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#Filme | Roma

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Roma”, do diretor mexicano Alfonso Cuarón. O longa recebeu o maior número de indicações (assim como “A Favorita”) concorrendo em dez categorias – melhor filme, melhor direção, atriz (Yalitza Aparicio), atriz coadjuvante (Marina de Tavira), roteiro original, filme estrangeiro, direção de arte, fotografia, edição de som e mixagem de som. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI), “Vice” (AQUI) e “Green Book – O Guia” (AQUI).

O vencedor do Oscar Alfonso Cuarón (por Gravidade, em 2014) está de volta com mais uma obra prima e, novamente, com grandes chances de vencer a categoria neste ano. Inclusive, nos últimos anos, o prêmio de melhor direção foi dominado pelos mexicanos – Cuarón venceu em 2014; Alejandro González Iñárritu ganhou dois anos seguidos 2015-2016; e no ano passado quem levou a melhor foi Guillermo del Toro. Curiosidades a parte, Cuarón é favorito pois trouxe um filme emocionante – quase uma cinebiografia, já que a produção é consolidada a partir de memórias da infância do diretor.

Ambientado no México do início dos anos 1970, “Roma” narra a história de Cleo (Yalitza Aparicio), uma empregada e babá, que trabalha na casa de uma família de classe média. Sua patroa Sofia (Marina de Tavira) enfrenta problemas no casamento ao mesmo tempo que precisa cuidar dos quatro filhos, com o auxílio da empregada. Em um período conturbado da história mexicana, Cleo precisa enfrentar um grande dilema.

O longa pode fazer história no Oscar 2019 – vencer na categoria de melhor filme estrangeiro (o que é praticamente certo), além da categoria principal de melhor filme. Se isso acontecer também será a primeira vez que uma produção do serviço de streaming (Netflix) leva o principal prêmio da noite.

Vencer não seria surpresa. A produção é simplesmente impecável. Cada plano é brilhantemente pensado, com cenas longas em planos sequência, diálogos que retratam o cotidiano, com boas atuações. Yalitza Aparicio talvez seja o melhor acontecimento. A mexicana que era professora, da noite pro dia virou estrela de cinema e até ganhou uma indicação ao Oscar, desbancando outras atrizes que eram favoritas como Emily Blunt (de O Retorno de Mary Poppins). Com uma atuação segura e emocionante, ela nem precisa de falas para ser o grande destaque em “Roma”. Já a experiente Marina de Tavira também conseguiu uma indicação – na minha opinião desnecessária – e não tem grandes chances.

“Roma” é uma narrativa sobre o amor em suas diversas facetas. Alfonso Cuarón volta a impactar com uma história comovente e de cunho social. Não é meu filme favorito no Oscar (a minha torcida é de Green Book), mas se vencer será por grandes méritos.

#Filme | Green Book – O Guia

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Green Book – O Guia”, do diretor Peter Farrelly. O longa concorre em cinco categorias – melhor filme, melhor ator (Viggo Mortensen), ator coadjuvante (Mahershala Ali), roteiro original e edição. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI) e “Vice” (AQUI).

Confesso que “Green Book – O Guia” me surpreendeu bastante. Eu não estava com grandes expectativas e a produção se mostrou excelente. O filme se passa no final dos anos 60, quando os Estados Unidos ainda era uma nação segregada, com o sul do país extremamente racista. Se um negro precisasse viajar pelos estados sulistas, poderia acabar espancado ou morto, tamanho o preconceito da região. Para ajudar, foi criado o Green Book (Livro Verde), que trazia uma lista de restaurantes e hotéis que aceitavam afro-americanos.

É onde o filme começa. Baseado em uma história real, Tony Lip (Viggo Mortensen) aceita um trabalho que foge de seu cotidiano: levar o Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), um pianista negro mundialmente famoso, em uma turnê de Manhattan ao Sul dos Estados Unidos – usando o Green Book para guiá-los aos poucos estabelecimentos da região que eram seguros. A transformação de Tony, de um conservador racista em alguém mais tolerante é um dos caminhos percorridos, mas não o único. Dr. Shirley também muda ao embarcar na jornada ao lado do motorista. Totalmente diferentes, os dois vão deixando de lado as diferenças para sobreviverem ao racismo.

Conhecido pela direção de comédias de sucesso como “Debi & Lóide”, “Quem vai ficar com Mary?” e “Eu, Eu Mesmo & Irene”, sempre na companhia do irmão Bobby, Peter Farrelly faz sua estreia como diretor-solo. E que estreia! O filme é muito bem construído, consegue passar com sutileza uma mensagem de luta e superação, além de ter ótimas interpretações de Viggo Mortensen e Mahershala Ali.

Vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 2017, pelo filme “Moonlight”, Mahershala Ali é o grande favorito na mesma categoria na premiação deste ano. O ator já levou outros prêmios como o Globo de Ouro e o SAG – com grandes méritos. Uma interpretação segura e maravilhosa. Mesmo com grande tempo de vídeo, é aposta certeira para o Oscar de coadjuvante. Já Viggo Mortensen tem um caminho mais difícil ao concorrer com Christian Bale (Vice) e Rami Malek (Bohemian Rhapsody), mas ainda assim corre por fora na categoria principal de atuação. O ator de “Senhor dos Anéis” também faz um trabalho brilhante – talvez o melhor em sua carreira.

“Green Book” consegue emocionar o espectador do começo ao fim, com uma história sensível e dramática na medida certa, com leves toques de humor, um elenco afiado e uma direção competente. A produção se torna cativante porque nos faz rir mesmo diante de situações horríveis, e porque nos afeiçoamos aos personagens principais e suas trajetórias. Um longa verdadeiramente comovente e encantador.

#Filme | Bohemian Rhapsody

Oi gente!
Aproveitando que saíram os indicados ao Oscar, hoje trago mais um filme que concorre na premiação – “Bohemian Rhapsody”, dirigido por Bryan Singer e que retrata a trajetória de uma das maiores bandas de todos os tempos – Queen, com destaque para a vida de seu vocalista Freddie Mercury.

Desde que lançou o trailer e as primeiras fotos de caracterização do ator Rami Malek, eu já estava mega ansioso para conferir. E eu preciso dizer que “Bohemian Rhapsody” é, acima de tudo, um ‘fan film’, ou seja, uma obra feita para os fãs do Queen. Eu tenho 26 anos (quase 27), sei a importância musical da banda, gosto de várias músicas, mas não vivi a época de ouro do grupo. Já aqueles que viveram e realmente são fãs, não tem como não gostar do filme.

E porque estou falando isso? É inegável a grandiosa produção do longa, porém não curti o roteiro – na minha opinião é fraco e pouco desenvolvido. Ele pega a história do Freddie Mercury para ser o fio condutor da narrativa, mostrando algumas fases do Queen, usando como ponto de início e final o show do Live Aid, um dos shows mais importantes que já aconteceu na história da banda, e principalmente na história da música mundial. Porém, ao mesmo tempo, o filme não diz nada que você já não saiba.

É óbvio que filmar uma biografia do Queen tem um ponto positivo muito forte. A trilha sonora é garantia de qualidade. Mas somente isso não basta. Freddie Mercury possuía um talento inegável, uma vida pessoal e social extremamente conturbada, além de uma complexidade (podemos dizer) exótica.

Temos cenas boas – não posso dizer que não – (alerta de spoiler!!) o momento em que Mercury bate boca com o produtor musical acerca da faixa icônica que dá nome à produção e ele duvida que a canção de seis minutos conquistará o público, preferindo que a banda se atenha a fórmulas pré-estabelecidas é um dos pontos altos da narrativa. Sabemos que a mistura experimental de rock e ópera foi um mega sucesso, além de uma obra-prima, e aí o roteiro acerta, pois o telespectador tem consciência disso e esperamos ansiosamente para ver a cena – mais ao final do filme – em que esse produtor quebra a cara. O início do filme, com as cenas em que os integrantes do Queen se conhecem e começam a cantar juntos e até mesmo as partes que mostram as composições de músicas icônicas, são momentos que agradam quem está assistindo – seja fã ou não. E o que falar da cena final – com o show do Live Aid – o roteiro traz mais de 10 minutos só com a apresentação – praticamente uma íntegra do que foi o verdadeiro. É de se arrepiar, eu fiquei arrepiado, mas, se você pesquisar o vídeo no Youtube e assistir, você verá um Freddie Mercury se acabando, suado, com as veias saltando no rosto e no pescoço – o que o ator Rami Malek não imprimiu no filme. Ele dubla toda a produção – o que é normal – mas não há uma entrega total quando deveria, é uma imitação de uma pessoa que já era muito caricata. Isso não quer dizer que ele está ruim, o ator está bem no filme, acho que merece alguns prêmios (como já venceu o Globo de Ouro), talvez mais pela caracterização, porém trata-se de uma interpretação que poderia ter ido um pouco mais além, mas ainda assim é o trabalho da vida dele – até o momento.

Sinto falta de uma presença maior dos demais atores que interpretaram o restante da banda – Gwilym Lee (Brian May), Ben Hardy (Roger Taylor) e Joseph Mazzello (John Deacon). Em vários momentos o longa traz a mensagem de que o Queen não é somente Freddie Mercury, mas em outros momentos falta essa interatividade do grupo. Além disso, o fato de o roteiro deixar coisas implícitas – para mim – não foi o ideal. Era aí que o filme poderia ter ousado. Sabemos que Freddie Mercury era homossexual, que teve inúmeros casos amorosos, inclusive com seu produtor pessoal (o único mostrado mais explícito). Só que a história vai muito além – o cantor contraiu AIDS – uma doença que na época era pouco conhecida e que matava muito rápido porque não havia informações, muito menos tratamento. Isso causava pânico. E em nenhum momento foi falado mais abertamente. Poderia ter se aprofundado na essência do ídolo excêntrico que foi Freddie Mercury.

Enfim, essa foi uma resenha bem difícil de escrever. Depois que assisti o filme fiquei alguns dias ainda pensando se eu tinha gostado ou não. É difícil criticar uma coisa que eu queria ter amado pra caramba. Mas o filme é bom, principalmente aos fãs que não vão assistir preocupados em achar defeitos. “Bohemian Rhapsody” é extremamente plástico; como produção é bonito. Mas como experiência cinematográfica tem erros, o que torna  simples.

Já assistiram “Bohemian Rhapsody”? Gostaram? E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
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#Filme | Antes que eu Vá

Há algum tempo saiu nos cinemas o filme “Antes que eu Vá”, porém somente nesta semana consegui conferir o longa. Adaptado do livro best seller de Lauren Oliver, a produção é bem “água com açúcar”, mas é bem feito.

Samantha (Zoey Deutch, de “Tinha que ser Ele?”) é uma jovem que tem tudo – uma família feliz, amigas divertidas, é popular na escola e namora o garoto mais desejado do lugar. Porém, ela não parece valorizar muito algumas dessas coisas e passa a maior parte do dia com preocupações fúteis. Tudo muda quando um grande acidente de carro acontece, Sam morre e passa a acordar sempre nesse mesmo dia. Trata-se de um filme bem adolescente, com uma premissa interessante e que lembra muito “Se eu Ficar”. É uma história sobre amizade, segundas chances, bullying e mudança, basicamente.

E para aqueles que são mega fãs do livro e que ficam com medo da adaptação – podem ficar tranquilos. Eu gostei bastante do paralelo entre o livro e o filme. Achei que os produtores fizeram um bom trabalho na adaptação. Inclusive o filme ganha um ritmo mais acelerado, diferente do livro. Pode assistir sem medo!

No elenco ainda estão Halston Sage (de “Cidades de Papel”), Elena Kampouris (de “Casamento Grego 2”), Logan Miller (de “Quatro Vidas de um Cachorro”), Jennifer Beals (de “The L World” e “Lie to Me”) e Kian Lawley.

#Filme | A Grande Muralha

Neste final de semana fui ao cinema para assistir ao filme “A Grande Muralha”, com Matt Damon. E se você acha que o longa é um épico sobre a construção do icônico monumento chinês, você está enganado.

Matt Damon interpreta William, um ladrão que vaga pelas terras orientais ao lado de seu amigo Tovar (Pedro Pascal) em busca do famoso “pó preto” (pólvora), capaz de causar explosões. Presos em uma emboscada, ambos se veem reféns de um misterioso exército que guarda A Grande Muralha, muro que separa a China de outros territórios. A chegada deles no local coincide com o ataque dos Tao Tei, criaturas monstruosas que pretendem destruir o planeta. De repente, de reféns, os dois passam a ser soldados úteis no combate e passam a questionar toda a conduta que tinham até ali.

Logo no início do filme já somos apresentados a essa premissa – afinal a produção se passa no século XV e leva em consideração uma lenda em que os primeiros povos chineses acreditavam. Não passa de uma lenda.

O interessante é que a produção é uma parceria da China com os Estados Unidos, o que demonstra que o mercado chinês tem grande potencial aos produtos cinematográficos americanos e vice-versa. A direção fica por conta do renomado diretor e produtor chinês Yimou Zhang, responsável por sucessos como “Flores do Oriente” e “O Clã das Adagas Voadoras”. No elenco, além dos atores chineses, temos grandes nomes do cinema americano – Matt Damon (indicado três vezes ao Oscar – “Invictus”, “Gênio Indomável” e “Perdido em Marte”), Pedro Pascal (Oberyn Martell de “Game of Thrones” e Javier Pena de “Narcos”) e Willem Dafoe (indicado duas vezes ao Oscar – “Platoon” e “A Sombra do Vampiro”).

“A Grande Muralha” é filme bem produzido, com uma história mediana e que chama atenção pelo show dos efeitos especiais. Para aqueles que pretendem assistir – recomendo que vejam em 3D nos cinemas!

#Filme / Moonlight – Sob a Luz do Luar

Está chegando a hora de conhecermos os vencedores do Oscar 2017 – amanhã ao vivo, a partir das 22h30 na TNT – e eu consegui finalizar a minha maratona dos filmes que concorrem neste ano. O último que assisti foi “Moonlight – Sob a Luz do Luar”, que estreou nos cinemas brasileiros no dia 23 de fevereiro. O longa foi indicado em oito categorias – Melhor Filme, Direção, Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), Atriz Coadjuvante (Naomie Harris), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Fotografia e Montagem – além de já ter ganho o Globo de Ouro na categoria Melhor Filme de Drama.

“Moonlight – Sob a Luz do Luar” é o típico filme feito na medida para o Oscar. Traz uma história emocionante de um garoto negro do subúrbio de Miami que ao longo da vida vai descobrindo a sua homossexualidade. Drama e sutileza estão lado a lado na história, que conta com personagens marcantes e interpretações excelentes.

Dirigido pelo cineasta norte americano Barry Jenkins, com roteiro baseado na peça “In Moonlight Black Boys Look Blue”, de Tarell McCraney, o filme acompanha a trajetória de Chiron através de três momentos na vida do personagem, uma na infância, outra na adolescência e a última no auge de sua vida adulta. Durante esses três recortes, o longa vai mostrando a relação do protagonista com sua mãe (Naomi Harris), as descobertas sexuais, a necessidade de uma figura paterna (Mahershala Ali), a relação com as gangues da região, o consumo de drogas e tudo que cerca um jovem negro e gay na periferia da costa sudeste dos EUA.

Dois grandes atores se destacam no filme – Mahershala Ali, que interpreta o traficante Juan no início do filme – super cotado para ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (na minha opinião Jeff Bridges, de “A Qualquer Custo” mereceria mais) e Naomi Harris, a mãe drogada de Chiron. Também merecem destaque os três atores estreantes que interpretaram o personagem principal – Alex R. Hibbert (infância), Ashton Sanders (adolescência) e Trevante Rhodes (fase adulta)

O filme é uma grande crítica social e se ganhar o Oscar vai ser “um tapa na cara” do atual governo americano, que traz uma posição homofóbica e racista. Além disso, outra característica adotada nos últimos anos da cerimônia é premiar produções mais baratas – “Moonlight” custou cerca de 5 mil dólares para ser produzido. Mas se ganhar, também é porque apresentou um roteiro e direção espetaculares, além de um elenco simples e maravilhoso. Com um tema complicado para se reproduzir nas telas norte-americanas, o diretor Barry Jenkins consegue mostrar de forma poética como Chiron enxerga o amor.

#Filme / Manchester a Beira Mar

Guardem essa frase – “Um dos melhores filmes produzidos neste ano”. Ela se aplica ao simplório “Manchester a Beira Mar”, que concorre a 6 Oscars – melhor filme, diretor (Kenneth Lonergan), ator (Casey Affleck), ator coadjuvante (Lucas Hedges), atriz coadjuvante (Michelle Williams) e roteiro original.

Um filme simplesmente lindo e um drama emocionante. Após a morte de seu irmão mais velho, Lee Chandler (Casey Affleck – irmão mais novo do Ben Affleck) fica chocado ao saber que é o guardião de seu sobrinho Patrick (Lucas Hedges). De férias de seu trabalho, Lee retorna, de forma relutante, à sua cidade natal Manchester para cuidar de Patrick, um espirituoso menino de 16 anos e ainda vê-se forçado a lidar com o passado que o separou de sua mulher Randi (Michelle Williams) e da comunidade onde ele nasceu e foi criado.

O diretor Kenneth Lonergan faz um trabalho memorável, conduzindo o drama sem ser piegas, sem sequências de choro e desespero – em raras ocasiões, foram feitas na medida certa. As cenas são muito sutis, com a utilização de longos silêncios para deixar o espectador ainda mais angustiado. Desde o início do longa sabemos que algo no passado de Lee o atormenta profundamente, o que faz com que nos solidarizamos com ele.

O ator Casey Affleck é uma discussão a parte – eu, particularmente, não gostei de sua interpretação – mas a crítica tem elogiado sua construção do personagem transtornado, sendo um dos favoritos a levar o Oscar de melhor ator. Inclusive, ele venceu quase todas as premiações, como Globo de Ouro e BAFTA, perdendo apenas no SAG Awards para Denzel Washington (“Um Limite entre Nós”).

Os outros destaques do filme são Lucas Hedges e Michelle Williams. A atriz aparece bem pouco – no máximo quatro cenas – mas em uma delas, onde perde perdão à Lee, esteve simplesmente maravilhosa, com a emoção à flor da pele, nos fazendo chorar. Já o garoto traz uma segurança nas principais cenas.

E aqui vai um spoiler – se não quer saber, vá para o próximo parágrafo – mas tem 99% de chances de você não gostar do final. Quando começou a aparecer os créditos eu pensei “ainda falta terminar o filme”. Foi bem chato.

Mas ainda assim, “Manchester a Beira Mar” é um filme sensível, que nos mostra o peso de se lidar com traumas – uma produção realista, com atuações impecáveis e uma direção genial.

#Filme / Até o Último Homem

Grande parte dos filmes que concorrem ao Oscar 2017 apostaram em histórias baseadas em fatos reais – “Até o Último Homem” é um deles. O longa conta a saga de um jovem que segue firmemente seus princípios e sua fé em um dos campos de batalha mais sangrentos na história do mundo.

A trama adapta a inacreditável história real de Desmond Doss (Andrew Garfield), um soldado na Segunda Guerra Mundial que se alistou no exército após se dar conta de todo o esforço e sacrifício que o país passava. Porém, dada sua devota crença no cristianismo, Doss se recusou a portar armas durante todo o conflito, acreditando que seu dever não deveria tirar vidas, mas sim salvá-las ao atuar como médico militar. Os eventos do filme centram-se na atuação das tropas americanas em Okinawa, e a tomada do desfiladeiro de Hacksaw, uma zona crucial para dominação do território japonês.

Após 10 anos, Mel Gibson está de volta como diretor em mais um filme de guerra. Conhecido pelo realismo e a violência extrema de seus trabalhos anteriores, as cenas de guerra aqui são bem produzidas, porém, em alguns momentos, um pouco exageradas. Destaque para a brilhante interpretação do jovem Andrew Garfield (ex-Homem Aranha), no papel principal do soldado Doss e também os atores coadjuvantes – Vince Vaughn (Sargento Howell), Sam Worthington (Capitão Glover), Luke Bracey (Smitty) e Teresa Palmer (Dorothy).

Como disse anteriormente, o filme é baseado em fatos reais, tanto que ao final nos deparamos com depoimentos das pessoas reais, retratadas na produção – dando um toque de realismo e emoção. Um filme caprichado na edição, com um roteiro que em alguns pontos deixa a desejar. Faltou aquela sutileza que Mel Gibson impôs no vencedor do Oscar – “Coração Valente” (1996), que inclusive lhe rendeu o prêmio de melhor diretor.

No Oscar deste ano, “Até o Último Homem” concorre em seis categorias – melhor filme, diretor (Mel Gibson), ator (Andrew Garfield), montagem, mixagem de som e edição de som.

#Filme / Estrelas além do Tempo

Chegou a vez de falarmos do filme “Estrelas além do Tempo”, que estreou nos cinemas brasileiros no dia 2 de fevereiro. O longa, baseado em fatos reais, foi dirigido pelo americano Theodore Melfi e estrelado pelas atrizes Taraji P. Henson (da série de TV “Empire”), Octavia Spencer (vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por “Histórias Cruzadas”) e a cantora Janelle Monáe (estreando nas telonas – uma curiosidade: a atriz também pode ser vista no filme “Moonlight”, que também concorre ao Oscar.)

A história de “Estrelas além do Tempo” se passa em 1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Cada uma das três luta com um desafio diferente dentro da Agência, com Dorothy temendo que ela e suas colegas se tornem desnecessárias com a chegada das máquinas IBM e batendo de frente com a assistente Vivian Michael (Kirsten Dunst); Mary tentando sair do cargo de assistente e tornar-se uma engenheira plena; e Katherine sendo transferida para a divisão de pesquisa de voo, trabalhando revisando os cálculos do arrogante engenheiro-chefe Paul Stafford (Jim Parsons, de “The Bg Bang Theory”), sob o comando direto de Al Harrison (Kevin Costner).

O longa concorre em três categorias do Oscar – melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Octavia Spencer – adoro ela, sempre muito segura em cena, mas neste filme as outras atrizes se destacaram mais a ponto de uma indicação. O filme cumpre bem o seu papel de narrar uma história de superação de três mulheres afrodescendentes, que quebram barreiras no auge da segregação racial dos Estados Unidos. A história tem a sutileza para emocionar, mas é um filme previsível.

#Filme / Um Limite entre Nós

Continuando a minha maratona dos filmes que concorrem ao Oscar, hoje vou falar de “Um Limite entre Nós” (“Fences”, no original), que por enquanto ainda não estreou no Brasil.

Na trama, ambientado na década de 50 nos Estados Unidos, acompanhamos a trajetória de Troy Maxson (Denzel Washington) um homem analfabeto, que foi preso por anos, e depois trabalhou duro todos os dias para sustentar sua família, de origem humilde, em um bairro familiar norte americano. Frustrado toda vida por não conseguir ter sido um jogador de baseball profissional, com todo o talento que tinha, seu destino lhe reservou outra história e assim ele vive o cotidiano entre um drink e outro, tentando se manter consciente em casa e no relacionamento conturbado que possui com sua mulher Rose Maxson (Viola Davis) e seus dois filhos além de ter que cuidar do irmão Gabe (Mykelti Williamson), um ex-combatente do exército que voltou com problemas da guerra.

O filme é baseado na peça homônima de enorme sucesso escrita por August Wilson (que assina o roteiro), e também protagonizada por Denzel nos teatros (papel que lhe rendeu o prestigiado prêmio Tony em 2010). O filme utiliza de técnicas do teatro, como desenvolver toda a história em apenas um cenário, com enquadramentos abertos e diálogos longos. Tudo isso possibilita interpretações na medida de Denzel e Viola. A atriz é o grande destaque e deve levar o Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante.

“Um Limite entre Nós” é uma grande metáfora das relações familiares e conjugais. Um filme difícil para engatar, porém intenso, verdadeiro, real. Vale a pena pela interpretação da maravilhosa Viola Davis.