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#Livro | Quatro Estações em Roma

Anthony Doerr recebeu muitos prêmios ao longo da carreira, entre eles o Rome Prize, uma das mais importantes premiações da Academia Americana de Artes e Letras, que inclui ajuda de custo, um apartamento e um estúdio para escrever na Itália. “Quatro Estações em Roma” nasceu das memórias dos doze meses que o autor passou na cidade, em meio aos cuidados com os filhos bebês, uma insônia constante e o misto de deslumbramento e estranheza de um estrangeiro no dia a dia da capital italiana.

Autor: Anthony Doerr
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 240
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva | Fnac

“Como sempre acontece quando se está longe de casa, são os detalhes que nos fazem sentir deslocados”. Assim Anthony Doerr, autor do premiado “Toda luz que não podemos ver”, descreve a sensação de se mudar inesperadamente do interior dos Estados Unidos para Roma, com os filhos e a esposa. Doerr passou um ano na capital italiana após receber um prêmio da Academia Americana de Artes e Letras, que incluía ajuda de custo, um apartamento e um estúdio para escrever na Itália. As recordações desse período estão em “Quatro estações em Roma”.

O estranhamento de Doerr com o novo país começa logo na chegada: a cozinha do apartamento não tem forno. As janelas não têm telas. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, as verduras e frutas são vendidas em feiras ao ar livre, e não em um supermercado. Para Doerr, Roma é um mistério: um outdoor de uma marca de roupas tremulando na fachada de uma igreja de quatrocentos anos, uma construção comum ao lado de uma obra-prima da arquitetura. Em meio a tudo isso, ele cuida dos filhos, lida com uma insônia que parece não ceder e tenta, sem muito sucesso, escrever um novo romance — “Toda luz que não podemos ver”, lançado sete anos mais tarde e que acabaria rendendo ao autor o Pulitzer de ficção.

O livro é dividido em quatro partes correspondentes às quatro estações do ano, cada uma tendo relatos de diversas situações vividas pela família. Quando comprei o livro achei que fosse ser mais para o lado do romance, mas era em estilo de memórias – o que me surpreendeu. É muito interessante saber como os escritores pensam durante o processo de criação de um livro ou projeto. Achei a premissa super bacana. Inclusive a escrita de Anthony Doerr também é ótima – ele consegue descrever com perfeição as suas lembranças, tanto que conseguimos visualizar tudo! Mas… sempre tem um “porém”. Em vários momentos eu ficava com raiva do autor. Imagina você ser convidado para passar um ano em Roma – uma cidade lindíssima, berço da arquitetura, da arte e da moda. E na maior parte do livro, o autor só reclama… Se eu fosse convidado para morar na Itália, eu ia amar conhecer as igrejas, praças, as obras de Michelangelo, Rafael, Benini, entre tantos outros artistas. Tudo bem que sair de sua terra natal para morar em um país com outros costumes e tradições pode ser bem estranho, mas em muitos momentos temos a impressão de que ele está lá por obrigação, como se fosse forçado a isso, e não por vontade própria.

Mas isso é o que faz “Quatro Estações em Roma” ser um livro verdadeiro. Ninguém tem a obrigação de gostar dessa situação ou conseguir se adaptar à momentos controversos com facilidade. E isso faz com que, em muitas passagens, nós leitores tenhamos a sensação de proximidade com o escritor, como se fossemos amigos dele e estivéssemos escutando um desabafo.

Além disso, Anthony Doerr esteve na Itália quando ocorreram diversas coisas como a morte do papa João Paulo II. Com certeza, a descrição dessa passagem é a melhor parte do livro. Outros destaques são os pequenos relatos diários, pequenos pensamentos e reflexões que o autor decide compartilhar, geralmente envolvendo os filhos gêmeos – como por exemplo, os seus primeiros passos, primeiras palavras e os passeios por alguns pontos turísticos.