Tag: Meryl Streep

#Filme | Adoráveis Mulheres

Oi gente!
Assisti mais um filme que está concorrendo ao Oscar “Adoráveis Mulheres”, da diretora Greta Gerwing, concorre em 6 categorias: melhor filme, atriz (Saoirse Ronan), atriz coadjuvante (Florence Pugh), figurino, trilha sonora original e roteiro adaptado.

O longa narra a história das irmãs March – Jo (Saoirse Ronan), Meg (Emma Watson), Amy (Florence Pugh) e Beth (Eliza Scanlen). Filhas de Marmee March (Laura Dern), as quatro vivem suas vidas normais e sem grandes luxos enquanto os Estados Unidos passam pela Guerra da Secessão. Ligadas de alguma forma ao mundo artístico, as irmãs aguardam o retorno do pai (Bob Odenkirk), precisam lidar com o adoecimento de Beth e enfrentam os dilemas do amor. A narrativa, dividida em dois períodos: o auge da adolescência e o início da vida adulta, nos permite ter uma noção de como as mulheres daquela época lidavam com temas como arte, comércio, casamento, solidão e, principalmente, identidade e independência.

Greta Gerwing é, sem dúvidas, um dos principais nomes femininos em se tratando de direção. Aclamada pela crítica e indicada ao Oscar em 2018 por Lady Bird, a diretora traz uma nova cara à obra baseada no livro de Louisa May Alcott, que inclusive já foi adaptado várias vezes ao teatro, cinema e TV, sendo mais conhecida a versão de 1995, que também contou com um grande elenco como Susan Sarandon, Kirsten Dunst, Claire Danes, Christian Bale e Winona Ryder. A nova versão também traz nomes importantes como Laura Dern (cotadíssima a vencer o Oscar esse ano, porém por outro filme), Bob Odenkirk (Better Call Saul), Emma Watson (nossa eterna Hermione da saga Harry Potter), Timothée Chalamet (Me Chame pelo seu Nome) e Meryl Streep, interpretando a tia rica e ranzinza, rendendo ótimas cenas à atriz. Porém, Saoirse Ronan é o grande destaque do elenco – aos 25 anos, a atriz já acumula 4 indicações ao Oscar. Sua protagonista consegue defender a ideia do feminismo, ao mesmo tempo que mostra uma evolução do romantismo.

Distanciando-se do modo clássico de adaptações, Gerwig demonstra uma ousadia em seu roteiro ao trazer a narrativa não-linear. No início chega a confundir o espectador, mas com o tempo, a diretora acerta ao demonstrar passado e presente de diferentes formas, por exemplo, as cenas do passado possuem um filtro claro, com cores mais quentes, demonstrando a época alegre das personagens. O presente tem cores mais frias, puxando para o tom azulado, representando a tristeza. O roteiro consegue destacar todas as personagens – cada uma tem seu momento de brilhar. Gerwing conseguiu colocar mais profundidade em suas personalidades, isso é muito interessante. O figurino é outro grande destaque – tudo impecável!

Para mim, o grande trunfo do filme é a inteligência da diretora Greta Gerwing – senti muito a falta dela na categoria de melhor direção. No Oscar 2020, acredito que o filme não tenha grande destaque, infelizmente. Vencer a categoria de figurino não seria uma surpresa.

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#Filmes | The Post – A Guerra Secreta

Oi gente!
Hoje tem resenha de “The Post – A Guerra Secreta”, novo filme do diretor Steven Spielberg, com Meryl Streep e Tom Hanks e que concorre ao Oscar 2018.

A história gira em torno de Kat Graham (Meryl Streep), a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa.

“The Post – A Guerra Secreta”, para mim, é o filme mais injustiçado deste ano. Eu simplesmente adorei – e ele concorre apenas em duas categorias do Oscar 2018: melhor filme e melhor atriz para Meryl Streep em sua 21ª indicação – sendo a atriz que mais concorreu na história da premiação, tendo levado a estatueta três vezes – por “Kramer vs Kramer” (1980 – como atriz coadjuvante), “A Escolha de Sofia” (1983) e “A Dama de Ferro” (2012). Acho que valia indicações nas categorias de melhor direção, melhor ator para Tom Hanks e até melhor roteiro.

Mas enfim, vou falar um pouquinho do filme, e para isso, preciso trazer alguns dados da história americana. “The Post” se passa no início da década de 70 quando os jornais The New York Times e o The Washington Post divulgaram os “Pentagon Papers” – Papéis do Pentágono – um amplo estudo mostrando como os governos Eisenhower, Kennedy, Johnson e Nixon haviam ludibriado a opinião pública para justificar o envolvimento cada vez mais acentuado dos EUA no Vietnã, que inclusive não teve “final feliz” para os americanos.

Os documentos incriminariam Robert McNamara, grande amigo de Kat Graham, e que foi Secretário de Defesa durante os governos Kennedy e Johnson. Inclusive, Kat tinha herdado o jornal do marido e, arriscou o futuro do seu Washington Post, ao decidir publicar os documentos proibidos. Depois disto o jornal passou a ter o mesmo patamar do New York Times. A revelação dos Pentagon Papers levou também, logo a seguir, ao caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon.

Com relação ao filme – ele tem o mesmo estilo de “Spotlight: Segredos Revelados”, que venceu o Oscar em 2016, inclusive ambos têm o mesmo roteirista Josh Singer, em parceria com a estreante Liz Hannah. O roteiro é ótimo, discutindo diversos assuntos importantes como a liberdade de imprensa, o poder da verdade, o empoderamento feminino, o comercial em conflito com o editorial de uma redação, além dos bastidores da investigação jornalística – tudo isso sem ser cansativo.


Kat Graham e Ben Bradleey

A direção de Spielberg é sempre impecável. Ótima trilha sonora, fotografia e edição. Além de contar com a brilhante interpretação de Streep e Hanks tem também Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Matthew Rhys no elenco. Acredito que não irá vencer nada no Oscar, mas adoraria se surpreendesse, que nem aconteceu com Spotlight.

#Filme / Florence – Quem é essa Mulher?

Reunir em um filme a atriz mais premiada de todos os tempos – Meryl Streep (que já recebeu 20 indicações ao Oscar, vencendo três vezes); um dos atores mais charmosos dos anos 90 – Hugh Grant; e um grande nome da atualidade – Simon Helberg, o Howard Wolowitz de The Big Bang Theory, com certeza é um ótimo apelo para assistir “Florence: Quem é Essa Muher”.

Lembrando que assim que passar esse período do Oscar 2017, voltamos com as nossas resenhas de livros – já tenho várias dicas para dividir com vocês!!

O filme, dirigido por Stephen Frears, diretor britânico consagrado por produzir ótimas biografias como “A Rainha” e “Philomena”, volta às telonas com a história de Florence Foster Jenkins (Streep), uma rica herdeira que persegue obsessivamente uma carreira de cantora de ópera na Nova York de 1940. Aos seus ouvidos, sua voz é linda, mas para todos os outros é absurdamente horrível. O ator St. Clair Bayfield (Grant), seu marido, tenta protegê-la de todas as formas da dura verdade, mas um concerto público coloca toda a farsa em risco. Florence não buscava fama e prestígio, mas apenas alimentar a sua paixão por música, por isso, subir ao palco do famoso Carnegie Hall e se apresentar era algo que representava o seu sonho enquanto ser humano, um desejo irrefreável de passar os seus dias no meio de algo que lhe dava prazer: a música.

Com base em fatos reais, centrados nos esforços de Florence para fazer uma carreira na música, a comédia cumpre seu papel de entreter, somente isso. Meryl Streep, como sempre, está maravilhosa, utilizando seu talento em musicais para “destruir” e divertir sua personagem, já que ela canta muito mal, mas também dá um show de interpretação em cenas de drama. Confesso que fiquei muito surpreso ao ver como Hugh Grant envelheceu – seu personagem é uma escada para o sucesso de Meryl – o marido que trai a esposa, mas ainda assim, procura realizar todos os seus sonhos e desejos. Destaque também para o jovem Simon Helberg, que interpreta o talentoso pianista Cosme McMoon.

O roteiro do longa é muito bem construído, sabendo como dar as informações de sua narrativa, sem se apressar ou criar barrigas entre seus acontecimentos, num ritmo agradável que lembra – apenas lembra – as melhores comédias clássicas de Hollywood. Outro detalhe que traz charme é o efeito de passagem de cenas, inspirado em filmes antigos.

Portanto, o filme traz um humor sutil, uma evolução bem construída e interpretações na medida certa. No Oscar 2017, o longa concorre em apenas duas categorias: Melhor Atriz com Meryl Streep e Melhor Figurino.