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#Minissérie | Olhos que Condenam (When They See Us)

Oi gente! 
Tem mais dica de minissérie chegando!! Recentemente já falei de “Os Miseráveis” (resenha AQUI), “O Nome da Rosa” (resenha AQUI) e “Chernobyl” (resenha AQUI). E hoje trago para vocês “When They See Us”, que no Brasil ganhou a tradução de “Olhos que Condenam”. A produção é original Netflix e conta com apenas quatro episódios, com 1 hora e 15 minutos em média.

Trata-se de uma história verídica, que ocorreu em 19 de abril de 1989. Trisha Meili, uma mulher de 28 anos, corria pelo Central Park, em Nova York, quando foi estuprada, violentada e abandonada em um estado que a deixou em coma por 12 dias. Cinco garotos do Harlem (quatro negros e um latino) pagaram por este crime – um dos casos mais noticiados da época – e permaneceram na prisão entre 6 e 13 anos, apesar de não terem cometido o crime. O caso ficou conhecido mundialmente como “Os Cinco do Central Park”.

A história parte dos pontos de vista de Antron McCray (Caleel Harris/Jovan Adepo), Yusef Salaam (Ethan Herisee/Chris Chalk), Korey Wise (Jharrel Jerome), Raymond Santana Jr. (Marquis Rodriguez/Freddy Miyares) e Kevin Richardson (Asante Blackk/Justin Cunningham), os cinco garotos com idades entre 14 e 16 anos que foram incriminados injustamente na investigação do ataque.

A minissérie é dirigida pela cineasta Ava DuVernay (“Selma: Uma Luta pela Igualdade”) e segue o padrão ativista contra o sistema carcerário e o racismo, já visto em outras de suas obras. Em “Olhos que Condenam”, Ava mostra o poder da Polícia e da Promotoria americana, que não tinham um suspeito sólido e arquitetaram todo o caso para culpar os garotos. Muitas cenas não são fáceis de serem assistidas. Depois que os garotos são capturados pela polícia na noite do crime e na manhã seguinte, são submetidos a uma série de interrogatórios – requeridos pela promotora Linda Fairstein (Felicity Huffman) – que duram horas e horas, sempre com muita crueldade. Outro ponto interessante no elenco é Vera Farmiga, interpretando a advogada Elizabeth Lederer, que também participa do jogo e condena precipitadamente, sem ter nenhuma prova concreta, indo contra todos os princípios da justiça.

Além de escancarar o racismo e falhas da justiça americana, a minissérie também faz críticas, principalmente ao atual presidente Donald Trump. Na época, o empresário fez diversos comentários agressivos ao caso e defendeu a pena de morte aos jovens envolvidos. Como parte dessa crítica, Ava DuVernay utilizou imagens reais das declarações de Trump.

Como produção técnica, a minissérie também dá um show! A fotografia é maravilhosa e retrata fielmente o final dos anos 80, no Harlem. Muitas cenas são filmadas em planos fechados, o que cria uma sensação de incômodo e angústia. O design de produção também optou por ambientes escuros e pequenos, impedindo o telespectador de desviar os olhos da tortura e da sensação de pânico. Tudo isso é feito justamente para abalar o emocional de quem está assistindo. Muitas cenas são até confusas – propositalmente – para que aqueles que acompanham sentirem o mesmo que os garotos estavam sentindo. É genial!

Os episódios – como já falei – são apenas 4, então dá para assistir tudo de uma só vez – eu fiz isso, assisti tudo em um único dia. Os dois primeiros capítulos são utilizados para contar a história e o seu desenvolvimento. Já os dois últimos avançam para o futuro e mostram os personagens, já adultos, seguindo suas vidas depois de tudo o que aconteceu, sempre mesclando com flashbacks para não nos perdermos em quem é quem. Destaco aqui a parte que conta a história de Korey Wise (em grande parte do último episódio) é uma das mais impactantes e revoltantes. Uma única crítica que eu faço é com relação ao momento em que se descobre toda a verdade – poderia ter dado mais tempo de vídeo, já que era o momento mais esperado de toda série.

Enfim, “Olhos que Condenam” (“When They See Us”) é uma minissérie maravilhosa, com tom crítico, que vai te impactar com certeza.

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