Tag: roma

#Filme | Roma

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Roma”, do diretor mexicano Alfonso Cuarón. O longa recebeu o maior número de indicações (assim como “A Favorita”) concorrendo em dez categorias – melhor filme, melhor direção, atriz (Yalitza Aparicio), atriz coadjuvante (Marina de Tavira), roteiro original, filme estrangeiro, direção de arte, fotografia, edição de som e mixagem de som. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI), “Vice” (AQUI) e “Green Book – O Guia” (AQUI).

O vencedor do Oscar Alfonso Cuarón (por Gravidade, em 2014) está de volta com mais uma obra prima e, novamente, com grandes chances de vencer a categoria neste ano. Inclusive, nos últimos anos, o prêmio de melhor direção foi dominado pelos mexicanos – Cuarón venceu em 2014; Alejandro González Iñárritu ganhou dois anos seguidos 2015-2016; e no ano passado quem levou a melhor foi Guillermo del Toro. Curiosidades a parte, Cuarón é favorito pois trouxe um filme emocionante – quase uma cinebiografia, já que a produção é consolidada a partir de memórias da infância do diretor.

Ambientado no México do início dos anos 1970, “Roma” narra a história de Cleo (Yalitza Aparicio), uma empregada e babá, que trabalha na casa de uma família de classe média. Sua patroa Sofia (Marina de Tavira) enfrenta problemas no casamento ao mesmo tempo que precisa cuidar dos quatro filhos, com o auxílio da empregada. Em um período conturbado da história mexicana, Cleo precisa enfrentar um grande dilema.

O longa pode fazer história no Oscar 2019 – vencer na categoria de melhor filme estrangeiro (o que é praticamente certo), além da categoria principal de melhor filme. Se isso acontecer também será a primeira vez que uma produção do serviço de streaming (Netflix) leva o principal prêmio da noite.

Vencer não seria surpresa. A produção é simplesmente impecável. Cada plano é brilhantemente pensado, com cenas longas em planos sequência, diálogos que retratam o cotidiano, com boas atuações. Yalitza Aparicio talvez seja o melhor acontecimento. A mexicana que era professora, da noite pro dia virou estrela de cinema e até ganhou uma indicação ao Oscar, desbancando outras atrizes que eram favoritas como Emily Blunt (de O Retorno de Mary Poppins). Com uma atuação segura e emocionante, ela nem precisa de falas para ser o grande destaque em “Roma”. Já a experiente Marina de Tavira também conseguiu uma indicação – na minha opinião desnecessária – e não tem grandes chances.

“Roma” é uma narrativa sobre o amor em suas diversas facetas. Alfonso Cuarón volta a impactar com uma história comovente e de cunho social. Não é meu filme favorito no Oscar (a minha torcida é de Green Book), mas se vencer será por grandes méritos.

#Livro | Quatro Estações em Roma

Anthony Doerr recebeu muitos prêmios ao longo da carreira, entre eles o Rome Prize, uma das mais importantes premiações da Academia Americana de Artes e Letras, que inclui ajuda de custo, um apartamento e um estúdio para escrever na Itália. “Quatro Estações em Roma” nasceu das memórias dos doze meses que o autor passou na cidade, em meio aos cuidados com os filhos bebês, uma insônia constante e o misto de deslumbramento e estranheza de um estrangeiro no dia a dia da capital italiana.

Autor: Anthony Doerr
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 240
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva | Fnac

“Como sempre acontece quando se está longe de casa, são os detalhes que nos fazem sentir deslocados”. Assim Anthony Doerr, autor do premiado “Toda luz que não podemos ver”, descreve a sensação de se mudar inesperadamente do interior dos Estados Unidos para Roma, com os filhos e a esposa. Doerr passou um ano na capital italiana após receber um prêmio da Academia Americana de Artes e Letras, que incluía ajuda de custo, um apartamento e um estúdio para escrever na Itália. As recordações desse período estão em “Quatro estações em Roma”.

O estranhamento de Doerr com o novo país começa logo na chegada: a cozinha do apartamento não tem forno. As janelas não têm telas. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, as verduras e frutas são vendidas em feiras ao ar livre, e não em um supermercado. Para Doerr, Roma é um mistério: um outdoor de uma marca de roupas tremulando na fachada de uma igreja de quatrocentos anos, uma construção comum ao lado de uma obra-prima da arquitetura. Em meio a tudo isso, ele cuida dos filhos, lida com uma insônia que parece não ceder e tenta, sem muito sucesso, escrever um novo romance — “Toda luz que não podemos ver”, lançado sete anos mais tarde e que acabaria rendendo ao autor o Pulitzer de ficção.

O livro é dividido em quatro partes correspondentes às quatro estações do ano, cada uma tendo relatos de diversas situações vividas pela família. Quando comprei o livro achei que fosse ser mais para o lado do romance, mas era em estilo de memórias – o que me surpreendeu. É muito interessante saber como os escritores pensam durante o processo de criação de um livro ou projeto. Achei a premissa super bacana. Inclusive a escrita de Anthony Doerr também é ótima – ele consegue descrever com perfeição as suas lembranças, tanto que conseguimos visualizar tudo! Mas… sempre tem um “porém”. Em vários momentos eu ficava com raiva do autor. Imagina você ser convidado para passar um ano em Roma – uma cidade lindíssima, berço da arquitetura, da arte e da moda. E na maior parte do livro, o autor só reclama… Se eu fosse convidado para morar na Itália, eu ia amar conhecer as igrejas, praças, as obras de Michelangelo, Rafael, Benini, entre tantos outros artistas. Tudo bem que sair de sua terra natal para morar em um país com outros costumes e tradições pode ser bem estranho, mas em muitos momentos temos a impressão de que ele está lá por obrigação, como se fosse forçado a isso, e não por vontade própria.

Mas isso é o que faz “Quatro Estações em Roma” ser um livro verdadeiro. Ninguém tem a obrigação de gostar dessa situação ou conseguir se adaptar à momentos controversos com facilidade. E isso faz com que, em muitas passagens, nós leitores tenhamos a sensação de proximidade com o escritor, como se fossemos amigos dele e estivéssemos escutando um desabafo.

Além disso, Anthony Doerr esteve na Itália quando ocorreram diversas coisas como a morte do papa João Paulo II. Com certeza, a descrição dessa passagem é a melhor parte do livro. Outros destaques são os pequenos relatos diários, pequenos pensamentos e reflexões que o autor decide compartilhar, geralmente envolvendo os filhos gêmeos – como por exemplo, os seus primeiros passos, primeiras palavras e os passeios por alguns pontos turísticos.