Tag: Projeto Lendo o Mundo

Livro ▪ A Última Tragédia (Projeto Lendo o Mundo)

Autor: Abdulai Sila
Editora: Pallas
Páginas: 192
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Amazon

Oi gente!
É dia de projeto “Lendo o Mundo” – aquele que leio livros de todos países para conhecer a literatura, cultura e tradições desses locais. E, por sorteio, fui ler “A Última Tragédia”, de Abdulai Sila, publicado pela editora Pallas, e que representa a Guiné Bissau 🇬🇼 Esse livro foi publicado originalmente pela Kusimon Editora, em 1995, e no Brasil em 2006.

A República da Guiné-Bissau é um país do continente africano e foi colônia de Portugal até 1973.  Apenas 15% da população fala português. A grande maioria da população (90,4%) fala kriol, uma língua crioula baseada no português, enquanto o restante dos habitantes fala uma variedade de línguas africanas nativas.

Pesquisando sobre escritores do país, encontrei Abdulai Sila, que inclusive é o autor do que é considerado o primeiro romance guineense: “Eterna Paixão” (1994). Como não achei um exemplar para comprar, decidi ler “A Última Tragédia”, seu segundo livro. A trama narra a história da colonização pela ótica do colonizado. Primeiro, acompanhamos a jovem Ndani, que sai de seu povoado no interior do país em busca de uma vida melhor na capital, Bissau. Ela quer se ver livre da profecia de um curandeiro que dizia que ela era portadora de um mau espírito e que as tragédias acompanhariam sua vida. Ndani não falava português, a língua dos brancos, mas aprendeu algumas palavras que repetiu de porta em porta na cidade: “Sinhora, quer criado?” E foi assim que ela foi parar na casa da Dona Linda e do Sr. Leitão, onde descobriu um mundo novo. Para ela, o mundo do branco é completamente diferente. Agora a garota conhece o preconceito, a exploração e a tentativa de apagamento de sua cultura.

Dona Linda achava que tinha uma missão sagrada: catequizar os negros. Então ela criou escolas para que eles se tornassem replicadores do Evangelho. Um desses replicadores é o Professor, que chega a Quinhamel e lá conhece o Régulo Bsum Nanki. “Régulo” é um líder tradicional africano, um personagem que sobreviveu à colonização. E Bsum Nanki questiona a supremacia do branco sobre o negro e o direito de um povo invadir a terra do outro para instalar a sua lei. As vidas dos três personagens – Ndani, o Professor e o Régulo – em certo momento se cruzam.

Com relação à leitura, tive um pouco de dificuldade no meio do livro. A história de Ndani me pegou logo de cara e a leitura estava fluindo, até que mudou o cenário e fiquei um pouco perdido, mas logo tudo fez sentido. Foi muito interessante perceber a história pela ótica das pessoas oprimidas e o contraponto que o autor faz em cima da imposição cultural é excelente. E ainda quero ler outros livros do autor, se eu conseguir achar!

Este foi o 8º livro lido do projeto. Quer saber quais foram os outros? Acesse AQUI

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#Livro | O Cantor de Tango (Projeto Lendo o Mundo)

Oi gente!
Faz tempo que não trago nada do Projeto “Lendo o Mundo” – aquele que leio livros de todos países para conhecer a literatura, cultura e tradições desses locais. Prometo que vou me empenhar para colocar essas leituras em dia (apesar de já ter prometido isso antes). Enfim, dessa vez li “O Cantor de Tango”, escrito por Tomás Eloy Martínez. Pelo nome já é possível saber qual país ele representa: Argentina 

Em “O cantor de Tango”, publicado pela Companhia das Letras, percorremos Buenos Aires em andanças noites adentro e conhecemos ruas e cafés. A história segue Bruno Cadogan, um doutorando americano que está escrevendo uma tese sobre as origens do tango baseado nos ensaios do escritor Jorge Luis Borges. Ele decide ir a capital argentina após ouvir falar de Julio Martel, um cantor de tangos antigos que nunca deixou sua voz gravada e que alguns dizem ser melhor do que Carlos Gardel.

Ao viajar, entre setembro e dezembro de 2001, a Argentina passava por uma forte crise econômica e Buenos Aires é tomada por protestos. Os panelaços nessa época tiveram repercussão mundial e em 12 dias o país teve 5 presidentes diferentes. A história progride junto com a crise, o que parece deixar Bruno ainda mais envolvido com a cidade e seus moradores. No rastro do artista, o estrangeiro se perde em intrincados labirintos sobrepostos em planos paralelos: na arquitetura da cidade, em seu passado pontuado de tragédias, em sua densa literatura e na alma de seus habitantes.

A narrativa é bem intensa e o autor consegue captar a atenção ao descrever lugares e histórias. É impressionante como o personagem protagonista é tão bem construído a ponto de várias vezes achar que era o autor a descrever alguma passagem de sua vida. Inclusive, fiquei chocado ao saber que as histórias retratadas não são verdadeiras, mas imaginárias. Fiquei com muita vontade de passear pelos lugares citados, pelas ruas e parques famosos. Uma dica, se você for ler o livro, primeiramente leia o conto “O Aleph”, de Jorge Luis Borges. Há várias referências ao texto que podem te deixar um pouco perdido durante a leitura. Em uma mistura de elementos jornalísticos, literários e musicais, Tomás Eloy Martínez constrói um arco narrativo interessante, apesar de ter uma barriga desnecessária durante o desenvolvimento da história.

Este foi o 7º livro lido do projeto. Quer saber quais foram os outros? Acesse AQUI

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#Livro | O Juiz e seu Carrasco (Projeto Lendo o Mundo)

Oi gente!
Hoje volto com o projeto “Lendo o Mundo” – aquele que leio livros de todos países para conhecer a literatura, cultura e tradições desses locais. (Saiba mais aqui) Dessa vez li “O Juiz e seu Carrasco”, escrito por Friedrich Dürrenmatt, representando a Suíça 🇨🇭 É bem provável que este será o último livro do projeto neste ano.

Aqui no Brasil, o autor é pouco lido – fui pesquisar e descobri que ele tem apenas este livro e outros três contos – A Pane, O Túnel e O Cão – publicados em língua portuguesa. Dürrenmatt ganhou fama com seus dramas  vanguardistas, profundos romances policiais, e algumas sátiras macabras. Um de seus principais bordões era “Uma história não está terminada até que algo tenha dado extremamente errado”.

Com relação ao livro, “O Juiz e seu Carrasco” conta a história de um policial que foi assassinado sob circunstâncias misteriosas. Bärlach, um velho e doente comissário, amante de cigarros, de vodca e da boa mesa, investiga essa morte ao mesmo tempo em que luta contra a sua própria, que parece cada vez mais próxima. Enquanto a polícia se vê às voltas com figurões locais; oficiais oportunistas tentam subir na carreira, e Bärlach faz as suas arriscadas jogadas. Na sombra, o assassino, um tipo maquiavélico, disserta sobre o bem e o mal, que ele considera possibilidades iguais.

O livro é profundo e complexo no psicológico dos personagens. Confesso que a leitura não fluiu tão bem, apesar de ser um livro bem curtinho – tem apenas 108 páginas. Acredito que a linguagem e, principalmente, os nomes complicados foram o que me causou maior estranheza. Mas isso não quer dizer que seja ruim. Até porque o principal conflito foi bem desenvolvido e a resolução do crime foi surpreendente. Poucos livros de suspense policial me surpreenderam no final, como este.  A leitura valeu a pena pelo conhecimento e pela experiência de explorar o texto de um autor que nunca havia lido nada antes.

Veja também as demais leituras do projeto – Por Dentro da Casa Branca (Estados Unidos)Muito Longe de Casa (Serra Leoa)O Ruído das coisas ao cair (Colômbia)A Última Mensagem de Hiroshima (Japão) e Depois de Auschwitz (Alemanha). E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 

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