Categoria: Filmes

#Filme | Ford vs. Ferrari

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2020 – hoje vou falar de “Ford vs. Ferrari”, do diretor e roteirista americano James Mangold. O longa concorre em 4 categorias – melhor filme, montagem, edição de som e mixagem de som. Confira também as resenhas de “Dois Papas” (AQUI) e “Parasita” (AQUI).

A história se passa no início dos anos 1960, quando Henry Ford II, neto do fundador de uma das maiores construtoras do mundo, decidiu que a Ford precisava ser mais arrojada no mercado. Não poderia se contentar apenas em ser a maior vendedora de carros do mundo, mas se transformar em sinônimo de qualidade. Com isso em mente, tentou a todo custo comprar a Ferrari, que imperava nos principais campeonatos de automobilismo. Além de quatro troféus de Fórmula 1, entre 1956 e 1964, a empresa italiana conquistou seis vezes a desafiante prova 24 Horas de Le Mans, na França, entre 1958 e 1964.Com a recusa na negociação, bater de frente com a poderosa italiana virou questão de honra para os americanos, que nunca haviam conquistado a prova, muito menos uma temporada na Fórmula 1.

Para que a Ford obtivesse êxito, foi contratado o visionário designer automotivo americano Carroll Shelby (Matt Damon), único piloto dos EUA a vencer o disputado evento de corrida na história. A parceria entre Shelby e o destemido piloto britânico Ken Miles (Christian Bale) foi o grande trunfo. Juntos, Shelby e Miles lutaram contra o domínio corporativo, as leis da Física e seus próprios demônios pessoais para construir um carro de corrida revolucionário para a Ford Motor Company, assumir o controle das pistas e derrotar os veículos dominantes de Enzo Ferrari, nas 24 Horas de Le Mans, na França.

O título do filme passa a ideia da rivalidade entre as duas construtoras automobilísticas ou até mesmo a rixa entre seus donos, porém Henry Ford II (Tracy Letts) e Enzo Ferrari (Remo Girone) não possuem nenhum embate no filme, portanto a produção vai muito além disso – trata-se mais de uma história de superação pessoal tanto de Ken Miles como de Carroll Shelby. E tudo isso para os atores brilharem! Matt Damon e Christian Bale fazem um ótimo trabalho. O elenco ainda traz Caitriona Balfe (Outlander), Jon Bernthal (O Justiceiro), Josh Lucas (Poseidon), Noah Jupe (Um Lugar Silencioso), Ray McKinnon (Mayans M.C.), entre outros.

A produção também é muito boa. As sequências de corrida foram filmadas sem ajuda de computação gráfica, ou seja, tudo o que vemos é tão real quanto possível. E todas essas cenas são muito boas, talvez a melhor parte do filme. A equipe também conseguiu reproduzir de forma bem real os anos 1960. Trilha sonora, fotografia, figurino, tudo remete à década. Apenas acho que duas horas e meia de tela foi muita coisa – o início, principalmente, é cansativo. No Oscar, acredito que não tenha grandes chances, talvez nas categorias de som, mas concorre diretamente com o fortíssimo “1917”.

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#Filme | Parasita

Oi gente!
Continuando a saga dos filmes indicados ao Oscar (já falei de “Dois Papas” AQUI) hoje chegou a vez de “Parasita”, produção sul coreana que conquistou 6 indicações – melhor filme, direção (Bong Joon Ho), edição, filme estrangeiro, design de produção e roteiro original.

Já vou começar dizendo que gostei do filme – na parte técnica ele é perfeito – mas confesso que não entendi todo o hype que a produção está tendo. “Parasita” foi amplamente citado na imprensa especializada como um dos melhores filmes de 2019 e, além disso, tem feito números expressivos de bilheteria. O filme já arrecadou cerca de US$ 107 milhões globalmente. É um blockbuster na Coreia do Sul e bateu recordes nos Estados Unidos, um mercado conhecido por consumir poucos filmes estrangeiros. Nos cinemas brasileiros, segundo noticiou o site Adorocinema, “Parasita” esteve entre as maiores bilheterias.

Como falei… o filme é interessante? Sim! A temática da desigualdade de classes, muito bem trabalhada pelo roteiro, conquista a atenção de quem assiste. Bong Joon Ho – diretor de “Expresso do Amanhã” (2013) e “Okja” (2017) – faz um bom trabalho na parte técnica do longa. Temos boas cenas, um jogo de câmeras bem interessante, uma produção impecável. A história, de certa forma simples, acompanha duas famílias, mostrando realizadas opostas.

Toda a família de Ki-taek (Kang-Ho Song) está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai (Kang-Ho Song), mãe (Chang Hyae Jin), filho (Woo-sik Choi) e filha (Park So-Dam) bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um.

A composição do filme é bem clássica – possui o início explicativo onde mostra a família Kim passando diversas dificuldades, tendo que morar em um porão sujo e mal localizado, até o momento em que o filho Ki-Woo consegue um emprego e passa a infiltrar cada familiar, demonstrando até um tom cômico. Logo após inicia-se o desenvolvimento com o plano sendo colocado em prática até o grande plot twist que desencadeia o final com grandes surpresas – algumas até meio difíceis de acreditar. O final é ousado, é perturbador e surpreende o espectador – talvez seja esse encerramento o grande motivo do hype. Com relação ao elenco, o experiente Kang-Ho Song é o grande destaque ao interpretar o pai desiludido e interesseiro. Park So-Dam também me agradou como a filha da família pobre.

“Parasita” é uma metáfora extremamente importante, que busca discutir a desigualdade, o oportunismo, o que vale a pena fazer em um mundo totalmente injusto, tudo isso de uma forma simples e até eficiente. É um olhar urgente, com camadas construídas de forma eficaz, sobre temas sociais oportunos. Aposto na vitória do longa sul coreano na categoria de melhor filme estrangeiro. Poderia ter um destaque na categoria de design de produção, mas tem concorrentes fortes.

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#Filme | Dois Papas

Oi gente!
Começou a temporada de premiações do cinema e nestes próximos posts vou trazer dicas de alguns filmes que concorrem nas principais categorias dessas cerimônias. Logo nos primeiros dias do ano, assisti ao filme “Dois Papas”, do diretor brasileiro Fernando Meirelles.

O longa da Netflix, inspirado em eventos reais, nos leva de volta ao começo do século, logo após a morte do Papa João Paulo II, quando o povo cristão se reuniu na Praça de São Pedro no Vaticano, à espera de um novo pontífice que representaria a Igreja católica, e este veio no conservador alemão Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI. Sendo quase eleito, o Cardeal Jorge Mario Bergoglio retornou para a Argentina, seu país de origem. Sua vida também é retratada em diversos flashbacks, mostrando sua celebração entre os pobres, sua torcida pelo San Lorenzo – seu time do coração, e até mesmo parte de sua juventude. Porém, com o passar de alguns anos, ele se encontra frustrado com a direção que a Igreja estava tomando, e resolve pedir permissão para o líder católico para se aposentar do cargo. Mas, o Papa Bento XVI enfrenta uma das grandes crises do Vaticano – sobre padres incestuosos e diversas outras denúncias que apareciam no mundo todo, e, que em sua maioria eram acobertadas pela própria igreja.  Na Itália, os “dois papas” iniciam uma longa conversa onde debatem não só os rumos do catolicismo, mas também afeições e peculiaridades da personalidade de cada um.

Para começar, já confesso que assisti este filme sem grandes expectativas, pois achei que não iria gostar. E é tão bom quando a gente se surpreende, não é mesmo?! O longa é muito bom! E existem dois méritos de maior destaque no filme de Fernando Meirelles: os diálogos entre os personagens-título e as performances de Jonathan Pryce e Anthony Hopkins – estão absolutamente fascinantes em seus papéis. A semelhança física dos dois atores com os personagens históricos que representam já é algo notável. Os dois atores assumem a seriedade e o pensamento desses dois religiosos e recebem um texto forte, respeitoso e muito verdadeiro sobre aquilo que o mundo pensa a respeito da igreja como um todo. As diferentes visões de Bento e Francisco sobre variados assuntos — da doutrina católica a futebol — tornam o filme cativante, mesmo para quem não é religioso. Os dois não concordam em nada, mas encontram uma via de respeito, um belo exemplo no atual contexto.

Destaque também para o ator argentino Juan Minujin que interpreta o cardeal Bergoglio nos flashbacks. Ele faz um ótimo trabalho, aliado à toda composição maravilhosa que o filme traz. As cenas do passado – algumas até em preto e branco, com formato de tela diferente e filtro antigo – retratam um período nebuloso do papa argentino, fases que ele mesmo já disse se arrepender muito. O tom documental traz ainda mais realismo à produção. Claro que algumas coisas não são tão verdadeiras, afinal é um filme baseado em fatos reais, após o roteiro seguir o livro “Dois Papas: Francisco, Bento e a decisão que abalou o mundo”. A cena final, por exemplo, é hilária, apesar de não ser verdadeira. Ainda assim é um longa interessante, com diálogos maravilhosos, super reflexivo, com atuações impecáveis e uma direção segura do brasileiro Fernando Meirelles. Vale a pena conferir.

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#Filme | Downton Abbey – o Filme

Oi gente!
Quem me acompanha há um tempo aqui no blog ou pelas minhas redes sociais deve saber que eu era mega fã de Downton Abbey. E neste ano, os produtores dessa série maravilhosa resolveram fazer um filme para matarmos a saudade da família Crawley.

E já digo que o intuito maior é realmente esse – matar a saudade. Apesar de uma produção impecável – como sempre foi – o longa não tem grandes pretensões. Na nova produção, os residentes de Downton Abbey recebem a notícia de uma visita real, e enquanto os moradores dos andares de cima se apressam para organizar os preparativos, os criados dos andares debaixo tentam encontrar um jeito de não serem substituídos pelos funcionários da Coroa. A trama é básica, mas complementada por romances paralelos e questões políticas.

Como foi bom reviver personagens tão queridos como Robert Crawley (Hugh Bonneville), Lady Mary (Michelle Dockery) ou mesmo os serviçais Carson (Jim Carter), Mrs. Hughes (Phyllis Logan) Anna Bates (Joanne Froggatt), John Bates (Brendan Coyle), Mrs. Patmore (Lesley Nicol) e, claro que não poderia faltar a condessa Violet Crawley (Maggie Smith). Confesso que assisti todo o filme com aquele sorrisinho bobo no rosto – era inevitável.

E como falei, a produção não tem grandes pretensões de prêmios ou talvez Oscar. Mas a história cativa quem era fã. Foi interessante para sabermos como estavam alguns personagens e para se redimirem com outros que não tiveram um devido final na série. Gostei de ver a relação de Lady Edith (Laura Carmichael) com o marido e saber que o casal terá seu primeiro filho. Que Daisy (Sophie McShera – adorava ela) e Andy (Michael C. Fox) estavam aos trancos e barrancos com seu relacionamento, mas que tudo foi encaminhado no final. Que Thomas Barrow (Robert James-Collier) apesar de todas as vilanias que fez durante a série, se redimiu mesmo e continua como o mordomo de Downton. E ainda bem que resolveram a vida do Tom (Allen Leech) – tinha sido uma das únicas coisas que não curti quando a série finalizou – o personagem era tão querido e não tinha tido seu final feliz. Mas dessa vez surgiu uma nova paixão – a doce Lucy (Tuppence Middleton) – que eu fiquei chocado ao perceber que ela era a atriz que fazia a Riley em Sense8.

Além de tudo isso, pode-se dizer que o ponto alto do filme é, sem dúvidas, a fotografia, elogiadíssima desde a TV. Todo o contraste, seja em tons mais escuros ou a iluminação, com cenas maravilhosas do castelo, ou seja em roteiro, tudo foi altamente trabalhado de forma gradativa.

Agora você pode me perguntar se alguém que nunca assistiu a série de TV conseguirá entender e acompanhar o filme? Acredito que sim, mas não surtirá o mesmo efeito! A história já começa sem apresentações de personagens ou de contexto narrativo – esse pode ser o único problema para quem nunca tenha visto nada. Mas com o desenvolvimento do roteiro, a história vai se tornando de fácil compreensão.

“Downton Abbey – o Filme” vale a pena por ser baseada em uma das séries mais bem avaliadas de todos os tempos, por apresentar uma história cativante, por nos trazer novamente um elenco fantástico – principalmente com Maggie Smith (saudades professora McGonagall) – inclusive a atriz volta a contracenar com Imelda Staunton (a Dolores Umbridge) – as duas formam um triangulo mega divertido com Penelope Winton. Se você era fã de Downton Abbey assista o filme porque não há como não gostar!

#Filme | O Retorno de Ben

Oi gente!
Hoje tem dica de cinema para vocês! “O Retorno de Ben” traz uma emocionante história com Julia Roberts e Lucas Hedges.

O longa retrata a volta de Ben Burns (Hedges) para a casa da família na noite de Natal. Por causa do seu vício em drogas, o jovem estava internado em uma clínica de reabilitação, mas tem a chance de passar 24h ao lado dos seus parentes para tentar, ao menos nas festas de final de ano, recuperar um pouco do tempo perdido. A princípio, apenas a mãe Holly (Roberts) e os dois irmãos pequenos é que o recebem com alegria – já que o padrasto (Courtney B. Vance) e a sua irmã Ivy (Kathryn Newton) ainda não tinham superado as recordações ruins das últimas vezes em que estiveram todos juntos. Ao longo da narrativa, uma invasão na casa da família seguida pelo sequestro do cachorro enquanto todos estavam na igreja para o evento de Natal traz à tona a ideia de que Ben sempre vem acompanhado por problemas.

Esse é o segundo filme que assisti recentemente que aborda o tema de recuperação das drogas – em “Querido Menino” (tem resenha AQUI), a história de Nic Sheff (Timothée Chalamet) também discute as relações familiares diante do tema pesado do vício em drogas.

Em “O Retorno de Ben”, o diretor e roteirista Peter Hedges (pai do protagonista na vida real) traz um drama familiar, mais intenso, com cenas para se emocionar, além de um show de Julia Roberts, que carrega toda a produção nas costas. A vencedora do Oscar possui ótimos momentos com Lucas Hedges, e seus personagens crescem a cada desenvolvimento. Difícil não se emocionar ao ver sua reação ao ter o filho de volta ou sentir seu desespero quando, no provador do shopping, Ben insinua que tem entorpecentes escondidos no tênis que ela esqueceu de checar.

Importante ressaltar que Lucas Hedges tem tido bons momentos no cinema. O jovem ator indicado ao Oscar por “Manchester a Beira Mar”, teve uma boa atuação em “Boy Erased”, e agora traz um desempenho ainda mais dramático, apesar de seu personagem ser bem apático. Com relação à narrativa, o filme segue um caminho que não curti muito devido ao desenvolvimento do sequestro do cachorrinho, que poderia ter tido mais impacto dramático, porém a continuação culminou em uma ótima cena de encerramento.

“O Retorno de Ben” é um filme que tem uma boa temática, ótimas cenas atuadas por Roberts e Hedges, além de um roteiro ao mesmo tempo convencional e surpreendente. Apesar de alguns pontos, o filme mostra muito bem o inferno da dependência química, sem explorações, moralismos ou preconceitos. Vale a pena conferir.

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#Filme | Querido Menino

Oi gente!
Passamos pela maratona do Oscar, agora vou trazer para vocês outros filmes que estrearam neste período – alguns até chegaram a concorrer em algumas categorias da premiação. Hoje vou falar do filme “Querido Menino”, um drama dirigido pelo belga Felix van Groeningen, com Steve Carell e Timothée Chalamet no elenco, que estreou nos cinemas no dia 21 de fevereiro. O longa esteve presente nas principais premiações do cinema (com exceção do Oscar), com a indicação do jovem Timothée Chalamet – que já havia agradado público e crítica ano passado com “Me Chame pelo seu Nome”.

O filme conta a história de David Sheff (Steve Carell), um conceituado jornalista e escritor que vive com a segunda esposa e os filhos. O filho mais velho, Nic Sheff (Timothée Chalamet), é viciado em metanfetamina e abala completamente a rotina da família. David tenta entender o que acontece com o filho, que teve uma infância repleta de carinho e suporte, ao mesmo tempo em que estuda a droga e sua dependência. Nic, por sua vez, passa por diversos ciclos da vida de um dependente químico, lutando para se recuperar, mas volta e meia se entrega ao vício.

A história é baseada em fatos reais e foi adaptada dos livros “Beautiful Boy”, de David Sheff, e “Tweak”, de Nic Sheff. A premissa do longa é muito boa – a luta de um pai para livrar o filho do vício das drogas. É a típica história que faz o espectador se emocionar, tanto que minhas expectativas para o filme eram altas, porém a experiência acaba frustrando um pouco.

O grande destaque é o elenco. Responsável pelo aclamado “Alabama Monroe” (2012), o diretor Félix van Groeningen estreia no cinema norte-americano apoiando-se em dois nomes fortes – Steve Carell, mais conhecido pelas comédias escrachadas e que atualmente tem investido em ótimos dramas como “Foxcather: Uma História que Chocou o Mundo” (2014), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, além de Timothée Chalamet, que encara seu primeiro desafio após o premiado “Me Chame Pelo Seu Nome” (2017). Carell nos entrega uma interpretação contida – o que não é uma crítica – porque isso faz com que seu personagem cresça. Já Chalamet rouba todas as cenas do filme com uma interpretação segura, forte e de extrema qualidade, tanto que tem sido indicado às premiações na categoria de ator coadjuvante. O personagem tinha tudo aos seus pés e, mesmo assim, decidiu abrir mão dessa vida aparentemente perfeita para mergulhar num caminho sem fim. E é nessa parte que talvez o filme peque. A produção poderia ser melhor – tudo bem que o ator passou por uma pequena transformação, emagreceu muito para compor o personagem, mas ainda assim faltou um pouco mais de caracterização de uma pessoa que vive drogada. Temos outros filmes maravilhosos que retratam o mesmo tema com perfeição.

O elenco coadjuvante também é bom. A mãe, interpretada por Amy Ryan, é quase um detalhe – os dois estão separados, e ela se mudou para outro estado – enquanto que a madrasta, aqui na pele da excelente Maura Tierney, é respeitosa e incisiva na medida certa. É dela, aliás, uma das cenas mais comoventes do filme. O roteiro também é um problema em alguns momentos – o início é extremamente parado, a narrativa linear cansa após algum tempo. Ainda assim temos cenas maravilhosas, bem dirigidas e bem atuadas – como a conversa entre pai e filho em uma cafeteria, onde Nic, sob o discurso de que “está tudo bem, busca mais dinheiro com o pai para seguir se drogando, culminando em uma discussão extremamente maravilhosa. É de uma maturidade artística impressionante. Têm outras cenas em que a direção mostra explicitamente o uso de drogas, mas sem banalizar o tema.

A trilha sonora também é bem composta – “Beautiful Boy” (título original) é uma referência ao livro adaptado, mas também é uma alusão à clássica canção de John Lennon (feita para o filho Sean). A música não só está presente no longa, como surge num momento delicadíssimo, na voz de Carell.

“Querido Menino” se mostrou um filme tímido, que poderia ter sido bem mais do que foi. Ainda assim é uma oportunidade de se emocionar em alguns momentos, com uma atuação (quase) impecável de Steve Carell e Timothée Chalamet. É um filme pouco profundo, mas não é tão exagerado.

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#Filme | Roma

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Roma”, do diretor mexicano Alfonso Cuarón. O longa recebeu o maior número de indicações (assim como “A Favorita”) concorrendo em dez categorias – melhor filme, melhor direção, atriz (Yalitza Aparicio), atriz coadjuvante (Marina de Tavira), roteiro original, filme estrangeiro, direção de arte, fotografia, edição de som e mixagem de som. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI), “Vice” (AQUI) e “Green Book – O Guia” (AQUI).

O vencedor do Oscar Alfonso Cuarón (por Gravidade, em 2014) está de volta com mais uma obra prima e, novamente, com grandes chances de vencer a categoria neste ano. Inclusive, nos últimos anos, o prêmio de melhor direção foi dominado pelos mexicanos – Cuarón venceu em 2014; Alejandro González Iñárritu ganhou dois anos seguidos 2015-2016; e no ano passado quem levou a melhor foi Guillermo del Toro. Curiosidades a parte, Cuarón é favorito pois trouxe um filme emocionante – quase uma cinebiografia, já que a produção é consolidada a partir de memórias da infância do diretor.

Ambientado no México do início dos anos 1970, “Roma” narra a história de Cleo (Yalitza Aparicio), uma empregada e babá, que trabalha na casa de uma família de classe média. Sua patroa Sofia (Marina de Tavira) enfrenta problemas no casamento ao mesmo tempo que precisa cuidar dos quatro filhos, com o auxílio da empregada. Em um período conturbado da história mexicana, Cleo precisa enfrentar um grande dilema.

O longa pode fazer história no Oscar 2019 – vencer na categoria de melhor filme estrangeiro (o que é praticamente certo), além da categoria principal de melhor filme. Se isso acontecer também será a primeira vez que uma produção do serviço de streaming (Netflix) leva o principal prêmio da noite.

Vencer não seria surpresa. A produção é simplesmente impecável. Cada plano é brilhantemente pensado, com cenas longas em planos sequência, diálogos que retratam o cotidiano, com boas atuações. Yalitza Aparicio talvez seja o melhor acontecimento. A mexicana que era professora, da noite pro dia virou estrela de cinema e até ganhou uma indicação ao Oscar, desbancando outras atrizes que eram favoritas como Emily Blunt (de O Retorno de Mary Poppins). Com uma atuação segura e emocionante, ela nem precisa de falas para ser o grande destaque em “Roma”. Já a experiente Marina de Tavira também conseguiu uma indicação – na minha opinião desnecessária – e não tem grandes chances.

“Roma” é uma narrativa sobre o amor em suas diversas facetas. Alfonso Cuarón volta a impactar com uma história comovente e de cunho social. Não é meu filme favorito no Oscar (a minha torcida é de Green Book), mas se vencer será por grandes méritos.

#Filme | Green Book – O Guia

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Green Book – O Guia”, do diretor Peter Farrelly. O longa concorre em cinco categorias – melhor filme, melhor ator (Viggo Mortensen), ator coadjuvante (Mahershala Ali), roteiro original e edição. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI) e “Vice” (AQUI).

Confesso que “Green Book – O Guia” me surpreendeu bastante. Eu não estava com grandes expectativas e a produção se mostrou excelente. O filme se passa no final dos anos 60, quando os Estados Unidos ainda era uma nação segregada, com o sul do país extremamente racista. Se um negro precisasse viajar pelos estados sulistas, poderia acabar espancado ou morto, tamanho o preconceito da região. Para ajudar, foi criado o Green Book (Livro Verde), que trazia uma lista de restaurantes e hotéis que aceitavam afro-americanos.

É onde o filme começa. Baseado em uma história real, Tony Lip (Viggo Mortensen) aceita um trabalho que foge de seu cotidiano: levar o Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), um pianista negro mundialmente famoso, em uma turnê de Manhattan ao Sul dos Estados Unidos – usando o Green Book para guiá-los aos poucos estabelecimentos da região que eram seguros. A transformação de Tony, de um conservador racista em alguém mais tolerante é um dos caminhos percorridos, mas não o único. Dr. Shirley também muda ao embarcar na jornada ao lado do motorista. Totalmente diferentes, os dois vão deixando de lado as diferenças para sobreviverem ao racismo.

Conhecido pela direção de comédias de sucesso como “Debi & Lóide”, “Quem vai ficar com Mary?” e “Eu, Eu Mesmo & Irene”, sempre na companhia do irmão Bobby, Peter Farrelly faz sua estreia como diretor-solo. E que estreia! O filme é muito bem construído, consegue passar com sutileza uma mensagem de luta e superação, além de ter ótimas interpretações de Viggo Mortensen e Mahershala Ali.

Vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 2017, pelo filme “Moonlight”, Mahershala Ali é o grande favorito na mesma categoria na premiação deste ano. O ator já levou outros prêmios como o Globo de Ouro e o SAG – com grandes méritos. Uma interpretação segura e maravilhosa. Mesmo com grande tempo de vídeo, é aposta certeira para o Oscar de coadjuvante. Já Viggo Mortensen tem um caminho mais difícil ao concorrer com Christian Bale (Vice) e Rami Malek (Bohemian Rhapsody), mas ainda assim corre por fora na categoria principal de atuação. O ator de “Senhor dos Anéis” também faz um trabalho brilhante – talvez o melhor em sua carreira.

“Green Book” consegue emocionar o espectador do começo ao fim, com uma história sensível e dramática na medida certa, com leves toques de humor, um elenco afiado e uma direção competente. A produção se torna cativante porque nos faz rir mesmo diante de situações horríveis, e porque nos afeiçoamos aos personagens principais e suas trajetórias. Um longa verdadeiramente comovente e encantador.

#Filme | Vice

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Vice”, do diretor Adam McKay. O longa concorre em sete categorias – melhor filme, direção, ator (Christian Bale), atriz coadjuvante (Amy Adams), ator coadjuvante (Sam Rockwell), roteiro original, edição, e maquiagem e penteado. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI) e “A Favorita (AQUI).

Conhecido por ter sido roteirista-chefe do humorístico Saturday Night Live, além de ter dirigido várias comédias escrachadas, Adam McKay ressurge em sua segunda indicação ao Oscar, após o bem-sucedido “A Grande Aposta” (vencedor de melhor roteiro adaptado). “Vice” mantêm o humor característico do diretor, ao retratar a história de Dick Cheney, vice-presidente no governo George W. Bush (2001-2009).

Cheney, hoje em dia, é tido como o mais poderoso vice-presidente da história dos Estados Unidos. Teve como primeiro cargo importante uma chefia de gabinete na Casa Branca em 1975 durante o governo de Gerald Ford e a partir daí só cresceu, sendo também Secretário de Defesa durante o governo de George H. W. Bush e chefe da empresa petrolífera Halliburton. De início, recusou a proposta de ser vice de Bush, considerando o cargo mais simbólico do que prático. Mas tudo mudou quando percebeu a inexperiência do presidente de passado privilegiado e festeiro. E com o atentado terrorista de 11 de Setembro, Cheney viu a oportunidade perfeita de exercer seu poder, nos eventos que acabaram desembocando na guerra do Iraque.

No elenco, McKay retorna a parceria com Christian Bale, que é um dos favoritos ao Oscar de melhor ator, e isso é visível, não somente pela boa atuação, mas também pela transformação que o ator passou ao engordar mais de 20 quilos para viver o personagem. Amy Adams também concorre, na categoria de melhor atriz coadjuvante, sem grandes chances, mesmo apresentando uma boa cena no início da produção e tendo muito tempo em vídeo. Por fim, Sam Rockwell, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2018 pelo filme “Três Anúncios para um Crime”, concorre na mesma categoria por interpretar o ex-presidente George W. Bush, também sem grandes chances de vitória – vale destacar a boa caracterização. Completam o elenco, Steve Carrell, Tyler Perry, Jesse Plemons, entre outros.

Um dos destaques do filme é a sua estrutura narrativa. O diretor Adam McKay aplica recursos já utilizados em A Grande Aposta, dando uma dinâmica interessante à produção. Temos criatividade, estilo próprio, humor na medida certa – tudo isso para contar a vida de uma das pessoas mais odiadas da história americana.

Independentemente de sua ideologia política, “Vice” consegue transcender devido a sua qualidade artística. Mas ainda assim, o filme se torna cansativo em quase 2 horas e 15 minutos de tela. Boa parte das cenas poderiam ter sido minimizadas e outras deveriam ter uma importância maior. Ainda assim, vale a pena assistir para ver mais uma vez o show de Christian Bale.

#Filme | A Favorita

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “A Favorita”, do diretor grego Yórgos Lánthimos. O longa concorre em dez categorias – melhor filme, direção, atriz (Olivia Colman), atriz coadjuvante (Rachel Weisz e Emma Stone), roteiro original, edição, direção de arte, fotografia e figurino, sendo líder de indicações ao lado de “Roma”. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI) e “Infiltrado na Klan” (AQUI).

“A Favorita”, drama de época passado na corte britânica do século XVIII, pode ser um filme que irá dividir opiniões. Eu, por exemplo, não curti. Na história, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail Hill (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes à oportunidade única.

A história prometia um bom filme, mas o resultado final infelizmente não me agradou, mesmo com a produção caprichada, alguns diálogos interessantes e o figurino maravilhoso. No elenco, a tríade formada por Olivia Colman (Rainha Ana), Rachel Weisz (Lady Sarah) e Emma Stone (Abigail) até vai bem em alguns momentos, principalmente Colman – que entrará na próxima temporada de “The Crown” – e teve o melhor momento de sua carreira nas telonas.

A cargo de Robbie Ryan, a fotografia do filme tem a paleta de cores e o contraste que esperamos de um filme ambientado no século XVIII. Inclusive a direção de arte foi maravilhosa – e é o único detalhe que elogio com afinco – toda a iluminação do filme é natural, não há nenhuma luz artificial – se a cena ocorre durante o dia, a iluminação é proveniente das janelas. Já se está à noite, temos luz por meio de velas. Isso tudo deixou o filme mais plástico, mais bonito.

“A Favorita” é um filme sobre ambição e sobre o que alguém pode fazer para conseguir o que quer. O tema não é novo em dramas históricos, e poderia ter sido melhor trabalhado. Talvez agrade a academia – isso explicaria o número de indicações – podendo levar o prêmio em categorias técnicas como fotografia figurino e direção de arte.