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#Filme | Bela Vingança

Oi gente!
“Bela Vingança” tem se destacado nas premiações deste ano e recebeu 5 indicações ao Oscar – melhor filme, atriz (Carey Mulligan), direção (Emerald Fennell), roteiro original e edição.

O filme acompanha a história de Cassandra Thomas (Carey Mulligan), ex-estudante de medicina e funcionária de uma cafeteria. Assombrada por um acontecimento da época da faculdade ocorrido com uma amiga, todas as noites, após o trabalho, ela costuma ir a boates e, fingindo estar bêbada, se deixa levar pelo primeiro idiota que aparece para ‘salvá-la’. Sempre com segundas intenções, os rapazes se veem surpreendidos e assustados ao descobrirem a ‘pegadinha’. A situação muda quando Cassandra reencontra Ryan (Bo Burnham), um ex-colega da faculdade que tem um antigo crush por ela. A partir daí, Carrie encontra seu novo propósito: vingar-se dos responsáveis por suas memórias. Assim, a trama é conduzida por esse desejo de vingança, e aos poucos suas motivações são explicadas.

A produção é bem interessante. A protagonista apresenta várias camadas que são apresentadas ao longo do desenvolvimento do filme. Carey Mulligan está em um ótimo momento de sua carreira – depois de protagonizar o elogiado “A Escavação”, ela está de volta com força em “Promissing Young Woman” (nome original), tanto que levou o Critics Choice Awards e pode surpreender no Oscar (apesar de não ser minha aposta).

Mas quem fez história foi Emerald Fennell, que ao lado de Chlóe Zhao (de Nomadland), conquistou uma indicação na categoria de direção, em um ano que teve grande representação feminina. Emerald, que também é atriz e esteve recentemente na 4ª temporada de “The Crown”, é o grande destaque do filme por trazer uma direção segura e um roteiro surpreendente. O filme não procura ensinar uma lição de moral politicamente correta – talvez esse seja o grande diferencial. É importante discutir como o cenário do machismo e a cultura do estupro ganham forma e contornos profundos ao longo da narrativa. Gostei também da edição do longa, sendo bem ágil e precisa.

As feridas escancaradas são incômodas e isso faz com que “Bela Vingança” seja algo além de um filme puramente feminista. As bandeiras que o longa levanta, mesmo de forma implícita, são muito importantes. Porém, pelo estilo imposto, talvez não agrade a maioria. Eu curti e indico!

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#Filme | Judas e o Messias Negro

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Hoje vou falar de “Judas e o Messias Negro”, filme de Shaka King, que recebeu em seis indicações ao Oscar 2021 – melhor filme, melhor ator coadjuvante (com indicação dupla para Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield), roteiro original, canção original (“Fight for you”) e fotografia.

O filme é a história de ascensão e queda de Fred Hampton (Daniel Kaluuya), ativista dos direitos dos negros e revolucionário líder do partido dos Panteras Negras. A trama se passa em 1969, quando os conflitos raciais ganhavam força nos Estados Unidos. A luta pelos direitos civis dos negros já tinha resultado nos assassinatos de Martin Luther King e Malcolm X. Os Panteras Negras prosseguiam como uma organização considerada perigosa. O FBI investigava os Panteras Negras, assim como outras organizações de mobilização social, perseguindo suas lideranças. Assim, o agente Mitchell (Jesse Plemons) tenta infiltrar no grupo o criminoso Bill O’Neal (Lakeith Stanfield) para espionar o líder Fred Hampton.

O filme tem altos e baixos. A história é forte, assim como o protagonista – Fred Hampton lutava contra o racismo, atacava a polícia, denunciava o capitalismo e a desigualdade racial, unindo grupos e gangues. Daniel Kaluuya é com certeza o grande nome do filme e está bem cotado para ganhar o Oscar de melhor Ator Coadjuvante. O longa retrata um importante e específico período histórico para os Estados Unidos, porém não tão conhecido aqui no Brasil. O espectador pode ficar um pouco confuso e perdido, sugiro pesquisar um pouco sobre a história antes de assistir (foi o que eu fiz), inclusive pausei várias vezes para pesquisar sobre os fatos históricos apresentados ao longo do filme.

A fotografia é muito boa, com um tom noturno, sombrio e dramático. A edição é ágil, porém o roteiro apresenta algumas falhas. Faltou um aprofundamento na história de O’Neal (o Judas do título). O ator até entrega uma boa atuação, mas faltou um desenvolvimento maior. E algumas cenas são bem fortes e necessárias.

“Judas e o Messias Negro” retrata um importante período histórico, que deve ser contado e ressaltado por toda luta racial. A mensagem é forte e atual! Tinha grande potencial para ter mais destaque.

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#Filme | Pieces of a Woman

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Um filme que estava com boas expectativas para assistir era “Pieces of a Woman”, que rendeu uma indicação ao Oscar à Vanessa Kirby, na categoria de melhor atriz. Porém, infelizmente, a produção não me agradou tanto. Tem seus méritos, porém esperava mais.

O filme é a jornada emocional de uma mãe que acaba de perder seu bebê. Diante dessa perda, ela terá que lidar com as consequências que seu luto tem nas relações com o marido e a mãe, lutando para que seu mundo não desabe por completo.

O começo do filme é a sua melhor parte. Em um genial e bem elaborado plano sequência de mais de 20 minutos, vemos o trabalho de parto feito em casa. Durante sua realização, percebemos o amor entre Sean (Shia LaBeouf) e Martha (Vanessa Kirby) e a bebê Yvete, que está para nascer; também temos a parteira Eva (Molly Parker), que é uma substituta e, por isso, inicialmente sofre certa rejeição do casal, contudo ganha sua confiança e conduz o parto de modo muito humano. Logo de cara, o diretor constrói uma tensão inigualável, principalmente depois que percebemos a tragédia que se passará, e a brutal perda do casal.

A partir daí, o filme se propõe a fazer um questionamento: de quem é a culpa? Pulando de mês em mês, a produção vai retratando a vida de Martha e Sean e as repercussões daquele dia. Vemos Martha voltando ao trabalho e Sean retornando ao alcoolismo, além da dificuldade de retomar a vida sexual. Tudo isso se torna um abismo entre os dois. Por fim, o casal enfrenta a dura realidade de lidar com os outros integrantes da família, mais notavelmente a mãe da protagonista Elizabeth (Ellen Burstyn), que insiste em lidar com a perda da sua própria maneira.

A direção do cineasta húngaro Kornél Mundruczó é impecável neste início promissor. A cena do parto é extremamente detalhista e cheia de significados. Depois disso, o roteiro é fraco e pouco acrescenta ao desenvolvimento. O grande trunfo é a interpretação de Vanessa Kirby. A atriz está fantástica! Já seu companheiro de cena – Shia LaBeouf – deixa um pouco a desejar.

O filme se baseia única e exclusivamente na história de dor e angústia do casal. É uma produção sem grandes pretensões, mas que traz boas oportunidades de interpretação. Vanessa Kirby soube aproveitar muito bem essas oportunidades e conquistou indicações nas principais premiações.

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#Filme | Minari

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Hoje vou falar de mais um filme que concorre em algumas categorias do Oscar. “Minari: Em Busca da Felicidade” é dirigido por Lee Isaac Chung e estrelado por Steven Yeun (conhecido por seu papel na série The Walking Dead). No Oscar, o longa concorre em 6 categorias: melhor filme, direção, ator (Steven Yeun), atriz coadjuvante (Yuh-jung Youn), roteiro original e trilha sonora.

A história se passa nos anos 80. David (Alan S. Kim), um menino coreano-americano de sete anos de idade, que se depara com um novo ambiente e um modo de vida diferente quando seu pai, Jacob (Steven Yeun), muda sua família para a zona rural do Arkansas. A mudança não cai bem com todos os membros da família. As crianças parecem perdidas ao não ter praticamente nada para fazer e a mãe tem dificuldades de aceitar seu novo lar.

Após um início desafiador, a avó dos garotos (Youn Yuh-jung) chega da Coreia do Sul para auxiliar a família. A chegada da avó pega David de surpresa, já que o garoto tinha expectativas americanas do que uma avó deveria fazer (assar biscoitos e ser delicada, por exemplo), mas se depara com uma mulher de alta energia, que não tem medo de usar linguagem chula e de dizer sua opinião. Enquanto isso, Jacob, decidido a criar uma fazenda em solo inexplorado, arrisca suas finanças, seu casamento e a estabilidade da família.

 

Com o casal se despedaçando lentamente e um interessante conflito entre gerações, o roteiro de Lee Isaac Chung explora todas as nuances do convívio e a busca pela felicidade – o “sonho americano” que tanto almejam. “Minari” é um filme rico em simbolismos e tem uma história absolutamente adorável.

O ponto forte do filme é seu elenco. Steven Yeun teve uma boa oportunidade para conquistar sua indicação ao Oscar. Ye-Ri Han, que interpreta Mônica, a esposa em conflito com a realidade, faz uma boa dupla com o ator. O pequeno Alan S. Kim, que dá vida ao doce e divertido David, tem uma performance absolutamente comovente. Junto a Youn Yuh-jung, a avó, ambos entregam veracidade em interpretações profundas.

“Minari” traz sutileza envolta em camadas. O longa é falado em coreano e inglês, idiomas misturados pelos personagens na mesma conversa. A direção de Lee Isaac Chung é preciosa também. Praticamente autobiográfico, o filme é um convite para passear pelas memórias do diretor e roteirista, além de apresentar uma belíssima mensagem sobre família, raízes e luta contra o preconceito e xenofobia.

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#Filme | O Mauritânio

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Dando sequência aos filmes que têm recebido algumas indicações nas principais premiações do cinema, hoje foi falar sobre “The Mauritanian”, filme biográfico dirigido pelo vencedor do Oscar, Kevin MacDonald (Munique, 1972: Um Dia em Setembro).

“The Mauritanian” é mais um filme sobre os abusos e atos terríveis cometidos pelo governo e oficiais norte-americanos em nome da “guerra ao terror” após os atentados às Torres Gêmeas. Mohamedou Salahi é o mauritano do título. Pouco depois dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos, ele foi detido em seu país para questionamento e simplesmente desapareceu.

Salahi, interpretado no filme por Tahar Rahim, foi levado a Guantánamo. Após vermos a sua prisão no início do filme, a narrativa pula para 2005, quando passamos a acompanhar os esforços das advogadas Nancy Hollander e Teri Duncan, vividas por Jodie Foster e Shailene Woodley, para defendê-lo. Também seguimos a trajetória do advogado de acusação, o oficial militar vivido por Benedict Cumberbatch. Todos – defesa e acusação – descobrem que o caso de Salahi é estranho e cheio de peculiaridades, começando pelo fato dele ter sido detido sem que ninguém soubesse sequer do que ele estava sendo acusado.

O filme é baseado no livro “Diário de Guantánamo”, escrito pelo próprio Salahi, que caiu como uma bomba contra o exército americano e os governos de George W. Bush e Barack Obama. A produção foca em retratar a luta da advogada Nancy para provar a inocência de Salahi, que incluiu documentos totalmente censurados pelo governo, além dos relatos de tortura a que ele foi submetido, que incluíam até “humilhação sexual” por soldados do sexo feminino. Inclusive, as cenas de tortura, por mais pesadas, foram as melhores do filme, com destaque para a entrega do ator Tahar Rahim, que constrói um ótimo personagem.

Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) também traz uma boa interpretação, caprichando no sotaque americano, ao viver o oficial do Exército designado para fazer a acusação ao mauritano, mas que logo descobre o castelo de mentiras por trás da história. Shailene Woodley (Divergente) vive a assistente de Nancy, que passa a ter dúvidas sobre a inocência de Slahi. A atuação da atriz não chega a comprometer, mas está bem abaixo do que ela já mostrou em outras ocasiões, como na série Big Little Lies. Porém, o grande destaque é a atriz Jodie Foster, como é bom poder vê-la novamente em uma produção. Ótima construção da fria advogada, que aos poucos vai acreditando na história do mauritano e o defende com garra, enfrentando o Governo americano. A atriz foi premiada no Globo de Ouro, como melhor atriz coadjuvante.

“The Mauritanian” não é uma grande produção. O roteiro tem falhas e a edição também deixa um pouco a desejar. É mais um filme para atuação, e nesse quesito consegue conquistar. Achei um filme corajoso por expor um tema polêmico e que mexe com os sentimentos dos americanos que sofreram ao perder muitas vítimas no 11 de Setembro, além de fazer uma dura crítica ao Governo Obama, mesmo que apenas nas entrelinhas. A história de Mohamedou Salahi é importante e merece ser conhecida.

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#Filme | Clouds

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Hoje vou falar sobre “Clouds”, novo filme original Disney+, baseado em fatos reais e dirigido pelo ator Justin Baldoni, de “A Cinco Passos de Você” e “Jane the Virgin”.

Clouds é baseado no livro “Fly a Little Higher”, de Laura Sobiech e conta a história de Zach Sobiech (Fin Argus), um adolescente diagnosticado com uma forma rara de câncer no osso, buscando uma maneira de inspirar outras pessoas enquanto luta com o pouco tempo de vida que lhe resta. Um dia, minutos antes de ir para um encontro com Amy (Madison Iseman), sua garota dos sonhos, Zach vê todo os motivos para continuar sendo o jovem alegre e divertido irem por água abaixo: após uma cirurgia de emergência, seus pais são informados de que o câncer que lutava há anos não foi completamente curado e atingiu seu pulmão, tornando-o um paciente terminal. Entre uma crise e outra, o jovem conta com a ajuda da melhor amiga Sammy (Sabrina Carpenter). Gravando vídeos caseiros, a dupla publica suas canções na internet, despretensiosamente, mas acabam ganhando notoriedade do público e mais tarde assinando com um selo musical.

Construindo uma trama mais vibrante e sensível, o diretor Justin Baldoni transforma Clouds em uma carta de amor ao jovem que bravamente batalhou contra um câncer terminal. Diversas cenas possuem bastante sensibilidade e emocionam o espectador. E essa emoção também é fundamental com o ótimo elenco – Fin Argus está muito bem no personagem, sua relação com Sabrina Carpenter também é maravilhosa. Confesso que gostaria de ter visto mais da personagem da Sabrina, porém ela ficou o filme todo em segundo plano. A trilha sonora também é um ponto forte da produção. Os arranjos musicais são perfeitos e a música tema do filme é muito emocionante.

Por mais clichê que seja, Clouds é um filme humano, que emociona, nos faz questionar muitas coisas. Trata-se de uma inspiradora homenagem, com uma mensagem de resiliência, amor e luta. Vale a pena conferir!

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#Filme | Mulher Maravilha 1984

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“Mulher Maravilha 1984” é um filme obrigatório para começar bem o ano de 2021. Depois de tudo que passamos em 2020, precisávamos de um ótimo blockbuster para entreter e MM84, para mim, surpreendeu.

Acompanhamos Diana Prince/Mulher-Maravilha (Gal Gadot) em 1984, durante a Guerra Fria, entrando em conflito com dois grande inimigos – o empresário de mídia Maxwell Lord (Pedro Pascal), que encontra uma pedra capaz de realizar qualquer desejo; e a amiga que virou inimiga Barbara Minerva/Cheetah (Kristen Wiig) – enquanto se reúne com seu interesse amoroso Steve Trevor (Chris Pine).

Primeiramente preciso enaltecer o talento e carisma de Gal Gadot! Que mulher, simplesmente maravilhosa! A atriz está confortável no papel da heroína mais famosa da DC. E o elenco contém ainda ótimos nomes como Pedro Pascal, que constrói um vilão digno dos quadrinhos, ao mesmo tempo que tenta dar uma humanidade ao personagem. O mais fascinante em toda narrativa é que os poderes de Maxwell provocam o caos a partir das escolhas da humanidade. Todos possuem uma parcela de culpa.

Kristen Wiig, que interpreta Barbara Minerva, é outro ponto alto da produção. A sua transição de tímida arqueóloga é implacável, mas confesso que não curti muito a forma como a apresentaram como Mulher Leopardo/Cheetah. Apesar disso, Kristen teve ótimos momentos para explorar as facetas da personagem. Ainda quero vê-la nas produções seguintes.

O foco desta nova aventura se norteia entre o limite do certo e errado para se conseguir o que quer. Por isso, justifico o criticada cena de abertura, onde vemos a protagonista, ainda criança, em uma grande competição. Além dessa cena, que contou com grandes efeitos especiais, tivemos outros momentos interessantes, onde esses efeitos também foram muito bem utilizados. Outra coisa que estava me deixando tenso, era a volta de Chris Pine para a sequência. O roteiro soube explorar o alívio cômico com o personagem e ainda trouxe aquele toque nostálgico e sentimentalista.

Patty Jenkins fez novamente um ótimo trabalho! Mulher-Maravilha 1984 é leve, divertido e possui uma mensagem necessária para o momento em que vivemos!

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Filme | Quase uma Rockstar

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Já faz um tempinho que assisti “Quase uma Rockstar”, novo drama adolescente da Netflix, e hoje vou falar um pouquinho sobre o que achei do filme! A produção é baseada no livro homônimo, escrito por Matthew Quick, mesmo autor de “O Lado Bom da Vida” e lançado no Brasil pela Editora Intrínseca.

Preciso dizer que ainda não li o livro, portanto falarei mais do filme. Inclusive por não saber muito da história, esperava mais uma produção teen, porém trata-se de um drama mais adulto, mas sem tirar a essência adolescente, que com certeza vai te conquistar.

A trama gira em torno de Amber Appleton (Auli’i Cravalho), uma jovem musicista que é boa aluna, cuida de velhinhos em uma casa de repouso, dá aula de inglês para imigrantes coreanas, trabalha em uma loja de donuts, organiza os eventos sociais da escola e ajuda no café da manhã do melhor amigo “especial”. Ela também perdeu o pai, é filha de uma mãe alcoólatra Becky (Justina Machado) que tem um namorado violento e guarda dinheiro para alugar um apartamento, já que ela dorme todas as noites em um ônibus escolar. Seu grande sonho é entrar na prestigiada escola de música Carnegie Mellon.

O roteiro do trio Marc Basch, Matthew Quick e Brett Haley (Por Lugares Incríveis) consegue nos transportar logo de cara para a vida corrida da nossa protagonista, onde ela parece encarar tudo com um otimismo incrível e um excelente bom humor mesmo que há diversos motivos para isso não acontecer. Embora Amber faça tanto por todos e por sua comunidade, a verdade é que sua vida pessoal está desmoronando e ela não consegue ver perspectiva de como conseguir dar a volta por cima.

E com certeza o grande destaque do filme é a atriz Auli’i Cravalho, que fez sucesso mundial ao dublar e cantar a voz de Moana, no sucesso da Disney. A jovem está super segura e entrega uma performance comovente. A personagem sofre bastante, como uma mocinha de novela mexicana, mas Auli’i Cravalho não decepciona e entrega nos momentos tristes, e de felicidade, uma atuação impressionante. A poderosa voz de Cravalho na música “Feels Like Home”, é uma das cenas mais bonitas do filme. “Quase uma Rockstar” é quase como se fosse um conto da Cinderella moderno.

Os personagens coadjuvantes, apesar de pouco aproveitados, possuem importância ao arco narrativo da história, com destaque para Justina Machado (de “One Day at a Time” e “Jane the Virgin”) e Carol Burnett (“The Carol Burnett Show)”, que faz a senhora rabugenta residente no asilo onde Amber trabalha como voluntária. Além delas, não temo como não se apaixonar pelo cachorrinho Bobby Big Boy. Também acho que o núcleo dos amigos poderia ter sido melhor aproveitado, principalmente no interesse amoroso da protagonista.

No final, “Quase Uma Rockstar” traz uma importante mensagem de gratidão. É um filme tocante e inspirador, que mostra que o verdadeiro rockstar é aquele que diariamente se esforça em fazer do mundo um lugar melhor.

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#Filme | Chemical Hearts (A Química que há entre Nós)

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O streaming Amazon Prime Vídeo lançou o drama “Chemical Hearts”, baseado no livro “A Química que há entre Nós”, da autora Krystal Sutherland. No elenco temos Lili Reinhart (Riverdale) e Austin Abrams (Euphoria). Mais um chiquê teen, porém este me decepcionou um pouco. Detalhe: neste post não vou comentar o livro, visto que ainda não li; falarei apenas da experiência na TV.

Dirigido por Richard Tanne, o filme conta a história de Henry (Austin Abrams) e Grace (Lili Reinhart), dois jovens que, em seu último ano de ensino médio, se tornam co-editores do jornal da escola. Ele tem uma vida normal, com uma família estável e bons amigos, e sonha em ser escritor. No entanto, por achar que tem uma vida normal demais e por não ter tido experiências significativas, não sabe sobre o quê escrever.

Enquanto isso, ela é uma estudante transferida de outra escola e que, assim como ele, tem a escrita e a leitura como suas grandes paixões. Só que após sofrer um acidente que deixou sequelas bastante dolorosas (fisicamente, e, principalmente, psicologicamente), ela deixa essas paixões de lado e decide se isolar de todos.

Sobre a parte técnica, o longa traz uma estética melancólica. A fotografia é construída na base de cores frias e fechadas, especialmente o azul, o que reforça a parte dramática da narrativa. Porém, os clichês do enredo me incomodaram. E vocês sabem que eu adoro os clichês teen bem “água com açúcar”.

Acho que a adaptação dos personagens acabou não acontecendo como deveria. Achei Henry e Grace muito rasos e superficiais, não tem uma construção que nos mostre o que eles querem, o porque eles são da forma que são, o que os motiva ou não motiva. São personagem complexos e emotivos, que poderiam ser cheios de camadas, mas não são. Ficou simples demais. E pelo que li de comentários do livro, sei que isso não ocorre lá – os personagens são bem construídos. Outra coisa que me irritou são os personagens coadjuvantes (família e amigos do Henry), que no filme não tiveram importância nenhuma, não acrescentaram nada a história.

A proposta era super interessante, já que dramas adolescentes têm rendido boas adaptações, porém para mim não rolou. E ainda quero ler o livro “A Química que há entre Nós”. Prometo que quando ler, trago um post mais comparativo entre os dois.


Já assistiram Chemical Hearts? Ou já leram o livro A Química que há entre Nós? O que acharam?

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#Filme | Por Lugares Incríveis

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Nesta semana a Netflix lançou o filme “Por Lugares Incríveis”, baseado no livro de mesmo nome da autora Jennifer Niven. Dirigido por Brett Haley, o longa é estrelado por Elle Fanning e Justice Smith.

Na história, Violet Markey (Fanning) é atormentada pela culpa de ter sobrevivido ao acidente de carro que matou sua irmã; e Theodore Finch (Smith) sofre com o descaso da família, o bullying na escola e a constante sensação de não pertencimento. Os dois se conhecem em um momento delicado – Violet está prestes a cometer suicídio e Theodore oferece ajuda e uma promessa de que ela não está mais sozinha em sua luta. Ele também procura motivos para permanecer vivo. Seu quarto está rodeado de post-its destacados por cores que servem como um guia. Finch está em depressão e apresenta mudanças constantes de humor – causando destruição e abandono de aulas por períodos longos – que lhe rendeu o apelido de “aberração” por seus colegas de classe. Os dois passam a construir uma amizade após precisarem fazer um trabalho escolar juntos – ambos precisam conhecer lugares incríveis do estado de Indiana, onde moram, para escrever sobre o que esses lugares representam. De uma amizade, vai nascendo um amor. Juntos, eles percebem que as coisas mais simples e que costumamos deixar pra lá, são as mais importantes e que merecem nossa atenção.

Primeiramente, preciso alertar que o filme pode ativar gatilhos, pois fala sobre suicídio, depressão, luto, transtorno de bipolaridade e distúrbios psicológicos. Então se você passa por algo parecido, talvez assistir não é a melhor opção. Inclusive, reforço aqui a necessidade de procurar ajuda profissional em algum momento difícil da vida. Conversar é sempre uma boa solução.

Falando agora do filme, confesso que me decepcionei. Tinha expectativas de que seria algo bacana, mas infelizmente o longa não me agradou 100% por aliviar a sua principal discussão. “Por Lugares Incríveis” tentou ser mais um romance adolescente do que um alerta para os transtornos mentais. O livro é mais denso e desenvolve o assunto com muita propriedade. Aqui temos uma retratação muito rasa, os personagens acabam não tendo a profundidade necessária.

Pessoal, de certa forma, preciso fazer certas comparações com o livro, que até hoje ainda é um best seller. O personagem Theodore Finch é o “grande plot”, tanto no livro como no filme, porém no livro ele é melhor trabalhado. A autora consegue mostrar seu drama psicológico, a depressão que ele passa, por camadas, ao longo da história. É nítido perceber que enquanto ele “salva” a Violet, ele se afunda cada vez mais. No filme isso não fica tão claro, apenas percebemos quando ocorre os acontecimentos do final. Talvez tenha sido uma decisão dos roteiristas, já que isso causa sim um espanto a quem está assistindo, pois se você não leu o livro, é bem provável que não esperava o final. No longa, me deu a sensação de que não havia necessidade de certos dramas em certos momentos, isso por causa da falta de complexidade. Acredito que eles quiseram passar a ideia de que a depressão é algo que nem sempre a gente percebe, mesmo sendo uma pessoa super próxima. A Violet até percebe sim, mas não teve poder para ajudar. A depressão atua em silêncio. Muitas pessoas que parecem estar felizes podem estar sofrendo por dentro. O ato final de Finch foi salvar alguém, já que ele sabia que era tarde demais para ser salvo.

Com relação à atuação, gostei da escolha dos atores principais – Elle Fanning e Justice Smith desenvolveram uma química interessante para seus personagens. A construção emocional de Violet é consistente graças a Fanning. Ela transmite a alegria e devastação de Violet de forma surpreendente. A trilha sonora também é um ponto forte por trazer uma mistura de momentos leves e outros mais tristes, combinando com a mensagem que o filme passa.

Ao final, “Por Lugares Incríveis” é mais um melodrama adolescente do que um filme com força para discutir problemas sérios. Acho que a história sobre superação, lidar com as dores e a busca de um refúgio poderia ter sido mais intensa. Para quem gosta de romances teen, pode ser uma boa opção. Recomendo mais a leitura do livro!

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