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#Filme | O Retorno de Ben

Oi gente!
Hoje tem dica de cinema para vocês! “O Retorno de Ben” traz uma emocionante história com Julia Roberts e Lucas Hedges.

O longa retrata a volta de Ben Burns (Hedges) para a casa da família na noite de Natal. Por causa do seu vício em drogas, o jovem estava internado em uma clínica de reabilitação, mas tem a chance de passar 24h ao lado dos seus parentes para tentar, ao menos nas festas de final de ano, recuperar um pouco do tempo perdido. A princípio, apenas a mãe Holly (Roberts) e os dois irmãos pequenos é que o recebem com alegria – já que o padrasto (Courtney B. Vance) e a sua irmã Ivy (Kathryn Newton) ainda não tinham superado as recordações ruins das últimas vezes em que estiveram todos juntos. Ao longo da narrativa, uma invasão na casa da família seguida pelo sequestro do cachorro enquanto todos estavam na igreja para o evento de Natal traz à tona a ideia de que Ben sempre vem acompanhado por problemas.

Esse é o segundo filme que assisti recentemente que aborda o tema de recuperação das drogas – em “Querido Menino” (tem resenha AQUI), a história de Nic Sheff (Timothée Chalamet) também discute as relações familiares diante do tema pesado do vício em drogas.

Em “O Retorno de Ben”, o diretor e roteirista Peter Hedges (pai do protagonista na vida real) traz um drama familiar, mais intenso, com cenas para se emocionar, além de um show de Julia Roberts, que carrega toda a produção nas costas. A vencedora do Oscar possui ótimos momentos com Lucas Hedges, e seus personagens crescem a cada desenvolvimento. Difícil não se emocionar ao ver sua reação ao ter o filho de volta ou sentir seu desespero quando, no provador do shopping, Ben insinua que tem entorpecentes escondidos no tênis que ela esqueceu de checar.

Importante ressaltar que Lucas Hedges tem tido bons momentos no cinema. O jovem ator indicado ao Oscar por “Manchester a Beira Mar”, teve uma boa atuação em “Boy Erased”, e agora traz um desempenho ainda mais dramático, apesar de seu personagem ser bem apático. Com relação à narrativa, o filme segue um caminho que não curti muito devido ao desenvolvimento do sequestro do cachorrinho, que poderia ter tido mais impacto dramático, porém a continuação culminou em uma ótima cena de encerramento.

“O Retorno de Ben” é um filme que tem uma boa temática, ótimas cenas atuadas por Roberts e Hedges, além de um roteiro ao mesmo tempo convencional e surpreendente. Apesar de alguns pontos, o filme mostra muito bem o inferno da dependência química, sem explorações, moralismos ou preconceitos. Vale a pena conferir.

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#Filme | Vice

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Vice”, do diretor Adam McKay. O longa concorre em sete categorias – melhor filme, direção, ator (Christian Bale), atriz coadjuvante (Amy Adams), ator coadjuvante (Sam Rockwell), roteiro original, edição, e maquiagem e penteado. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI) e “A Favorita (AQUI).

Conhecido por ter sido roteirista-chefe do humorístico Saturday Night Live, além de ter dirigido várias comédias escrachadas, Adam McKay ressurge em sua segunda indicação ao Oscar, após o bem-sucedido “A Grande Aposta” (vencedor de melhor roteiro adaptado). “Vice” mantêm o humor característico do diretor, ao retratar a história de Dick Cheney, vice-presidente no governo George W. Bush (2001-2009).

Cheney, hoje em dia, é tido como o mais poderoso vice-presidente da história dos Estados Unidos. Teve como primeiro cargo importante uma chefia de gabinete na Casa Branca em 1975 durante o governo de Gerald Ford e a partir daí só cresceu, sendo também Secretário de Defesa durante o governo de George H. W. Bush e chefe da empresa petrolífera Halliburton. De início, recusou a proposta de ser vice de Bush, considerando o cargo mais simbólico do que prático. Mas tudo mudou quando percebeu a inexperiência do presidente de passado privilegiado e festeiro. E com o atentado terrorista de 11 de Setembro, Cheney viu a oportunidade perfeita de exercer seu poder, nos eventos que acabaram desembocando na guerra do Iraque.

No elenco, McKay retorna a parceria com Christian Bale, que é um dos favoritos ao Oscar de melhor ator, e isso é visível, não somente pela boa atuação, mas também pela transformação que o ator passou ao engordar mais de 20 quilos para viver o personagem. Amy Adams também concorre, na categoria de melhor atriz coadjuvante, sem grandes chances, mesmo apresentando uma boa cena no início da produção e tendo muito tempo em vídeo. Por fim, Sam Rockwell, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2018 pelo filme “Três Anúncios para um Crime”, concorre na mesma categoria por interpretar o ex-presidente George W. Bush, também sem grandes chances de vitória – vale destacar a boa caracterização. Completam o elenco, Steve Carrell, Tyler Perry, Jesse Plemons, entre outros.

Um dos destaques do filme é a sua estrutura narrativa. O diretor Adam McKay aplica recursos já utilizados em A Grande Aposta, dando uma dinâmica interessante à produção. Temos criatividade, estilo próprio, humor na medida certa – tudo isso para contar a vida de uma das pessoas mais odiadas da história americana.

Independentemente de sua ideologia política, “Vice” consegue transcender devido a sua qualidade artística. Mas ainda assim, o filme se torna cansativo em quase 2 horas e 15 minutos de tela. Boa parte das cenas poderiam ter sido minimizadas e outras deveriam ter uma importância maior. Ainda assim, vale a pena assistir para ver mais uma vez o show de Christian Bale.

#Filme | A Favorita

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “A Favorita”, do diretor grego Yórgos Lánthimos. O longa concorre em dez categorias – melhor filme, direção, atriz (Olivia Colman), atriz coadjuvante (Rachel Weisz e Emma Stone), roteiro original, edição, direção de arte, fotografia e figurino, sendo líder de indicações ao lado de “Roma”. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI) e “Infiltrado na Klan” (AQUI).

“A Favorita”, drama de época passado na corte britânica do século XVIII, pode ser um filme que irá dividir opiniões. Eu, por exemplo, não curti. Na história, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail Hill (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes à oportunidade única.

A história prometia um bom filme, mas o resultado final infelizmente não me agradou, mesmo com a produção caprichada, alguns diálogos interessantes e o figurino maravilhoso. No elenco, a tríade formada por Olivia Colman (Rainha Ana), Rachel Weisz (Lady Sarah) e Emma Stone (Abigail) até vai bem em alguns momentos, principalmente Colman – que entrará na próxima temporada de “The Crown” – e teve o melhor momento de sua carreira nas telonas.

A cargo de Robbie Ryan, a fotografia do filme tem a paleta de cores e o contraste que esperamos de um filme ambientado no século XVIII. Inclusive a direção de arte foi maravilhosa – e é o único detalhe que elogio com afinco – toda a iluminação do filme é natural, não há nenhuma luz artificial – se a cena ocorre durante o dia, a iluminação é proveniente das janelas. Já se está à noite, temos luz por meio de velas. Isso tudo deixou o filme mais plástico, mais bonito.

“A Favorita” é um filme sobre ambição e sobre o que alguém pode fazer para conseguir o que quer. O tema não é novo em dramas históricos, e poderia ter sido melhor trabalhado. Talvez agrade a academia – isso explicaria o número de indicações – podendo levar o prêmio em categorias técnicas como fotografia figurino e direção de arte.

#Filme | A Esposa

Oi gente!
Continuando os posts dos filmes que concorrem ao Oscar, hoje vou falar de “A Esposa”, longa que rendeu indicação à Glenn Close na categoria de melhor atriz – inclusive ela já venceu o Globo de Ouro e o Critic’s Choice Awards por esse papel.

O filme conta a história de Joan Castleman (Close) que há décadas é a esposa dedicada e perfeita do escritor, Joe Castleman (Jonathan Pryce). Ele acaba de vencer o Nobel de Litaratura e juntos eles partem para Estocolmo, na Suécia. Lá, ela é confrontada pelo jornalista Nathaniel Bone (Christian Slater), que quer escrever a biografia de Joe e remexe em segredos de seu passado.  Repelido educadamente por Joan, ele continuará na cola da família Castleman como um predador. No entanto, ele é apenas o agente para o desmoronamento de um mundo solidamente construído, sustentado numa grande e intolerável mentira.

Atualmente é difícil ver produções que tragam atores veteranos em papéis com grande destaque. E quando isso acontece é preciso enaltecer. A interpretação magnífica de Glenn Close é a grande razão para assistir a este drama dirigido pelo sueco Björn Runge, numa adaptação do romance homônimo de Meg Wolitzer. Simplesmente magnífica, Glenn tem grandes chances – e merecidas – de levar para casa seu primeiro Oscar, na única categoria que o filme concorre, após já ter sido indicada outras 6 vezes.

Como um todo, a direção de Björn Runge não escapa de algumas derrapadas e o roteiro é falho. O filme é um pouco parado em sua maior parte, se sustentando apenas nas boas atuações.  A narrativa da história ocorre em dois tempos – no presente, com a viagem do casal e do filho David (Max Irons), para a cerimônia e a entrega do prêmio. E no passado – por meio de flasbacks – quando o jovem Joe (Harry Lloyd) é ainda um professor que luta para escrever e ser publicado, ao mesmo tempo que se apaixona pela aluna mais talentosa, Joan (Annie Starke).

“A Esposa” é um bom drama, construído à base da consistente fotografia de Ulf Brantås. E a trilha sonora de Jocelyn Pook é dramática e acompanha harmoniosamente a dinâmica do casal. O que faltou foi um pouco de ousadia. Melancólico e representativo, o filme dá voz e empodera a mulher, ao mesmo tempo que é humano e emotivo. A história é fraca, mas conta com seguras atuações.  Jonathan Pryce – em um bom momento de sua carreira – é explosão em um retrato egocêntrico, contrapondo com Glenn Close contida, que leva o filme nas costas apenas com suas expressões verdadeiras.

Aproveite e veja os posts dos outros filmes que concorrem ao Oscar – “Nasce uma Estrela”, “O Primeiro Homem”“Bohemian Rhapsody”

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#Filme | O Primeiro Homem

Oi gente!
Hoje trago a vocês uma dica excelente de filme “O Primeiro Homem” – quarto longa da carreira do jovem e premiado diretor Damien Chazelle e que concorre em quatro categorias do Oscar 2019 – edição de som, mixagem de som, direção de arte e efeitos visuais.

A produção é a cinebiografia de Neil Armstrong, astronauta conhecido por ser o primeiro homem a pisar na Lua. O filme relata a história de vida de Neil, focando em sua família, mas principalmente na carreira como engenheiro e astronauta da Nasa. O roteiro baseou-se no livro de James R. Hansen, que documentava a sucessão de eventos pessoais e profissionais que culminaram na ida de Armstrong, com a Apollo 11, à Lua. Em sua adaptação, o roteirista Josh Singer (dos jornalísticos “Spotlight” e “The Post”) emenda essas situações a partir de um ponto de vista mais íntimo, explorando o psicológico do astronauta.

O grande desafio de “O Primeiro Homem” é contar uma história que todo mundo sabe o final, mas que consiga prender o espectador do início ao fim. E isso, o diretor Damien Chazelle (do elogiado “Whiplash – Em Busca da Perfeição” e do estrondoso sucesso “La La Land – Cantando Estações”) faz com perfeição, contando com a ajuda de um elenco maravilhoso Ryan Gosling e Claire Foy. Em vez de focar no grandioso evento que foi a chegada à Lua, o roteiro nos mostra os desafios enfrentados por uma equipe enorme e também todas as frustrações do personagem – desde a perda da filha pequena até a morte de colegas em simples testes de rotina). O foco é o sacrifício e a jornada do piloto que teve a coragem de enfrentar desafios excepcionais para chegar lá antes de todos.

A fotografia do filme é um destaque a parte – simplesmente maravilhosa – a recriação da Lua, imagens de dentro do foguete – tudo perfeito! E a edição de som e mixagem poderão render Oscars ao longa. Outro destaque é a trilha sonora de Justin Hurwitz e o roteiro, que como já falei, procura priorizar o lado humano de Neil Armstrong e todos a sua volta – a maior parte das cenas temos as câmeras focadas nos rostos dos atores, criando aquela aflição, mas ao mesmo tempo, emociona. Além disso, a direção e edição priorizaram vários planos sequências, o que eleva ainda mais a produção, dando aquela cara de documentário. Preciso confessar que achei falta (um pouco) do estilo próprio que Chazelle imprime em seus filmes – poderia ter ousado um pouco mais. Ainda assim, o filme é feito na medida certa.

Com relação ao elenco, Ryan Gosling e Claire Foy mandam super bem. A construção do personagem no início é um pouco tímida – demora para Gosling conquistar a afeição do público. Já Claire Foy tem uma cena arrasadora, que com certeza lhe renderá uma indicação ao Oscar.  No geral, a dupla mostrou química. Ainda no elenco Jason Clarke, Kyle Chandler e Corey Stoll.

“O Primeiro Homem” é uma verdadeira experiência sensorial. O filme consegue seu objetivo de empolgar, ao mesmo tempo que torna seu biografado um livro aberto. Como obra artística, é um feito cinematográfico inegável, de muita qualidade técnica. Vale a pena conferir!

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#Filme | Podres de Ricos

Oi gente!
Neste final de ano aproveitei para colocar algumas séries que estavam atrasadas em dia e também para assistir alguns filmes que estavam na minha listinha – um deles foi “Podres de Ricos” (ou no original, “Crazy Rich Asians” – baseado no livro de Kevin Kwan). Confesso que quando lançou, não me interessei muito em assistir, mas depois das boas críticas e indicações às principais premiações, fiquei curioso para saber se realmente era bom.

E isso tudo refletiu para que “Podres de Ricos” se tornasse um dos maiores fenômenos nas bilheterias mundiais em 2018, tendo faturado US$ 230 milhões diante de um orçamento de apenas US$ 30 milhões. Uma verdadeira revolução no mundo das comédias românticas. Ao mesmo tempo que mantém uma série de clichês.

Na história, Rachel Chu (Constance Wu) é uma jovem professora de economia em Nova York e namora com Nick Young (Henry Golding) há algum tempo. Quando Nick convida Rachel para ir no casamento do melhor amigo, em Singapura, ela descobre que ele é o herdeiro de uma verdadeira fortuna. Lá, ela entra na mira de outras candidatas e da mãe de Nick (Michelle Yeoh), que desaprova o namoro.

Temos mais uma vez a história da moça pobre que namora um ricaço, mas não é aprovada pela mãe dele, que faz de tudo para acabar com o romance. É clichê? Sim, é clichê! Mas é um clichê super bem feito. A química entre Constance Wu e Henry Golding é maravilhosa e leva o espectador a realmente torcer pelos dois (pelo menos comigo aconteceu isso).

“Podres de Ricos” ainda tem uma representatividade interessante. Primeiro porque a produção é formada em sua totalidade por asiáticos ou descendentes. Tente se lembrar quando foi a última vez que você viu um filme de Hollywood com elenco inteiro composto por descendentes de asiáticos? Na verdade, não precisa porque não existe! Já tivemos tantos erros de escalação como o caso de Scarlett Johansson sendo a protagonista japonesa de “Ghost in the Shell”, mas também tivemos acertos ao lembrar do recente “Para Todos os Garotos que já Amei” com a descendente vietnamita Lana Condor.

Outro ponto positivo do filme é o protagonismo cultural e social da Ásia demonstrado de forma natural em um filme americano, além das ótimas atuações – os comediantes Awkwafina (vista recentemente em “Oito Mulheres e Um Segredo”) e Ken Jeong (conhecido pelo papel de Mr. Chow na trilogia “Se Beber, Não Case”) são um espetáculo à parte. Figurino luxuoso, paisagens maravilhosas, trilha sonora cativante também contribuem para o sucesso do longa.

E tem notícia boa! A Warner já confirmou a sequência “China Rich Girlfriend” e, provavelmente, veremos o último volume dos best-sellers “Rich People Problems” nas telonas também.

Enfim, “Podres de Ricos” é aquele filme despretensioso, que vale a pena conferir apenas para se divertir. É engraçado e bem produzido. Eu curti bastante!

#Filme | Caixa de Pássaros

Oi gente!
Bora começar 2019 com o pé direito?! Espero que todos tenham tido um ótimo fim de ano…
Agora chegou o momento de voltarmos com tudo! Sei que nos últimos meses fiquei devendo um pouco a vocês com relação à conteúdo aqui do blog, mas neste ano quero voltar a manter um cronograma de posts semanais e inovar ainda mais nas dicas para vocês leitores.

No final de 2018, a Netflix lançou “Caixa de Pássaros” (Bird Box), inspirado no livro de Josh Malerman e com a atriz Sandra Bullock no elenco. Com as festas de fim de ano, consegui ver esse filme somente agora, e preciso dizer que foi uma ótima produção.

Na história, uma mulher e duas crianças precisam remar por um rio até um lugar seguro. Até aí nada demais, porém a questão é que estamos em um mundo pós-apocalíptico em que a humanidade foi dizimada por algum tipo de entidade desconhecida que enlouquece as pessoas ao ponto de elas cometerem assassinatos e suicídio se ela for avistada, nem que seja por alguns segundos. Em outras palavras, Malorie (Sandra Bullock) e as crianças têm que desbravar o rio literalmente às cegas, com vendas nos olhos.

O interessante é que este longa foge da história convencional apresentada nesses tipos de suspenses. Geralmente em produções pós-apocalípticas, os personagens precisam resolver a crise mundial, enfrentar problemas familiares e superar diversas oposições. Em “Caixa de Pássaros”, Malorie precisa apenas salvar a si e as crianças. E este fato traz o maior destaque à Sandra Bullock. A atriz vencedora do Oscar (em 2010, por “Um Sonho Possível”) nos entrega uma interpretação angustiante, segura e cheia de emoção. Ainda no elenco, Trevande Rhodes, John Malkovich, Jacki Weaver e Sarah Paulson.

O roteiro de Eric Heisserer é bem interessante ao trabalhar a narrativa em duas linhas temporais – uma no futuro e outra, paralelamente, mostrando como tudo começou e foi se desenvolvendo. A direção de Susanne Bier também é segura. A trilha sonora, assim como deve ser em um suspense, é muito bem trabalhada para os momentos de clímax. Com relação à produção, as cenas de catástrofe são visualmente impactantes e a fotografia ainda traz boas paisagens nas cenas do rio.

“Caixa de Pássaros” é um filme interessante, bem adaptado e com uma boa atuação de Sandra Bullock. Vale a pena conferir na Netflix.

#Filme | O Ódio que Você Semeia

Oi gente!
Último post de 2018 e hoje vou falar de um filme que estreou em dezembro e que foi simplesmente maravilhoso (na minha opinião) – “O Ódio que você Semeia” é baseado no livro best-seller de Angie Thomas e ganhou esta adaptação cinematográfica com a atriz Amandla Stenberg (para quem não lembra, ela era a Rue em Jogos Vorazes).

O filme conta a história de Starr Carter, uma jovem de 16 anos que vive com os pais e os dois irmãos em um bairro periférico que sofre com muitos problemas relacionados às drogas e a violência. Por causa disso, ela e seus irmãos foram colocados pelos pais em um colégio de uma área mais rica da cidade. Com isso, Starr aprendeu a se dividir entre a menina da periferia e a menina do colégio rico. Mas todo o “status quo” é abalado quando Starr testemunha o assassinato de um amigo de infância por um policial branco, dando início a uma série de conflitos em sua região. Inicialmente, Starr não quer se manifestar, mas aos poucos vai percebendo que ela tem muito a dizer.

“O Ódio que você Semeia” é um filme bem construído, sensível e eu achei forte – não em questão de cenas, mas sim na mensagem que ele passa. Eu assisti com aquela sensação de que realmente é desafiador, chega a ser incômodo (no bom sentido), um verdadeiro tapa na cara da sociedade.

O elenco também é um destaque a parte – Amandla Stenberg é o melhor do filme, ela tem uma interpretação segura e muito coerente, consegue segurar muito bem as cenas dramáticas. Para os fãs de “Riverdale”, o ator K.J.Apa (o Archie) também está nesta produção e faz o namorado “branco” da protagonista. Além disso temos Regina HallRussell Hornsby e Issa Rae mandando super bem.

O diretor George Tillman Jr. – responsável por alguns filmes que floparam – acerta dessa vez e traz um roteiro interessante – com algumas alterações em relação ao livro – e também com cenas muito bem feitas. Em vários momentos, a câmera está enquadrada no rosto dos atores, pegando a reação e emoção do personagem – e nos faz sentir um misto de sentimentos, as vezes revolta e, principalmente, muita comoção.

“O Ódio que você Semeia” ensina lições de vida e se propõe a mostrar de forma verdadeira como a sociedade molda o jovem negro. Seja pelo livro ou nos cinemas, esse é um relato que merece e deve ser apreciado por todos.

#Filmes | Nasce uma Estrela

Oi gente!
Sei que já faz um tempinho que lançou – início de outubro – mas somente agora consegui assistir “Nasce uma Estrela”, filme protagonizado por Bradley Cooper e Lady Gaga, e que está bem cotado a ter indicações no Oscar 2019. Por isso resolvi trazer minha resenha sobre a produção.

“Nasce uma Estrela” não é bem uma novidade – a história já foi produzida três vezes – a primeira foi em 1937, na versão menos conhecida, estrelada por Janet Gaynor. Em 1954, foi a vez de Judy Garland encarar o papel e, em 1977, Barbra Streisand e Kris Kristofferson formaram a dupla principal. Agora, em 2018, é a vez de Lady Gaga e Bradley Cooper emocionarem o público com a bela, romântica e triste história de amor.

Ally (Lady Gaga) é uma jovem que sonha em ser cantora, mas que trabalha em um restaurante para pagar as contas. De temperamento forte, volta e meia, ela se apresenta em um clube noturno, sendo sempre incentivada pelo pai e pelo melhor amigo. Determinado dia, o clube recebe a visita do astro da música Jackson Maine (Cooper). Ele logo presta atenção na jovem e decide ajudá-la em sua carreira. Ao mesmo tempo, se apaixonam. Sobretudo quando a carreira de Ally vai crescendo, Jack vai perdendo a luta contra o alcoolismo e o vício em drogas. Apaixonados, eles tentam se apoiar, mas isso acaba se tornando algo mais complicado do que o previsto.

Para quem curte filme no estilo musical, este é, com certeza, obrigatório para se assistir. Muito da força de “Nasce uma Estrela” se encontra nas canções fortes e marcantes que estão durante toda a produção. Lady Gaga surpreende e nos entrega uma performance segura e impecável, digna de (pelo menos) uma indicação ao Oscar. Bradley Cooper chega a derrapar em algumas cenas que exige uma emoção maior, mas ainda assim tem um bom desempenho. Inclusive, o ator também é o diretor do filme.

Vale destacar a belíssima fotografia do longa, a cargo de Matthew Libatique (Cisne Negro). O jogo de cores e, principalmente a sobreposição ao longo das cenas, mostram a evolução dos personagens e contribuem para a estética visual da produção. E como falei no começo, a trilha sonora é outro destaque a parte! Já estou ouvindo sem parar as canções no Spotify.

Sensível, simples, dramático! “Nasce uma Estrela” é um filme maravilhoso, com atuações grandiosas – principalmente de Lady Gaga que carrega o longa nas costas. E prepare-se para chorar no final!

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#Filme | The Tale – O Conto

Oi gente!
Hoje vou falar de filme, que já faz um tempinho que assisti e somente agora consegui trazer a crítica para vocês. Estou falando de “The Tale” – “O Conto” – filme produzido pelo canal HBO e que rendeu à atriz Laura Dern uma indicação ao Emmy 2018, na categoria de atriz em série limitada ou telefilme.

A produção conta uma história densa sobre uma jornada de autoconhecimento, memórias que vagaram durante décadas, relacionamentos abusivos e que cai diretamente no movimento #MeToo. O filme narra a história de Jennifer (Laura Dern), que tem uma ótima carreira como documentarista e professora e um relacionamento repleto de carinho e respeito mútuo com seu noivo, Martin (Common). Porém, quando sua mãe Nettie (Ellen Burstyn) encontra uma história que ela escreveu para escola quando tinha 13 anos contando sobre um relacionamento que teve com dois adultos – a professora de equitação Sra. G. (Elizabeth Debicki) e seu amante Bill (Jason Ritter), ela é obrigada a revisitar um passado traumático e reconciliar suas lembranças com o que de fato aconteceu com ela. E o mais inquietante é que se trata de uma história real da documentarista Jennifer Fox, que dirige e roteiriza o longa.

“The Tale – O Conto” é uma boa produção, bem caprichada, mas é um filme intenso, difícil, com uma história muito impactante e cenas pesadas que mostram estupro infantil. Tiveram momentos em que eu fiquei bem chocado com o que foi mostrado, porém é necessário se discutir isso e, principalmente, escancarar para uma sociedade que precisa ver e fazer algo sobre.

Com relação às atuações, Laura Dern está espetacular, assim como a jovem Isabelle Nélisse, que interpreta a personagem Jennifer na infância – uma coisa importante a destacar e que apareceu ao final do filme é que a atriz não participou de nenhuma cena que mostrou os estupros sofridos pela personagem. Também destaco os atores Jason Ritter e Elizabeth Debicki.

Poderoso, triste e incômodo e super devastador, “The Tale” chega num momento importante ao falar de questões sexuais e relações de poder. Se você for assistir, se prepare para ter uma reviravolta de emoções.

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