Tag: Globo de Ouro

#Filme | O Mauritânio

Oi gente!
Dando sequência aos filmes que têm recebido algumas indicações nas principais premiações do cinema, hoje foi falar sobre “The Mauritanian”, filme biográfico dirigido pelo vencedor do Oscar, Kevin MacDonald (Munique, 1972: Um Dia em Setembro).

“The Mauritanian” é mais um filme sobre os abusos e atos terríveis cometidos pelo governo e oficiais norte-americanos em nome da “guerra ao terror” após os atentados às Torres Gêmeas. Mohamedou Salahi é o mauritano do título. Pouco depois dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos, ele foi detido em seu país para questionamento e simplesmente desapareceu.

Salahi, interpretado no filme por Tahar Rahim, foi levado a Guantánamo. Após vermos a sua prisão no início do filme, a narrativa pula para 2005, quando passamos a acompanhar os esforços das advogadas Nancy Hollander e Teri Duncan, vividas por Jodie Foster e Shailene Woodley, para defendê-lo. Também seguimos a trajetória do advogado de acusação, o oficial militar vivido por Benedict Cumberbatch. Todos – defesa e acusação – descobrem que o caso de Salahi é estranho e cheio de peculiaridades, começando pelo fato dele ter sido detido sem que ninguém soubesse sequer do que ele estava sendo acusado.

O filme é baseado no livro “Diário de Guantánamo”, escrito pelo próprio Salahi, que caiu como uma bomba contra o exército americano e os governos de George W. Bush e Barack Obama. A produção foca em retratar a luta da advogada Nancy para provar a inocência de Salahi, que incluiu documentos totalmente censurados pelo governo, além dos relatos de tortura a que ele foi submetido, que incluíam até “humilhação sexual” por soldados do sexo feminino. Inclusive, as cenas de tortura, por mais pesadas, foram as melhores do filme, com destaque para a entrega do ator Tahar Rahim, que constrói um ótimo personagem.

Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) também traz uma boa interpretação, caprichando no sotaque americano, ao viver o oficial do Exército designado para fazer a acusação ao mauritano, mas que logo descobre o castelo de mentiras por trás da história. Shailene Woodley (Divergente) vive a assistente de Nancy, que passa a ter dúvidas sobre a inocência de Slahi. A atuação da atriz não chega a comprometer, mas está bem abaixo do que ela já mostrou em outras ocasiões, como na série Big Little Lies. Porém, o grande destaque é a atriz Jodie Foster, como é bom poder vê-la novamente em uma produção. Ótima construção da fria advogada, que aos poucos vai acreditando na história do mauritano e o defende com garra, enfrentando o Governo americano. A atriz foi premiada no Globo de Ouro, como melhor atriz coadjuvante.

“The Mauritanian” não é uma grande produção. O roteiro tem falhas e a edição também deixa um pouco a desejar. É mais um filme para atuação, e nesse quesito consegue conquistar. Achei um filme corajoso por expor um tema polêmico e que mexe com os sentimentos dos americanos que sofreram ao perder muitas vítimas no 11 de Setembro, além de fazer uma dura crítica ao Governo Obama, mesmo que apenas nas entrelinhas. A história de Mohamedou Salahi é importante e merece ser conhecida.

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#Filme | Bohemian Rhapsody

Oi gente!
Aproveitando que saíram os indicados ao Oscar, hoje trago mais um filme que concorre na premiação – “Bohemian Rhapsody”, dirigido por Bryan Singer e que retrata a trajetória de uma das maiores bandas de todos os tempos – Queen, com destaque para a vida de seu vocalista Freddie Mercury.

Desde que lançou o trailer e as primeiras fotos de caracterização do ator Rami Malek, eu já estava mega ansioso para conferir. E eu preciso dizer que “Bohemian Rhapsody” é, acima de tudo, um ‘fan film’, ou seja, uma obra feita para os fãs do Queen. Eu tenho 26 anos (quase 27), sei a importância musical da banda, gosto de várias músicas, mas não vivi a época de ouro do grupo. Já aqueles que viveram e realmente são fãs, não tem como não gostar do filme.

E porque estou falando isso? É inegável a grandiosa produção do longa, porém não curti o roteiro – na minha opinião é fraco e pouco desenvolvido. Ele pega a história do Freddie Mercury para ser o fio condutor da narrativa, mostrando algumas fases do Queen, usando como ponto de início e final o show do Live Aid, um dos shows mais importantes que já aconteceu na história da banda, e principalmente na história da música mundial. Porém, ao mesmo tempo, o filme não diz nada que você já não saiba.

É óbvio que filmar uma biografia do Queen tem um ponto positivo muito forte. A trilha sonora é garantia de qualidade. Mas somente isso não basta. Freddie Mercury possuía um talento inegável, uma vida pessoal e social extremamente conturbada, além de uma complexidade (podemos dizer) exótica.

Temos cenas boas – não posso dizer que não – (alerta de spoiler!!) o momento em que Mercury bate boca com o produtor musical acerca da faixa icônica que dá nome à produção e ele duvida que a canção de seis minutos conquistará o público, preferindo que a banda se atenha a fórmulas pré-estabelecidas é um dos pontos altos da narrativa. Sabemos que a mistura experimental de rock e ópera foi um mega sucesso, além de uma obra-prima, e aí o roteiro acerta, pois o telespectador tem consciência disso e esperamos ansiosamente para ver a cena – mais ao final do filme – em que esse produtor quebra a cara. O início do filme, com as cenas em que os integrantes do Queen se conhecem e começam a cantar juntos e até mesmo as partes que mostram as composições de músicas icônicas, são momentos que agradam quem está assistindo – seja fã ou não. E o que falar da cena final – com o show do Live Aid – o roteiro traz mais de 10 minutos só com a apresentação – praticamente uma íntegra do que foi o verdadeiro. É de se arrepiar, eu fiquei arrepiado, mas, se você pesquisar o vídeo no Youtube e assistir, você verá um Freddie Mercury se acabando, suado, com as veias saltando no rosto e no pescoço – o que o ator Rami Malek não imprimiu no filme. Ele dubla toda a produção – o que é normal – mas não há uma entrega total quando deveria, é uma imitação de uma pessoa que já era muito caricata. Isso não quer dizer que ele está ruim, o ator está bem no filme, acho que merece alguns prêmios (como já venceu o Globo de Ouro), talvez mais pela caracterização, porém trata-se de uma interpretação que poderia ter ido um pouco mais além, mas ainda assim é o trabalho da vida dele – até o momento.

Sinto falta de uma presença maior dos demais atores que interpretaram o restante da banda – Gwilym Lee (Brian May), Ben Hardy (Roger Taylor) e Joseph Mazzello (John Deacon). Em vários momentos o longa traz a mensagem de que o Queen não é somente Freddie Mercury, mas em outros momentos falta essa interatividade do grupo. Além disso, o fato de o roteiro deixar coisas implícitas – para mim – não foi o ideal. Era aí que o filme poderia ter ousado. Sabemos que Freddie Mercury era homossexual, que teve inúmeros casos amorosos, inclusive com seu produtor pessoal (o único mostrado mais explícito). Só que a história vai muito além – o cantor contraiu AIDS – uma doença que na época era pouco conhecida e que matava muito rápido porque não havia informações, muito menos tratamento. Isso causava pânico. E em nenhum momento foi falado mais abertamente. Poderia ter se aprofundado na essência do ídolo excêntrico que foi Freddie Mercury.

Enfim, essa foi uma resenha bem difícil de escrever. Depois que assisti o filme fiquei alguns dias ainda pensando se eu tinha gostado ou não. É difícil criticar uma coisa que eu queria ter amado pra caramba. Mas o filme é bom, principalmente aos fãs que não vão assistir preocupados em achar defeitos. “Bohemian Rhapsody” é extremamente plástico; como produção é bonito. Mas como experiência cinematográfica tem erros, o que torna  simples.

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#Séries | 2ª temporada de The Crown

Oi gente,
Bora começar o ano com uma super dica! No final de 2017 eu assisti a 2ª temporada de The Crown, mas deixei para falar dela agora. A série mais cara produzida pela Netflix continua com cenários, figurinos e atuações impecáveis. E antes que eu me esqueça, a resenha tem SPOILERS!!

A série conta a história, baseada em fatos reais, da monarquia inglesa, centrada na rainha Elizabeth 2ª (Claire Foy), que está no trono britânico desde 1952, quando assumiu aos 25 anos. A nova temporada se passa entre os anos 1956 e 1963, mostrando o relacionamento da Inglaterra com outros países em eventos chaves, como a tensão com o Egito do ditador Nasser e o controle do canal de Suez, a quase conversão de Gana em uma República Socialista, a descoberta de um informante nazista dentro da alta corte inglesa durante a Segunda Guerra e a visita do casal Kennedy.

A produção também explora a vida do Duque de Edimburgo (Matt Smith), mostrando como sua infância e educação impactaram no homem, no pai e no Príncipe Consorte que viria a ser. O ator Matt Smith é um dos grandes destaques, tanto que seu personagem teve muito mais espaço e visibilidade nessa temporada, inclusive mostrando as supostas infidelidades do duque e as brigas com a rainha provocadas pela viagem de Philip ao longo de cinco meses pelos países da Commonwealth, quando fez abertura das Olimpíadas de Sydney, na Austrália.

No campo político, o recém-nomeado Primeiro Ministro, Anthony Eden (Jeremy Northam), não poderia estar em pior situação com a crise do Canal de Suez, retomado à força pelos egípcios. As coisas ficam mais complicadas para a monarquia quando Eileen (Chloe Pirrie), esposa de Mike Parker (Daniel Ings), assistente pessoal de Philip, e que também faz parte de sua viagem, decide se divorciar alegando abandono do lar, bem como adultério.

Enquanto isso, a princesa Margaret (Vanessa Kirby) segue cada vez mais deprimida com a ideia de que jamais irá se casar, enquanto espera noticias de Peter Townsend (Ben Miles), na Bélgica. Uma proposta de casamento de um amigo, seguido de um pedido de Elizabeth para adiar o anúncio até o nascimento de seu terceiro filho, bem como o inusitado encontro com o charmoso fotógrafo Anthony Armstrong-Jones (Matthew Goode), aliado à uma carta de Townsend informando seu pretenso noivado com uma jovem belga, faz com que Margaret acabe finalmente se casando com Jones. Embora investigado pelos assessores de Elizabeth, os quais descobrem vários casos amorosos da parte de Jones, ela decide não estragar novamente os planos de felicidade da irmã. A atriz Vanessa Kirby novamente está incrível como a irmã da rainha e é outro grande destaque.

Vale destacar também o episódio onde houve um flashback envolvendo Winston Churchill e o rei George VI, servindo para matarmos a saudade de John Lithgow e Jared Harris. Outro momento deleitável da série traz mais uma vez o confronto entre Elizabeth e Philip, desta vez no que diz respeito à educação de Charles (Billy Jenkins). Ao final, no auge de mais crise política que pode se tornar escândalo real, uma foto comprometedora de uma festa patrocinada pelo osteopata de Philip envolvendo prostitutas e espiões russos vem à tona, aliada ainda à renuncia ao cargo do Primeiro Ministro, Harold MacMillan (Anton Lesser). Agora, Elizabeth, grávida de seu quarto filho, isola-se no interior, enquanto suspeita cada vez mais da infidelidade do marido.


The Crown teve uma 2ª temporada “mais política”. Tudo bem que trata-se de uma série biográfica, com fatos que realmente aconteceram, mas achei que esta temporada não abordou tantos assuntos como a primeira. Os episódios do meio da temporada tiveram uma barriga, sendo necessário que alguns assuntos demorassem para se desenvolver. Ainda assim, o roteiro foi muito bem desenvolvido e com atuações impecáveis, principalmente Claire Foy, que se despede da personagem a qual lhe rendeu um Globo de Ouro em 2017. A terceira temporada deverá trazer novos atores nos papéis principais.

Gostaram da dica? Quem aí assiste The Crown? Leia a crítica da primeira temporada AQUI!

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