Categoria: Séries

#Minissérie | Sanditon

Oi gente!
Há algumas semanas terminei de ver a minissérie “Sanditon”, que é baseada em uma obra inacabada de Jane Austen, um dos nomes mais famosos da literatura mundial. E quando eu disse “inacabada” é porque a autora faleceu em 1817, antes de terminar de escrever o livro. Para quem não conhece, Jane Austen é autora de grandes sucessos que já foram adaptados para o cinema como “Orgulho e Preconceito” e “Razão e Sensibilidade”.

Responsável pelas recentes adaptações de “Os Miseráveis” e “Guerra e Paz”, Andrew Davies dirige a minissérie que conta com 8 capítulos, produzida pela ITV Studios. A história gira em torno de Charlotte Heywood (Rose Williams), irmã mais velha dentre 12 irmãos de uma modesta família do interior. Após ajudar Mary e Tom Parker (Kate Ashfield e Kris Marshall) num incidente, a jovem é convidada pelo casal para conhecer a cidade de Sanditon, que ele aposta ser capaz de se transformar num famoso resort à beira-mar. Lá, a jovem inocente se encontra no meio da disputa pela herança da rica Lady Denham (Anne Reid), enquanto passa a ter confrontos com Sidney Parker (Theo James); o centrado e temperamental irmão de Tom.

No arco narrativo, temos algumas histórias bem interessantes. Uma delas está no núcleo de Lady Denham, uma senhora rica que é a principal investidora de Tom. Uma mulher sem papas na língua, extremamente direta e desconcertante. Seus sobrinhos Esther (Charlotte Spencer) e Edward (Jack Fox) estão de olho na herança da tia, que já está bem idosa, mas não tem planos de morrer tão cedo. Ela também cria a jovem Clara Brereton (Lily Sacofsky), que se revela ser muito ambiciosa. O interessante nesse núcleo é a relação de Esther e Edward, que apesar de serem irmãos, apresentam um princípio de uma história de incesto. Charlotte Spencer, que interpreta Esther, conseguiu chamar atenção para si e se destaca bastante, assim como a experiente Anne Reid.

Com o desenvolvimento da minissérie, Tom decide organizar um baile na cidade, e posteriormente uma regata, de modo a atrair mais pessoas interessadas em visitar o lugar e fazer de seu resort um sucesso. Para isso, conta com a ajuda de seu irmão, Sidney Parker (Theo James) para atrair futuros hóspedes, como o jovem rico Lord Babbington (Mark Stanley). Sidney é um personagem bem grosseiro e cruel nas poucas interações que teve com Charlotte, mas a relação dos dois consegue prender o telespectador mais ávido por um romance, meio que “impossível”. O ator Leo Suter completa o triângulo amoroso ao interpretar Stringer, um jovem arquiteto que auxilia os irmãos Parkers na construção de Sanditon.

Por fim, outro arco narrativo interessante é o de Miss Georgiana Lambe (Crystal Clarke), uma garota nascida a África e que foi enviada a Inglaterra para ter a educação formal de uma dama. Ela está na cidade porque Sidney é seu protetor, e decidiu tirá-la de Londres. Trata-se da primeira personagem negra na literatura de Austen. A atriz Crystal Clarke também foi uma grata surpresa, visto que sua personagem se envolve em um romance proibido, o que contribui para a evolução da história.

Agora preciso dizer que esperava mais de Rose Williams, atriz que interpreta a protagonista Charlotte Heywood. A história dela não possui grandes revelações e a atuação se tornou bem linear, o que proporcionou que os coadjuvantes chamassem mais atenção ao longo dos capítulos. Entrando na parte técnica, a fotografia da série é bem interessante, com aquela cara de produções de época. O figurino está impecável e o design de produção traz belas paisagens como cenário. E para os curiosos, aqui vai uma curiosidade – Jane Austen escreveu apenas onze capítulos de “Sanditon” antes de sua morte — algo que compõe cerca de apenas 24 minutos do piloto da minissérie. A partir daí, até o oitavo e último episódio, será tudo criação do roteirista e diretor Andrew Davies.

Para quem curte uma história de época, a minissérie “Sanditon” é uma boa opção de entretenimento. Dá para assistir em alguns sites online.

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#Série | Vis a Vis 4ª Temporada

Oi gente!
Fiquei alguns dias sumido neh!? Mas já estou de volta trazendo a minha opinião sobre a última temporada de Vis a Vis – mais um fenômeno espanhol exibido no Brasil pela Netflix.

Depois de uma terceira temporada que deixou muito a desejar, Vis a Vis tinha a missão de encerrar com um final digno. Logo no início vemos que Zulema (Najwa Nimri) e Saray (Alba Flores) sobreviveram e estão de volta à Cruz del Norte. Porém, muitas coisas mudaram na prisão enquanto elas estiveram fora, e a principal delas é que agora Sandoval (Ramiro Blas) é o novo diretor, ou seja, o local se transformou em um verdadeiro campo de guerra, com suas ideias sádicas. Outras personagens queridas – Sole (Maria Isabel Diaz), Rizos (Berta Vásquez), Antônia (Laura Baena) e Terê (Marta Aledo) estão de volta também!

Mas a grande pergunta é se Macarena (Maggie Civantos) estaria nesta temporada final. A protagonista da série apareceu somente nos dois primeiros episódios da terceira temporada porque a atriz estava gravando outra série da Netflix – “Las Chicas del Cable”. Para mim, Macarena era uma das melhores personagens e sua ausência foi um dos motivos para a temporada anterior não ter engrenado tanto. Nesta quarta temporada achei que não fossemos vê-la mais, (e lá vai um spoiler) porém Macarena volta nos dois episódios finais para agitar ainda mais a história. Claro que neste tempo, o espaço de protagonista já foi totalmente ocupado por Zulema, interpretada por Najwa Nimri.

A atriz – que interpreta a inspetora Alicia Sierra em La Casa de Papel – toma conta da história e se torna o mais importante elo, principalmente pela aparição de sua filha Fátima (Georgiana Amorós). Sim, Zulema tem uma filha que surge em Cruz del Norte para levar a personagem ao seu extremo. Inclusive quem já assistiu a 2ª temporada de Elite com certeza vai reconhecer a atriz Georgiana Amorós, que interpretou Cayetana uma jovem que mente sobre sua origem humilde.

Voltando a falar de Najwa Nimri, ela é uma atriz de força, que consegue imprimir personalidade a qualquer personagem que lhe caia nas mãos. Em Vis a Vis não foi diferente: ela conseguiu fazer com que Zulema ganhasse o coração e a mente dos fãs da série. Agora uma crítica que faço é com relação a Altagracia (Adriana Paz) – a personagem tinha muita força também, poderia render bons momentos, mas foi bem mal aproveitada e retirada precocemente da série.

Com 8 episódios, Vis a Vis chegou ao final entregando exatamente aquilo que os fãs da série esperavam. Os produtores nos deram um encerramento mais humano. Comentando sobre o último episódio (já estejam preparados para spoilers) foi emocionante a cena final da Sole, que descobriu ter Mal de Alzheimer e fez um pedido tocante para suas amigas; a morte de Sandoval – uma cena esperada pelos fãs – foi bem violenta, mas necessária. Esperava mais um romance entre Zulema e Hierro (Benjamin Vicuña) – teria sido interessante. Saray teve sua filha. Curti muitooo o final da Terê, adorava essa personagem! Ela largou as drogas, virou assistente social e passou a ajudar tanto suas amigas como as novas presas de Cruz del Norte. E claro que o final mais esperado seria o de Macarena e Zulema, que eu também gostei bastante – as duas continuam no mundo do crime e agora realizam assaltos em joalherias de luxo. O final deixou em aberto uma possível sequência com as personagens. A temporada final, principalmente os últimos episódios, foi uma montanha russa de sentimentos, com cenas de tirar o fôlego.

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#Série | Monarca

Oi gente!
Em setembro a Netflix estreou uma série mexicana bem interessante que eu queria trazer como dia para vocês. “Monarca” tem 10 episódios e vai muito além do melodrama característico das produções do México. A série entrelaça amor, trama política e narcotráfico para narrar a história da família Carranza.

Hoje em dia, as séries de língua hispânica tem estado bem em alta – visto “La Casa de Papel”, “Elite” e “Vis a Vis”, todas espanholas. Como já disse, “Monarca” é mexicana, mas também tem um desenvolvimento típico de séries americanas, com vários ganchos e muita ação por trás de grandes desavenças e armações.

A história começa mostrando o patriarca da família – Don Fausto Carranza – um empresário que sempre foi cruel e tentava levar vantagens nos negócios, fazendo tudo o que podia para ter cada vez mais poder. Após um infarto, ele resolve mudar e desafia pessoas muito poderosas como políticos e os chefes do cartel. Ao tentar unir novamente a família, Don Fausto é encontrado morto após ser assassinado. A partir daí o Grupo Monarca é disputado pelos três herdeiros – Joaquín, Ana María e Andrés – que se enfrentam para saber quem será o novo presidente.

Ana María, interpretada por Irene Azuela, se afastou anos atrás da família, se recusando a fazer parte dos negócios ao escolher o caminho da honestidade, criando sua família longe do México ao se tornar jornalista nos Estados Unidos. Após um pedido do pai, volta ao seu país de origem para reencontrar grandes mágoas do passado. Joaquín (Juan Manuel Bernal) é como o pai, ambicioso e totalmente sem escrúpulos. É o primogênito e sempre esteve envolvido nas ações do Grupo Monarca. Com a morte do pai, vê sua grande chance e não se importa em ter que passar por cima dos irmãos para conseguir o que tanto deseja. Por fim, André (Osvaldo Benavides – conhecido no Brasil por estrelar várias novelas mexicanas como “Maria do Bairro” e “O que a Vida me Roubou”) é o filho caçula, que comanda a área hoteleira do Grupo Monarca, porém vive uma vida de mentiras e engano.

“Monarca” possui uma trama envolvente, com vários ganchos que nos faz querer continuar assistindo sem parar. A fotografia é bonita, o roteiro é bem desenvolvido e os cenários são incríveis, mostrando as plantações de algave e fabricação de tequila. Produzida pela atriz mexicana Salma Hayek, a série deixa claro a pretensão de retratar o empoderamento feminino através da protagonista Ana María e até com a personagem Dona Cecília Dávila Carranza, matriarca da família, vivida pela atriz argentina Rosa María Bianchi. Em relação ao elenco, o grande destaque é o ator Juan Manuel Bernal, que consegue entregar um vilão interessante, com muitas nuances. O elenco jovem também é interessante com histórias atuais como a influências das mídias sociais e uso de drogas.

A temporada acabou com um final que deixa as portas abertas para uma segunda temporada, ainda não oficializada pela Netflix. Vale a pena conferir.

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#Série | Elite

Oi gente! 
Finalmente estreou a 2ª temporada de Elite na Netflix e já fiz a maratona no fim de semana. Foram oito novos episódios, com aquele clima novelesco característico da produção. Afinal, quem não ama um bom drama adolescente, com um toque de mistério? Após um primeiro ano que acompanhava o mistério da morte de Marina (María Pedraza), a série voltou para a segunda temporada com a missão de explorar os desdobramentos dessa revelação.  Ahhh já vou avisar que terá vários spoilers.

Elite inicia com Nano (Jaime Lorente) preso injustamente pelo assassinato de Marina, já que sabemos que o verdadeiro culpado é o Polo (Álvaro Rico), tendo como cúmplices Carla (Ester Expósito) e Christian (Miguel Herrán). Durante as férias, Samuel (Itzan Escamilla) trabalhou dobrado para conseguir dinheiro para pagar a fiança do irmão, sem grandes êxitos. E quando voltam as aulas no colégio Las Encinas, toda a treta começa novamente. Guzmán (Miguel Bernardeau) ainda não superou a morte da irmã e não suporta estar próximo à Samuel. Lucrécia (Danna Paola) continua correndo atrás de Guzmán. Ander (Arón Piper) e Omar (Omar Ayuso) estão mais próximos, mas ainda precisam resolver algumas diferenças. Nadia (Mina el Hammani) segue dividida entre o que sente por Guzmán e a influência de sua família muçulmana. Por fim, as atenções de voltam para Carla, Polo e, principalmente, Christian, que está querendo contar a verdade, mas é silenciado logo no início.

E para movimentar um pouco mais a história, surgiram três novos personagens, sendo que todos têm importante função para o desenvolvimento da série. O primeiro é Valério (Jorge Lopes), meio-irmão de Lu, é usuário de drogas, agita as festas e tem uma relação fora do normal com a irmã. Cayetana (Georgina Amorós) surge como uma badalada e rica influencer digital, mas na verdade, esconde ser filha da faxineira da escola e usa os bens dos patrões para manter a farsa. Já Rebeca (Claudia Salas) teve uma infância pobre, mas ficou rica da noite pro dia já que sua mãe é envolvida no tráfico de drogas, porém esconde essa informação dizendo que ganhou na loteria. Ela se envolve com Samuel e o ajuda a tentar conseguir uma confissão de Carla. É interessante ressaltar que todos os personagens agregaram em algum momento. Valerio e Cayetana serviram para movimentar o núcleo de Lu, que esteve bem apagada na primeira temporada. Cayetana também teve um importante arco narrativo junto ao Polo. E Rebeca, na minha opinião, poderia ter tido mais destaque – a personagem ganhou torcida do público, mas ficou bem coadjuvante. Espero que na próxima temporada tenha um pouco mais de importância.

Alguns sentiram a falta de Christian e Nano na série. Miguel Herrán e Jaime Lorente estavam gravando La Casa de Papel e, por isso, tiveram pouca participação – Christian aparece apenas no primeiro capítulo e Nano tem duas cenas no começo e depois volta um pouco mais nos episódios finais. Os núcleos em que estavam cresceram sem eles. E por falar em La Casa de Papel, rolou uma referência à série, comentem aí se vocês viram!

Já outro núcleo que teve bons e maus momentos foi o de Nádia e Omar. Talvez uma das melhores trajetórias narrativas dessa segunda temporada foi a de Omar, que se move cada vez mais contra o tradicionalismo do pai muçulmano e também enfrenta as hesitações do namorado Ander. Acho que o roteiro não deveria ter trazido a descoberta do assassino, por parte de Ander, logo no começo – isso atrapalhou um pouco a sequência do casal. Já Nádia tem um crescimento pequeno, já que foi um dos destaques na primeira temporada. Após ver o trailer achei que a personagem iria se rebelar com a família também, soltar seu lado mulherão e investir no que sente por Guzman, mas nada disso aconteceu. Ela está cada vez mais submissa à família e ficou dando voltas na relação amorosa – apesar que teve uma cena incrivelmente maravilhosa quase no final da temporada, onde há o vazamento de um vídeo comprometedor e a moça recebe total apoio dos pais.

E a maior surpresa que tivemos em Elite foi o relacionamento de Carla e Samuel. Confesso que fiquei bem apreensivo quando isso começou a acontecer, achei que iria ser forçado e não daria certo, mas deu! Eles iniciam uma relação de interesses, já que ela quer controlar Samuel para que não conte nada e ele quer descobrir toda a verdade, mas com o passar dos episódios, o envolvimento vai ficando mais sério e o casal começa a nutrir sentimentos um pelo outro, graças a boa química entre os atores Ester Expósito e Itzan Escamilla. E pelo amor de Deus, o que foi a atuação de Ester Expósito?! Mandou muito bem! Está linda, atuação impecável, teve cenas fortes que demandavam um esforço maior, e ela arrasou!

O roteiro de Elite apostou novamente no suspense, que foi um dos pontos altos da primeira temporada. Logo no primeiro episódio descobrimos que Samuel está desaparecido e possivelmente pode estar morto. Intercalando entre passado e presente, a série vai narrando os fatos que levaram a esse acontecimento. Produtores de 13 Reasons Why vamos aprender com Elite como se faz um roteiro bacana. Talvez o fato de ter apenas oito episódios tenha contribuído para que a história tenha sido mais redondinha e caminhado em um ritmo legal. Como falei no início, o estilo novelesco também contribui para que o espectador acompanhe a série, já que tem várias reviravoltas, plot twists, e as cenas quentes que fizeram Elite ser famosa.

Sucesso de popularidade e já renovada para terceira temporada, Elite promete trazer novos desenvolvimentos, principalmente com Polo – que, provavelmente, não será preso pelo assassinato da Marina e terá que conviver novamente com todos. Será que Carla e Samuel terão futuro? Netflix, já quero a terceira temporada na minha mesa AGORA!

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#Séries | 13 Reasons Why 3

Oi gente! 
Assim que saiu a 3ª temporada de 13 Reasons Why já fiz minha maratona no fim de semana. Com 13 novos episódios abraçando uma proposta de reparação de erros, a série consegue cometer novos problemas. Após reações negativas para a temporada anterior (que não era necessária) 13 Reasons Why volta trazendo um novo mistério.

Preciso confessar que a proposta foi bem chamativa, um escape que traria uma luz no fim do túnel, podendo ser bem interessante. A nova temporada girou em torno da morte de Bryce Walker (Justin Prentice). Afinal, quem foi o responsável por sua morte? Bryce sempre foi o vilão absoluto, sem piedade, sem nuances. A segunda temporada, inclusive, reforçou todo esse maniqueísmo. Agora, a produção resolveu humanizar o personagem. Vemos um Bryce arrependido pelo que fez, tentando, à sua maneira, consertar um pouco as coisas. A face humana mostra um garoto rejeitado pelos pais, principalmente o pai, desde sua infância. Há uma tentativa de justificar todas as atrocidades cometidas pelo playboy, bem como dar um peso maior à sua morte.

Por outro lado, temos Clay (Dylan Minnette), que continua sendo o amigo que tenta salvar todos. Dessa forma, ele se torna um dos principais suspeitos pelo assassinato. Além dele, todos os demais personagens possuem motivos para terem cometido o crime e, ao longo dos episódios, são descobertos vários segredos de Jessica (Alisha Boe), Justin (Brandon Flynn), Alex (Miles Heizer), Chloe (Anne Winters), Zach (Ross Butler), Tyler (Devin Druid) e Monty (Timothy Granaderos).  Além deles, temos o surgimento de uma nova personagem Amarowat Anisia Achola (Grace Saif). Toda a temporada é narrada pela perspectiva de Ani como é mais chamada, o que trouxe um certo incômodo. Ela chega à Liberty High após os acontecimentos do baile de primavera, que deram fim à segunda temporada, e rapidamente se envolve com os personagens principais. Porém, Ani, que não é nada carismática, narra diversos fatos, sentimentos, ações de todos os outros – coisas que ela não poderia saber devido ao pouco tempo de amizade ou até mesmo pouco contato com alguns deles. Ela sabe de tudo, domina tudo, está envolvida em tudo e praticamente dita a sequência de acontecimentos.  Ficou estranho. Na minha opinião – como não souberam aproveitar Katherine Langford na temporada anterior – poderiam ter recorrido novamente a atriz para narrar em off os fatos acontecidos, sem aparecer em nenhum momento. Teria sido mais crível para a história, já que a personagem está morta. E caberia a Grace Saif apenas o “relato” final.

Além disso, todo o desenvolvimento ocorre tanto no presente como no passado. E assim, algumas cenas ficaram confusas, mesmo com a produção distinguindo as fases com alguns efeitos, como por exemplo, no passado são utilizadas cores vivas e vibrantes; no presente temos cores mais escuras para vislumbrar os sentimentos daquele momento. Além disso, o formato da tela também é diferente – no passado a cena ocorre em tela cheia; no presente temos aquelas tarjas pretas. Por outro lado, a trilha sonora é um bom diferencial e traz um certo escape positivo.

Comentando sobre o elenco, temos boas atuações. Alisha Boe traz uma nova perspectiva à sua personagem acerca da sobrevivência ao trauma, e isso é muito bem desenvolvido quando Jéssica inicia um grupo com outras pessoas que passaram por experiências parecidas. Juntas, elas buscam acabar com o machismo dentro da cultura esportiva e a impunidade aos assediadores dentro da escola.

Brandon Flynn (Justin) e Justin Prentice (Bryce) também trazem arcos interessantes de seus personagens. Mas o grande destaque é sem dúvida nenhuma Devin Druid – o Tyler é o personagem que mais teve altos e baixos, que desenvolveu um contexto interessante. No final da season anterior, ele estava prestes a entrar atirando no baile e matar vários alunos (coisa que acontece bastante nos EUA). Depois disso, ele começou a construir amizades, a evoluir como pessoa e, principalmente, a deixar a vitimização de lado e crescer perante a sociedade. Sua performance foi arrebatadora e sensível.

Foram 13 episódios com um desenvolvimento mais contido, em relação às tramas. A impressão que fica é que 13 Reasons Why não quer mais se envolver em polêmicas desnecessárias, como foi o caso da cena de suicídio da Hannah (que inclusive foi retirada pela Netflix), ou do polêmico vislumbre de um estupro explícito com o Tyler. Mas, ao mesmo tempo, parece que a série perdeu um pouco da sua audácia, apresentada no início. Não vou dar spoilers (talvez dê ), mas a achei a ideia da revelação do assassino muito interessante, porém a temporada inteira discutiu a importância da moralidade, de consequências aos atos, de sempre dizer a verdade e, no fim, é desencadeada uma grande mentira.

Com uma quarta temporada já confirmada, resta saber o que os autores pretendem fazer para dar continuidade à história.  Não acho que o que aconteceu no final seja um gancho suficiente para o que virá. Agora é esperar pela 4ª e última temporada de 13 Reasons Why.

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#Séries | 3ª temporada de The Handmaid’s Tale

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Uma das melhores séries da atualidade encerrou sua terceira temporada – The Handmaid’s Tale, baseada na obra de Margaret Atwood, trouxe um ritmo mais lento, que dividiu a opinião do público. Aclamada em sua estreia e criticada em sua segunda temporada, desta vez, os showrunners tiveram que mudar um pouco – a história se desenrolou mais lentamente, cenas de violência (muito criticadas) foram cortadas e o desenvolvimento se tornou arrastado. Ainda assim, trata-se de uma grande produção.

A grande expectativa para esta temporada girava em torno da promessa de revolução e vingança de June. A personagem de Elisabeth Moss desistiu da fuga, no final da segunda temporada, e retornou para Gilead para buscar sua filha Hannah (não podemos negar que foi um mega plot twist). A terceira temporada iniciou mostrando a vida de Emily (Alexis Bledel) depois de ter escapado de Gilead com a ajuda de June. A adaptação não é fácil, já que ela precisa se envolver com o filho, que não via desde pequeno, além da esposa. Ela conhece Luke (O.T. Fagbenle) e Moira (Samira Wiley), passando a ajudar no trabalho com os refugiados.

Aos poucos, com o passar dos episódios, a história no Canadá começa a ser ofuscada pelos anseios de June. Primeiramente, ela é forçada a aparecer em programas de TV, entre outras mídias para que o casal Waterford tenham a bebê Nichole de volta. E depois de ter uma vida conturbada com Serena (Yvonne Strahovski) e o comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes), ela acaba sendo remanejada de casa e passa a viver com os Lawrence. Lá, ela descobre que o comandante, apesar de não ser a pessoa mais confiável do mundo, ajuda as pessoas a fugirem para o Canadá. Com isso, a relação entre ele e June se torna complicada, pois o comandante Lawrence (Bradley Whitford) não consegue controlar as ações e planos da aia. Em um determinado momento, ela descobre que Gilead foi moldado com a ajuda do comandante, que se mostra arrependido principalmente pela sua esposa, Eleanor (Julie Dretzin), que ficou completamente perturbada com o novo mundo e precisa de ajuda psicológica.

O que estávamos ansiosos para ver, aconteceu apenas nos últimos episódios. June, com ajuda das aias e Marthas, resolve bolar um plano para tirar as crianças de Gilead. Embora a temporada tenha sido a menos acalorada da série – talvez por ter mais episódios – 13, a transformação de June é algo para aplaudir. A personagem tem se tornado cada vez mais fria e calculista – algo muito importante para o desenvolvimento da história.

E como a história tem seguido um ritmo mais arrastado era de se esperar que coadjuvantes roubassem a cena. Alexis Bledel brilhou quando Emily chega ao Canadá com Nichole – vê-la encontrando Moira e Luke foi um dos momentos mais emocionantes de toda a série. Outros personagens também tiveram enfoque. A Tia Lydia (Ann Dowd), por exemplo, ganhou um episódio de origem muito bem desenvolvido. Podemos ver como a personagem era antes de tudo e, principalmente, os motivos que a levam a aceitar todas as atrocidades. Mas, por outro lado, a figura de Serena passa vários episódios distante e volta apenas no final. O que é realmente uma pena, primeiro pela atuação incrível de Yvonne Strahovski, e segundo pela expectativa criada sobre a relação dela com Fred. Há sim um ou dois momentos na temporada que entregam isso, mas a sensação é que a personagem foi deixada um pouco de lado.

Tivemos ótimos episódios – a sequência em Washington é muito boa – podemos ver que a situação já saiu de controle, com um nível de atrocidades muito maior do que ocorre em Gilead. Como falei, o episódio da Tia Lydia também foi bom, assim como os capítulos finais. A fotografia continua incrivelmente perfeita. Mas uma coisa tem começado a me irritar também – as cenas com close no rosto da atriz Elizabeth Moss – é um atrativo que funcionou muito bem na primeira temporada – fazendo com que a atriz ganhasse o Emmy – mas tem sido muito utilizado e, em momentos desnecessários. O público cansa disso. É necessário? Sim, até porque Elizabeth Moss é muito talentosa e consegue passar suas emoções e expressões apenas com o olhar, mas tem que ser em momentos estratégicos.

Enfim, mais uma temporada se passou e June permanece presa em Gilead. Mas agora, o sentido dela ali é mais claro. Ela é um símbolo de esperança. Vamos aguardar a 4ª temporada, que já está confirmada pela Hulu.

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#Série | Sintonia

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Nesta semana estreou na Netflix a nova produção original brasileiraSintonia, idealizada pelo KondZilla (um dos principais nomes do audiovisual musical), em parceria com Guilherme Quintella e Felipe Braga, e produzida pela Losbragas (que também é responsável pela produção de “Samantha!”). A série possui uma premissa realmente interessante: apresentar a vida de três amigos na periferia paulistana, sob um ponto de vista menos estigmatizado e mais humano.

Primeiro temos Doni (MC Jottapê), um jovem que, como muitos, sonha em um dia atingir o sucesso no mundo do funk, mas mesmo investindo todo seu esforço em escrever músicas para se tornar um MC, não tem a aprovação e compreensão do pai. Rita (Bruna Mascarenhas) se mantém vendendo produtos clandestinamente em estações de ônibus e ajudando a traficar maconha, mas sua vida sofre uma grande virada quando acaba colocando sua melhor amiga em perigo, o que a faz enxergar na religião uma forma de melhorar sua vida. Por último, entre os protagonistas, temos Nando (Christian Malheiros), um jovem que já se encontra em uma vida de crimes para poder sustentar sua mulher e filha, mas o desejo de crescer nesse mundo acaba fazendo com que ele se afundasse mais do que gostaria.

Já começo dizendo para não ter preconceitos com a série! Sim, ela retrata o mundo do funk, das drogas e da favela em São Paulo. Mas vai muito além. O roteiro é bem desenvolvido, conta uma história envolvente, com cenas interessantes, sempre tendo um jogo de câmera ou imagens aéreas, um diálogo real cheio de gírias da quebrada paulistana e, por fim uma fotografia atraente.

As três histórias vão se relacionando cada vez mais ao longo da trama, com o encontro dos protagonistas sendo utilizado para interligar cada um dos três núcleos, onde vemos cada um dos amigos empenhado em apoiar o outro nestas novas fases de suas vidas. Em nenhum momento a série se perde ao contar a história de seus personagens, conseguindo fazer com que o espectador não só entenda o ponto de vista de cada um, mas torça pra que obtenham sucesso no que procuram. A relação de irmandade é bem construída e facilitada graças à boa química do trio de atores.

Falando em elenco, o nome mais conhecido é do MC Jottapê, que já fez alguns filmes e novelas como “O Menino da Porteira” (ao lado do sertanejo Daniel) e “Chiquititas”, no SBT. Além de atuar, ele já gravou diversas músicas e clipes no canal do próprio KondZilla. Christian Malheiros iniciou sua carreira no teatro e fez sua estreia nos cinemas em 2018, no drama “Sócrates”, pelo qual foi nomeado aos Prêmios Independent Spirit de Melhor Ator Principal. Já Bruna Mascarenhas fez sua estreia em TV.

A direção de KondZilla também dá tom à produção, que mostra tudo de uma forma crua e real, mesmo não usando sangue, muito sexo ou palavrões. O episódio final traz uma belíssima sequência que mostra e compara rituais de cada um desses ambientes. A edição ficou bem caprichada. E o que falar da trilha sonora!? Eu curto funk, então achei muito boa, retrata bem esse estilo que, inegavelmente, é uma forma de expressão artística e se tornou um forte patrimônio cultural brasileiro. Também tem, ao longo dos episódios, a utilização de músicas gospel, nos momentos da igreja. Foi uma construção musical interessante. Eu já estou ouvindo a trilha completa no Spotfy.

E mesmo que a Netflix não tenha se pronunciado sobre a renovação, a 1ª temporada chega ao fim deixando uma estrutura já definida para próximos arcos. Tanto que, em entrevista ao programa The Noite do Danilo Gentili, o Kondzilla já adiantou que a série foi pensada para ter três temporadas.

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#Série | La Casa de Papel 3

Oi gente!
Quem aí já maratonou a terceira parte de La Casa de Papel? Eu assisti todos os episódios em dois dias!! E hoje vou contar um pouquinho sobre o que achei para vocês!

Oito episódios dão a medida perfeita para a nova etapa de La Casa de Papel, que se encontra um tanto mais madura e centrada majoritariamente em seus arcos principais. Quem gostou das partes 1 e 2 com certeza se sentirá agraciado com a terceira parte, que mais uma vez mostra que não é tão fácil cometer crimes e se livrar deles assim. Os ladrões de La Casa de Papel cometeram o primeiro roubo como forma de fazer resistência contra as políticas da Espanha, e nesta temporada vemos que a corrupção por lá é grande e que as autoridades do país têm muito a esconder.

Após o assalto à Casa da Moeda, os ladrões mais queridos da Espanha se dividem e vão aproveitar a riqueza em determinadas partes do mundo – lugares onde poderiam viver livremente sem serem presos “tecnicamente”. Rio (Miguel Herrán) e Tóquio (Úrsula Corberó) passam alguns anos sozinhos em uma ilha paradisíaca, mas depois de tanto tempo de calmaria a ladra decide que não quer passar o resto da vida assim e que precisa se desprender; Rio, por outro lado, está muito acostumado com a nova vida. Depois de um tempo, ela resolve partir e, consequentemente, a relação entre os dois é prejudicada. Para que pudessem manter contato, ela leva consigo um telefone via satélite que, na teoria, era não-rastreável para que o casal pudesse manter contato. Mas, infelizmente, não foi bem assim que aconteceu. Assim que os aparelhos foram ligados pela primeira vez, logo os detetives espanhóis captaram os sinais de origem e descobriram onde estavam Rio e Tóquio. Enquanto ela conseguiu fugir, ele foi capturado.

Em desespero, Tóquio consegue encontrar o Professor (Álvaro Morte), que está vivendo com Raquel (Itziar Ituño), e conta o ocorrido. Como não há nenhuma notícia sobre a captura, a suspeita é que ele está sendo torturado ilegalmente para revelar informações. É quando a terceira temporada começa de verdade. Vemos em La Casa de Papel 3 que os ladrões são considerados heróis. Com fãs em toda a Espanha, eles são adorados justamente por ir contra os ideais do governo corrupto do país. Os macacões e máscaras de Salvador Dalí, utilizados pelos ladrões, se tornaram um símbolo de resistência ao redor do mundo e aparecem até mesmo em um protesto no Brasil.

Vendo toda essa comoção, o grupo decide iniciar um novo roubo como forma de resgate do Rio. O alvo, desta vez, é o Banco da Espanha, que guarda uma grande quantidade de ouro num cofre extremamente protegido embaixo da terra. Lá, também há documentos que comprovam as irregularidades do governo. A série conta com novos personagens – Palermo (Rodrigo de la Serna), Bogotá (Hovik Keuchkerian) e Marselha (Luka Peros), além das já conhecidas Estocolmo/Mônica Gaztambide (Esther Acebo) e Lisboa/Raquel. Juntos com os demais – Nairobi (Alba Flores), Denver (Jaime Lorente) e Helsinki (Darko Peric), o grupo voltará para fazer história. Mas talvez a melhor nova personagem desta temporada seja a inspetora Alicia Sierra (Najwa Nimri). Grávida, ela é a responsável pelas torturas a Rio e depois aparece para comandar as negociações. Amamos odiar a personagem!

Na minha opinião, um dos motivos do sucesso de La Casa de Papel é a empatia que temos com os personagens. Mesmo eles sendo “anti-heróis”, nós torcemos para que o roubo dê certo e eles saiam todos salvos. É estranho pensar que torcemos para os bandidos se darem bem, mas esse é o ponto alto de todo o roteiro. Todos eles conquistam o público. Com exceção do Palermo, que é extremamente machista, deixa bem claro a sua falta de caráter e respeito com as mulheres – o personagem veio substituir Berlim (Pedro Alonso), que realmente morreu na temporada anterior – resolvendo assim um dos grandes mistérios dessa terceira parte. O ator Pedro Alonso tem algumas cenas de flashback, que também traz um certo sentimento de saudade.

Uma crítica que faço é com relação ao retorno de Arturito. Ele que na primeira e segunda parte era um refém, passou a ser uma pessoa famosa, ganhando a vida fazendo palestras motivacionais e divulgando o seu livro, contando tudo o que aconteceu no crime. O personagem foi um dos mais odiados no início da história e não teve nenhuma função nesta temporada. Se não tivesse aparecido, não teria feito falta nenhuma. É bem provável que ele terá função na parte 4, já que ele entrou no Banco da Espanha durante o desenvolvimento do assalto. Acho que o roteiro falha ao mostra-lo sem ter um propósito imediato.

Fazendo um balanço geral, a Netflix acertou com a nova parte de La Casa de Papel. A série possui cenas ótimas – tanto que podemos ver o aumento no investimento por parte do serviço de streaming. O desfecho deixa aberto para uma nova temporada, que já foi confirmada e já está sendo filmada. Não darei spoilers aqui, mas já digo para se prepararem para um desfecho impactante.

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#Série | 2ª Temporada de Dark

Oi gente!
Antes de assistir Stranger Things 3 (tem resenha AQUI), eu conferi a 2ª temporada de Darksérie alemã da Netflix. Em sua temporada de estreia, a produção se mostrou uma grata surpresa devido à sua trama intrincada que misturava suspense e ficção científica. Nos primeiros episódios, a série apresentou Widen, uma cidade tomada por mentiras e segredos que entra em ebulição após o inexplicável desaparecimento de um garoto que resulta em uma complexa teia de viagens no tempo. Depois de dois anos de espera, a produção alemã retorna em grande estilo ao escancarar sua veia sci-fi, sem deixar os mistérios para trás.

Fãs de ficção científica que ainda não conferiram Dark, estão perdendo a chance de acompanhar uma ótima produção. A nova temporada possui apenas oito episódios.

Dark volta exatamente no ponto de parada da season 1, quando Jonas Kahnwald (Louis Hofmann) se encontra no futuro – no ano de 2052 – após sua versão mais velha tentar destruir o buraco de minhoca. O mundo pós-apocalíptico traz novos perigos para o adolescente, que descobre uma forma de voltar ao passado após se esgueirar por um túnel e encontrar um grande segredo. Com isso, passamos a entender mais o papel do personagem na complexa engrenagem da série, assim como suas conexões com outros personagens como Noah (Mark Waschke) e a diretora da usina nuclear (em 1986) Claudia Tiedemann, que vemos em três versões diferentes. Paralelamente, durante as investigações a respeito do sumiço de Mikkel Nielsen (Daan Lennard Liebrenz), mais pessoas descobrem a possibilidade de visitar outros períodos, criando um verdadeiro fluxo de gente fora de seu tempo. Consciente de sua densidade, o roteiro consegue se manter coeso ao localizar pessoas com motivações variadas através de linhas temporais.

Com uma produção meticulosa, a nova temporada amplia não só sua complexidade narrativa, como também seu espetáculo visual. O grande acerto de Dark na segunda temporada é explorar ainda mais ‘o vilão’- que depois se descobre que não existe nem vilão, nem mocinho. E a linha que une a ciência e a ficção.

Ao solidificar seus pontos positivos, Dark se mantém firme em uma vastidão de tramas e garante um retorno em alto nível, e com previsão de terminar na terceira temporada, o futuro da produção não poderia ser mais animador (e desesperador ao mesmo tempo). A produção traz uma segunda temporada que é brilhante, mas o nó na cabeça continua, talvez até piora. O final da temporada é surpreendente! É interessante o fato que Dark te faz pensar, raciocinar, além de criar mil teorias. De vez em quando é bom sair da zona de conforto.

#Série | Stranger Things 3

Oi gente!
Quem acompanhou meus stories na última semana viu que eu aproveitei o feriado prolongado para assistir a 3ª temporada de Stranger Things – uma das minhas séries preferidas, lançada pela Netflix. Com uma trama mais contida e um roteiro bem amarrado, a produção com oito episódios.

Nesta nova fase, acompanhamos cinco linhas narrativas. A primeira com as crianças – não tão crianças mais – Mike (Finn Wolfhard), Will (Noah Schnapp), Lucas (Caleb McLaughlin), Max (Sadie Sink) e Eleven (Millie Bobby Brown) descobrindo as novas perspectivas da adolescência. A segunda traz o quarteto Steve (Joe Keery), Dustin (Gaten Matarazzo), Erica (Priah Ferguson) e Robin (Maya Hawke – para quem não sabe, ela é filha dos atores Ethan Hawke e Uma Thurman) desenvolvendo uma investigação pelo shopping Starcourt após interceptarem uma conversa russa. A terceira linha narrativa acompanha o elenco adulto – Hopper (David Harbour) e Joyce (Winona Ryder), que fica intrigada com os imãs de não fixam em sua geladeira, desenvolvendo outra investigação, enquanto fogem de um assassino russo que faz total referência ao personagem de Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro. Outra linha acompanha Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan (Charlie Heaton) no mercado de trabalho machista, onde ela tenta se impor e acaba ferrando tudo. E por fim, Billy (Dacre Montgomery) intensifica o arco sombrio da trama, que acompanha o Devorador de Mentes, com a intenção de possuir todos os habitantes da cidade.

É importante ressaltar como os produtores – os irmãos Duffer – construíram uma trilha narrativa extremamente competente e, principalmente, souberam aproveitar o que a série tem de melhor – a referência aos anos 80 e a capacidade dos personagens em conquistar o público.

Eu gostei bastante da relação construída nessa temporada entre as meninas – Max e Eleven, afinal de contas elas estão crescendo, surgem os namoros – era natural elas se aproximarem, e essa aproximação foi muito bem desenvolvida. Outra relação que já havia sido construída na temporada anterior e que deu muito certo foi entre Dustin e Steve. Em um primeiro momento fiquei receoso que o Dustin não seguiria com o restante dos meninos, mas acho que foi até melhor assim – o quarteto formado ganhou muito destaque – talvez até se tornando a melhor linha narrativa – e o surgimento das meninas foi essencial. Maya Hawke chegou para brilhar na trama e Priah Ferguson ganhou bastante destaque, após surgir na temporada anterior e conquistar todo o público com a engraçada e NERD Érica.

Para quem esperava que os produtores iriam continuar desenvolvendo a história da Eleven e as demais crianças que serviam como experimentos – como a Eight que apareceu em um polêmico episódio da segunda temporada – acabou não acontecendo. É bem provável que isso possa retornar na season 4.

Considerando que no 3º ano possui mais personagens dentro do círculo, é impressionante observar como os diálogos permanecem fluidos, consistentes e trazem uma maturidade que não só é originada pela passagem do tempo, mas principalmente pelas vivências que o público pode acompanhar desde a 1ª temporada. O crescimento dos garotos não só é apresentado pela mudança física ou no tom de voz, mas pelo modo como reagem às adversidades em conjunto.

Além da alta qualidade no roteiro que mescla fantasia, drama e tensão na mesma intensidade, Stranger Things parece estar cada vez mais à vontade para explorar o mundo de referências contidas nos anos 80. A produção continua impecável – o shopping é um dos pontos altos; a trilha sonora sempre maravilhosa, as roupas em tons neon, com muitas cores, estampas deixa tudo ainda mais bonito.

Com um final bombástico que promete deixar muitos fãs inconsoláveis, a série da Netflix se fortalece como uma das melhores coisas da televisão. Com uma cena pós-créditos que mostra um velho conhecido dos nossos protagonistas, Stranger Things finaliza com uma boa evolução, fazendo com que criemos diversas teorias para o que aconteceu. Prepare-se para rir e se emocionar!

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