Tag: Oscar 2018

#Filmes | Lady Bird – A Hora de Voar

Oi gente!
Aproveitando o Carnaval, vou trazer mais uma dica de filme que concorre ao Oscar 2018 – hoje vou falar de “Lady Bird – A Hora de Voar”, dirigido e escrito por Greta Gerwing. Lembrando que vou falar de todos os filmes que concorrem na principal premiação do cinema mundial – inclusive já trouxe críticas de “Dunkirk” (AQUI) e “Corra!” (AQUI).

Então vamos lá! “Lady Bird” é aquele tipo de filme que você assiste com um sorriso no rosto do início ao fim. Trata-se de uma “dramédia” – mistura bem feita de drama com comédia. Auto-rebatizada “Lady Bird”, Christine McPherson (Saoirse Ronan) é uma típica garota comum de 17 anos. Estudante de uma escola católica na cidade de Sacramento, nos Estados Unidos, ela não é nada popular. E, em casa, vive às turras com a mãe Marion (Laura Metcalf), controladora, que cumpre uma dupla jornada de trabalho para compensar o desemprego do pai Larry (Tracy Letts), a quem a menina idolatra. O filme se passa em 2002, período de dificuldades para a economia do país. O que Lady Bird mais quer é fazer faculdade em Nova York – longe de Sacramento, e consequentemente, longe da mãe. Enquanto sua hora não chega, ela se divide entre as obrigações estudantis, o primeiro namoro, a primeira desilusão amorosa – típicos rituais de passagem para a vida adulta.

O filme tem um roteiro perfeito, desenvolvido pela diretora Greta Gerwing – em sua estreia atrás das câmeras (para quem não lembra ela fez Frances no filme Frances Ha, além de atuar em outros longas como “Hannah sobre as Escadas”, “Mistress America” e “Jackie”). E uma curiosidade – Greta é de Sacramento e o filme pode até ser uma “autobiografia”.

O elenco também está ótimo – a irlandesa Saoirse Ronan entrega uma protagonista cheia de sentimentos, com muita variação de humor – um papel bem sensível! Não é à toa que Lady Bird lhe trouxe sua terceira indicação ao Oscar. Com apenas 23 anos, ela já foi indicada por “Desejo e Reparação” (2007) e “Brooklyn” (2016). Quem também está incrível em cena é Laura Metclaf (para quem não lembra dela, é a mãe do Sheldon em “The Big Bang Theory”). A veterana concorre na categoria de melhor atriz coadjuvante e tem chances de vencer, mas concorre com a também incrível Alison Jenney (Eu, Tonya) – que tem levado todas as premiações. Inclusive, a primeira cena do filme, onde traz um diálogo entre mãe e filha (fiquem tranquilos, não vou dar SPOILERS) vale por tudo, é sensacional e transmite todos os sentimentos que serão debatidos ao longo do filme. Sério, QUE CENA! Ainda no elenco, destaque para os atores jovens – Lucas Hedges (que concorreu ao Oscar no ano passado com “Manchester a Beira Mar”), Timothée Chalamet (que concorre neste ano na categoria de melhor ator por “Me Chame pelo seu Nome”) e Beanie Feldsstein.

“Lady Bird: A Hora de Voar” pode até não trazer uma história original e apostar bastante nos clichês, mas consegue ter força pela linda união das partes, com um elenco super afiado, atuações impecáveis, cenas bem dirigidas, com planos longos e diálogos do dia a dia. O filme concorre nas categorias de “melhor filme”, “melhor direção” para Greta Gerwing (esta é a 5ª vez que uma mulher é indicada nesta categoria em TODA a história do Oscar, “melhor atriz” para Saoirse Ronan, “melhor atriz coadjuvante” para Laura Metcalf e “melhor roteiro original”.

Eaí, já assistiram “Lady Bird – A Hora de Voar”? O que acharam? Tem alguma chance no Oscar?

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#Filmes | Corra!

Oi gente!
Bora falar do segundo filme que concorre neste ano ao Oscar 2018“Corra!”, do diretor Jordan Peele. Até a cerimônia no dia 04 de março, vou trazer as minhas críticas aos longas indicados, inclusive já falei de “Dunkirk” – AQUI.

Em “Corra!”, a trama gira em torno de um casal interracial formado por Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams). Ele é um jovem negro; ela uma garota branca de uma família tradicional. Os dois aproveitam um final de semana para viajar ao interior para que o moço seja apresentado à família dela. Chegando lá, Chris é aparentemente bem recebido, mas há a constante sensação de estranhamento no ar, aumentada com o fato dos empregados da casa serem todos negros e, pelo visto, bastante reprimidos. Rose também se incomoda com a situação, mas o casal permanece lá no final de semana, que terá uma festa da família dela. Mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito perturbador.

Para mim foi uma grande surpresa “Corra!” estar concorrendo, pois é um filme bem diferenciado e não faz muito o estilo do Oscar. Mas é um longa bem interessante, com uma proposta original e que foi muito elogiado pela crítica.

Com um elenco sem grandes nomes, os rostos mais familiares são Allison Williams (a Marnie da série Girls) em sua estreia no cinema, Catherine Keener (de O Virgem de 40 Anos) e Bradley Whitford (da série política The West Wing). O protagonista Chris é vivido pelo inglês Daniel Kaluuya (o Posh Kenneth de Skins), em seu primeiro papel de destaque. Mas quem rouba a cena mesmo é o comediante LilRel Howery, que vive o melhor amigo de Chris e garante alguns dos momentos mais divertidos do filme.

Na parte técnica, “Corra!” também vai bem. Jordan Peele traz uma direção segura, com ótimas cenas, aquele clima de suspense, mas ao mesmo tempo torna-se engraçado pelos toques de comédia. Algumas cenas contam com efeitos especiais que também não comprometem a produção. A única ressalva que faço é o final, que apesar de ser surpreendente, foi um pouco over e forçado. Mas não tira o brilho do filme.

No Oscar, “Corra!” concorre nas categorias de melhor filme, direção (Jordan Peele), ator (Daniel Kaluuya) e roteiro original. Não acredito que vá levar alguma coisa para casa.

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Filmes | Dunkirk

Oi gente!
Finalmente saiu a lista dos filmes indicados ao Oscar 2018 e, assim como fiz ano passado, vou compartilhar com vocês as minhas críticas dos longas que concorrem este ano – inclusive, vou postá-los antes da cerimônia de premiação, que neste ano é no dia 04 de março, e também darei as minhas considerações se merecem ou não receber algum destaque no evento mais importante do cinema mundial.

O primeiro filme que trago a vocês é Dunkirk, dirigido pelo Christopher Nolan, e que já estreou nos cinemas há um tempinho. E me perdoem, mas com relação à este longa, eu vou ficar em cima do muro – porque eu gostei de algumas coisas e não gostei de outras.

A trama conta a história da Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, onde soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser resgatados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial. A história acompanha três momentos distintos: uma hora de confronto no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) precisa destruir um avião inimigo, um dia inteiro em alto mar, onde o civil britânico Dawson (Mark Rylance) leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, e uma semana na praia, onde o jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead) busca escapar a qualquer preço.

Para mim, o grande destaque é o diretor Nolan, que também é o produtor e roteirista. Confesso que a trilogia do Batman feita pelo Nolan é a melhor ever! (se não for pra vocês, por favor não me xinguem haha) Gosto bastante porque ele sempre imprime um estilo diferente ao conduzir a história e produzir seus filmes. Com Dunkirk não foi diferente.

Filmado em formato antigo do 70mm, o filme é super caprichado! Com cenas longas, intercalando silêncios e sons da guerra e explosões, uma trilha sonora com violinos, sons tensos e ruídos que nos fazem imergir na história. As câmeras sempre próximas aos atores, o que faz parecer que estamos junto às cenas, além de uma fotografia impecável remetendo à filmes antigos. Além disso, Nolan inova na condução da história – fugindo dos clichês de filmes de guerra que trazem um personagem principal, que sofre, mas se torna um grande herói no final. Em Dunkirk não temos protagonistas – e este talvez seja o principal erro da história e a causa do filme não ter ninguém do elenco indicado nas categorias de atuação.


Não vou negar que a proposta é interessante, porém demora um pouco para nos interessarmos pela história. O elenco não traz grandes nomes do cinema – temos Tom Hardy (mas alguns podem até não reconhecê-lo, já que ele é o aviador e fica o filme inteiro sem mostrar o rosto). Já o elenco jovem – Fionn Whitehead e o cantor Harry Styles – se mostra bem em cena. Destaque também aos veteranos Kenneth Branagh e Mark Rylance. E outra coisa que fiquei bem chateado – o diretor traz uma proposta super criativa e moderna, mas nos entrega um final convencional, com tudo explicadinho nos detalhes.

Enfim, Dunkirk é uma produção caprichada na parte técnica, com falhas na parte estrutural. No Oscar, concorre em 8 categorias – filme, direção, fotografia, mixagem de som, edição de som, design de produção, montagem e trilha sonora original – e pode surpreender, já que concorre (na maior parte) nas categorias técnicas e tem grandes chances de vencê-las, principalmente nas áreas de som e fotografia.

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