#Filme | Infiltrado na Klan

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Infiltrado na Klan”, do diretor americano Spike Lee. O longa concorre em seis categorias – melhor filme, melhor diretor, ator coadjuvante (Adam Driver), roteiro adaptado, trilha sonora e edição. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI) e “A Esposa” (AQUI)

O filme conta a história real de Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro do Colorado, que em 1978, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas. Quando precisava estar fisicamente presente enviava seu colega policial branco Flip (Adam Driver). Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

O filme é inspirado na estética Blaxploitation, movimento cinematográfico da década de 1970 protagonizado por cineastas e atores negros, cujas produções, com uma forte temática racial, davam vazão à criatividade de artistas que não tinham o mesmo espaço na indústria cinematográfica tradicional, ocupada quase que exclusivamente por homens brancos. A fotografia, o estilo e o humor são referências diretas ao gênero, que ganha homenagens inclusive no cartaz da produção.

“Infiltrado na Klan” é um filme engraçado por boa parte do tempo, apesar de sempre tratar com seriedade sobre o tema central – o racismo (seja da comunidade negra e até mesmo de judeus).  O elenco é um destaque a parte – John David Washington tem um bom desempenho, assim como Adam Driver (talvez receba os melhores elogios), através de um personagem quase sem expressão, mas que ao mesmo tempo passa toda a verdade de uma luta. Ainda completam o casting Topher Grace (de “The 70’s Show”), Laura Harrier (de “Homem Aranha – de Volta ao Lar”), Ryan Eggold (de “New Amsterdan”) e Jasper Pääkkönen (de “Vikings”).

A direção de Spike Lee – indicado ao Oscar pela primeira vez – é digna de se elogiar também. Ele é ácido, preciso e capaz de criar uma mescla de suspense policial dramático, que te arranca risadas ao mesmo tempo que abala emocionalmente. A fotografia e trilha sonora inspirada nos anos 70 e 80 contribuem para o ótimo trabalho realizado.

“Infiltrado na Klan” é um bom filme, mas não é um dos melhores da lista. Provavelmente não terá grande expressão no Oscar, apesar de merecer mais reconhecimento. O final do longa é super bom, o que faz com que tenhamos a sensação de que é uma produção extremamente maravilhosa, mas não, apresenta alguns erros. O filme é um confronto furioso e engraçado de um tema que continua sendo muito atual.

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#Filme | A Esposa

Oi gente!
Continuando os posts dos filmes que concorrem ao Oscar, hoje vou falar de “A Esposa”, longa que rendeu indicação à Glenn Close na categoria de melhor atriz – inclusive ela já venceu o Globo de Ouro e o Critic’s Choice Awards por esse papel.

O filme conta a história de Joan Castleman (Close) que há décadas é a esposa dedicada e perfeita do escritor, Joe Castleman (Jonathan Pryce). Ele acaba de vencer o Nobel de Litaratura e juntos eles partem para Estocolmo, na Suécia. Lá, ela é confrontada pelo jornalista Nathaniel Bone (Christian Slater), que quer escrever a biografia de Joe e remexe em segredos de seu passado.  Repelido educadamente por Joan, ele continuará na cola da família Castleman como um predador. No entanto, ele é apenas o agente para o desmoronamento de um mundo solidamente construído, sustentado numa grande e intolerável mentira.

Atualmente é difícil ver produções que tragam atores veteranos em papéis com grande destaque. E quando isso acontece é preciso enaltecer. A interpretação magnífica de Glenn Close é a grande razão para assistir a este drama dirigido pelo sueco Björn Runge, numa adaptação do romance homônimo de Meg Wolitzer. Simplesmente magnífica, Glenn tem grandes chances – e merecidas – de levar para casa seu primeiro Oscar, na única categoria que o filme concorre, após já ter sido indicada outras 6 vezes.

Como um todo, a direção de Björn Runge não escapa de algumas derrapadas e o roteiro é falho. O filme é um pouco parado em sua maior parte, se sustentando apenas nas boas atuações.  A narrativa da história ocorre em dois tempos – no presente, com a viagem do casal e do filho David (Max Irons), para a cerimônia e a entrega do prêmio. E no passado – por meio de flasbacks – quando o jovem Joe (Harry Lloyd) é ainda um professor que luta para escrever e ser publicado, ao mesmo tempo que se apaixona pela aluna mais talentosa, Joan (Annie Starke).

“A Esposa” é um bom drama, construído à base da consistente fotografia de Ulf Brantås. E a trilha sonora de Jocelyn Pook é dramática e acompanha harmoniosamente a dinâmica do casal. O que faltou foi um pouco de ousadia. Melancólico e representativo, o filme dá voz e empodera a mulher, ao mesmo tempo que é humano e emotivo. A história é fraca, mas conta com seguras atuações.  Jonathan Pryce – em um bom momento de sua carreira – é explosão em um retrato egocêntrico, contrapondo com Glenn Close contida, que leva o filme nas costas apenas com suas expressões verdadeiras.

Aproveite e veja os posts dos outros filmes que concorrem ao Oscar – “Nasce uma Estrela”, “O Primeiro Homem”“Bohemian Rhapsody”

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#Filme | Bohemian Rhapsody

Oi gente!
Aproveitando que saíram os indicados ao Oscar, hoje trago mais um filme que concorre na premiação – “Bohemian Rhapsody”, dirigido por Bryan Singer e que retrata a trajetória de uma das maiores bandas de todos os tempos – Queen, com destaque para a vida de seu vocalista Freddie Mercury.

Desde que lançou o trailer e as primeiras fotos de caracterização do ator Rami Malek, eu já estava mega ansioso para conferir. E eu preciso dizer que “Bohemian Rhapsody” é, acima de tudo, um ‘fan film’, ou seja, uma obra feita para os fãs do Queen. Eu tenho 26 anos (quase 27), sei a importância musical da banda, gosto de várias músicas, mas não vivi a época de ouro do grupo. Já aqueles que viveram e realmente são fãs, não tem como não gostar do filme.

E porque estou falando isso? É inegável a grandiosa produção do longa, porém não curti o roteiro – na minha opinião é fraco e pouco desenvolvido. Ele pega a história do Freddie Mercury para ser o fio condutor da narrativa, mostrando algumas fases do Queen, usando como ponto de início e final o show do Live Aid, um dos shows mais importantes que já aconteceu na história da banda, e principalmente na história da música mundial. Porém, ao mesmo tempo, o filme não diz nada que você já não saiba.

É óbvio que filmar uma biografia do Queen tem um ponto positivo muito forte. A trilha sonora é garantia de qualidade. Mas somente isso não basta. Freddie Mercury possuía um talento inegável, uma vida pessoal e social extremamente conturbada, além de uma complexidade (podemos dizer) exótica.

Temos cenas boas – não posso dizer que não – (alerta de spoiler!!) o momento em que Mercury bate boca com o produtor musical acerca da faixa icônica que dá nome à produção e ele duvida que a canção de seis minutos conquistará o público, preferindo que a banda se atenha a fórmulas pré-estabelecidas é um dos pontos altos da narrativa. Sabemos que a mistura experimental de rock e ópera foi um mega sucesso, além de uma obra-prima, e aí o roteiro acerta, pois o telespectador tem consciência disso e esperamos ansiosamente para ver a cena – mais ao final do filme – em que esse produtor quebra a cara. O início do filme, com as cenas em que os integrantes do Queen se conhecem e começam a cantar juntos e até mesmo as partes que mostram as composições de músicas icônicas, são momentos que agradam quem está assistindo – seja fã ou não. E o que falar da cena final – com o show do Live Aid – o roteiro traz mais de 10 minutos só com a apresentação – praticamente uma íntegra do que foi o verdadeiro. É de se arrepiar, eu fiquei arrepiado, mas, se você pesquisar o vídeo no Youtube e assistir, você verá um Freddie Mercury se acabando, suado, com as veias saltando no rosto e no pescoço – o que o ator Rami Malek não imprimiu no filme. Ele dubla toda a produção – o que é normal – mas não há uma entrega total quando deveria, é uma imitação de uma pessoa que já era muito caricata. Isso não quer dizer que ele está ruim, o ator está bem no filme, acho que merece alguns prêmios (como já venceu o Globo de Ouro), talvez mais pela caracterização, porém trata-se de uma interpretação que poderia ter ido um pouco mais além, mas ainda assim é o trabalho da vida dele – até o momento.

Sinto falta de uma presença maior dos demais atores que interpretaram o restante da banda – Gwilym Lee (Brian May), Ben Hardy (Roger Taylor) e Joseph Mazzello (John Deacon). Em vários momentos o longa traz a mensagem de que o Queen não é somente Freddie Mercury, mas em outros momentos falta essa interatividade do grupo. Além disso, o fato de o roteiro deixar coisas implícitas – para mim – não foi o ideal. Era aí que o filme poderia ter ousado. Sabemos que Freddie Mercury era homossexual, que teve inúmeros casos amorosos, inclusive com seu produtor pessoal (o único mostrado mais explícito). Só que a história vai muito além – o cantor contraiu AIDS – uma doença que na época era pouco conhecida e que matava muito rápido porque não havia informações, muito menos tratamento. Isso causava pânico. E em nenhum momento foi falado mais abertamente. Poderia ter se aprofundado na essência do ídolo excêntrico que foi Freddie Mercury.

Enfim, essa foi uma resenha bem difícil de escrever. Depois que assisti o filme fiquei alguns dias ainda pensando se eu tinha gostado ou não. É difícil criticar uma coisa que eu queria ter amado pra caramba. Mas o filme é bom, principalmente aos fãs que não vão assistir preocupados em achar defeitos. “Bohemian Rhapsody” é extremamente plástico; como produção é bonito. Mas como experiência cinematográfica tem erros, o que torna  simples.

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#Filme | O Primeiro Homem

Oi gente!
Hoje trago a vocês uma dica excelente de filme “O Primeiro Homem” – quarto longa da carreira do jovem e premiado diretor Damien Chazelle e que concorre em quatro categorias do Oscar 2019 – edição de som, mixagem de som, direção de arte e efeitos visuais.

A produção é a cinebiografia de Neil Armstrong, astronauta conhecido por ser o primeiro homem a pisar na Lua. O filme relata a história de vida de Neil, focando em sua família, mas principalmente na carreira como engenheiro e astronauta da Nasa. O roteiro baseou-se no livro de James R. Hansen, que documentava a sucessão de eventos pessoais e profissionais que culminaram na ida de Armstrong, com a Apollo 11, à Lua. Em sua adaptação, o roteirista Josh Singer (dos jornalísticos “Spotlight” e “The Post”) emenda essas situações a partir de um ponto de vista mais íntimo, explorando o psicológico do astronauta.

O grande desafio de “O Primeiro Homem” é contar uma história que todo mundo sabe o final, mas que consiga prender o espectador do início ao fim. E isso, o diretor Damien Chazelle (do elogiado “Whiplash – Em Busca da Perfeição” e do estrondoso sucesso “La La Land – Cantando Estações”) faz com perfeição, contando com a ajuda de um elenco maravilhoso Ryan Gosling e Claire Foy. Em vez de focar no grandioso evento que foi a chegada à Lua, o roteiro nos mostra os desafios enfrentados por uma equipe enorme e também todas as frustrações do personagem – desde a perda da filha pequena até a morte de colegas em simples testes de rotina). O foco é o sacrifício e a jornada do piloto que teve a coragem de enfrentar desafios excepcionais para chegar lá antes de todos.

A fotografia do filme é um destaque a parte – simplesmente maravilhosa – a recriação da Lua, imagens de dentro do foguete – tudo perfeito! E a edição de som e mixagem poderão render Oscars ao longa. Outro destaque é a trilha sonora de Justin Hurwitz e o roteiro, que como já falei, procura priorizar o lado humano de Neil Armstrong e todos a sua volta – a maior parte das cenas temos as câmeras focadas nos rostos dos atores, criando aquela aflição, mas ao mesmo tempo, emociona. Além disso, a direção e edição priorizaram vários planos sequências, o que eleva ainda mais a produção, dando aquela cara de documentário. Preciso confessar que achei falta (um pouco) do estilo próprio que Chazelle imprime em seus filmes – poderia ter ousado um pouco mais. Ainda assim, o filme é feito na medida certa.

Com relação ao elenco, Ryan Gosling e Claire Foy mandam super bem. A construção do personagem no início é um pouco tímida – demora para Gosling conquistar a afeição do público. Já Claire Foy tem uma cena arrasadora, que com certeza lhe renderá uma indicação ao Oscar.  No geral, a dupla mostrou química. Ainda no elenco Jason Clarke, Kyle Chandler e Corey Stoll.

“O Primeiro Homem” é uma verdadeira experiência sensorial. O filme consegue seu objetivo de empolgar, ao mesmo tempo que torna seu biografado um livro aberto. Como obra artística, é um feito cinematográfico inegável, de muita qualidade técnica. Vale a pena conferir!

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#Série | Bodyguard

Oi gente!
Como falei para vocês em outros posts, aproveitei os dias de folga no final do ano para assistir bastante filmes e séries para falar aqui no blog! E hoje trago uma série produzida pela BBC e distribuída pela NetflixBodyguard (aqui no Brasil recebeu o nome de Segurança em Jogo).

A série conta a história do veterano de guerra David Budd (Richard Madden – para quem não lembra ele era o Robb Stark em Game of Thrones – preciso dizer que até hoje não superei o Casamento Vermelho). O personagem lutou na guerra do Afeganistão, voltou sofrendo as consequências físicas e psicológicas disso, arrumou um emprego junto a órgãos governamentais e luta contra células terroristas. Depois de um certo evento, sua função é proteger a Ministra Julia Montague (Keeley Hawes) de possíveis ataques que ela sofreria por estar defendendo políticas rígidas de anti-terrorismo. Os posicionamentos dela não são compatíveis com os dele, o que gera um conflito e uma atração imediata entre os dois.

Essa série já me conquistou na primeira cena! Logo no primeiro episódio, a tensão predomina quando David se posiciona para evitar um ataque terrorista em um trem. Gente, sério, que cena!! Muito bem produzida e atuada, com uma tensão crescente que pega o espectador logo de cara. Preciso dizer que a sequência – talvez os dois primeiros episódios – são mais devagar, um ritmo mais lento, o que melhora a partir do terceiro episódio. “Bodyguard” possui apenas seis episódios, porém tem quase uma hora de duração cada um.

O roteiro é afiado, apresenta diálogos bons, personagens bem construídos e alguns que deveriam ser mais explorados. No começo eu fiquei um pouco incomodado com a atuação do Richard Madden, mas depois ele passa por um processo de humanização e aí melhorou consideravelmente, inclusive a química com a atriz Keeley Hawes, ajuda bastante no desenvolver do personagem. Na minha opinião poderia ter focado um pouco mais na história da família de Budd – a esposa e filhos – que pouco aparecem, mas que renderiam uma narrativa paralela interessante. Mais ao final da temporada, tem uma cena envolvendo a esposa Vicky, e que a atriz Sophie Rundle dá um show de interpretação.

“Bodyguard” cumpre com o prometido, entrega um suspense político muito interessante e envolvente, com ótimas cenas de ação. É um entretenimento de ótima qualidade, um grande acerto. Vale a pena conferir uma produção – que não é americana – mas que retrata a guerra ao terror de forma esplêndida.

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#Filme | Podres de Ricos

Oi gente!
Neste final de ano aproveitei para colocar algumas séries que estavam atrasadas em dia e também para assistir alguns filmes que estavam na minha listinha – um deles foi “Podres de Ricos” (ou no original, “Crazy Rich Asians” – baseado no livro de Kevin Kwan). Confesso que quando lançou, não me interessei muito em assistir, mas depois das boas críticas e indicações às principais premiações, fiquei curioso para saber se realmente era bom.

E isso tudo refletiu para que “Podres de Ricos” se tornasse um dos maiores fenômenos nas bilheterias mundiais em 2018, tendo faturado US$ 230 milhões diante de um orçamento de apenas US$ 30 milhões. Uma verdadeira revolução no mundo das comédias românticas. Ao mesmo tempo que mantém uma série de clichês.

Na história, Rachel Chu (Constance Wu) é uma jovem professora de economia em Nova York e namora com Nick Young (Henry Golding) há algum tempo. Quando Nick convida Rachel para ir no casamento do melhor amigo, em Singapura, ela descobre que ele é o herdeiro de uma verdadeira fortuna. Lá, ela entra na mira de outras candidatas e da mãe de Nick (Michelle Yeoh), que desaprova o namoro.

Temos mais uma vez a história da moça pobre que namora um ricaço, mas não é aprovada pela mãe dele, que faz de tudo para acabar com o romance. É clichê? Sim, é clichê! Mas é um clichê super bem feito. A química entre Constance Wu e Henry Golding é maravilhosa e leva o espectador a realmente torcer pelos dois (pelo menos comigo aconteceu isso).

“Podres de Ricos” ainda tem uma representatividade interessante. Primeiro porque a produção é formada em sua totalidade por asiáticos ou descendentes. Tente se lembrar quando foi a última vez que você viu um filme de Hollywood com elenco inteiro composto por descendentes de asiáticos? Na verdade, não precisa porque não existe! Já tivemos tantos erros de escalação como o caso de Scarlett Johansson sendo a protagonista japonesa de “Ghost in the Shell”, mas também tivemos acertos ao lembrar do recente “Para Todos os Garotos que já Amei” com a descendente vietnamita Lana Condor.

Outro ponto positivo do filme é o protagonismo cultural e social da Ásia demonstrado de forma natural em um filme americano, além das ótimas atuações – os comediantes Awkwafina (vista recentemente em “Oito Mulheres e Um Segredo”) e Ken Jeong (conhecido pelo papel de Mr. Chow na trilogia “Se Beber, Não Case”) são um espetáculo à parte. Figurino luxuoso, paisagens maravilhosas, trilha sonora cativante também contribuem para o sucesso do longa.

E tem notícia boa! A Warner já confirmou a sequência “China Rich Girlfriend” e, provavelmente, veremos o último volume dos best-sellers “Rich People Problems” nas telonas também.

Enfim, “Podres de Ricos” é aquele filme despretensioso, que vale a pena conferir apenas para se divertir. É engraçado e bem produzido. Eu curti bastante!

#Filme | Caixa de Pássaros

Oi gente!
Bora começar 2019 com o pé direito?! Espero que todos tenham tido um ótimo fim de ano…
Agora chegou o momento de voltarmos com tudo! Sei que nos últimos meses fiquei devendo um pouco a vocês com relação à conteúdo aqui do blog, mas neste ano quero voltar a manter um cronograma de posts semanais e inovar ainda mais nas dicas para vocês leitores.

No final de 2018, a Netflix lançou “Caixa de Pássaros” (Bird Box), inspirado no livro de Josh Malerman e com a atriz Sandra Bullock no elenco. Com as festas de fim de ano, consegui ver esse filme somente agora, e preciso dizer que foi uma ótima produção.

Na história, uma mulher e duas crianças precisam remar por um rio até um lugar seguro. Até aí nada demais, porém a questão é que estamos em um mundo pós-apocalíptico em que a humanidade foi dizimada por algum tipo de entidade desconhecida que enlouquece as pessoas ao ponto de elas cometerem assassinatos e suicídio se ela for avistada, nem que seja por alguns segundos. Em outras palavras, Malorie (Sandra Bullock) e as crianças têm que desbravar o rio literalmente às cegas, com vendas nos olhos.

O interessante é que este longa foge da história convencional apresentada nesses tipos de suspenses. Geralmente em produções pós-apocalípticas, os personagens precisam resolver a crise mundial, enfrentar problemas familiares e superar diversas oposições. Em “Caixa de Pássaros”, Malorie precisa apenas salvar a si e as crianças. E este fato traz o maior destaque à Sandra Bullock. A atriz vencedora do Oscar (em 2010, por “Um Sonho Possível”) nos entrega uma interpretação angustiante, segura e cheia de emoção. Ainda no elenco, Trevande Rhodes, John Malkovich, Jacki Weaver e Sarah Paulson.

O roteiro de Eric Heisserer é bem interessante ao trabalhar a narrativa em duas linhas temporais – uma no futuro e outra, paralelamente, mostrando como tudo começou e foi se desenvolvendo. A direção de Susanne Bier também é segura. A trilha sonora, assim como deve ser em um suspense, é muito bem trabalhada para os momentos de clímax. Com relação à produção, as cenas de catástrofe são visualmente impactantes e a fotografia ainda traz boas paisagens nas cenas do rio.

“Caixa de Pássaros” é um filme interessante, bem adaptado e com uma boa atuação de Sandra Bullock. Vale a pena conferir na Netflix.

#Filme | O Ódio que Você Semeia

Oi gente!
Último post de 2018 e hoje vou falar de um filme que estreou em dezembro e que foi simplesmente maravilhoso (na minha opinião) – “O Ódio que você Semeia” é baseado no livro best-seller de Angie Thomas e ganhou esta adaptação cinematográfica com a atriz Amandla Stenberg (para quem não lembra, ela era a Rue em Jogos Vorazes).

O filme conta a história de Starr Carter, uma jovem de 16 anos que vive com os pais e os dois irmãos em um bairro periférico que sofre com muitos problemas relacionados às drogas e a violência. Por causa disso, ela e seus irmãos foram colocados pelos pais em um colégio de uma área mais rica da cidade. Com isso, Starr aprendeu a se dividir entre a menina da periferia e a menina do colégio rico. Mas todo o “status quo” é abalado quando Starr testemunha o assassinato de um amigo de infância por um policial branco, dando início a uma série de conflitos em sua região. Inicialmente, Starr não quer se manifestar, mas aos poucos vai percebendo que ela tem muito a dizer.

“O Ódio que você Semeia” é um filme bem construído, sensível e eu achei forte – não em questão de cenas, mas sim na mensagem que ele passa. Eu assisti com aquela sensação de que realmente é desafiador, chega a ser incômodo (no bom sentido), um verdadeiro tapa na cara da sociedade.

O elenco também é um destaque a parte – Amandla Stenberg é o melhor do filme, ela tem uma interpretação segura e muito coerente, consegue segurar muito bem as cenas dramáticas. Para os fãs de “Riverdale”, o ator K.J.Apa (o Archie) também está nesta produção e faz o namorado “branco” da protagonista. Além disso temos Regina HallRussell Hornsby e Issa Rae mandando super bem.

O diretor George Tillman Jr. – responsável por alguns filmes que floparam – acerta dessa vez e traz um roteiro interessante – com algumas alterações em relação ao livro – e também com cenas muito bem feitas. Em vários momentos, a câmera está enquadrada no rosto dos atores, pegando a reação e emoção do personagem – e nos faz sentir um misto de sentimentos, as vezes revolta e, principalmente, muita comoção.

“O Ódio que você Semeia” ensina lições de vida e se propõe a mostrar de forma verdadeira como a sociedade molda o jovem negro. Seja pelo livro ou nos cinemas, esse é um relato que merece e deve ser apreciado por todos.

#Filmes | Nasce uma Estrela

Oi gente!
Sei que já faz um tempinho que lançou – início de outubro – mas somente agora consegui assistir “Nasce uma Estrela”, filme protagonizado por Bradley Cooper e Lady Gaga, e que está bem cotado a ter indicações no Oscar 2019. Por isso resolvi trazer minha resenha sobre a produção.

“Nasce uma Estrela” não é bem uma novidade – a história já foi produzida três vezes – a primeira foi em 1937, na versão menos conhecida, estrelada por Janet Gaynor. Em 1954, foi a vez de Judy Garland encarar o papel e, em 1977, Barbra Streisand e Kris Kristofferson formaram a dupla principal. Agora, em 2018, é a vez de Lady Gaga e Bradley Cooper emocionarem o público com a bela, romântica e triste história de amor.

Ally (Lady Gaga) é uma jovem que sonha em ser cantora, mas que trabalha em um restaurante para pagar as contas. De temperamento forte, volta e meia, ela se apresenta em um clube noturno, sendo sempre incentivada pelo pai e pelo melhor amigo. Determinado dia, o clube recebe a visita do astro da música Jackson Maine (Cooper). Ele logo presta atenção na jovem e decide ajudá-la em sua carreira. Ao mesmo tempo, se apaixonam. Sobretudo quando a carreira de Ally vai crescendo, Jack vai perdendo a luta contra o alcoolismo e o vício em drogas. Apaixonados, eles tentam se apoiar, mas isso acaba se tornando algo mais complicado do que o previsto.

Para quem curte filme no estilo musical, este é, com certeza, obrigatório para se assistir. Muito da força de “Nasce uma Estrela” se encontra nas canções fortes e marcantes que estão durante toda a produção. Lady Gaga surpreende e nos entrega uma performance segura e impecável, digna de (pelo menos) uma indicação ao Oscar. Bradley Cooper chega a derrapar em algumas cenas que exige uma emoção maior, mas ainda assim tem um bom desempenho. Inclusive, o ator também é o diretor do filme.

Vale destacar a belíssima fotografia do longa, a cargo de Matthew Libatique (Cisne Negro). O jogo de cores e, principalmente a sobreposição ao longo das cenas, mostram a evolução dos personagens e contribuem para a estética visual da produção. E como falei no começo, a trilha sonora é outro destaque a parte! Já estou ouvindo sem parar as canções no Spotify.

Sensível, simples, dramático! “Nasce uma Estrela” é um filme maravilhoso, com atuações grandiosas – principalmente de Lady Gaga que carrega o longa nas costas. E prepare-se para chorar no final!

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#Livro | O Juiz e seu Carrasco (Projeto Lendo o Mundo)

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Hoje volto com o projeto “Lendo o Mundo” – aquele que leio livros de todos países para conhecer a literatura, cultura e tradições desses locais. (Saiba mais aqui) Dessa vez li “O Juiz e seu Carrasco”, escrito por Friedrich Dürrenmatt, representando a Suíça. É bem provável que este será o último livro do projeto neste ano.

Aqui no Brasil, o autor é pouco lido – fui pesquisar e descobri que ele tem apenas este livro e outros três contos – A Pane, O Túnel e O Cão – publicados em língua portuguesa. Dürrenmatt ganhou fama com seus dramas  vanguardistas, profundos romances policiais, e algumas sátiras macabras. Um de seus principais bordões era “Uma história não está terminada até que algo tenha dado extremamente errado”.

Com relação ao livro, “O Juiz e seu Carrasco” conta a história de um policial que foi assassinado sob circunstâncias misteriosas. Bärlach, um velho e doente comissário, amante de cigarros, de vodca e da boa mesa, investiga essa morte ao mesmo tempo em que luta contra a sua própria, que parece cada vez mais próxima. Enquanto a polícia se vê às voltas com figurões locais; oficiais oportunistas tentam subir na carreira, e Bärlach faz as suas arriscadas jogadas. Na sombra, o assassino, um tipo maquiavélico, disserta sobre o bem e o mal, que ele considera possibilidades iguais.

O livro é profundo e complexo no psicológico dos personagens. Confesso que a leitura não fluiu tão bem, apesar de ser um livro bem curtinho – tem apenas 108 páginas. Acredito que a linguagem e, principalmente, os nomes complicados foram o que me causou maior estranheza. Mas isso não quer dizer que seja ruim. Até porque o principal conflito foi bem desenvolvido e a resolução do crime foi surpreendente. Poucos livros de suspense policial me surpreenderam no final, como este.  A leitura valeu a pena pelo conhecimento e pela experiência de explorar o texto de um autor que nunca havia lido nada antes.

Veja também as demais leituras do projeto – Por Dentro da Casa Branca (Estados Unidos)Muito Longe de Casa (Serra Leoa)O Ruído das coisas ao cair (Colômbia)A Última Mensagem de Hiroshima (Japão) e Depois de Auschwitz (Alemanha). E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 

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