#Filmes | Me Chame pelo seu Nome

Oi gente!
Bora conferir mais uma dica de filme indicado ao Oscar 2018 – hoje vou falar de “Me Chame pelo seu Nome”, do diretor italiano Luca Guadagnino e baseado no livro do escritor André Aciman.

A casa onde o jovem Elio (Timothée Chalamet) passa os verões é um verdadeiro paraíso no norte da Itália – parada certa para amigos, vizinhos, artistas e intelectuais de todos os lugares. Filho de um importante professor universitário, o menino está bastante acostumado à rotina de, a cada verão, hospedar por seis semanas um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com os estudos.

E neste verão surge Oliver (Armie Hammer). Elio, no auge de sua puberdade, se encanta pelo americano de vinte e quatro anos, espontâneo e atraente, que aproveita a temporada para trabalhar em seu manuscrito sobre Heráclito e, sobretudo, desfrutar do verão mediterrâneo. Da antipatia, que parece atravessar o convívio inicial, surge uma paixão que só aumenta. Elio quer estar perto e decide acompanhar Oliver a cada visita ao vilarejo, durante os banhos de rio e está ao seu lado na hora das refeições. Tem ciúmes, tem inveja, tem desejo. O filme retrata o descobrimento sexual de Elio. Uma experiência inesquecível, que o marcará para o resto da vida.

“Me Chame pelo seu Nome” é um filme super sensível, com uma narrativa bem interessante, um roteiro bem desenvolvido e uma adaptação fiel, que nos emociona. No elenco, o grande destaque é o jovem ator Timothée Chalamet – que nos entrega um Elio cheio de nuances e paixões. Um ótimo trabalho do ator de apenas 22 anos, que recebeu sua primeira indicação ao Oscar. Já Armie Harmer não é um grande ator, mas está bem no papel de sedutor. Completam o elenco Michael Stuhlbarg, Amira Casar e Esther Garrel.

A produção do filme é impecável – o diretor Luca Guadagnino nos traz ótimos ângulos, com planos sequência bem desenvolvidos. A construção e evolução dos personagens são super interessantes, pois eles nos fazem conhecer cada um aos poucos e isso faz com que a identificação fique ainda maior. O design de produção traz uma qualidade técnica da imagem, que realmente nos transporta para os anos 80. O figurino, fotografia e trilha sonora instrumental são outros destaques a parte – me fez lembrar os grandes filmes do cinema italiano. Ahh, e outro detalhe super bacana! O filme tem a produção de um brasileiro – Rodrigo Teixeira.

Outra coisa que eu preciso falar – tem uma cena ao final do filme – gente, que cena!! Timothée Chalamet e Michael Stuhlbarg simplesmente arrasam em um diálogo entre pai e filho sobre o amor. Sério, não tem como não se emocionar!

“Me Chame pelo seu Nome” fala sobre aprendizado, descobertas e amor – e tudo isso de uma forma diferente. Um filme de grande beleza, tocante, inteligente e sem apelações.  No Oscar 2018, concorre em quatro categorias: melhor filme, melhor ator (Timothée Chalamet), melhor roteiro adaptado e melhor canção original (Mystery of Love) – acredito que deve ganhar a estatueta de roteiro adaptado (e será super merecido)!

Lembrando que já tem resenha de outros filmes que também concorrem no Oscar – “Dunkirk” (AQUI), “Corra!” (AQUI), “Lady Bird” (AQUI), “Eu, Tonya” (AQUI), “Trama Fantasma” (AQUI) e “The Post” (AQUI), “O Destino de uma Nação” (AQUI)

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#Filmes | O Destino de uma Nação

Oi gente!
Hoje é dia de falar de “O Destino de uma Nação” – mais um filme que concorre ao Oscar 2018. A produção retrata os primeiros dias de Winston Churchill (Gary Oldman) como primeiro-ministro da Grã-Bretanha, onde ele teve que tomar a difícil decisão de aceitar um suspeito acordo de paz com o ditador Hilter ou confrontá-lo, o que ocasionaria a retirada dos soldados ingleses da batalha de Dunquerque.

Inclusive, “O Destino de uma Nação” tem, em sua história, uma passagem parecida com outro filme que concorre ao Oscar – “Dunkirk” (tem resenha dele AQUI) – durante a 2ª Guerra Mundial, soldados ingleses e franceses ficaram presos na praia de Dunquerque e somente um homem foi capaz de conseguir ajuda-los – Winston Churchill.

Acho que nem preciso dizer que a interpretação de Gary Oldman como Churchill é incrível, simplesmente impecável e, com certeza, mais que merecedora de um Oscar (o ator já venceu o Globo de Ouro, Critics e o SAG por este papel). E particularmente, é tão difícil imaginar Gary Oldman como o primeiro ministro britânico!! Como todos sabem, sou mega fã de Harry Potter, e no caso, o ator interpretou o personagem Sirius Black na saga, além de ter feito outras franquias como Planeta dos Macacos e Batman (do Nolan – diretor de Dunkirk). No momento em que vi sua caracterização, é simplesmente impossível dizer que é ele!! E por isso, o filme merece todos os elogios com relação à maquiagem.

Além disso, o design de produção é impecável – fazendo um trabalho de recriação de época formidável. A produção também é ótima – iluminação e som bons, porém o ponto negativo é o roteiro, que não foi bem desenvolvido, o que deixou o filme bem cansativo.

Neste ano, “O Destino de uma Nação” concorre a seis Oscars – melhor filme, melhor ator (Gary Oldman), melhor fotografia, melhor figurino, melhor maquiagem e cabelo, e melhor design de produção. Na minha opinião, a vitória de Gary Oldman é praticamente certa – aqui vale uma curiosidade, personalidades inglesas sempre rendem Oscars – foi o caso de Meryl Streep (como Margareth Thatcher em “A Dama de Ferro”, Helen Mirren (como Elizabeth II em “A Rainha”) e Colin Firth (como rei George VI em “O Discurso do Rei”). Aposto também nas categorias de melhor maquiagem e cabelo e (talvez) design de produção.

Vale conferir outras resenhas de filmes que concorrem ao Oscar – “Corra!” (AQUI), “Lady Bird” (AQUI), “Eu, Tonya” (AQUI), “Trama Fantasma” (AQUI) e “The Post” (AQUI).

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#Filmes | The Post – A Guerra Secreta

Oi gente!
Hoje tem resenha de “The Post – A Guerra Secreta”, novo filme do diretor Steven Spielberg, com Meryl Streep e Tom Hanks e que concorre ao Oscar 2018.

A história gira em torno de Kat Graham (Meryl Streep), a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa.

“The Post – A Guerra Secreta”, para mim, é o filme mais injustiçado deste ano. Eu simplesmente adorei – e ele concorre apenas em duas categorias do Oscar 2018: melhor filme e melhor atriz para Meryl Streep em sua 21ª indicação – sendo a atriz que mais concorreu na história da premiação, tendo levado a estatueta três vezes – por “Kramer vs Kramer” (1980 – como atriz coadjuvante), “A Escolha de Sofia” (1983) e “A Dama de Ferro” (2012). Acho que valia indicações nas categorias de melhor direção, melhor ator para Tom Hanks e até melhor roteiro.

Mas enfim, vou falar um pouquinho do filme, e para isso, preciso trazer alguns dados da história americana. “The Post” se passa no início da década de 70 quando os jornais The New York Times e o The Washington Post divulgaram os “Pentagon Papers” – Papéis do Pentágono – um amplo estudo mostrando como os governos Eisenhower, Kennedy, Johnson e Nixon haviam ludibriado a opinião pública para justificar o envolvimento cada vez mais acentuado dos EUA no Vietnã, que inclusive não teve “final feliz” para os americanos.

Os documentos incriminariam Robert McNamara, grande amigo de Kat Graham, e que foi Secretário de Defesa durante os governos Kennedy e Johnson. Inclusive, Kat tinha herdado o jornal do marido e, arriscou o futuro do seu Washington Post, ao decidir publicar os documentos proibidos. Depois disto o jornal passou a ter o mesmo patamar do New York Times. A revelação dos Pentagon Papers levou também, logo a seguir, ao caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon.

Com relação ao filme – ele tem o mesmo estilo de “Spotlight: Segredos Revelados”, que venceu o Oscar em 2016, inclusive ambos têm o mesmo roteirista Josh Singer, em parceria com a estreante Liz Hannah. O roteiro é ótimo, discutindo diversos assuntos importantes como a liberdade de imprensa, o poder da verdade, o empoderamento feminino, o comercial em conflito com o editorial de uma redação, além dos bastidores da investigação jornalística – tudo isso sem ser cansativo.


Kat Graham e Ben Bradleey

A direção de Spielberg é sempre impecável. Ótima trilha sonora, fotografia e edição. Além de contar com a brilhante interpretação de Streep e Hanks tem também Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Matthew Rhys no elenco. Acredito que não irá vencer nada no Oscar, mas adoraria se surpreendesse, que nem aconteceu com Spotlight.

#Filmes | Trama Fantasma

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2018 – hoje vou falar de “Trama Fantasma”, nova produção do diretor Paul Thomas Anderson e com Daniel Day Lewis no elenco. Lembrando que já falei de “Dunkirk” (AQUI), “Corra!” (AQUI), “Lady Bird” (AQUI) e “Eu, Tonya” (AQUI).

A maioria dos críticos aprovaram “Trama Fantasma”, mas eu não curti. Ainda assim, têm algumas coisas a serem elogiadas. A história se passa na década de 1950 – Reynolds Woodcock (Day-Lewis) é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril (Lesley Manville), para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que, constantemente, entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma (Vicky Krieps), que vira sua musa e amante.

Na minha opinião a história não fluiu, não me prendeu e nem chamou atenção. Parece que falta algo que dê liga na narrativa. Já os personagens, apesar de não fazerem com que torçamos por eles, possuem uma ótima interpretação de seus atores. Woodcock é egocêntrico; Cyril tem sua vida totalmente voltada para o irmão; e Alma, que parece ser apenas uma jovem doce e ingênua, esconde uma personalidade quase psicopata.

Daniel Day Lewis – que anunciou sua aposentadoria após esse filme – está bem, em um personagem difícil. O ator é recordista no Oscar – já ganhou três estatuetas pelos filmes “Meu Pé Esquerdo”, “Sangue Negro” e “Lincoln” – e concorre mais uma vez na categoria.

Mas quem realmente se destaca é Vicky Krieps. Alma é uma personagem não linear, com várias nuances de humor e o principal motivo para vermos o filme até o final. No meio do longa, há um plot twist (virada) que nos prende atenção e desperta a curiosidade para saber o que acontecerá. Já Lesley Manville, que concorre como melhor atriz coadjuvante, recebendo sua primeira indicação – também tem certo destaque.

Vale elogiar a produção – o filme tem ótimos cenários, com ambientes luxuosos, iluminação impecável, planos sequenciais e diálogos longos, ótima fotografia e uma trilha sonora instrumental ambientando a década de 50. E o que não poderia faltar – o figurino também está incrível, afinal trata-se de um filme sobre o mundo da moda – as roupas tinham que ser caprichadas mesmo.

Mas mesmo com todos esses elogios, a história não me conquistou. Foi difícil assisti-lo inteiro – em vários momentos pensei em parar de ver. Uma pena, pois a parceria Paul Thomas Anderson e Daniel Day Lewis sempre rende algo bom, neh?!

No Oscar 2018, “Trama Fantasma” está indicada em seis categorias – melhor filme, direção (Paul Thomas Anderson), ator (Daniel Day Lewis), atriz coadjuvante (Lesley Manville), figurino e trilha sonora original. Pode até ter chance na categoria de figurino, mas concorre com outros filmes fortes como “O Destino de uma Nação”, “Victoria e Abdul” e até “A Bela e a Fera”. No Brasil, o longa entra em cartaz nos cinemas no dia 22 de fevereiro.

#Filmes | Eu, Tonya

Oi gente!
Hoje tem resenha de “Eu, Tonya”, filme do diretor australiano Craig Gillespie, que concorre em três categorias do Oscar 2018 – melhor atriz (Margot Robbie), melhor atriz coadjuvante (Allison Janney) e melhor montagem.

O filme conta a história da patinadora Tonya Harding – uma promessa do esporte estadunidense. De origem pobre, ela se destacou em uma modalidade elitista, que tem a “aparência” como um pilar:  a patinação artística no gelo. Apesar do inegável talento, ela viu seu nome envolvido em um crime. Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994, sua principal concorrente Nancy Kerrigan foi brutalmente atacada. Tonya, o ex-marido, Jeff Gillooly, e o segurança pessoal dela, Shawn, foram responsabilizados judicialmente pelo atentado. O longa retrata a vida da atleta desde a sua infância (quando é interpretada pela talentosa Mckenna Grace), mostrando o abandono do pai e os maus tratos e humilhações da mãe LaVona (Allison Janney) até o relacionamento abusivo com Jeff Gillooly (Sebastian Stan).

O grande destaque – pelo menos no início do filme – é a atriz Allison Janney. Ela está simplesmente espetacular e super cotada para levar o Oscar de Atriz Coadjuvante, inclusive já levou o Globo de Ouro, Critics e o SAG. A atriz Margot Robbie também nos entrega uma ótima interpretação de uma personagem que não era nada carismática e apresentava muitas nuances.

O roteiro é bem desenvolvido, com tiradas irônicas, um elenco carismático e uma trilha sonora animada pelo melhor dos anos 80 e 90. O diretor utiliza de momentos cômicos, que dão um alívio à história, além de inserir cenas em que os personagens estão em uma entrevista – trazendo mais humanidade. Em vários momentos, os atores viram para a câmera e começam a conversar com o espectador – outra sacada genial. Por outro lado, uma única coisa acaba afetando todo o filme – a péssima maquiagem – principalmente nas cenas em que Margot faz a fase jovem de Tonya.

Enfim, “Eu, Tonya” é uma biografia criativa e diferente da maioria; misturando suspense, investigação policial, drama e comédia, e investindo num dos assuntos que estão em alta – o empoderamento feminino. O mais interessante é que o filme não tenta provar se Tonya é culpada ou não, mas mostra que o público sempre está em busca de alguém para amar. Ou odiar.

#Filmes | Lady Bird – A Hora de Voar

Oi gente!
Aproveitando o Carnaval, vou trazer mais uma dica de filme que concorre ao Oscar 2018 – hoje vou falar de “Lady Bird – A Hora de Voar”, dirigido e escrito por Greta Gerwing. Lembrando que vou falar de todos os filmes que concorrem na principal premiação do cinema mundial – inclusive já trouxe críticas de “Dunkirk” (AQUI) e “Corra!” (AQUI).

Então vamos lá! “Lady Bird” é aquele tipo de filme que você assiste com um sorriso no rosto do início ao fim. Trata-se de uma “dramédia” – mistura bem feita de drama com comédia. Auto-rebatizada “Lady Bird”, Christine McPherson (Saoirse Ronan) é uma típica garota comum de 17 anos. Estudante de uma escola católica na cidade de Sacramento, nos Estados Unidos, ela não é nada popular. E, em casa, vive às turras com a mãe Marion (Laura Metcalf), controladora, que cumpre uma dupla jornada de trabalho para compensar o desemprego do pai Larry (Tracy Letts), a quem a menina idolatra. O filme se passa em 2002, período de dificuldades para a economia do país. O que Lady Bird mais quer é fazer faculdade em Nova York – longe de Sacramento, e consequentemente, longe da mãe. Enquanto sua hora não chega, ela se divide entre as obrigações estudantis, o primeiro namoro, a primeira desilusão amorosa – típicos rituais de passagem para a vida adulta.

O filme tem um roteiro perfeito, desenvolvido pela diretora Greta Gerwing – em sua estreia atrás das câmeras (para quem não lembra ela fez Frances no filme Frances Ha, além de atuar em outros longas como “Hannah sobre as Escadas”, “Mistress America” e “Jackie”). E uma curiosidade – Greta é de Sacramento e o filme pode até ser uma “autobiografia”.

O elenco também está ótimo – a irlandesa Saoirse Ronan entrega uma protagonista cheia de sentimentos, com muita variação de humor – um papel bem sensível! Não é à toa que Lady Bird lhe trouxe sua terceira indicação ao Oscar. Com apenas 23 anos, ela já foi indicada por “Desejo e Reparação” (2007) e “Brooklyn” (2016). Quem também está incrível em cena é Laura Metclaf (para quem não lembra dela, é a mãe do Sheldon em “The Big Bang Theory”). A veterana concorre na categoria de melhor atriz coadjuvante e tem chances de vencer, mas concorre com a também incrível Alison Jenney (Eu, Tonya) – que tem levado todas as premiações. Inclusive, a primeira cena do filme, onde traz um diálogo entre mãe e filha (fiquem tranquilos, não vou dar SPOILERS) vale por tudo, é sensacional e transmite todos os sentimentos que serão debatidos ao longo do filme. Sério, QUE CENA! Ainda no elenco, destaque para os atores jovens – Lucas Hedges (que concorreu ao Oscar no ano passado com “Manchester a Beira Mar”), Timothée Chalamet (que concorre neste ano na categoria de melhor ator por “Me Chame pelo seu Nome”) e Beanie Feldsstein.

“Lady Bird: A Hora de Voar” pode até não trazer uma história original e apostar bastante nos clichês, mas consegue ter força pela linda união das partes, com um elenco super afiado, atuações impecáveis, cenas bem dirigidas, com planos longos e diálogos do dia a dia. O filme concorre nas categorias de “melhor filme”, “melhor direção” para Greta Gerwing (esta é a 5ª vez que uma mulher é indicada nesta categoria em TODA a história do Oscar, “melhor atriz” para Saoirse Ronan, “melhor atriz coadjuvante” para Laura Metcalf e “melhor roteiro original”.

Eaí, já assistiram “Lady Bird – A Hora de Voar”? O que acharam? Tem alguma chance no Oscar?

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#Filmes | Corra!

Oi gente!
Bora falar do segundo filme que concorre neste ano ao Oscar 2018“Corra!”, do diretor Jordan Peele. Até a cerimônia no dia 04 de março, vou trazer as minhas críticas aos longas indicados, inclusive já falei de “Dunkirk” – AQUI.

Em “Corra!”, a trama gira em torno de um casal interracial formado por Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams). Ele é um jovem negro; ela uma garota branca de uma família tradicional. Os dois aproveitam um final de semana para viajar ao interior para que o moço seja apresentado à família dela. Chegando lá, Chris é aparentemente bem recebido, mas há a constante sensação de estranhamento no ar, aumentada com o fato dos empregados da casa serem todos negros e, pelo visto, bastante reprimidos. Rose também se incomoda com a situação, mas o casal permanece lá no final de semana, que terá uma festa da família dela. Mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito perturbador.

Para mim foi uma grande surpresa “Corra!” estar concorrendo, pois é um filme bem diferenciado e não faz muito o estilo do Oscar. Mas é um longa bem interessante, com uma proposta original e que foi muito elogiado pela crítica.

Com um elenco sem grandes nomes, os rostos mais familiares são Allison Williams (a Marnie da série Girls) em sua estreia no cinema, Catherine Keener (de O Virgem de 40 Anos) e Bradley Whitford (da série política The West Wing). O protagonista Chris é vivido pelo inglês Daniel Kaluuya (o Posh Kenneth de Skins), em seu primeiro papel de destaque. Mas quem rouba a cena mesmo é o comediante LilRel Howery, que vive o melhor amigo de Chris e garante alguns dos momentos mais divertidos do filme.

Na parte técnica, “Corra!” também vai bem. Jordan Peele traz uma direção segura, com ótimas cenas, aquele clima de suspense, mas ao mesmo tempo torna-se engraçado pelos toques de comédia. Algumas cenas contam com efeitos especiais que também não comprometem a produção. A única ressalva que faço é o final, que apesar de ser surpreendente, foi um pouco over e forçado. Mas não tira o brilho do filme.

No Oscar, “Corra!” concorre nas categorias de melhor filme, direção (Jordan Peele), ator (Daniel Kaluuya) e roteiro original. Não acredito que vá levar alguma coisa para casa.

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Filmes | Dunkirk

Oi gente!
Finalmente saiu a lista dos filmes indicados ao Oscar 2018 e, assim como fiz ano passado, vou compartilhar com vocês as minhas críticas dos longas que concorrem este ano – inclusive, vou postá-los antes da cerimônia de premiação, que neste ano é no dia 04 de março, e também darei as minhas considerações se merecem ou não receber algum destaque no evento mais importante do cinema mundial.

O primeiro filme que trago a vocês é Dunkirk, dirigido pelo Christopher Nolan, e que já estreou nos cinemas há um tempinho. E me perdoem, mas com relação à este longa, eu vou ficar em cima do muro – porque eu gostei de algumas coisas e não gostei de outras.

A trama conta a história da Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, onde soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser resgatados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial. A história acompanha três momentos distintos: uma hora de confronto no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) precisa destruir um avião inimigo, um dia inteiro em alto mar, onde o civil britânico Dawson (Mark Rylance) leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, e uma semana na praia, onde o jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead) busca escapar a qualquer preço.

Para mim, o grande destaque é o diretor Nolan, que também é o produtor e roteirista. Confesso que a trilogia do Batman feita pelo Nolan é a melhor ever! (se não for pra vocês, por favor não me xinguem haha) Gosto bastante porque ele sempre imprime um estilo diferente ao conduzir a história e produzir seus filmes. Com Dunkirk não foi diferente.

Filmado em formato antigo do 70mm, o filme é super caprichado! Com cenas longas, intercalando silêncios e sons da guerra e explosões, uma trilha sonora com violinos, sons tensos e ruídos que nos fazem imergir na história. As câmeras sempre próximas aos atores, o que faz parecer que estamos junto às cenas, além de uma fotografia impecável remetendo à filmes antigos. Além disso, Nolan inova na condução da história – fugindo dos clichês de filmes de guerra que trazem um personagem principal, que sofre, mas se torna um grande herói no final. Em Dunkirk não temos protagonistas – e este talvez seja o principal erro da história e a causa do filme não ter ninguém do elenco indicado nas categorias de atuação.


Não vou negar que a proposta é interessante, porém demora um pouco para nos interessarmos pela história. O elenco não traz grandes nomes do cinema – temos Tom Hardy (mas alguns podem até não reconhecê-lo, já que ele é o aviador e fica o filme inteiro sem mostrar o rosto). Já o elenco jovem – Fionn Whitehead e o cantor Harry Styles – se mostra bem em cena. Destaque também aos veteranos Kenneth Branagh e Mark Rylance. E outra coisa que fiquei bem chateado – o diretor traz uma proposta super criativa e moderna, mas nos entrega um final convencional, com tudo explicadinho nos detalhes.

Enfim, Dunkirk é uma produção caprichada na parte técnica, com falhas na parte estrutural. No Oscar, concorre em 8 categorias – filme, direção, fotografia, mixagem de som, edição de som, design de produção, montagem e trilha sonora original – e pode surpreender, já que concorre (na maior parte) nas categorias técnicas e tem grandes chances de vencê-las, principalmente nas áreas de som e fotografia.

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#Séries | Dark

Oi gente!
Hoje tem uma dica mega bacana de série! “Dark” é uma produção alemã da Netflix e traz uma história envolvente de suspense e investigação. E olha que foi uma agradável surpresa, pois sempre nos atemos às séries americanas – de vez em quando uma britânica – mas nunca havia visto nenhuma série alemã, então não dava nada por ela, mas se surpreendi.

Além disso, muitos falavam que era a nova Stranger Things – que nós amamos, inclusive tem resenha da 2ª temporada AQUI. Mas a única coisa em comum é o fato de ter desaparecimento de crianças e um clima mais sombrio. De resto, não tem nada a ver com ST, que traz um lado mais cult pop, e Dark explora conflitos da ciência com relação à viagem no tempo.

A história se passa em três períodos – 1953, 1986 e 2019 (curiosamente 33 anos separando cada época). A cidade de Winden gira em torno de uma enorme usina nuclear e é cercada por quilômetros de florestas. Por ser tão isolada e restrita, Winden é o tipo de lugar onde todas as pessoas se conhecem, famílias perduram por gerações e segredos se perpetuam ao longo do tempo.

O espectador é apresentado a personagens com alto grau de dramaticidade como o jovem Jonas Kahnwald (Louis Hofmann), que carrega a angústia de não entender o suicídio do pai; ou sua mãe Hannah, (Maja Schöne) que vive um caso proibido com Ulrich Nielsen (Oliver Masucci), homem que entra em uma jornada atrás do filho desaparecido Mikkel (Daan Lennard Liebrenz). Paralelamente, vemos os mesmos personagens em outros anos e conhecemos Noah, um padre que está tentando construir uma máquina do tempo. Conforme a história vai avançando, a trama evolui e somos introduzidos a uma dinâmica onde passado, presente e futuro coexistem de forma não necessariamente linear. E gente, vou parar por aqui senão acabo dando SPOILERS.

Vou falar então da parte técnica. Inclusive vou dar um conselho – não maratonem Dark. SÉRIO! Ela é uma série bem complexa – em vários momentos eu tive que voltar para tentar entender. Além disso, ela é bem tensa, então não vale a pena maratonar. Assista com calma!!

Como ponto positivo destaco a fotografia – que está incrível, com aquele clima escuro, e cores fracas e fortes contrastando, iluminação sombria, o que traz ainda mais tensão. Os planos também são caprichados, têm vários planos sequências, com cenas longas e diálogos que intrigam. A trilha sonora também está perfeita. Cada episódio foi bem dirigido e produzido, sempre tendo um gancho no final, que nos deixa com aquela vontade de saber o que vai acontecer. O elenco também está muito bem, com destaque para Louis Hofmann (Jonas), Karoline Eichhorn (Charlotte Doppler), Mark Waschke (como o “vilão” Noah) e o pequeno Daan Lennard Liebrenz (Mikkel). Já um ponto negativo que destaco é que a primeira temporada trouxe vários mistérios não resolvidos – talvez alguns desses até nos ajudariam a entender mais a trama. Possivelmente, essas pendências deverão ser resolvidas ou explicadas na segunda temporada.

Sem qualquer exagero, Dark já pode ser considerada uma das melhores séries do ano, que entretêm e instiga os espectador a pensar em diversas teorias, trazendo uma trama inteligente de ficção científica, com um ótimo elenco. O resultado final não poderia ser mais satisfatório.

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#Livros | Tartarugas até lá Embaixo


A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.

Autora: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Skoob
Onde Comprar: Americanas | Submarino | Saraiva | Fnac

Oi gente,
Hoje tem dica de leitura! Depois de seis anos de espera, o fenômeno John Green lançou o livro “Tartarugas até lá Embaixo”. Eu estava mega ansioso para ler esse novo livro, tanto que comprei o livro no fim do ano e li em apenas uma semana. Depois de sofrermos com Hazel Grace em A Culpa é das Estrelas e nos apaixonarmos por Alasca Young (Quem é Você, Alasca?), Lindsey Lee Wells (O Teorema de Katherine) e Margo Roth Spiegelman (Cidades de Papel), chegou a vez de nos emocionarmos com Aza Holmes.

Ela é uma estudante de 16 anos que, junto com a melhor amiga Daisy, sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro. Paralelamente, ela precisa lidar com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). O TOC é um transtorno mental que se caracteriza pela presença de diversas obsessões, que são pensamentos ou imagens indesejáveis que tomam conta da mente do individuo o obrigando a realizar diversos tipos de rituais com a intenção de afastar essas possíveis ameaças, causando muita ansiedade.

O tema foi muito bem trabalhado pelo autor. Em diversas passagens fiquei agoniado com os pensamentos e sentimentos da protagonista. E o mais interessante é que John Green também tem TOC, portanto a história é um pouco biográfica. Mas aí você deve estar pensando que a história de doença vai deixar o livro mais pesado. Para amenizar, John Green trouxe um envolvente mistério: o sumiço do bilionário Russell Pickett, pai de Davis – um amigo e paquera antigo de Aza. O reencontro dos dois foi bem bacana e o desenvolvimento do romance foi ainda melhor.

Mas uma das personagens mais divertidas é Daisy. Ela escreve fanfics sobre Star Wars e é conhecidíssima na internet. Daisy e Aza se completam e a amizade das duas, apesar de passar por altos e baixos, é a parte mais legal do livro.

Na parte gráfica, a edição da Intrínseca está perfeita. Eu adorei a capa – achei bem bonita com o tom alaranjado. Os capítulos são pequenos, então a leitura acaba fluindo bem. Quando você vê já está no meio do livro! Pelo menos comigo foi assim! E como os outros livros de John Green, “Tartarugas até lá Embaixo” também é cheio de referências culturais e reflexões da vida.

Trata-se de um livro emocionante, muito bem escrito, com personagens que nos fazem torcer a cada capítulo, uma história arrebatadora, com um final emocionante.

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