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#Filme | Judy: Muito Além do Arco-Íris

Oi gente!
Dos filmes que concorrem ao Oscar neste ano, um que eu estava ansioso para assistir – “Judy: Muito Além do Arco-Íris”, cinebiografia da atriz Judy Garland, estrelada por Renée Zellweger. O longa concorreu ao Oscar em duas categorias: melhor atriz e melhor cabelo e maquiagem, levando a estatueta pela atuação de Renée.

A história se passa no inverno de 1968. Com a carreira em baixa, Judy Garland (Zellweger) aceita estrelar uma turnê em Londres, por mais que tal trabalho a mantenha afastada dos filhos menores. Ao chegar ela enfrenta a solidão e os conhecidos problemas com álcool e remédios, compensando o que deu errado em sua vida pessoal com a dedicação no palco. O filme retrata esse período final de sua vida – se você pretende assistir para ver uma biografia completa da vida da atriz, não é esse o foco.

Apesar que em algumas passagens mostra os bastidores do filme “O Mágico de Oz” e tudo o que aconteceu para que a vida de Judy Garland chegasse ao ponto que chegou. Talvez sejam as partes mais interessantes. Tratada como uma marionete nas mãos do magnata da indústria cinematográfica Louis B. Mayer, Judy foi submetida a anos de abuso emocional e até mesmo físico. Dona de um talento e carisma imensuráveis, seus dons não bastavam para o estúdio MGM, que a controlou durante a maior parte de sua juventude, entupindo-a de remédios para emagrecimento, longas horas de jejum e uma opressão que lhe custou seu sono, sua saúde mental e – eventualmente – toda sua fortuna. Em uma passagem, vemos que Louis B. Mayer preferia Shirley Temple para o papel de Dorothy, já que Judy era considerada feia, corcunda, e precisava usar aparelho para corrigir a boca. Somente seu talento não bastava para o estúdio. Mesmo assim, a atriz que era a terceira opção para o papel, conseguiu gravar o filme, que lhe rendeu a fama imediata. Do estrelato mirim ela então partira para a falência e para a falta de oportunidades profissionais.

Sob a direção de Rupert Goold, a cinebiografia é mais um “filme de atuação” para Renée Zellweger brilhar, e como brilhou!  Interessante ressaltar que a história de Judy se aproxima de Renée – a atriz ficou anos afastada das telonas, cuidando de sua vida pessoal, até voltar em grande estilo ganhando um Oscar. Sua atuação está maravilhosa, com aquele olhar melancólico, uma instabilidade e solidão, porém com o tradicional “biquinho” de Renée. É importante ressaltar, que mesmo com a potência vocal de Judy, Renée regravou todas as músicas do filme.

“Judy: Muito Além do Arco-Íris” foi a grande volta por cima para Renée Zellweger, a chance de provar ao mundo que ainda é uma boa atriz. O filme poderia ter sido mais – queria ter visto outros momentos da carreira da atriz, até porque havia muitas histórias para isso. De forma geral, se você é fã da “era de ouro” do cinema, vale a pena conferir.

Já falei de “Dois Papas” (AQUI), “Parasita” (AQUI), “Ford Vs Ferrari” (AQUI) e “Adoráveis Mulheres” (AQUI), “O Escândalo” (AQUI), “Jojo Rabbit” (AQUI), “História de um Casamento” (AQUI).

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#Filme | História de um Casamento

Oi gente!
A cerimônia do Oscar está chegando (dia 09 de fevereiro) e estou intensificando minha maratona dos filmes que concorrem neste ano – hoje vou falar de “História de um Casamento” – longa escrito e dirigido por Noah Baumbach para a Netflix, e que concorre em 6 categorias – melhor filme, ator (Adam Driver), atriz (Scarlett Johansson), atriz coadjuvante (Laura Dern), trilha sonora e roteiro original.

A história gira em torno de Nicole (Scarlett Johansson) e seu marido Charlie (Adam Driver), que estão casados há mais de dez anos e atualmente passam por muitos problemas, optando pelo divórcio. O casal possui interesses contrários em relação ao trabalho – ele quer seguir trabalhando com sua companhia de teatro em Nova York e ela deseja seguir carreira em Los Angeles. Os dois concordam em não contratar advogados para tratar do divórcio, mas Nicole muda de ideia após receber a indicação da renomada Nora Fanshaw (Laura Dern), especialista no assunto. Surpreso com a decisão da agora ex-esposa, Charlie precisa encontrar um advogado para tratar da custódia do filho deles, o pequeno Henry (Azhy Robertson). Com a nova postura de Nicole, Charlie terá que mudar completamente sua vida, se quiser continuar vendo o filho.

Preciso começar dizendo que “História de um Casamento” é um filme fantástico! Inspirado no seu próprio relacionamento com a atriz Jennifer Jason Leigh, com quem esteve casado de 2005 a 2013, o diretor Noah Baumbach nos traz um relato verdadeiro de um casamento desgastado, levando em consideração interesses pessoais, que se sobrepõem a todos os anos de união. O longa começa com os protagonistas enaltecendo características do cônjuge, em um exercício de terapia de casal – praticamente podemos considerar um grande pedido de socorro de cada um. Depois, a relação só vem ladeira abaixo. Interessante analisar como a história nos faz pensar em cada um dos lados – primeiramente, Nicole expõe que nunca teve “voz” no casamento, que sempre fez todas as vontades do marido, até que decide por um ponto final. Com toda a discussão apresentada, a tendência é ficar ao lado dela, já que vemos que Charlie realmente não é uma pessoa ligada aos momentos que culminaram no divórcio. Depois, com a repentina decisão de Nicole em contratar uma advogada, visto o combinado de não envolver profissionais, pendemos em ficar ao lado do marido, que praticamente precisa mudar toda sua vida, tendo que cruzar o país toda semana para ver o filho, adquirir residência fixa em outro estado, sofrer com a alienação imposta pela mãe, além de ter que pagar os honorários de seu advogado quanto parte da advogada da esposa.

E o que falar da atuação de Scarlett Johansson e Adam Driver!? Os atores estão em perfeita sintonia, mostraram domínio de seus personagens e tiveram cenas perfeitas para brilharem. Quem também se destaca é Laura Dern, extremamente segura no papel de uma advogada fria e calculista. A direção de Noah Baumbach é outro ponto forte – as cenas mostram uma leveza ao mesmo tempo que incomodam com as atitudes. O jogo de câmera quase sem cortes, com cenas longas e zoom no rosto – principalmente da Scarlett – são técnicas utilizadas que dão um toque interessante à produção.

Infelizmente é um filme que não terá grandes expressões no Oscar – aposto na vitória de Laura Dern como melhor atriz coadjuvante, apenas.

Já falei de “Dois Papas” (AQUI), “Parasita” (AQUI), “Ford Vs Ferrari” (AQUI) e “Adoráveis Mulheres” (AQUI), “O Escândalo” (AQUI), “Jojo Rabbit” (AQUI).

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#Filme | Jojo Rabbit

Oi gente!
Chegou a vez de falarmos do filme “Jojo Rabbit”, que recebeu 6 indicações ao Oscar 2020 – melhor filme, atriz coadjuvante (Scarlett Johansson), figurino, montagem, design de produção e roteiro adaptado.

Baseado no livro de Christine Leunens, a história se passa na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. O pequenino Jojo Betzler (Roman Griffin Davis), de apenas dez anos, vive com a mãe Rosie (Scarlett Johansson), depois da morte de sua irmã mais velha e da ausência do pai que foi lutar na guerra. Jojo foi completamente impregnado pela propaganda nazista e é um orgulhoso membro da Juventude Hitlerista ao ponto de andar fardado quase que o tempo todo, ter as paredes de seu quarto cheias de imagens que idolatram o nazismo, além de ter Adolf Hittler (Taika Waititi) como amigo imaginário. Rosie coloca o filho em um acampamento infantil – uma espécie de grupo de escoteiros nazistas – para afastá-lo de casa, já que ela secretamente ajuda uma sobrevivente judia, a jovem Elsa (Thomasin McKenzie), que vive nas paredes da casa. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, Jojo começa a desenvolver empatia pela nova hóspede.

O filme é estrelado, dirigido e roteirizado por Taika Waititi (que também dirigiu Thor: Ragnarok). O cineasta consegue entregar uma interessante sátira ao nazismo. Inclusive nos faz lembrar de filmes como “O Grande Ditador”, de Charles Chaplin e “Primavera para Hitler”, de Mel Brooks. Em “Jojo Rabbit”, podemos analisar uma carga política por trás das piadas, além de um humor totalmente escrachado nos personagens de Sam Rockwell (vencedor do Oscar por “Três Anúncios para um Crime”), Alfie Allen (“Game of Thrones”) e Rebel Wilson (“A Escolha Perfeita”). O elenco infantil é o grande destaque – Roman Griffin Davis (em sua estreia nas telons) e Thomasin McKenzie conquistam o espectador pela fofura e, principalmente, pela carga dramática que seus personagens apresentam. Scarlett Johansson também faz um ótimo trabalho – inclusive foi indicada ao Oscar por dois filmes diferentes, na categoria principal e coadjuvante. A atriz traz uma leveza necessária – a relação de mãe e filho é belíssima e funciona para amplificar o abismo entre a lavagem cerebral nazista e a inocência infantil. Vou dar um pequeno spoiler aqui – se ainda não assistiu, pelo para o próximo parágrafo! A cena da morte da mãe de Jojo é extremamente emocionante – não tem como impedir que as lágrimas caiam. Toda a composição da cena, mostrando apenas os sapatos da personagem, que já haviam sido trabalhados em tela, foi simplesmente para despedaçar nossos corações. É de uma leveza emocional.

Com um humor inteligente, “Jojo Rabbit” é um filme necessário nos dias de hoje, que traz uma reflexão interessante para o espectador e uma mensagem de amor ao próximo. No Oscar, acho que infelizmente não deve ter grande expressão – merecia muito mais!

Quer saber mais sobre o Oscar 2020? Confira as críticas que já fiz sobre os filmes “Dois Papas” (AQUI), “Parasita” (AQUI), “Ford Vs Ferrari” (AQUI), “Adoráveis Mulheres” (AQUI) e “O Escândalo” (AQUI) 

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#Filme | O Escândalo

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Continuando a minha maratona dos filmes que concorrem ao Oscar, hoje vou falar de “O Escândalo”, que estreou nos cinemas brasileiros no dia 16 de janeiro e concorre em 3 categorias – melhor atriz (Charlize Theron), melhor atriz coadjuvante (Margot Robbie) e melhor cabelo e maquiagem. Infelizmente uma produção que não me agradou.

“O Escândalo”, filme dirigido por Jay Roach (Austin Powers), traz uma temática forte e que está em alta, principalmente em Hollywood. Movimentos como o “MeToo” e “TimesUp” continuam ganhando forma na indústria do entretenimento e as acusações contra um gigante do telejornalismo e antigo CEO da Fox News são a base para a história deste longa, baseado em fatos reais.

A produção narra os acontecimentos que levaram à demissão de Roger Ailes (John Lithgow), CEO da Fox News, após a denúncia de abuso sexual por diversas funcionárias. Assim, “O Escândalo” é contado a partir de 3 pontos de vista: o de Megyn Kelly (Charlize Theron) e Gretchen Carlson (Nicole Kidman), jornalistas reais; e o de Kayla Pospisil (Margot Robbie), personagem inventada para a história. As três personagens passam por momentos diferentes em suas carreiras – Megyn Kelly (Theron) está em sua melhor fase, no topo da carreira e é uma das profissionais mais respeitadas da área, mesmo sofrendo duras críticas por seu posicionamento político durante uma entrevista com o então candidato à presidência Donald Trump; Gretchen Carlson (Kidman) é a jornalista veterana tirada do horário nobre para apresentar um programa sem muita audiência – ela se encontra em decadência até de fato ser demitida do canal; e Layla (Robbie) é a novata recém-chegada na emissora, com grandes sonhos e ambições. Com um elenco cheio de estrelas, John Lithgow e Charlize Theron se sobressaem, entregando uma interpretação segura. Inclusive, assisti no YouTube alguns vídeos da verdadeira Megyn Kelly e posso dizer que Charlize Theron fez um excelente trabalho de caracterização – está muito parecida fisicamente e até a voz chega ser praticamente igual.

Porém, o filme é fraco em roteiro e direção. Em uma tentativa de imprimir uma imagem de um documentário descontraído, “O Escândalo” abusa de cenas com quebra da quarta parede, narrações em off didáticas, uma montagem frenética e zooms aleatórios. Os personagens não possuem uma profundidade, são totalmente rasos, não dando chance para atrizes como Nicole Kidman e Margot Robbie brilharem – na verdade Margot tem uma cena muito boa, onde sua atuação consegue trazer algo interessante para o vídeo – talvez esteja aí o porquê de sua indicação. Acho que os pensamentos, atitudes e, principalmente, a história de cada uma e suas consequentes evoluções perante os fatos ocorridos, deveriam ter sido melhor construído. Faltou a intensidade que a história propõe.

Já falei de “Dois Papas” (AQUI), “Parasita” (AQUI), “Ford Vs Ferrari” (AQUI) e “Adoráveis Mulheres” (AQUI)

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#Filme | Adoráveis Mulheres

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Assisti mais um filme que está concorrendo ao Oscar “Adoráveis Mulheres”, da diretora Greta Gerwing, concorre em 6 categorias: melhor filme, atriz (Saoirse Ronan), atriz coadjuvante (Florence Pugh), figurino, trilha sonora original e roteiro adaptado.

O longa narra a história das irmãs March – Jo (Saoirse Ronan), Meg (Emma Watson), Amy (Florence Pugh) e Beth (Eliza Scanlen). Filhas de Marmee March (Laura Dern), as quatro vivem suas vidas normais e sem grandes luxos enquanto os Estados Unidos passam pela Guerra da Secessão. Ligadas de alguma forma ao mundo artístico, as irmãs aguardam o retorno do pai (Bob Odenkirk), precisam lidar com o adoecimento de Beth e enfrentam os dilemas do amor. A narrativa, dividida em dois períodos: o auge da adolescência e o início da vida adulta, nos permite ter uma noção de como as mulheres daquela época lidavam com temas como arte, comércio, casamento, solidão e, principalmente, identidade e independência.

Greta Gerwing é, sem dúvidas, um dos principais nomes femininos em se tratando de direção. Aclamada pela crítica e indicada ao Oscar em 2018 por Lady Bird, a diretora traz uma nova cara à obra baseada no livro de Louisa May Alcott, que inclusive já foi adaptado várias vezes ao teatro, cinema e TV, sendo mais conhecida a versão de 1995, que também contou com um grande elenco como Susan Sarandon, Kirsten Dunst, Claire Danes, Christian Bale e Winona Ryder. A nova versão também traz nomes importantes como Laura Dern (cotadíssima a vencer o Oscar esse ano, porém por outro filme), Bob Odenkirk (Better Call Saul), Emma Watson (nossa eterna Hermione da saga Harry Potter), Timothée Chalamet (Me Chame pelo seu Nome) e Meryl Streep, interpretando a tia rica e ranzinza, rendendo ótimas cenas à atriz. Porém, Saoirse Ronan é o grande destaque do elenco – aos 25 anos, a atriz já acumula 4 indicações ao Oscar. Sua protagonista consegue defender a ideia do feminismo, ao mesmo tempo que mostra uma evolução do romantismo.

Distanciando-se do modo clássico de adaptações, Gerwig demonstra uma ousadia em seu roteiro ao trazer a narrativa não-linear. No início chega a confundir o espectador, mas com o tempo, a diretora acerta ao demonstrar passado e presente de diferentes formas, por exemplo, as cenas do passado possuem um filtro claro, com cores mais quentes, demonstrando a época alegre das personagens. O presente tem cores mais frias, puxando para o tom azulado, representando a tristeza. O roteiro consegue destacar todas as personagens – cada uma tem seu momento de brilhar. Gerwing conseguiu colocar mais profundidade em suas personalidades, isso é muito interessante. O figurino é outro grande destaque – tudo impecável!

Para mim, o grande trunfo do filme é a inteligência da diretora Greta Gerwing – senti muito a falta dela na categoria de melhor direção. No Oscar 2020, acredito que o filme não tenha grande destaque, infelizmente. Vencer a categoria de figurino não seria uma surpresa.

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#Filme | Ford vs. Ferrari

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Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2020 – hoje vou falar de “Ford vs. Ferrari”, do diretor e roteirista americano James Mangold. O longa concorre em 4 categorias – melhor filme, montagem, edição de som e mixagem de som. Confira também as resenhas de “Dois Papas” (AQUI) e “Parasita” (AQUI).

A história se passa no início dos anos 1960, quando Henry Ford II, neto do fundador de uma das maiores construtoras do mundo, decidiu que a Ford precisava ser mais arrojada no mercado. Não poderia se contentar apenas em ser a maior vendedora de carros do mundo, mas se transformar em sinônimo de qualidade. Com isso em mente, tentou a todo custo comprar a Ferrari, que imperava nos principais campeonatos de automobilismo. Além de quatro troféus de Fórmula 1, entre 1956 e 1964, a empresa italiana conquistou seis vezes a desafiante prova 24 Horas de Le Mans, na França, entre 1958 e 1964.Com a recusa na negociação, bater de frente com a poderosa italiana virou questão de honra para os americanos, que nunca haviam conquistado a prova, muito menos uma temporada na Fórmula 1.

Para que a Ford obtivesse êxito, foi contratado o visionário designer automotivo americano Carroll Shelby (Matt Damon), único piloto dos EUA a vencer o disputado evento de corrida na história. A parceria entre Shelby e o destemido piloto britânico Ken Miles (Christian Bale) foi o grande trunfo. Juntos, Shelby e Miles lutaram contra o domínio corporativo, as leis da Física e seus próprios demônios pessoais para construir um carro de corrida revolucionário para a Ford Motor Company, assumir o controle das pistas e derrotar os veículos dominantes de Enzo Ferrari, nas 24 Horas de Le Mans, na França.

O título do filme passa a ideia da rivalidade entre as duas construtoras automobilísticas ou até mesmo a rixa entre seus donos, porém Henry Ford II (Tracy Letts) e Enzo Ferrari (Remo Girone) não possuem nenhum embate no filme, portanto a produção vai muito além disso – trata-se mais de uma história de superação pessoal tanto de Ken Miles como de Carroll Shelby. E tudo isso para os atores brilharem! Matt Damon e Christian Bale fazem um ótimo trabalho. O elenco ainda traz Caitriona Balfe (Outlander), Jon Bernthal (O Justiceiro), Josh Lucas (Poseidon), Noah Jupe (Um Lugar Silencioso), Ray McKinnon (Mayans M.C.), entre outros.

A produção também é muito boa. As sequências de corrida foram filmadas sem ajuda de computação gráfica, ou seja, tudo o que vemos é tão real quanto possível. E todas essas cenas são muito boas, talvez a melhor parte do filme. A equipe também conseguiu reproduzir de forma bem real os anos 1960. Trilha sonora, fotografia, figurino, tudo remete à década. Apenas acho que duas horas e meia de tela foi muita coisa – o início, principalmente, é cansativo. No Oscar, acredito que não tenha grandes chances, talvez nas categorias de som, mas concorre diretamente com o fortíssimo “1917”.

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#Filme | Parasita

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Continuando a saga dos filmes indicados ao Oscar (já falei de “Dois Papas” AQUI) hoje chegou a vez de “Parasita”, produção sul coreana que conquistou 6 indicações – melhor filme, direção (Bong Joon Ho), edição, filme estrangeiro, design de produção e roteiro original.

Já vou começar dizendo que gostei do filme – na parte técnica ele é perfeito – mas confesso que não entendi todo o hype que a produção está tendo. “Parasita” foi amplamente citado na imprensa especializada como um dos melhores filmes de 2019 e, além disso, tem feito números expressivos de bilheteria. O filme já arrecadou cerca de US$ 107 milhões globalmente. É um blockbuster na Coreia do Sul e bateu recordes nos Estados Unidos, um mercado conhecido por consumir poucos filmes estrangeiros. Nos cinemas brasileiros, segundo noticiou o site Adorocinema, “Parasita” esteve entre as maiores bilheterias.

Como falei… o filme é interessante? Sim! A temática da desigualdade de classes, muito bem trabalhada pelo roteiro, conquista a atenção de quem assiste. Bong Joon Ho – diretor de “Expresso do Amanhã” (2013) e “Okja” (2017) – faz um bom trabalho na parte técnica do longa. Temos boas cenas, um jogo de câmeras bem interessante, uma produção impecável. A história, de certa forma simples, acompanha duas famílias, mostrando realizadas opostas.

Toda a família de Ki-taek (Kang-Ho Song) está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai (Kang-Ho Song), mãe (Chang Hyae Jin), filho (Woo-sik Choi) e filha (Park So-Dam) bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um.

A composição do filme é bem clássica – possui o início explicativo onde mostra a família Kim passando diversas dificuldades, tendo que morar em um porão sujo e mal localizado, até o momento em que o filho Ki-Woo consegue um emprego e passa a infiltrar cada familiar, demonstrando até um tom cômico. Logo após inicia-se o desenvolvimento com o plano sendo colocado em prática até o grande plot twist que desencadeia o final com grandes surpresas – algumas até meio difíceis de acreditar. O final é ousado, é perturbador e surpreende o espectador – talvez seja esse encerramento o grande motivo do hype. Com relação ao elenco, o experiente Kang-Ho Song é o grande destaque ao interpretar o pai desiludido e interesseiro. Park So-Dam também me agradou como a filha da família pobre.

“Parasita” é uma metáfora extremamente importante, que busca discutir a desigualdade, o oportunismo, o que vale a pena fazer em um mundo totalmente injusto, tudo isso de uma forma simples e até eficiente. É um olhar urgente, com camadas construídas de forma eficaz, sobre temas sociais oportunos. Aposto na vitória do longa sul coreano na categoria de melhor filme estrangeiro. Poderia ter um destaque na categoria de design de produção, mas tem concorrentes fortes.

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#Filme | Querido Menino

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Passamos pela maratona do Oscar, agora vou trazer para vocês outros filmes que estrearam neste período – alguns até chegaram a concorrer em algumas categorias da premiação. Hoje vou falar do filme “Querido Menino”, um drama dirigido pelo belga Felix van Groeningen, com Steve Carell e Timothée Chalamet no elenco, que estreou nos cinemas no dia 21 de fevereiro. O longa esteve presente nas principais premiações do cinema (com exceção do Oscar), com a indicação do jovem Timothée Chalamet – que já havia agradado público e crítica ano passado com “Me Chame pelo seu Nome”.

O filme conta a história de David Sheff (Steve Carell), um conceituado jornalista e escritor que vive com a segunda esposa e os filhos. O filho mais velho, Nic Sheff (Timothée Chalamet), é viciado em metanfetamina e abala completamente a rotina da família. David tenta entender o que acontece com o filho, que teve uma infância repleta de carinho e suporte, ao mesmo tempo em que estuda a droga e sua dependência. Nic, por sua vez, passa por diversos ciclos da vida de um dependente químico, lutando para se recuperar, mas volta e meia se entrega ao vício.

A história é baseada em fatos reais e foi adaptada dos livros “Beautiful Boy”, de David Sheff, e “Tweak”, de Nic Sheff. A premissa do longa é muito boa – a luta de um pai para livrar o filho do vício das drogas. É a típica história que faz o espectador se emocionar, tanto que minhas expectativas para o filme eram altas, porém a experiência acaba frustrando um pouco.

O grande destaque é o elenco. Responsável pelo aclamado “Alabama Monroe” (2012), o diretor Félix van Groeningen estreia no cinema norte-americano apoiando-se em dois nomes fortes – Steve Carell, mais conhecido pelas comédias escrachadas e que atualmente tem investido em ótimos dramas como “Foxcather: Uma História que Chocou o Mundo” (2014), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, além de Timothée Chalamet, que encara seu primeiro desafio após o premiado “Me Chame Pelo Seu Nome” (2017). Carell nos entrega uma interpretação contida – o que não é uma crítica – porque isso faz com que seu personagem cresça. Já Chalamet rouba todas as cenas do filme com uma interpretação segura, forte e de extrema qualidade, tanto que tem sido indicado às premiações na categoria de ator coadjuvante. O personagem tinha tudo aos seus pés e, mesmo assim, decidiu abrir mão dessa vida aparentemente perfeita para mergulhar num caminho sem fim. E é nessa parte que talvez o filme peque. A produção poderia ser melhor – tudo bem que o ator passou por uma pequena transformação, emagreceu muito para compor o personagem, mas ainda assim faltou um pouco mais de caracterização de uma pessoa que vive drogada. Temos outros filmes maravilhosos que retratam o mesmo tema com perfeição.

O elenco coadjuvante também é bom. A mãe, interpretada por Amy Ryan, é quase um detalhe – os dois estão separados, e ela se mudou para outro estado – enquanto que a madrasta, aqui na pele da excelente Maura Tierney, é respeitosa e incisiva na medida certa. É dela, aliás, uma das cenas mais comoventes do filme. O roteiro também é um problema em alguns momentos – o início é extremamente parado, a narrativa linear cansa após algum tempo. Ainda assim temos cenas maravilhosas, bem dirigidas e bem atuadas – como a conversa entre pai e filho em uma cafeteria, onde Nic, sob o discurso de que “está tudo bem, busca mais dinheiro com o pai para seguir se drogando, culminando em uma discussão extremamente maravilhosa. É de uma maturidade artística impressionante. Têm outras cenas em que a direção mostra explicitamente o uso de drogas, mas sem banalizar o tema.

A trilha sonora também é bem composta – “Beautiful Boy” (título original) é uma referência ao livro adaptado, mas também é uma alusão à clássica canção de John Lennon (feita para o filho Sean). A música não só está presente no longa, como surge num momento delicadíssimo, na voz de Carell.

“Querido Menino” se mostrou um filme tímido, que poderia ter sido bem mais do que foi. Ainda assim é uma oportunidade de se emocionar em alguns momentos, com uma atuação (quase) impecável de Steve Carell e Timothée Chalamet. É um filme pouco profundo, mas não é tão exagerado.

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#Filme | Roma

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Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Roma”, do diretor mexicano Alfonso Cuarón. O longa recebeu o maior número de indicações (assim como “A Favorita”) concorrendo em dez categorias – melhor filme, melhor direção, atriz (Yalitza Aparicio), atriz coadjuvante (Marina de Tavira), roteiro original, filme estrangeiro, direção de arte, fotografia, edição de som e mixagem de som. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI), “Vice” (AQUI) e “Green Book – O Guia” (AQUI).

O vencedor do Oscar Alfonso Cuarón (por Gravidade, em 2014) está de volta com mais uma obra prima e, novamente, com grandes chances de vencer a categoria neste ano. Inclusive, nos últimos anos, o prêmio de melhor direção foi dominado pelos mexicanos – Cuarón venceu em 2014; Alejandro González Iñárritu ganhou dois anos seguidos 2015-2016; e no ano passado quem levou a melhor foi Guillermo del Toro. Curiosidades a parte, Cuarón é favorito pois trouxe um filme emocionante – quase uma cinebiografia, já que a produção é consolidada a partir de memórias da infância do diretor.

Ambientado no México do início dos anos 1970, “Roma” narra a história de Cleo (Yalitza Aparicio), uma empregada e babá, que trabalha na casa de uma família de classe média. Sua patroa Sofia (Marina de Tavira) enfrenta problemas no casamento ao mesmo tempo que precisa cuidar dos quatro filhos, com o auxílio da empregada. Em um período conturbado da história mexicana, Cleo precisa enfrentar um grande dilema.

O longa pode fazer história no Oscar 2019 – vencer na categoria de melhor filme estrangeiro (o que é praticamente certo), além da categoria principal de melhor filme. Se isso acontecer também será a primeira vez que uma produção do serviço de streaming (Netflix) leva o principal prêmio da noite.

Vencer não seria surpresa. A produção é simplesmente impecável. Cada plano é brilhantemente pensado, com cenas longas em planos sequência, diálogos que retratam o cotidiano, com boas atuações. Yalitza Aparicio talvez seja o melhor acontecimento. A mexicana que era professora, da noite pro dia virou estrela de cinema e até ganhou uma indicação ao Oscar, desbancando outras atrizes que eram favoritas como Emily Blunt (de O Retorno de Mary Poppins). Com uma atuação segura e emocionante, ela nem precisa de falas para ser o grande destaque em “Roma”. Já a experiente Marina de Tavira também conseguiu uma indicação – na minha opinião desnecessária – e não tem grandes chances.

“Roma” é uma narrativa sobre o amor em suas diversas facetas. Alfonso Cuarón volta a impactar com uma história comovente e de cunho social. Não é meu filme favorito no Oscar (a minha torcida é de Green Book), mas se vencer será por grandes méritos.

#Filme | Green Book – O Guia

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Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Green Book – O Guia”, do diretor Peter Farrelly. O longa concorre em cinco categorias – melhor filme, melhor ator (Viggo Mortensen), ator coadjuvante (Mahershala Ali), roteiro original e edição. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI) e “Vice” (AQUI).

Confesso que “Green Book – O Guia” me surpreendeu bastante. Eu não estava com grandes expectativas e a produção se mostrou excelente. O filme se passa no final dos anos 60, quando os Estados Unidos ainda era uma nação segregada, com o sul do país extremamente racista. Se um negro precisasse viajar pelos estados sulistas, poderia acabar espancado ou morto, tamanho o preconceito da região. Para ajudar, foi criado o Green Book (Livro Verde), que trazia uma lista de restaurantes e hotéis que aceitavam afro-americanos.

É onde o filme começa. Baseado em uma história real, Tony Lip (Viggo Mortensen) aceita um trabalho que foge de seu cotidiano: levar o Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), um pianista negro mundialmente famoso, em uma turnê de Manhattan ao Sul dos Estados Unidos – usando o Green Book para guiá-los aos poucos estabelecimentos da região que eram seguros. A transformação de Tony, de um conservador racista em alguém mais tolerante é um dos caminhos percorridos, mas não o único. Dr. Shirley também muda ao embarcar na jornada ao lado do motorista. Totalmente diferentes, os dois vão deixando de lado as diferenças para sobreviverem ao racismo.

Conhecido pela direção de comédias de sucesso como “Debi & Lóide”, “Quem vai ficar com Mary?” e “Eu, Eu Mesmo & Irene”, sempre na companhia do irmão Bobby, Peter Farrelly faz sua estreia como diretor-solo. E que estreia! O filme é muito bem construído, consegue passar com sutileza uma mensagem de luta e superação, além de ter ótimas interpretações de Viggo Mortensen e Mahershala Ali.

Vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 2017, pelo filme “Moonlight”, Mahershala Ali é o grande favorito na mesma categoria na premiação deste ano. O ator já levou outros prêmios como o Globo de Ouro e o SAG – com grandes méritos. Uma interpretação segura e maravilhosa. Mesmo com grande tempo de vídeo, é aposta certeira para o Oscar de coadjuvante. Já Viggo Mortensen tem um caminho mais difícil ao concorrer com Christian Bale (Vice) e Rami Malek (Bohemian Rhapsody), mas ainda assim corre por fora na categoria principal de atuação. O ator de “Senhor dos Anéis” também faz um trabalho brilhante – talvez o melhor em sua carreira.

“Green Book” consegue emocionar o espectador do começo ao fim, com uma história sensível e dramática na medida certa, com leves toques de humor, um elenco afiado e uma direção competente. A produção se torna cativante porque nos faz rir mesmo diante de situações horríveis, e porque nos afeiçoamos aos personagens principais e suas trajetórias. Um longa verdadeiramente comovente e encantador.