Tag: Oscar 2021

#Filme | Nomadland

Oi gente!
“Nomadland” foi o grande vencedor do Oscar 2021! O longa concorria em 6 categorias e levou 3 estatuetas – melhor filme, direção (Chlóe Zhao) e melhor atriz (Frances McDormand).

A trama gira ao redor de Fern (Frances McDormand), uma mulher que perdeu tudo na Grande Recessão de 2008. Quando sua cidade desaparece do mapa, ela embarca numa van para viver como uma nômade, passando pelo oeste norte-americano, ao mesmo tempo que ainda carrega o luto, já que não consegue superar a morte de seu marido. Dentre empregos temporários e contratempos, ela faz amigos e descobertas no meio do caminho.

O interessante é que “Nomadland” mistura realidade e ficção – ele tem aquela cara de documentário, com depoimentos de pessoas que realmente vivem essa realidade, interpretando versões fictícias de si, como Linda May. É um retrato honesto de uma parcela da população norte-americana, que enfrenta, diariamente, perigos, frio e pobreza. O roteiro não se preocupa em retratar essa vida como problemática, mas sim, como uma escolha e um modo de vida de cada nômade. O filme é lindo, tem paisagens maravilhosas, é emocionante, real, porém, falta um conflito e o desenvolvimento se arrasta. Ainda assim, acho super merecedor do Oscar.

Frances McDormand proporciona outro momento marcante de sua carreira, porém não era minha aposta para vencer – houve atuações mais significativas. A vulnerabilidade da personagem foi o grande diferencial para esta vitória – foi um arco narrativo bem construído. E Chlóe Zhao se mostra uma grande aposta para o futuro (ela irá dirigir “Os Eternos” da Marvel).

Nomadland é sensível, com uma fotografia linda e com uma mensagem potente. Precisamos conhecer e ouvir as histórias contadas!

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#Filme | Os 7 de Chicago

Oi gente!
“Os 7 de Chicago”, filme da Netflix, escrito e dirigido por Aaron Sorkin, passou despercebido no Oscar 2021 – foram 6 indicações e nenhuma vitória. A produção se baseia em um dos julgamentos mais controvertidos e polêmicos da história dos Estados Unidos.

O drama é ambientado no ano de 1969 e acompanha todo o julgamento do grupo formado por Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen), Jerry Rubin (Jeremy Strong), David Dellinger (John Carroll Lynch), Tom Hayden (Eddie Redmayne), Rennie Davis (Alex Sharp), John Froines (Danny Flaherty) e Lee Weiner (Noah Robbins). Junto a eles está Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II), co-fundador do Partido dos Panteras Negras. Eles foram julgados e condenados por terem organizado protestos contra a Guerra do Vietnã e o governo do presidente democrata Lyndon Johnson, durante a Convenção do Partido Democrata em 1968, em Chicago; o evento se iniciou de forma pacífica, mas, com o choque da polícia, acabou sendo marcado por violência e revolta.

A condução do filme é feita para impactar, visto que o julgamento se desenvolveu perante interesses políticos. O grande diferencial do roteiro é o diálogo. E dentro da proposta apresentada, a edição também se destaca, já que o filme não segue uma narrativa linear. Logo no início, vemos uma breve apresentação dos personagens e, em seguida, já somos jogados no tribunal. Os fatos que ocorreram são intercalados ao desenvolvimento do julgamento. Dessa forma, poderia ter sido bem mais confuso, se a edição não tivesse funcionado bem.

O longa possui ótimas cenas envolvendo Yahya Abdul-Mateen II, Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne. O racismo escancarado do juiz Julius Hoffman (Frank Langella) e o tratamento diferenciado dado aos réus e aos Panteras Negras soa muito atual. Porém, as motivações de cada personagem não ficaram muito claras – poderia ter tido um aprofundamento maior.

“Os 7 de Chicago” apresenta uma narrativa forte que traz luz a temas ainda frágeis para a nossa sociedade. Fica a dica!

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#Filme | Mank

Oi gente!
“Mank”, um dos filmes mais autorais e intimistas do diretor David Fincher, cravou 10 indicações no Oscar 2021, levando duas estatuetas – melhor figurino e design de produção. O enredo se passa em Hollywood durante os anos 30 e 40, seguindo a história tumultuosa do roteirista Herman J. Mankiewicz (vivido pelo ator Gary Oldman) durante a criação da obra-prima “Cidadão Kane” (1941) e sua luta com o autor Orson Welles (Tom Burke) pelo crédito do script do grandioso longa.

A história também contempla o magnata da mídia sensacionalista William Randolph Hearst (interpretado por Charles Dance), a grande inspiração para o protagonista do clássico, e sua relação com a atriz Marion Davies (Amanda Seyfried). Além disso, vemos outros nomes famosos da história do cinema sendo retratados como Joe Mankiewicz (Tom Pelphrey) – roteirista e diretor de grandes sucessos, vencedor de 2 Oscars e irmão de Mank; Louis B. Mayer (Arliss Howard) – fundador do estúdio MGM Metro-Goldwyn-Mayer; David O. Selznick (Toby Leonard Moore) e o próprio Orson Welles.

O roteiro foi escrito por Jack Fincher antes de sua morte em 2003, David pretendia produzir o filme depois do lançamento de The Game (1997) com Kevin Spacey sondado para estrelá-lo, porém o filme nunca foi produzido por conta da insistência de Fincher em filmar em preto e branco. Em 2019, a Netflix resolveu tirar a produção do papel e levar para as telas.

Como sou cinéfilo de carteirinha, o longa foi muito interessante, trazendo uma experiência imersiva à Era de Ouro de Hollywood. O personagem principal é denso, sagaz e ácido, trabalhado em camadas pelo excelente Gary Oldman, em um de seus melhores momentos.

A fotografia em preto e branco do diretor Erik Messerschmidt é incrível, tanto que levou o Oscar. Toda a reprodução da Hollywood da época também é impecável. Mas, a história é um pouco arrastada, chegando a ser cansativa em alguns momentos. David Fincher saiu de um longo jejum cinematográfico após a direção de “Garota Exemplar”, em 2014 (mesmo tendo ótimas passagens pelas séries “House of Cards” e “Mindhunter”) para trazer um ótimo filme em 2020. Para quem curte a história do cinema, seria interessante assistir. E uma dica: ver ou rever “Cidadão Kane” também seria ótimo para a imersão.

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#Filme | Bela Vingança

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“Bela Vingança” tem se destacado nas premiações deste ano e recebeu 5 indicações ao Oscar – melhor filme, atriz (Carey Mulligan), direção (Emerald Fennell), roteiro original e edição.

O filme acompanha a história de Cassandra Thomas (Carey Mulligan), ex-estudante de medicina e funcionária de uma cafeteria. Assombrada por um acontecimento da época da faculdade ocorrido com uma amiga, todas as noites, após o trabalho, ela costuma ir a boates e, fingindo estar bêbada, se deixa levar pelo primeiro idiota que aparece para ‘salvá-la’. Sempre com segundas intenções, os rapazes se veem surpreendidos e assustados ao descobrirem a ‘pegadinha’. A situação muda quando Cassandra reencontra Ryan (Bo Burnham), um ex-colega da faculdade que tem um antigo crush por ela. A partir daí, Carrie encontra seu novo propósito: vingar-se dos responsáveis por suas memórias. Assim, a trama é conduzida por esse desejo de vingança, e aos poucos suas motivações são explicadas.

A produção é bem interessante. A protagonista apresenta várias camadas que são apresentadas ao longo do desenvolvimento do filme. Carey Mulligan está em um ótimo momento de sua carreira – depois de protagonizar o elogiado “A Escavação”, ela está de volta com força em “Promissing Young Woman” (nome original), tanto que levou o Critics Choice Awards e pode surpreender no Oscar (apesar de não ser minha aposta).

Mas quem fez história foi Emerald Fennell, que ao lado de Chlóe Zhao (de Nomadland), conquistou uma indicação na categoria de direção, em um ano que teve grande representação feminina. Emerald, que também é atriz e esteve recentemente na 4ª temporada de “The Crown”, é o grande destaque do filme por trazer uma direção segura e um roteiro surpreendente. O filme não procura ensinar uma lição de moral politicamente correta – talvez esse seja o grande diferencial. É importante discutir como o cenário do machismo e a cultura do estupro ganham forma e contornos profundos ao longo da narrativa. Gostei também da edição do longa, sendo bem ágil e precisa.

As feridas escancaradas são incômodas e isso faz com que “Bela Vingança” seja algo além de um filme puramente feminista. As bandeiras que o longa levanta, mesmo de forma implícita, são muito importantes. Porém, pelo estilo imposto, talvez não agrade a maioria. Eu curti e indico!

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