já Bruna Mascarenhas fez sua estreia em TV.

A direção de KondZilla também dá tom à produção, que mostra tudo de uma forma crua e real, mesmo não usando sangue, muito sexo ou palavrões. O episódio final traz uma belíssima sequência que mostra e compara rituais de cada um desses ambientes. A edição ficou bem caprichada. E o que falar da trilha sonora!? Eu curto funk, então achei muito boa, retrata bem esse estilo que, inegavelmente, é uma forma de expressão artística e se tornou um forte patrimônio cultural brasileiro. Também tem, ao longo dos episódios, a utilização de músicas gospel, nos momentos da igreja. Foi uma construção musical interessante. Eu já estou ouvindo a trilha completa no Spotfy.

E mesmo que a Netflix não tenha se pronunciado sobre a renovação, a 1ª temporada chega ao fim deixando uma estrutura já definida para próximos arcos. Tanto que, em entrevista ao programa The Noite do Danilo Gentili, o Kondzilla já adiantou que a série foi pensada para ter três temporadas.

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#Série | La Casa de Papel 3

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Quem aí já maratonou a terceira parte de La Casa de Papel? Eu assisti todos os episódios em dois dias!! E hoje vou contar um pouquinho sobre o que achei para vocês!

Oito episódios dão a medida perfeita para a nova etapa de La Casa de Papel, que se encontra um tanto mais madura e centrada majoritariamente em seus arcos principais. Quem gostou das partes 1 e 2 com certeza se sentirá agraciado com a terceira parte, que mais uma vez mostra que não é tão fácil cometer crimes e se livrar deles assim. Os ladrões de La Casa de Papel cometeram o primeiro roubo como forma de fazer resistência contra as políticas da Espanha, e nesta temporada vemos que a corrupção por lá é grande e que as autoridades do país têm muito a esconder.

Após o assalto à Casa da Moeda, os ladrões mais queridos da Espanha se dividem e vão aproveitar a riqueza em determinadas partes do mundo – lugares onde poderiam viver livremente sem serem presos “tecnicamente”. Rio (Miguel Herrán) e Tóquio (Úrsula Corberó) passam alguns anos sozinhos em uma ilha paradisíaca, mas depois de tanto tempo de calmaria a ladra decide que não quer passar o resto da vida assim e que precisa se desprender; Rio, por outro lado, está muito acostumado com a nova vida. Depois de um tempo, ela resolve partir e, consequentemente, a relação entre os dois é prejudicada. Para que pudessem manter contato, ela leva consigo um telefone via satélite que, na teoria, era não-rastreável para que o casal pudesse manter contato. Mas, infelizmente, não foi bem assim que aconteceu. Assim que os aparelhos foram ligados pela primeira vez, logo os detetives espanhóis captaram os sinais de origem e descobriram onde estavam Rio e Tóquio. Enquanto ela conseguiu fugir, ele foi capturado.

Em desespero, Tóquio consegue encontrar o Professor (Álvaro Morte), que está vivendo com Raquel (Itziar Ituño), e conta o ocorrido. Como não há nenhuma notícia sobre a captura, a suspeita é que ele está sendo torturado ilegalmente para revelar informações. É quando a terceira temporada começa de verdade. Vemos em La Casa de Papel 3 que os ladrões são considerados heróis. Com fãs em toda a Espanha, eles são adorados justamente por ir contra os ideais do governo corrupto do país. Os macacões e máscaras de Salvador Dalí, utilizados pelos ladrões, se tornaram um símbolo de resistência ao redor do mundo e aparecem até mesmo em um protesto no Brasil.

Vendo toda essa comoção, o grupo decide iniciar um novo roubo como forma de resgate do Rio. O alvo, desta vez, é o Banco da Espanha, que guarda uma grande quantidade de ouro num cofre extremamente protegido embaixo da terra. Lá, também há documentos que comprovam as irregularidades do governo. A série conta com novos personagens – Palermo (Rodrigo de la Serna), Bogotá (Hovik Keuchkerian) e Marselha (Luka Peros), além das já conhecidas Estocolmo/Mônica Gaztambide (Esther Acebo) e Lisboa/Raquel. Juntos com os demais – Nairobi (Alba Flores), Denver (Jaime Lorente) e Helsinki (Darko Peric), o grupo voltará para fazer história. Mas talvez a melhor nova personagem desta temporada seja a inspetora Alicia Sierra (Najwa Nimri). Grávida, ela é a responsável pelas torturas a Rio e depois aparece para comandar as negociações. Amamos odiar a personagem!

Na minha opinião, um dos motivos do sucesso de La Casa de Papel é a empatia que temos com os personagens. Mesmo eles sendo “anti-heróis”, nós torcemos para que o roubo dê certo e eles saiam todos salvos. É estranho pensar que torcemos para os bandidos se darem bem, mas esse é o ponto alto de todo o roteiro. Todos eles conquistam o público. Com exceção do Palermo, que é extremamente machista, deixa bem claro a sua falta de caráter e respeito com as mulheres – o personagem veio substituir Berlim (Pedro Alonso), que realmente morreu na temporada anterior – resolvendo assim um dos grandes mistérios dessa terceira parte. O ator Pedro Alonso tem algumas cenas de flashback, que também traz um certo sentimento de saudade.

Uma crítica que faço é com relação ao retorno de Arturito. Ele que na primeira e segunda parte era um refém, passou a ser uma pessoa famosa, ganhando a vida fazendo palestras motivacionais e divulgando o seu livro, contando tudo o que aconteceu no crime. O personagem foi um dos mais odiados no início da história e não teve nenhuma função nesta temporada. Se não tivesse aparecido, não teria feito falta nenhuma. É bem provável que ele terá função na parte 4, já que ele entrou no Banco da Espanha durante o desenvolvimento do assalto. Acho que o roteiro falha ao mostra-lo sem ter um propósito imediato.

Fazendo um balanço geral, a Netflix acertou com a nova parte de La Casa de Papel. A série possui cenas ótimas – tanto que podemos ver o aumento no investimento por parte do serviço de streaming. O desfecho deixa aberto para uma nova temporada, que já foi confirmada e já está sendo filmada. Não darei spoilers aqui, mas já digo para se prepararem para um desfecho impactante.

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#Série | 2ª Temporada de Dark

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Antes de assistir Stranger Things 3 (tem resenha AQUI), eu conferi a 2ª temporada de Darksérie alemã da Netflix. Em sua temporada de estreia, a produção se mostrou uma grata surpresa devido à sua trama intrincada que misturava suspense e ficção científica. Nos primeiros episódios, a série apresentou Widen, uma cidade tomada por mentiras e segredos que entra em ebulição após o inexplicável desaparecimento de um garoto que resulta em uma complexa teia de viagens no tempo. Depois de dois anos de espera, a produção alemã retorna em grande estilo ao escancarar sua veia sci-fi, sem deixar os mistérios para trás.

Fãs de ficção científica que ainda não conferiram Dark, estão perdendo a chance de acompanhar uma ótima produção. A nova temporada possui apenas oito episódios.

Dark volta exatamente no ponto de parada da season 1, quando Jonas Kahnwald (Louis Hofmann) se encontra no futuro – no ano de 2052 – após sua versão mais velha tentar destruir o buraco de minhoca. O mundo pós-apocalíptico traz novos perigos para o adolescente, que descobre uma forma de voltar ao passado após se esgueirar por um túnel e encontrar um grande segredo. Com isso, passamos a entender mais o papel do personagem na complexa engrenagem da série, assim como suas conexões com outros personagens como Noah (Mark Waschke) e a diretora da usina nuclear (em 1986) Claudia Tiedemann, que vemos em três versões diferentes. Paralelamente, durante as investigações a respeito do sumiço de Mikkel Nielsen (Daan Lennard Liebrenz), mais pessoas descobrem a possibilidade de visitar outros períodos, criando um verdadeiro fluxo de gente fora de seu tempo. Consciente de sua densidade, o roteiro consegue se manter coeso ao localizar pessoas com motivações variadas através de linhas temporais.

Com uma produção meticulosa, a nova temporada amplia não só sua complexidade narrativa, como também seu espetáculo visual. O grande acerto de Dark na segunda temporada é explorar ainda mais ‘o vilão’- que depois se descobre que não existe nem vilão, nem mocinho. E a linha que une a ciência e a ficção.

Ao solidificar seus pontos positivos, Dark se mantém firme em uma vastidão de tramas e garante um retorno em alto nível, e com previsão de terminar na terceira temporada, o futuro da produção não poderia ser mais animador (e desesperador ao mesmo tempo). A produção traz uma segunda temporada que é brilhante, mas o nó na cabeça continua, talvez até piora. O final da temporada é surpreendente! É interessante o fato que Dark te faz pensar, raciocinar, além de criar mil teorias. De vez em quando é bom sair da zona de conforto.

#Série | Stranger Things 3

Oi gente!
Quem acompanhou meus stories na última semana viu que eu aproveitei o feriado prolongado para assistir a 3ª temporada de Stranger Things – uma das minhas séries preferidas, lançada pela Netflix. Com uma trama mais contida e um roteiro bem amarrado, a produção com oito episódios.

Nesta nova fase, acompanhamos cinco linhas narrativas. A primeira com as crianças – não tão crianças mais – Mike (Finn Wolfhard), Will (Noah Schnapp), Lucas (Caleb McLaughlin), Max (Sadie Sink) e Eleven (Millie Bobby Brown) descobrindo as novas perspectivas da adolescência. A segunda traz o quarteto Steve (Joe Keery), Dustin (Gaten Matarazzo), Erica (Priah Ferguson) e Robin (Maya Hawke – para quem não sabe, ela é filha dos atores Ethan Hawke e Uma Thurman) desenvolvendo uma investigação pelo shopping Starcourt após interceptarem uma conversa russa. A terceira linha narrativa acompanha o elenco adulto – Hopper (David Harbour) e Joyce (Winona Ryder), que fica intrigada com os imãs de não fixam em sua geladeira, desenvolvendo outra investigação, enquanto fogem de um assassino russo que faz total referência ao personagem de Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro. Outra linha acompanha Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan (Charlie Heaton) no mercado de trabalho machista, onde ela tenta se impor e acaba ferrando tudo. E por fim, Billy (Dacre Montgomery) intensifica o arco sombrio da trama, que acompanha o Devorador de Mentes, com a intenção de possuir todos os habitantes da cidade.

É importante ressaltar como os produtores – os irmãos Duffer – construíram uma trilha narrativa extremamente competente e, principalmente, souberam aproveitar o que a série tem de melhor – a referência aos anos 80 e a capacidade dos personagens em conquistar o público.

Eu gostei bastante da relação construída nessa temporada entre as meninas – Max e Eleven, afinal de contas elas estão crescendo, surgem os namoros – era natural elas se aproximarem, e essa aproximação foi muito bem desenvolvida. Outra relação que já havia sido construída na temporada anterior e que deu muito certo foi entre Dustin e Steve. Em um primeiro momento fiquei receoso que o Dustin não seguiria com o restante dos meninos, mas acho que foi até melhor assim – o quarteto formado ganhou muito destaque – talvez até se tornando a melhor linha narrativa – e o surgimento das meninas foi essencial. Maya Hawke chegou para brilhar na trama e Priah Ferguson ganhou bastante destaque, após surgir na temporada anterior e conquistar todo o público com a engraçada e NERD Érica.

Para quem esperava que os produtores iriam continuar desenvolvendo a história da Eleven e as demais crianças que serviam como experimentos – como a Eight que apareceu em um polêmico episódio da segunda temporada – acabou não acontecendo. É bem provável que isso possa retornar na season 4.

Considerando que no 3º ano possui mais personagens dentro do círculo, é impressionante observar como os diálogos permanecem fluidos, consistentes e trazem uma maturidade que não só é originada pela passagem do tempo, mas principalmente pelas vivências que o público pode acompanhar desde a 1ª temporada. O crescimento dos garotos não só é apresentado pela mudança física ou no tom de voz, mas pelo modo como reagem às adversidades em conjunto.

Além da alta qualidade no roteiro que mescla fantasia, drama e tensão na mesma intensidade, Stranger Things parece estar cada vez mais à vontade para explorar o mundo de referências contidas nos anos 80. A produção continua impecável – o shopping é um dos pontos altos; a trilha sonora sempre maravilhosa, as roupas em tons neon, com muitas cores, estampas deixa tudo ainda mais bonito.

Com um final bombástico que promete deixar muitos fãs inconsoláveis, a série da Netflix se fortalece como uma das melhores coisas da televisão. Com uma cena pós-créditos que mostra um velho conhecido dos nossos protagonistas, Stranger Things finaliza com uma boa evolução, fazendo com que criemos diversas teorias para o que aconteceu. Prepare-se para rir e se emocionar!

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