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#Livro | No Mundo da Luna

A vida de Luna está uma bagunça! O namorado a traiu com a vizinha, seu carro passa mais tempo na oficina do que com ela e seu chefe vive trocando seu nome. Recém-formada em jornalismo, ela trabalha como recepcionista na renomada Fatos&Furos. Mas, em tempos de internet e notícias instantâneas, a revista enfrenta problemas e o quadro de jornalistas diminuiu drasticamente. É assim que a coluna do horóscopo semanal cai no colo dela. Embora não tenha a menor ideia de como fazer um mapa astral e não acredite em nenhum tipo de magia, Luna aceita o desafio sem pestanejar. Afinal, quão complicado pode ser criar um texto em que ninguém presta atenção? Mas a garota nem desconfia dos perigos que a aguardam e, entre muitas confusões, surge uma indesejada, porém irresistível paixão que vai abalar o seu mundo. O romance perfeito não fosse com o homem errado. Sem saída, Luna terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia: o amor. Com seu estilo ágil e fluido, Carina Rissi criou em No mundo da Luna uma leitura viciante, permeada de humor, magia e paixão, que vai conquistar você do início ao fim.

Autora: Carina Rissi
Editora: Verus
Número de Páginas: 476
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva

Estou participando de um grupo no Whatsapp, cujo objetivo é trocar experiências de leituras. E numa brincadeira que criamos, formamos duplas para indicar livros para os colegas. Assim, comecei a ler “No Mundo da Luna”, da autora brasileira Carina Rissi. Nunca havia lido nenhum livro dela – tanto que descobri que muitos leitores amam suas publicações – e, particularmente, gostei desse livro.

O livro narra a história da jornalista Luna Braga, recém-formada que, embora trabalhe em uma revista conceituada, ainda não conquistou seu devido espaço. Sua primeira oportunidade surge ao assumir a coluna de horóscopos, sem saber o quanto isso poderia afetar sua vida.

Luna é descendente de ciganos, mas por sua mãe ter se casado com um homem que não fazia parte dessa cultura, ela e seu irmão foram criados longe da tradição de sua família materna até a adolescência, quando viveram por um tempo com a vó cigana Cecília. Além disso, Luna odeia seu chefe, o mal humorado Dante, que nunca acerta seu nome e distribui broncas para todos os funcionários. Após a demissão da colunista responsável pelo horóscopo, Luna ganha a chance de sua vida, porém ela não entende nada de astrologia e conta com a ajuda de um baralho velho comprado numa loja esotérica. Surpreendentemente, apesar de Luna não acreditar em nada que escreve, suas previsões dão certo.

Sorte no trabalho, azar no amor. Luna não dá sorte com seus pretendentes. Primeiro ela foi traída pelo namorado e depois levou um bolo do fotógrafo da revista. Bêbada, a moça acaba dormindo com seu chefe. Sem saber o que realmente aconteceu, Luna fica dividida, tentando não se apaixonar, mas ao mesmo tempo se sentindo muito atraída por ele, principalmente quando ele se muda para o apartamento ao lado do dela.

O livro tem uma leitura bem dinâmica, que prende o leitor na curiosidade de saber o que vai acontecer entre Luna e Dante. O casal protagonista tem química, mesmo quando eles estão brigados – e olha que isso acontece bastante. Sempre torci para que eles voltassem a ficar juntos. Carina Rissi se mostrou uma boa autora, fazendo com que o enredo comum não virasse o clichê que estamos acostumados.

#Livro | O Primeiro Dia do Resto da Nossa Vida

 

Tess e Gus foram feitos um para o outro. Só que eles não se encontraram ainda. E pode ser que nunca se encontrem… Tess sonha em ir para a universidade. Gus mal pode esperar para fugir do controle da família e descobrir sozinho o que realmente quer ser. Por um dia, nas férias, os caminhos desses dois jovens de 18 anos se cruzam antes que os dois retornem para casa e vejam que a vida nem sempre acontece como o planejado. Ao longo dos dezesseis anos seguintes, traçando rumos diferentes, cada um vai descobrir os prazeres da juventude, enfrentar problemas familiares e encarar as dificuldades da vida adulta. Separados pela distância e pelo destino, tudo indica que é impossível que um dia eles se conheçam de verdade… ou será que não?
“O Primeiro Dia do Resto da Nossa Vida” narra duas trajetórias que se entrelaçam sem de fato se tocarem, fazendo o leitor se divertir, se emocionar e torcer o tempo todo por um encontro que pode nunca acontecer.

 

Autora: Kate Eberlen
Editora: Arqueiro
Páginas: 432
Skoob 
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva

“O Primeiro Dia do Resto da Nossa Vida” é um livro muito especial. Primeiro porque ganhei de uma querida amiga e junto com ele veio uma dedicatória linda e muito emocionante para mim. Depois porque é um romance que foge do convencional, o que me agradou muito. Fazia tempo que um livro não me agradava tanto na história.

A autora Kate Eberlen consegue a proeza de fazer-nos torcer por um casal protagonista, que passa a maior parte do livro sem se conhecer. E ainda assim, torcemos para que eles fiquem juntos. Melhor ainda, Kate mostra ao longo da história, diversas possibilidades de encontro entre eles, o que nunca acontece e o que nos deixa ainda mais ansiosos.

A história começa no ano de 1997, em Florença, na Itália quando Tess viaja com sua amiga Doll. No mesmo momento, Gus passa as férias com os pais, após um grave acidente que abalou a família. Os dois chegam a se cruzar, mas não se notam. Depois, Tess volta para casa e não vê a hora de ir para a faculdade, porém ela vai enfrentar diversos problemas como a doença da mãe, a falta de estrutura do pai e a responsabilidade de cuidar da irmã mais nova, Hope, portadora da Síndrome de Aspenger.

Gus também está com tudo pronto para ir para faculdade e cursar medicina. Principalmente para se livrar dos pais, que ainda não superaram um grave momento envolvendo seu irmão. Longe de casa, Gus conhece novos amigos, entre eles a namorada Lucy. Mas seu destino faz com que se case com outra pessoa e tenha duas filhas.

A evolução do livro é interessante, pois cada capítulo é destinado a um dos protagonistas – Tess e Gus, sendo que a narrativa em primeira pessoa faz com que conheçamos bem os medos e desejos de cada um dos personagens principais. Confesso que a Tess me causou bastante raiva durante a leitura porque no começo ela é bem independente e no decorrer mudando muito, ficando ingênua, inocente e chata. Já Gus se mostra bem maduro ao longo da trama e vai crescendo cada vez mais.

Durante todo o livro sabemos que Tess e Gus foram feitos um para o outro, porém o destino tem outros planos para os dois. Em diversos momentos, eles estão próximos de se encontrar, o que não acontece. Isso nos faz refletir o quanto nossas escolhas podem influenciar em nossa história e perceber que a vida dá muitas voltas.

“Nós nos conhecemos quando tínhamos 18 anos, mas houve uma pequena alteração no destino e ficamos nos desencontrando. Sei que parece piegas, mas não consigo pensar em outra maneira de explicar. Tudo que sei é que essas últimas 24 horas foram como a vida inteira deveria ser”.

#Livro | Nada mais a Perder

Uma mulher está viajando de Cambridge para a London Street quando o trem faz uma longa parada dentro de um túnel – tempo suficiente para, na saída, em meio à claridade, ela ter um vislumbre de uma cena ao mesmo tempo deslocada e sublime: numa rua de pedras, em meio à paisagem urbana, uma menina está de braço erguido, com uma vara na mão, e sob seu comando um magnífico cavalo recua elegantemente, empinando sobre as patas traseiras. A mulher é Natasha, uma advogada cuja vida parece ter se estagnado em um nó impossível de desatar. A menina é Sarah, a neta prodígio de um ex-astro do hipismo que, de repente, se vê sozinha no mundo a não ser por seu cavalo. As duas não sabem, mas aquela impressionante visão é apenas o prenúncio de um encontro que mudará para sempre suas vidas.

Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 400
Skoob 
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva

Eu não sou fã dos romances da Jojo Moyes. O único que gostei foi “Como eu era antes de Você”, mas me indicaram esse livro – “Nada mais a Perder”, com a promessa de que eu iria gostar. Até gostei, mas tem alguns pontos negativos.

Na juventude, Henri Lachapelle foi um cavaleiro de raro talento, entre os poucos admitidos na academia de elite do hipismo francês, o Le Cadre Noir. Contudo, reviravoltas da vida o levaram da França a Londres, onde ele agora vive em um simples conjunto habitacional. Sem nunca abandonar o amor pela antiga carreira, aos trancos e barrancos Henri ensina a neta, Sarah, a montar o cavalo Boo, na esperança de que o talento da dupla seja o passaporte para uma vida melhor e mais digna para todos. Mas um grande golpe muda mais uma vez os planos de Henri Lachapelle, e Sarah se vê entregue à própria sorte, lutando para, além de sobreviver, cuidar de Boo e manter os treinamentos.

Do outro lado temos Natasha, uma advogada especializada em representar crianças e adolescentes envolvidos com crimes ou em situação de risco. Abalada emocionalmente e em dúvidas quanto a seu futuro profissional depois de um caso terrível, Natasha ainda tem de lidar com as feridas do fim de seu casamento. Um fim, diga-se de passagem, bem inusitado, já que ela se vê forçada a morar com o charmoso futuro ex-marido enquanto esperam a venda da casa da família. Quando Sarah cruza o caminho de Natasha, a advogada vê na menina a oportunidade de colocar a vida de volta nos trilhos e decide abrigar a adolescente sob o próprio teto. O que ela não sabe é que Sarah guarda um grande segredo que lhes trará sérias consequências.

 

O começo do livro não é muito bom. A autora descreve sentimentos e emoções dos personagens, principalmente de Natasha, sem antes conhecermos a história deles, o que faz com que não nos identifiquemos logo de início. Até por volta da página 100 eu ficava pensando porquê estou lendo esse livro? Passando da metade, quando a história de Natasha e Sarah se cruza, o livro fica bem interessante. A partir daí a leitura flui. É neste momento que vemos a melhor vertente dramática de Jojo Moyes.

Outro ponto positivo é a capa do livro, achei super linda, mantendo o padrão de todos os livros da Jojo com sombras dos personagens em destaque. Também destaco o desfecho do livro, claro que não vou dar spoilers, mas foi emocionante e, confesso que era exatamente o que eu queria que acontecesse. “Nada mais a perder” é um livro instigante, romântico, curioso, sem grandes expectativas.

 

#Filme / Moonlight – Sob a Luz do Luar

Está chegando a hora de conhecermos os vencedores do Oscar 2017 – amanhã ao vivo, a partir das 22h30 na TNT – e eu consegui finalizar a minha maratona dos filmes que concorrem neste ano. O último que assisti foi “Moonlight – Sob a Luz do Luar”, que estreou nos cinemas brasileiros no dia 23 de fevereiro. O longa foi indicado em oito categorias – Melhor Filme, Direção, Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), Atriz Coadjuvante (Naomie Harris), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Fotografia e Montagem – além de já ter ganho o Globo de Ouro na categoria Melhor Filme de Drama.

“Moonlight – Sob a Luz do Luar” é o típico filme feito na medida para o Oscar. Traz uma história emocionante de um garoto negro do subúrbio de Miami que ao longo da vida vai descobrindo a sua homossexualidade. Drama e sutileza estão lado a lado na história, que conta com personagens marcantes e interpretações excelentes.

Dirigido pelo cineasta norte americano Barry Jenkins, com roteiro baseado na peça “In Moonlight Black Boys Look Blue”, de Tarell McCraney, o filme acompanha a trajetória de Chiron através de três momentos na vida do personagem, uma na infância, outra na adolescência e a última no auge de sua vida adulta. Durante esses três recortes, o longa vai mostrando a relação do protagonista com sua mãe (Naomi Harris), as descobertas sexuais, a necessidade de uma figura paterna (Mahershala Ali), a relação com as gangues da região, o consumo de drogas e tudo que cerca um jovem negro e gay na periferia da costa sudeste dos EUA.

Dois grandes atores se destacam no filme – Mahershala Ali, que interpreta o traficante Juan no início do filme – super cotado para ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (na minha opinião Jeff Bridges, de “A Qualquer Custo” mereceria mais) e Naomi Harris, a mãe drogada de Chiron. Também merecem destaque os três atores estreantes que interpretaram o personagem principal – Alex R. Hibbert (infância), Ashton Sanders (adolescência) e Trevante Rhodes (fase adulta)

O filme é uma grande crítica social e se ganhar o Oscar vai ser “um tapa na cara” do atual governo americano, que traz uma posição homofóbica e racista. Além disso, outra característica adotada nos últimos anos da cerimônia é premiar produções mais baratas – “Moonlight” custou cerca de 5 mil dólares para ser produzido. Mas se ganhar, também é porque apresentou um roteiro e direção espetaculares, além de um elenco simples e maravilhoso. Com um tema complicado para se reproduzir nas telas norte-americanas, o diretor Barry Jenkins consegue mostrar de forma poética como Chiron enxerga o amor.

#Filme / Manchester a Beira Mar

Guardem essa frase – “Um dos melhores filmes produzidos neste ano”. Ela se aplica ao simplório “Manchester a Beira Mar”, que concorre a 6 Oscars – melhor filme, diretor (Kenneth Lonergan), ator (Casey Affleck), ator coadjuvante (Lucas Hedges), atriz coadjuvante (Michelle Williams) e roteiro original.

Um filme simplesmente lindo e um drama emocionante. Após a morte de seu irmão mais velho, Lee Chandler (Casey Affleck – irmão mais novo do Ben Affleck) fica chocado ao saber que é o guardião de seu sobrinho Patrick (Lucas Hedges). De férias de seu trabalho, Lee retorna, de forma relutante, à sua cidade natal Manchester para cuidar de Patrick, um espirituoso menino de 16 anos e ainda vê-se forçado a lidar com o passado que o separou de sua mulher Randi (Michelle Williams) e da comunidade onde ele nasceu e foi criado.

O diretor Kenneth Lonergan faz um trabalho memorável, conduzindo o drama sem ser piegas, sem sequências de choro e desespero – em raras ocasiões, foram feitas na medida certa. As cenas são muito sutis, com a utilização de longos silêncios para deixar o espectador ainda mais angustiado. Desde o início do longa sabemos que algo no passado de Lee o atormenta profundamente, o que faz com que nos solidarizamos com ele.

O ator Casey Affleck é uma discussão a parte – eu, particularmente, não gostei de sua interpretação – mas a crítica tem elogiado sua construção do personagem transtornado, sendo um dos favoritos a levar o Oscar de melhor ator. Inclusive, ele venceu quase todas as premiações, como Globo de Ouro e BAFTA, perdendo apenas no SAG Awards para Denzel Washington (“Um Limite entre Nós”).

Os outros destaques do filme são Lucas Hedges e Michelle Williams. A atriz aparece bem pouco – no máximo quatro cenas – mas em uma delas, onde perde perdão à Lee, esteve simplesmente maravilhosa, com a emoção à flor da pele, nos fazendo chorar. Já o garoto traz uma segurança nas principais cenas.

E aqui vai um spoiler – se não quer saber, vá para o próximo parágrafo – mas tem 99% de chances de você não gostar do final. Quando começou a aparecer os créditos eu pensei “ainda falta terminar o filme”. Foi bem chato.

Mas ainda assim, “Manchester a Beira Mar” é um filme sensível, que nos mostra o peso de se lidar com traumas – uma produção realista, com atuações impecáveis e uma direção genial.

#Filme / Até o Último Homem

Grande parte dos filmes que concorrem ao Oscar 2017 apostaram em histórias baseadas em fatos reais – “Até o Último Homem” é um deles. O longa conta a saga de um jovem que segue firmemente seus princípios e sua fé em um dos campos de batalha mais sangrentos na história do mundo.

A trama adapta a inacreditável história real de Desmond Doss (Andrew Garfield), um soldado na Segunda Guerra Mundial que se alistou no exército após se dar conta de todo o esforço e sacrifício que o país passava. Porém, dada sua devota crença no cristianismo, Doss se recusou a portar armas durante todo o conflito, acreditando que seu dever não deveria tirar vidas, mas sim salvá-las ao atuar como médico militar. Os eventos do filme centram-se na atuação das tropas americanas em Okinawa, e a tomada do desfiladeiro de Hacksaw, uma zona crucial para dominação do território japonês.

Após 10 anos, Mel Gibson está de volta como diretor em mais um filme de guerra. Conhecido pelo realismo e a violência extrema de seus trabalhos anteriores, as cenas de guerra aqui são bem produzidas, porém, em alguns momentos, um pouco exageradas. Destaque para a brilhante interpretação do jovem Andrew Garfield (ex-Homem Aranha), no papel principal do soldado Doss e também os atores coadjuvantes – Vince Vaughn (Sargento Howell), Sam Worthington (Capitão Glover), Luke Bracey (Smitty) e Teresa Palmer (Dorothy).

Como disse anteriormente, o filme é baseado em fatos reais, tanto que ao final nos deparamos com depoimentos das pessoas reais, retratadas na produção – dando um toque de realismo e emoção. Um filme caprichado na edição, com um roteiro que em alguns pontos deixa a desejar. Faltou aquela sutileza que Mel Gibson impôs no vencedor do Oscar – “Coração Valente” (1996), que inclusive lhe rendeu o prêmio de melhor diretor.

No Oscar deste ano, “Até o Último Homem” concorre em seis categorias – melhor filme, diretor (Mel Gibson), ator (Andrew Garfield), montagem, mixagem de som e edição de som.

#Filme / Estrelas além do Tempo

Chegou a vez de falarmos do filme “Estrelas além do Tempo”, que estreou nos cinemas brasileiros no dia 2 de fevereiro. O longa, baseado em fatos reais, foi dirigido pelo americano Theodore Melfi e estrelado pelas atrizes Taraji P. Henson (da série de TV “Empire”), Octavia Spencer (vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por “Histórias Cruzadas”) e a cantora Janelle Monáe (estreando nas telonas – uma curiosidade: a atriz também pode ser vista no filme “Moonlight”, que também concorre ao Oscar.)

A história de “Estrelas além do Tempo” se passa em 1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Cada uma das três luta com um desafio diferente dentro da Agência, com Dorothy temendo que ela e suas colegas se tornem desnecessárias com a chegada das máquinas IBM e batendo de frente com a assistente Vivian Michael (Kirsten Dunst); Mary tentando sair do cargo de assistente e tornar-se uma engenheira plena; e Katherine sendo transferida para a divisão de pesquisa de voo, trabalhando revisando os cálculos do arrogante engenheiro-chefe Paul Stafford (Jim Parsons, de “The Bg Bang Theory”), sob o comando direto de Al Harrison (Kevin Costner).

O longa concorre em três categorias do Oscar – melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Octavia Spencer – adoro ela, sempre muito segura em cena, mas neste filme as outras atrizes se destacaram mais a ponto de uma indicação. O filme cumpre bem o seu papel de narrar uma história de superação de três mulheres afrodescendentes, que quebram barreiras no auge da segregação racial dos Estados Unidos. A história tem a sutileza para emocionar, mas é um filme previsível.

# Filme / Jackie

De todos os filmes que concorrem ao Oscar neste ano, um deles eu estava mega ansioso para assistir – “Jackie”, estrelado pela atriz Natalie Portman. A melhor definição que eu encontrei para essa produção é que ela é “um olhar humanizado de uma das maiores personalidades do mundo”.

Engraçado que neste atual momento da história americana, com a eleição de um presidente cuja aversão ao estrangeiro é tão intensa, uma obra cinematográfica que retrata momentos da icônica primeira dama Jacqueline Kennedy é produzida justamente por um diretor latino – o chileno Pablo Larraín e estrelado por uma atriz israelense Natalie Portman, vencedora do Oscar de Melhor Atriz em 2011, por “Cisne Negro”.

O filme tem início com a entrevista de Jackie ao repórter Theodore H. White da Revista Life. Ela revive aqueles momentos sem medo de mostrar sua dor e insegurança ao jornalista, cuja tarefa de ultrapassar as barreiras emocionais de Jackie e vislumbrar a verdadeira mulher por trás do ícone. Porém, sofre grande interferência da primeira dama, que não permite que esses fatos cheguem ao público. Uma curiosidade – o artigo final publicado pela revista foi um dos maiores sucessos de venda, mesmo tendo sido “censurado”. Em 1994, após a morte de Jacqueline Kenndey, todas as anotações feitas por White foram entregues à Biblioteca do Congresso Americano.

Ainda vemos um rico retrato da mãe, esposa e primeira dama alguns dias depois do trágico momento que testemunha, com alguns flashbacks de três momentos chave para a condução da história: o famoso tour televisionado de Jackie pela Casa Branca no começo do mandato do marido, o assassinato e os momentos seguintes a ele até o enterro e uma conversa com um padre (o saudoso John Hurt, em um de seu último papel).

Uma produção caprichada, com pequenos erros de continuidade – como por exemplo, nas primeiras cenas o vestido usado por Jackie durante o ocorrido não possui marcas de sangue, sendo que na cena do assassinato, a roupa está completamente suja, mas são pequenos detalhes. O importante é a atuação de Natalie Portman, IMPECÁVEL, tanto nos gestos como na voz. Ela realmente encarnou Jacqueline Kennedy. Natalie está maravilhosa e concorre ao prêmio de melhor atriz. O filme ainda foi indicado nas categorias trilha sonora e figurino.

#Filme / Florence – Quem é essa Mulher?

Reunir em um filme a atriz mais premiada de todos os tempos – Meryl Streep (que já recebeu 20 indicações ao Oscar, vencendo três vezes); um dos atores mais charmosos dos anos 90 – Hugh Grant; e um grande nome da atualidade – Simon Helberg, o Howard Wolowitz de The Big Bang Theory, com certeza é um ótimo apelo para assistir “Florence: Quem é Essa Muher”.

Lembrando que assim que passar esse período do Oscar 2017, voltamos com as nossas resenhas de livros – já tenho várias dicas para dividir com vocês!!

O filme, dirigido por Stephen Frears, diretor britânico consagrado por produzir ótimas biografias como “A Rainha” e “Philomena”, volta às telonas com a história de Florence Foster Jenkins (Streep), uma rica herdeira que persegue obsessivamente uma carreira de cantora de ópera na Nova York de 1940. Aos seus ouvidos, sua voz é linda, mas para todos os outros é absurdamente horrível. O ator St. Clair Bayfield (Grant), seu marido, tenta protegê-la de todas as formas da dura verdade, mas um concerto público coloca toda a farsa em risco. Florence não buscava fama e prestígio, mas apenas alimentar a sua paixão por música, por isso, subir ao palco do famoso Carnegie Hall e se apresentar era algo que representava o seu sonho enquanto ser humano, um desejo irrefreável de passar os seus dias no meio de algo que lhe dava prazer: a música.

Com base em fatos reais, centrados nos esforços de Florence para fazer uma carreira na música, a comédia cumpre seu papel de entreter, somente isso. Meryl Streep, como sempre, está maravilhosa, utilizando seu talento em musicais para “destruir” e divertir sua personagem, já que ela canta muito mal, mas também dá um show de interpretação em cenas de drama. Confesso que fiquei muito surpreso ao ver como Hugh Grant envelheceu – seu personagem é uma escada para o sucesso de Meryl – o marido que trai a esposa, mas ainda assim, procura realizar todos os seus sonhos e desejos. Destaque também para o jovem Simon Helberg, que interpreta o talentoso pianista Cosme McMoon.

O roteiro do longa é muito bem construído, sabendo como dar as informações de sua narrativa, sem se apressar ou criar barrigas entre seus acontecimentos, num ritmo agradável que lembra – apenas lembra – as melhores comédias clássicas de Hollywood. Outro detalhe que traz charme é o efeito de passagem de cenas, inspirado em filmes antigos.

Portanto, o filme traz um humor sutil, uma evolução bem construída e interpretações na medida certa. No Oscar 2017, o longa concorre em apenas duas categorias: Melhor Atriz com Meryl Streep e Melhor Figurino.

#Filme / Lion – Uma Jornada para Casa

Continuando minha saga com os filmes do Oscar, nesta semana assisti “Lion – Uma Jornada para Casa”, que estreia no Brasil no dia 16 de fevereiro. O longa concorre em cinco categorias do Oscar 2017 – melhor filme, ator coadjuvante (Dev Patel), atriz coadjuvante (Nicole Kidman), roteiro adaptado e fotografia.

Lembrando que devido ao Oscar 2017, não estou postando as resenhas de livros, mas assim que passar a premiação, eu volto com várias dicas – já li vários livros para indicar pra vocês!!

Baseado em fatos reais, o filme narra a história de um garotinho indiano chamado Saroo (Sunny Pawar, quando menino e Dev Patel, de “Quem Quer Ser um Milionário?”, quando adulto), que em 1986 dormiu acidentalmente em um trem vazio e passou dias viajando pela Índia. Mil e seiscentos quilômetros depois, o menino atônito que só falava o idioma Hindi, desceu em uma estação em Calcutá abarrotada de gente. Sem conseguir se comunicar, Saroo passou a viver de restos de alimentos jogados nas ruas e a dormir em um papelão amassado. Com o tempo, ele foi levado para um abrigo de menores e mais tarde foi adotado por um casal de australianos (Nicole Kidman e David Wenham) que o levaram para morar no país deles. No ano de 2011, quase vinte e cinco anos depois, o agora rapaz tenta refazer o caminho de volta para casa com a ajuda do novíssimo Google Earth.

O filme, dirigido pelo estreante Garth Davis, da série “Top of the Lake”, foi muito bem produzido – as cenas que mostram uma Índia pobre e devastada fazem toda a diferença para a ambientação dos personagens. Além disso, a história é muito emocionante – de fazer chorar quando ocorre o reencontro do filho com a mãe biológica.

Dois grandes destaques neste filme – primeiro, o pequeno ator Sunny Pawar, que interpreta Saroo quando criança. Suas cenas são dramáticas e intensas – quando ele está perdido e grita o nome do irmão mais velho, é de cortar o coração. Outro ponto positivo é Nicole Kidman (vencedora do Oscar por “As Horas” – 2003) – sua personagem aparece pouco ao longo da história, mas as poucas cenas já valem por tudo, principalmente o diálogo que ela tem com Saroo, neste momento a cargo de Dev Patel, onde ela explica porque quis adotá-lo. Cena maravilhosa! Também merece consideração o jovem ator britânico Dev Patel, que após o sucesso de “Quem quer ser um Milionário?” não teve muitas chances em Hollywood, mas se mostrou firme neste papel.

“Lion – Uma Jornada para Casa” é um filme emocionante, comovente, dramático e empolgante! Quem aí quer vê-lo nas telonas dos cinemas?