Tag: autismo

Livro ▪ Passarinha

Autora: Kathryn Erskine
Editora: Valentina
Páginas: 224
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Amazon

Oi gente!
Há um bom tempo, “Passarinha”, da autora Kathryn Erskine, estava na minha lista de desejados e resolvi (finalmente) colocar essa leitura em prática! Trata-se de um livro incrível, extremamente emocionante, que vai, com toda certeza, tocar seu coração!

A história gira em torno de Caitlin, uma menina de dez anos de idade, portadora da Síndrome de Asperger, que perdeu seu irmão mais velho Devon em um tiroteio na escola.

Seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai, a si mesma e todos a sua volta, mas não sabe como captar o sentido. Introspectiva, Caitlin não gosta de olhar para as pessoas, nem que invadam seu espaço pessoal. Tendo dificuldades de se relacionar, ela recorre aos livros e dicionários e, após ler a definição da palavra “desfecho”, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam.  E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores; confuso, mas belo.

Se você pretende ler esse livro, seria interessante procurar saber um pouco mais sobre Síndrome de Asperger. Foi exatamente o que fiz! Trata-se de um transtorno neurobiológico que é enquadrado como uma parte do autismo leve. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, e variam também de intensidade e gravidade. Os sinais mais comuns incluem: introspeção e problemas com habilidades sociais: crianças com Síndrome de Asperger geralmente têm dificuldade para interagir com outras pessoas e muitas vezes comportam-se de forma estranha em situações sociais (exatamente o caso da protagonista do livro); comportamentos egocêntricos; práticas incomuns; dificuldade de comunicação; além de habilidades e talentos extraordinários.

Caitlin apresenta todas essas características, muito bem pontuadas pela autora. O livro é emocionante por mostrar o dia a dia dessa menina inteligente, que estuda em uma escola pública despreparada para sua condição, e vivendo em um meio familiar emocionalmente abalado.

Esse livro é muito mais do que uma história triste sobre morte e superação. “Passarinha” é doloroso ao trazer lições de vida de uma forma poética. A narrativa, em primeira pessoa, mostra a visão de uma criança especial, seu modo de ver o mundo em preto e branco e sua jornada em busca de amigos, aceitação e o tão buscado “desfecho”. Eu me apaixonei pelo livro desde o início e foi uma leitura muito fluída.

Em resumo, “Passarinha” é um livro lindo e que merece ser lido. Um livro HUMANO. Uma verdadeira lição sobre luto, superação, amizade e empatia.

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#Séries | Atypical

Oi gente,
Hoje tenho uma dica de série bem bacana – “Atypical” é a nova produção da Netflix, que mistura drama e comédia ao contar a história de Sam (Keir Gilchrist, de “United States of Tara”), um jovem autista de 18 anos que está em busca de sua própria independência, tentando arrumar uma namorada. Nesta jornada, repleta de desafios, mas que rende algumas risadas, ele e sua família aprendem a lidar com as dificuldades da vida e descobrem que o significado de “ser uma pessoa normal” não é tão óbvio assim.

E o mais legal da produção é que ela não foca totalmente no drama de Sam, mas sim na história da família toda – a mãe Elsa (Jennifer Jason Leigh, indicada ao Oscar por “Os Oito Odiados”), que é super protetora e passa por problemas no casamento, o que a leva a ter um caso extraconjugal com Nick (Raul Castillo, de “Gotham”); o pai Doug (Michael Rapaport, de “Boston Public” e “Prison Break”), que não possui muitas coisas em comum com o filho, mas tenta se aproximar dele e entende-lo; a irmã Casey (a estreante Brigette Lundy-Paine), que sempre viveu à sombra do irmão e agora está conseguindo suas próprias conquistas ao lado do namorado Evan (Graham Rogers); e por fim, a terapeuta Julia (Amy Okuda), que também tem um papel muito importante no desenvolvimento de Sam.

Eu simplesmente adorei “Atypical” porque consegue juntar o drama e a comédia, sem ser clichê ou muito didático. E não tem como não gostar do protagonista Sam – devido ao autismo, ele é muito direto, fala tudo o que pensa sem ter um “filtro” e também tem dificuldades para se socializar, tanto que a típica e já batida história de namoro adolescente ganha uma outra visão mais humana.

E para mim, o grande destaque no elenco, além do ator Keir Gilchrist, é a jovem Brigette Lundy-Paine, que faz a irmã Casey – é seu primeiro papel e ela simplesmente arrasa! Quando os dois irmãos estão juntos, é melhor ainda. A personagem também traz uma história carregada – ela é a mais nova, porém nunca teve atenção dos pais, já que os cuidados eram voltados sempre para o Sam, além disso ela tem um jeito mais masculino e precisa se esforçar ao máximo para ser notada, tanto que a válvula de escape dela é o atletismo – ela se esforça tanto que consegue uma bolsa numa das melhores escolas e ainda assim não tem todo o reconhecimento por parte dos pais. E, se não bastasse tudo isso, é ela quem descobre que a mãe tem um amante. Sério mesmo, Brigette Lundy-Paine é uma grande revelação.

A direção e produção da série (a cargo de Robia Rashid, de “How I Met Your Mother”) também é ótima – tem várias cenas em plano fechado, principalmente quando mostra o Sam – tem muito jogo de luz e som para que o espectador possa ver e sentir o que o protagonista está passando. E tem uma cena (não quero dar muitos SPOILERS), mas é uma cena incrível quando o Sam tem um “surto” no ônibus – é para chorar litros! E a trilha sonora também é sensacional.

Com 8 episódios que não perdem tempo e vão direto ao ponto – ou seja, dá para fazer aquela maratona básica – “Atypical” emociona sem ser melodramático, faz rir sem precisar fazer piadas forçadas e ainda traz um tema importante a ser ampliado na sociedade. Vale muito a pena conferir.