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#Livro | Juntando os Pedaços

Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Amazon

Oi gente!
Mais uma dica de leitura! Se você se emocionou com “Por Lugares Incríveis”, precisa começar a ler “Juntando os Pedaços”, da mesma autora Jennifer Niven. A história retrata muito bem a luta contra o preconceito, gordofobia e amor próprio.

Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca, mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby.

Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

Assim, Jennifer Niven nos apresenta, com uma narrativa em primeira pessoa, o universo de cada um desses personagens, de modo que a cada capítulo temos Libby ou Jack narrando suas questões internas, até seus caminhos se cruzarem. Libby sonha em ser dançarina e, agora, após perder mais de 140 kg, resolveu voltar para o colégio em que estudava antes de sua mãe falecer e suas crises de ansiedade e compulsão alimentar começarem. Lá, encontra, da pior maneira possível, Jack, o garoto que secretamente não consegue gravar faces, nem mesmo de sua própria família.

“Juntando os Pedaços” me conquistou logo no começo. A narrativa envolvente e os personagens cativantes são o ponto alto. O tema é extremamente atual e necessário para discussão. O bullying é retratado de forma tocante e emocionante. Ambos os personagens desenvolvem inseguranças devido a tudo o que passaram e a forma como eles lidam com isso é o importante a se observar. Mas, por trás de toda discussão, temos uma história fofa e divertida sobre o amor – tanto o amor por si mesmo, quanto o amor doce e jovem que começa no ensino médio. Esteja preparado para juntar os pedaços após o final da leitura!

Já conheciam a literatura de Jennifer Niven? Bora ler “Juntando os Pedaços”!

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#Livro | Mortos não contam Segredos

Autora: Karen McManus
Editora: Galera Record
Páginas: 352
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Amazon
Foto: Facebook Galera Record

Oi gente!
Vocês já devem ter percebido que eu engrenei com as minhas leituras!! Tinha alguns livros que estavam parados, resolvi colocar tudo em dia nessa quarentena! Hoje vou trazer para vocês uma dica bem bacana – o suspense “Mortos não contam Segredos”, o segundo romance de Karen McManus, autora best-seller de “Um de Nós Está Mentindo”.

Por trás das cercas brancas e dos gramados perfeitos da pacata cidadezinha de Echo Ridge, há segredos de natureza obscura. Ellery conhece as histórias a respeito da cidade natal de sua mãe e sabe que ali garotas desaparecidas não voltam para casa. Cinco anos atrás, a rainha do baile Lacey Kilduff foi assassinada e o culpado jamais foi preso. Sua tia Sarah também foi uma das vítimas quando ainda era adolescente, mas a mãe pouco fala sobre isso, preferindo mascarar o luto com bebidas e remédios. Quando o vicio culmina em uma internação na clínica de reabilitação, Ellery e seu irmão gêmeo Ezra se mudam para a casa da avó em Echo Ridge e passam a testemunhar em primeira mão a sinistra fama da cidade.

Antes mesmo do inicio das aulas, novas ameaças surgem em forma de pichações. Alguém deixa bem claro que a temporada de caça às rainhas do baile está aberta, e o nome de Ellery surge entre as possíveis vítimas. Poucos dias depois, outra garota desaparece e, desta vez, Ellery está determinada a descobrir quem está por trás de tudo isso. Mas quanto mais a menina se envolve com os segredos dos moradores, mais se põe na mira do responsável pelas mortes. Ellery está prestes a descobrir que segredos são perigosos, e é por isso que, em Echo Ridge, é melhor guardá-los para si.

A nossa protagonista Ellery tem um fraco por tudo que envolve mistérios policiais e começa a procurar qualquer vestígio que possa ligar os fatos do passado e todos os recém acontecimentos. Não demora muito para ela conhecer Malcolm, irmão mais novo de Declan Kelly – um dos antigos suspeitos, formando uma aliança, que também envolve o irmão Ezra e Mia.

A narrativa é realizada em primeira pessoa, alternando entre Ellery e Malcolm. A medida que os capítulos vão passando, surpresas e mistérios vão sendo solucionados, alguns dando verdadeiro nó na cabeça e mantendo as expectativas lá no alto. Eu já havia gostado bastante de “Um de Nós Está Mentindo” e agora amei “Mortos não contam Segredos”. A autora consegue criar um universo de suspense adolescente, que prende a atenção. Confesso que ainda estou refletindo um pouco sobre o final e a solução dada pela autora – não estava esperando o que aconteceu, mas foi tudo bem coerente.

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#Livro | Nove Desconhecidos (Liane Moriarty)

Autora: Liane Moriarty
Editora: Intrínseca
Páginas: 464
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva
Foto: Facebook Intrínseca

Oi gente!
Fazia um tempo que não trazia nenhuma dica de livro para vocês. Confesso que ultimamente estou bem devagar com minhas leituras, mas hoje vou falar de “Nove Desconhecidos”, escrito pela australiana Liane Moriarty, mesma autora de sucessos como “Pequenas Grandes Mentiras”, que já virou série de TV, estrelada por Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley. Por já ter tido boas experiências com outras obras de Liane, minha expectativa estava bem alta para “Nove Desconhecidos”, o que infelizmente não se concretizou.

Na história, Masha abandonou a vida coorporativa há dez anos e abriu um spa de bem-estar. A promessa da Tranquillum House são dez dias de desintoxicação daquilo que está contaminando a sua vida e os resultados costumam ser pessoas transformadas em melhores versões de si mesmas. É com esse objetivo que nove pessoas iniciam as suas estadias. Um grupo de personagens que não se conhece confinado em um espaço, por um determinado período de tempo.

Frances é uma escritora que já teve seus dias de glória, mas que no momento está em baixa devido a uma crítica negativa, e ainda acaba de sofrer uma terrível decepção ao ser enganada por um golpista na internet. A Família Marconi – Napoleon é um professor super engajado em ser um exemplo para seus alunos; Heather, uma profissional séria e mãe mais séria ainda; Zoe, uma jovem desafiadora. Esta é uma família que, depois de uma terrível tragédia, está se desfazendo. Ben e Jessica são um jovem casal que depois de ganhar na loteria percebe que já não têm mais tanto em comum. Carmel é divorciada e foi trocada por uma moça mais jovem, além de ter neuras com sua aparência. Lars é advogado, gay, defende mulheres em seus divórcios, adora spas e está passando por um momento crucial em seu relacionamento com seu parceiro. Por fim, Tony, ex-jogador de futebol australiano, hoje mais velho e mais gordo, está distante da família.

Ao longo da história vamos descobrindo mais sobre os detalhes das vidas de nossos nove desconhecidos. E mesmo com cada história sendo única e diferente, as coisas vão se entrelaçando conforme as pessoas vão lidando com seus problemas e compartilhando suas dores. Cada um dos vários capítulos é narrado por uma personagem; isso nos dá uma visão abrangente e muito pessoal daquelas pessoas, seus sentimentos e segredos mais íntimos, e especialmente a maneira como pensam e vêem os outros.

A narrativa para mim foi bem complicada. Eu iniciei a leitura e logo parei, não estava fluindo. Depois de um tempo voltei a ler e aí segui firme até o final. Todo o desenvolvimento da história foi lento, não consegui me identificar muito com alguns personagens e outros me irritavam profundamente. Também confesso que esperava um final mais impactante, o que acabou me decepcionando.

No geral, acredito que o livro nos deixa importantes lições. Primeiro quanto ao cuidado do nosso corpo, à necessidade de diminuirmos o estresse, de pensarmos mais nos outros. Tudo isso na medida certa e não usando métodos insanos. Além disso, é um livro que debate temas importantes como drogas e seu abuso, suicídio, vaidade etc. Especificamente falando do suicídio, Liane conseguiu trazer esse debate de forma muito sutil e bonita para o livro. Ele não é o foco, mas está presente em momentos cruciais da história.

De todo modo, “Nove Desconhecidos” é um livro mediano, não foi dos piores que li. Demora um pouco até que nos acostumemos com cada personagem. O livro passa a mensagem de que muitas vezes, o maior desconhecido que pensamos conhecer somos nós mesmos. E quero saber de vocês que já leram, se curtiram, se concordam ou discordam de mim. Enfim, me contem suas impressões.

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#Livro | O Juiz e seu Carrasco (Projeto Lendo o Mundo)

Oi gente!
Hoje volto com o projeto “Lendo o Mundo” – aquele que leio livros de todos países para conhecer a literatura, cultura e tradições desses locais. (Saiba mais aqui) Dessa vez li “O Juiz e seu Carrasco”, escrito por Friedrich Dürrenmatt, representando a Suíça. É bem provável que este será o último livro do projeto neste ano.

Aqui no Brasil, o autor é pouco lido – fui pesquisar e descobri que ele tem apenas este livro e outros três contos – A Pane, O Túnel e O Cão – publicados em língua portuguesa. Dürrenmatt ganhou fama com seus dramas  vanguardistas, profundos romances policiais, e algumas sátiras macabras. Um de seus principais bordões era “Uma história não está terminada até que algo tenha dado extremamente errado”.

Com relação ao livro, “O Juiz e seu Carrasco” conta a história de um policial que foi assassinado sob circunstâncias misteriosas. Bärlach, um velho e doente comissário, amante de cigarros, de vodca e da boa mesa, investiga essa morte ao mesmo tempo em que luta contra a sua própria, que parece cada vez mais próxima. Enquanto a polícia se vê às voltas com figurões locais; oficiais oportunistas tentam subir na carreira, e Bärlach faz as suas arriscadas jogadas. Na sombra, o assassino, um tipo maquiavélico, disserta sobre o bem e o mal, que ele considera possibilidades iguais.

O livro é profundo e complexo no psicológico dos personagens. Confesso que a leitura não fluiu tão bem, apesar de ser um livro bem curtinho – tem apenas 108 páginas. Acredito que a linguagem e, principalmente, os nomes complicados foram o que me causou maior estranheza. Mas isso não quer dizer que seja ruim. Até porque o principal conflito foi bem desenvolvido e a resolução do crime foi surpreendente. Poucos livros de suspense policial me surpreenderam no final, como este.  A leitura valeu a pena pelo conhecimento e pela experiência de explorar o texto de um autor que nunca havia lido nada antes.

Veja também as demais leituras do projeto – Por Dentro da Casa Branca (Estados Unidos)Muito Longe de Casa (Serra Leoa)O Ruído das coisas ao cair (Colômbia)A Última Mensagem de Hiroshima (Japão) e Depois de Auschwitz (Alemanha). E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 

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#Livro | Leah fora de Sintonia

Autora: Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva | Cultura
Foto: Facebook Editora Intrínseca

Oi gente!
Logo mais tem feriado prolongado para aproveitarmos bastante, mas antes disso trago uma dica literária para vocês! Há um tempinho li “Simon vs. a agenda Homo Sapiens / Com Amor, Simon” (tem resenha AQUI) e também teve o filme inspirado nesse livro. Com o sucesso, a Editora Intrínseca lançou “Leah fora de Sintonia” – uma continuação da história, mas com Leah – a melhor amiga de Simon – como protagonista.

Leah odeia demonstrações públicas de afeto. Odeia clichês adolescentes. Odeia quem odeia Harry Potter. Odeia o novo namorado da mãe. Odeia pessoas fofas e felizes. Ela odeia muitas coisas e não tem o menor problema em expor suas opiniões. Mas, ultimamente, ela tem se sentido estranha, como se algo em sua vida estivesse fora de sintonia. No último ano do colégio, em poucas semanas vai ter que se despedir dos amigos, da mãe, da banda em que toca bateria, de tudo que conhece. E, para completar, seus amigos não fazem ideia de que ela pode estar apaixonada por alguém que até então odiava, uma garota que não sai de sua cabeça.

Durante a leitura, vamos percebendo que a postura da protagonista é um mecanismo de defesa para as mudanças, além de uma pitada de orgulho. Leah muitas vezes dificulta as coisas para si mesma apenas por não aceitar ajuda – muitas pessoas podem se identificar. Com o decorrer da leitura deu pra entender um pouco das atitudes da personagem, quando somos adolescentes as coisas tomam uma dimensão maior e ela estava em conflito com seus sentimentos.

Preciso dizer que achei a leitura um pouco devagar. Curti mais ler “Simon”, do que “Leah”. Talvez porque no primeiro estávamos conhecendo a história, os personagens, ainda não havia identificação com eles. No segundo livro, a história traz mais do mesmo. Ela se passa exatamente após o final do primeiro livro, e não traz muitas novidades, apenas as nuances da personagem principal – que as vezes irrita, as vezes nos faz se apaixonar. Se você ainda não seu “Simon vs. a agenda Homo Sapiens” – NA MINHA OPINIÃO – não influencia tanto na nova leitura, até porque em diversos momentos a autora relembra acontecimentos da narrativa e te dá uma boa base. Se eu não tivesse lido, muito provavelmente eu entenderia esse aqui. Mas, claro que o ideal é ler todos.

Fazendo um balanço geral, é um livro bom, com vários momentos fofos e interessantes, típico romance americano teen, personagens legais, mais uma discussão leve sobre a homossexualidade, porém não foi um livro que me apeguei – fiquei com a sensação de que faltou mais. Ainda assim, quero muito o filme com a atriz Katherine Langford, urgente produção!

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#Livros | Depois de Auschwitz (Projeto Lendo o Mundo)

Oi gente!
Como prometido essa semana tem mais um livro no desafio “Lendo o Mundo”, aquele projeto que leio livros de todos países para conhecer a literatura, cultura e tradições desses locais. (Saiba mais aqui) E hoje trago “Depois de Auschwitz”, de Eva Schloss, representando a Alemanha.

Em seu aniversário de quinze anos, Eva é enviada para Auschwitz – o temido campo de concentração em plena 2ª Guerra Mundial. Sua sobrevivência depende da sorte, da sua própria determinação e do amor de sua mãe, Fritzi. Quando Auschwitz é extinto, mãe e filha iniciam a longa jornada de volta para casa. Elas procuram desesperadamente pelo pai e pelo irmão de Eva, de quem haviam se separado. A notícia veio alguns meses depois: tragicamente, os dois foram mortos.

Este é um depoimento honesto e doloroso de uma pessoa que sobreviveu ao Holocausto. As lembranças e descrições de Eva são sensíveis e vívidas, e seu relato traz o horror para tão perto quanto poderia estar. Mas também traz a luta de Eva para viver carregando o peso de seu terrível passado, ao mesmo tempo em que inspira e motiva com sua mensagem de perseverança e de respeito ao próximo.

Bom pessoal, a particularidade que me fez ler esse livro para representar a Alemanha é o período da história mundial que marcou muito o país – a 2ª Guerra Mundial e a ascensão do Nazismo. Já adianto que é impossível ler esse livro sem ficar com aquela lágrima no canto do olho e que insiste em cair. A história é emocionante e impactante.

O livro conta com detalhes toda a trajetória de vida de Eva e traz questionamentos e ensinamentos marcantes para nossas vidas. Eva era apenas uma menina de quinze anos quando foi presa e levada para Campo de Concentração de Aushwitz, na Polônia. Antes da prisão viveu momentos de alegrias e perseguições com sua família. Ela era muito ligada ao pai e ao irmão Heinz, e em vários momentos teve que se separar dos seus entes queridos para fugir dos oficiais da SS. Eva viu seus amigos de infância a perseguirem por ser judia. Viu pessoas que conheciam sua família virarem as costas. Viu a fome e a morte ao seu lado por um longo tempo. Viu o desaparecimento das pessoas que mais amava.

Além disso, temos um detalhe bem interessante na história. Eva era “irmã” de Anne Frank – provavelmente você já deve ter lido “O Diário de Anne Frank” e, se não leu, tem que ler imediatamente!! Essa questão da “irmã” – que inclusive consta no subtítulo na capa do livro – foi meio que uma furada do marketing da Editora. Na verdade, Eva e Anne não eram irmãs de sangue. Após o fim da Guerra a mãe de Eva e o pai de Anne se casaram, visto que seus cônjuges morreram em Auschwitz. Eva e Anne quase não conviveram – elas tiveram alguns encontros na infância, quando moravam na Holanda e tentavam fugir dos nazistas. Mas mesmo assim, tanto Eva, como sua mãe e Otto Frank lutaram muito pelo legado de Anne.

O livro é narrado em primeira pessoa – pela própria Eva, o que ajuda a contextualizar ainda mais, pois temos uma visão ampla do que foi a guerra, os momentos de fuga, todos os sentimentos – felizes e tristes – que ela passou durante toda a vida. Como disse no início, é um relato verdadeiro e emocionante. Eu curti bastante essa leitura e recomendo a todos!

Veja também as demais leituras do projeto – Por Dentro da Casa Branca (Estados Unidos)Muito Longe de Casa (Serra Leoa)O Ruído das coisas ao cair (Colômbia) e A Última Mensagem de Hiroshima (Japão). E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 

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#Livros | A Última Mensagem de Hiroshima (Projeto Lendo o Mundo)

Oi gente!
Este mês teremos a volta do projeto “Lendo o Mundo”!! Confesso que acabei deixando ele um pouquinho de lado, mas para compensar vou fazer dois posts seguidos!! Para quem não sabe, o projeto Lendo o Mundo se direciona à leitura de pelo menos um livro de cada país do mundo. Assim, há a possibilidade de conhecer novas culturas, contextos e escritas diferentes. Hoje o post remete à literatura japonesa, com o livro “A Última Mensagem de Hiroshima”, de Takashi Morita, publicado pela editora Universo dos Livros.

Como sobreviver com a mente cheia de memórias da Segunda Guerra Mundial? Como lidar com o trauma de ter presenciado a destruição arrebatadora de uma bomba atômica praticamente ao seu lado? E como pensar em salvar civis quando sua própria vida está em jogo? Conheça neste livro a história de Takashi Morita, sobrevivente da bomba atômica que dizimou milhares de seres humanos e que até hoje manifesta efeitos na saúde física e mental da população de Hiroshima e de Nagasaki.

Era 6 de agosto de 1945. Ninguém poderia prever, mas foi neste dia que a vida de inúmeros japoneses – e das gerações subsequentes – mudaria para sempre. As consequências da bomba atômica foram devastadoras, e não apenas no que diz respeito à saúde daqueles que se encontravam nas imediações do epicentro, como é o caso do Sr. Takashi, que exercia o ofício de soldado na época. Para além das numerosas enfermidades oriundas da intensa radiação emitida em Hiroshima e Nagasaki, os atingidos pelas bombas sofreram muita discriminação, principalmente pelo fato de as consequências decorrentes da radiação para os sobreviventes e seus descendentes serem ainda uma incógnita.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão era aliado da Alemanha e da Itália e lutavam contra os Estados Unidos e os soviéticos. O povo nipônico sempre foi muito disciplinado e leal ao imperador, então não lhes cabia questionar os motivos da guerra, apenas servir ao comando. Os japoneses foram responsáveis pelo ataque a Pearl Harbor com os kamikazes, os famosos pilotos suicidas. Ao final da Guerra, após Itália e Alemanha se renderem, no dia 6 de agosto de 1945, o Japão viveu a dimensão do estrago causado por uma bomba atômica – foi a forma mais rápida para os EUA vencerem a guerra. Quando a bomba atingiu Hiroshima, o Sr. Takashi era um policial militar e mesmo sofrendo seus próprios ferimentos e tendo suas próprias preocupações resolveu ignorar tudo e seguir em frente para salvar o máximo de pessoas que fosse possível.

O livro conta detalhes que jamais seriam possíveis imaginar acerca das bombas atômicas. Depois da tragédia o sofrimento não parecia que teria um fim. Os infectados (hibakushas) foram abandonados pelo governo japonês, sendo deixados à mercê da sorte. Muitos morreram de repente, com causas desconhecidas. Os japoneses tiveram que se preocupar em como reconstruir sua cidade e em sobreviver nos anos que se seguiriam sem a certeza da cura para os atingidos pela bomba. Tendo a maior reviravolta de sua vida, Takashi Morita se mudou para o Brasil, criou raízes junto à sua família, desenvolvendo um trabalho social belíssimo.

O livro é bem curtinho, tem apenas 152 páginas, com onze capítulos que narram de forma direta os acontecimentos pré e pós guerra. O interessante é notar as tradições japonesas como, por exemplo, o casamento arranjado pelos pais. A diagramação feita pela editora Universo dos Livros é ótima, tendo várias citações nos cantos das páginas. A edição também traz diversas fotos no meio do livro.

“A Última Mensagem de Hiroshima” é uma aula de História e Takashi foi um exemplo de sabedoria, pois usou sua história pessoal para lutar pela paz. Hoje ele tem 93 anos, vive em São Paulo e é muito respeitado pela luta pelos sobreviventes à bomba atômica. Literatura muita rica e uma história que merece ser ouvida.

Veja também as demais leituras do projeto – Por Dentro da Casa Branca (Estados Unidos), Muito Longe de Casa (Serra Leoa) e O Ruído das coisas ao cair (Colômbia)Lembrando que na próxima semana tem mais uma leitura do projeto! E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 

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#Livros | A Mulher na Janela

Autor: A.J.Finn
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva | Fnac
Foto: Facebook Arqueiro

Oi gente!
Hoje trago dica de leitura com “A Mulher na Janela”, livro de estreia do americano A. J. Finn, publicado pela editora Arqueiro. Para aqueles que curtem thrillers psicológicos e histórias de suspense, esta é uma ótima dica.

Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita, até que conhece Ethan, o filho adolescente. Depois conhece Jane, a matriarca. Tanto Ethan como Jane dão a entender que Alistar, o patriarca da família, talvez seja um homem violento, então o lado psicóloga de Anna fica em alerta. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo?

A história pode parecer um pouco clichê, lembrando outros livros de sucesso como “A garota no Trem” e “Antes de Dormir”, mas o desenvolvimento dessa trama é ótimo, tendo todos os detalhes extremamente bem construídos. Para mim, a leitura foi viciante. Narrado em primeira pessoa – pela protagonista Anna – o livro nos leva a imaginar situações e a desvendar um mistério – que para mim acabou sendo surpreendente. Os demais personagens dão suporte à trama, sempre com atitudes que nos fazem desconfiar a cada capítulo. No final, ninguém é o que parece. A boa escrita aliada a uma narrativa ágil deixou a história cativante. Os capítulos são divididos por data – tudo se passa entre os dias 24 de outubro e 15 de novembro – o que nos ajuda a situar no tempo descritivo. Outra coisa que adorei foram as referências ao cinema, principalmente aos filmes de Alfred Hitchcock. Os capítulos são recheados dessas referências e citações a diálogos de algumas das principais obras de uma época áurea da sétima arte. Fiquei até com vontade de rever “Um Corpo que Cai” (assistido em diversos momentos pela protagonista).

Aos que apreciam tramas instigantes, “A Mulher na Janela” é uma excelente leitura. Foi sem dúvida um dos melhores livros que li até o momento. E o melhor, a história será adaptada para os cinemas e o autor esteve no Brasil para a Bienal de São Paulo. E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 

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#Livros | Um Cavalheiro em Moscou

Autor: Amor Towles
Editora: Intrínseca
Páginas: 464
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva | Fnac
Foto: Facebook Intrínseca

Oi gente!
Hoje vou falar do livro “Um Cavalheiro em Moscou”, publicado pela Editora Intrínseca e escrito pelo americano Amor Towles. A publicação permaneceu por quase um ano na lista de best-sellers do New York Times, com mais de um milhão de exemplares vendidos.

Nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa, Aleksandr Ilitch Rostov, “O Conde”, é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial.

Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor.

Pessoal, vou confessar… foi difícil ler este livro, até fiquei pensando se eu falava sobre ele ou não – resolvi falar. A narrativa é bem arrastada, levei muito tempo. Cheguei até a desistir, começar outros e depois voltei para terminar. A história é muito descritiva – em alguns casos temos vários parágrafos, talvez até páginas, para poder contar uma coisa pequena – acabou desanimando muito.

O interessante é a carga significativa dos personagens. O Conde Rostov personifica a decadência de uma sociedade que dominava a Rússia antes da revolução – de nobre à garçom, ele nos guia em uma jornada de descobrimento e avaliação. O Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro. Indo além, podemos até classificar o Hotel Metropol como o grande protagonista da história, retratando as principais mudanças de concepções e quebras de preconceitos.

No geral, não foi um livro que eu curti muito, achei muito arrastado, a leitura não fluiu e ao final se tornou muito cansativo. A premissa é muito interessante, mas do jeito que foi desenvolvida se tornou pouco atrativa.

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#Livros | Me Chame pelo seu Nome

Autor: André Aciman
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva | Fnac
Foto: Facebook Intrínseca

Oi gente!
Vou fazer uma pequena pausa nas dicas de séries para poder trazer uma dica literária! Hoje vou falar do livro “Me Chame pelo seu Nome”, escrito por André Aciman e adaptado neste ano para os cinemas, inclusive, vencendo o Oscar de melhor roteiro adaptado. Quem quiser conferir a crítica do filme, clica AQUI.

Logo que assisti o longa, dirigido por Luca Guadagnino e protagonizado pelo promissor Timothée Chalamet – quando fiz as críticas de todos os filmes que concorreram na principal categoria do Oscar –  já fiquei interessado em conferir o livro, que foi lançado no Brasil pela Editora Intrínseca.

Na história, a casa onde o jovem Elio passa os verões é um verdadeiro paraíso na costa italiana, parada certa de amigos, vizinhos, artistas e intelectuais de todos os lugares. Filho de um importante professor universitário, ele está bastante acostumado à rotina de, a cada verão, hospedar por seis semanas um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com correspondências e papeladas. Uma cobiçada residência literária que já atraiu muitos nomes, mas nenhum deles como Oliver.

Elio imediatamente, e sem perceber, se encanta pelo americano de vinte e quatro anos, espontâneo e atraente, que aproveita a temporada para trabalhar em seu manuscrito sobre Heráclito e, sobretudo, desfrutar do verão mediterrâneo. De início, os dois não se dão muito bem, mas após o convívio surge uma paixão que só aumenta à medida que o instável e desconhecido terreno que os separa vai sendo vencido.

O livro, assim como o filme, é bem interessante. O autor descreve com delicadeza cada cena, nos apresentando o dia a dia da família e cada personagem ali presente. Constrói-se, assim, um vínculo por parte do leitor com as pessoas que nos são apresentadas, por serem altamente realistas e autênticas.

A narrativa é realizada em primeira pessoa – quem nos conta a história é o Elio. Isso foi a única coisa que me incomodou um pouco, pois no início o personagem é bem chato. Ele fica muito neurótico, querendo saber o que o Oliver está fazendo, o que está pensando, onde ele vai, etc. Essa obsessão deixa a história um pouco lenta e nos faz lembrar os dramas românticos de Shakespeare. Isso atrapalha um pouco o começo do livro, com relação à identificação com o personagem. A partir de certo momento, a história flui normalmente. Inclusive esse foi mais um livro que devorei… li em apenas duas semanas (Ultimamente tenho tido sorte com as leituras).


Foto: melinasouza.com

Comparando livro e filme, temos algumas diferenças. Primeiro, alguns personagens não existem na adaptação cinematográfica – o principal é Vimini, uma garota com leucemia, vizinha da família de Elio, e que rendeu algumas passagens interessantes no livro. Também foi retirado do filme o personagem Maynard – que não aparece fisicamente na narrativa literária, mas sempre é lembrado por Elio – o rapaz havia sido recebido pela família alguns anos antes e quando foi embora enviou um cartão postal de uma pintura de Monet e escreveu no verso “Pense em mim um dia”. Oliver rouba esse postal e guarda até quando Elio tem 32 anos e o visita nos Estados Unidos. Na leitura, também é complicado dizer em que ano aquele verão se passa, o que no filme é extremamente explicito, tanto pelos comentários dos personagens como pela trilha sonora. E a maior mudança é o final do livro, que não existe no filme – quando eles viajam juntos para Roma (essa parte no longa é bem rápida, acabando na emocionante conversa de pai e filho). Na leitura temos mais! Mais descrição do período passado em Roma, além do reencontro dos personagens anos depois que suas vidas seguiram após o verão.

Enfim, “Me chame pelo seu nome” é um livro que trata de amor, desejo e descobertas. Uma leitura super poética, com personagens cativantes e uma história que nos ensina muito. Vale a pena conferir livro e filme.

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