Categoria: Filmes

#Filme | Chemical Hearts (A Química que há entre Nós)

Oi gente!
O streaming Amazon Prime Vídeo lançou o drama “Chemical Hearts”, baseado no livro “A Química que há entre Nós”, da autora Krystal Sutherland. No elenco temos Lili Reinhart (Riverdale) e Austin Abrams (Euphoria). Mais um chiquê teen, porém este me decepcionou um pouco. Detalhe: neste post não vou comentar o livro, visto que ainda não li; falarei apenas da experiência na TV.

Dirigido por Richard Tanne, o filme conta a história de Henry (Austin Abrams) e Grace (Lili Reinhart), dois jovens que, em seu último ano de ensino médio, se tornam co-editores do jornal da escola. Ele tem uma vida normal, com uma família estável e bons amigos, e sonha em ser escritor. No entanto, por achar que tem uma vida normal demais e por não ter tido experiências significativas, não sabe sobre o quê escrever.

Enquanto isso, ela é uma estudante transferida de outra escola e que, assim como ele, tem a escrita e a leitura como suas grandes paixões. Só que após sofrer um acidente que deixou sequelas bastante dolorosas (fisicamente, e, principalmente, psicologicamente), ela deixa essas paixões de lado e decide se isolar de todos.

Sobre a parte técnica, o longa traz uma estética melancólica. A fotografia é construída na base de cores frias e fechadas, especialmente o azul, o que reforça a parte dramática da narrativa. Porém, os clichês do enredo me incomodaram. E vocês sabem que eu adoro os clichês teen bem “água com açúcar”.

Acho que a adaptação dos personagens acabou não acontecendo como deveria. Achei Henry e Grace muito rasos e superficiais, não tem uma construção que nos mostre o que eles querem, o porque eles são da forma que são, o que os motiva ou não motiva. São personagem complexos e emotivos, que poderiam ser cheios de camadas, mas não são. Ficou simples demais. E pelo que li de comentários do livro, sei que isso não ocorre lá – os personagens são bem construídos. Outra coisa que me irritou são os personagens coadjuvantes (família e amigos do Henry), que no filme não tiveram importância nenhuma, não acrescentaram nada a história.

A proposta era super interessante, já que dramas adolescentes têm rendido boas adaptações, porém para mim não rolou. E ainda quero ler o livro “A Química que há entre Nós”. Prometo que quando ler, trago um post mais comparativo entre os dois.


Já assistiram Chemical Hearts? Ou já leram o livro A Química que há entre Nós? O que acharam?

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#Filmes | A Barraca do Beijo 2

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Quem aí já viu “A Barraca do Beijo 2”? A sequência lançada pela Netflix já era esperada já que o primeiro filme lançado em 2018 se tornou um dos mais vistos da plataforma de streaming. Baseado no livro da autora Beth Reekles, a história tem todos os requisitos para atrair o público adolescente: amadurecimento, decisões e as problemáticas de um relacionamento amoroso. Tudo isso acrescentado com uma boa dose de comédia e um elenco carismático.

Elle (Joey King) e Lee (Joel Courtney) felizmente se acertaram e sua amizade continua unida a tempo do último ano do ensino médio. No entanto, a namorada de Lee, Rachel (Meganne Young), se cansa da presença constante de Elle entre o casal. Mas há um motivo para que Elle esteja tão próxima. Ela está a quilômetros de distância do namorado Noah (Jacob Elordi), agora um estudante em Harvard.

Enquanto no primeiro filme é Elle que faz Lee escolher entre aceitar seu relacionamento com seu irmão, Noah, ou rejeitá-la e encerrar sua amizade, agora é Elle quem tem que escolher entre acompanhar Lee para estudar na universidade de Berkeley ou encontrar uma universidade em Boston para que ela possa ficar perto de Noah. Porém, ela começa a desconfiar que Noah está mantendo um caso com sua colega Chloe (Maisie Richardson-Sellers). Como o moço possui um histórico de mulherengo, Elle fica confusa sobre seus sentimentos. Tudo fica ainda mais confuso com a chegada de um novo aluno, o músico e dançarino Marco (Taylor Zakhar Perez).

O ponto forte da franquia é com certeza o elenco! Joey King e Joel Courtney possuem uma amizade com muita química. Jacob Elordi também está mais maduro. Os atores novos também mandam bem, tanto Maisie Richardson-Sellers quanto Taylor Zakhar Perez, inclusive o ator cumpre seu papel de balançar o relacionamento entre Elle e Noah. E o bacana é que a relação entre Joey e Jacob continua boa, visto que os dois são ex-namorados – o lado profissional sobressaiu.

Mas ainda assim, A Barraca do Beijo 2 continua um filme clichê, mas um clichê bacana para perder umas horinhas. A comédia romântica proporciona bons momentos, cenas engraçadas, porém traz um início arrastado. E a Netflix já anunciou o terceiro filme, previsto para 2021.

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#Filme | Resgate

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Hoje vai ter dica boa para aqueles que curtem filmes de açãoResgate, disponibilizado na Netflix tem Chris Hemsworth (“Thor”) no elenco e roteiro escrito por Joe Russo (diretor da saga “Vingadores”).

O filme conta a história de Tyler Rake (Hemsworth), um mercenário que já perdeu tudo e é contratado para resgatar Ovi Mahajan (Rudhraksh Jaiswal), um adolescente de 14 anos, filho de um traficante de drogas da Índia. O jovem foi sequestrado pelos capangas de Amir Asif, um gângster de muita influência de Bangladesh, conhecido como o Pablo Escobar da cidade de Daca. Além de se infiltrar no grupo para ter a localização exata do menino, eles precisam retornar para um ponto de resgate, onde a equipe pode buscá-los. Mas, tem um pequeno porém: Amir já mandou fechar as fronteiras da cidade e começa assim uma caçada para encontrar Tyler e Ovi.

As cenas de ação são o grande destaque do filme. Para quem gosta de um ritmo frenético, de tirar o fôlego e com ótimas cenas de luta, “Resgate” é um prato cheio! O roteiro simples é bom o suficiente para não sufocar o longa com uma cena de ação atrás da outra. O longa conta ainda com uma pequena participação de David Harbour (“Stranger Things”). E para aqueles que perguntam se haverá uma continuação, pode ser que sim! O final (meio enigmático) deixa em aberto para uma possível sequência. O sucesso na Netflix também poderá contribuir.

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#Filme | Por Lugares Incríveis

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Nesta semana a Netflix lançou o filme “Por Lugares Incríveis”, baseado no livro de mesmo nome da autora Jennifer Niven. Dirigido por Brett Haley, o longa é estrelado por Elle Fanning e Justice Smith.

Na história, Violet Markey (Fanning) é atormentada pela culpa de ter sobrevivido ao acidente de carro que matou sua irmã; e Theodore Finch (Smith) sofre com o descaso da família, o bullying na escola e a constante sensação de não pertencimento. Os dois se conhecem em um momento delicado – Violet está prestes a cometer suicídio e Theodore oferece ajuda e uma promessa de que ela não está mais sozinha em sua luta. Ele também procura motivos para permanecer vivo. Seu quarto está rodeado de post-its destacados por cores que servem como um guia. Finch está em depressão e apresenta mudanças constantes de humor – causando destruição e abandono de aulas por períodos longos – que lhe rendeu o apelido de “aberração” por seus colegas de classe. Os dois passam a construir uma amizade após precisarem fazer um trabalho escolar juntos – ambos precisam conhecer lugares incríveis do estado de Indiana, onde moram, para escrever sobre o que esses lugares representam. De uma amizade, vai nascendo um amor. Juntos, eles percebem que as coisas mais simples e que costumamos deixar pra lá, são as mais importantes e que merecem nossa atenção.

Primeiramente, preciso alertar que o filme pode ativar gatilhos, pois fala sobre suicídio, depressão, luto, transtorno de bipolaridade e distúrbios psicológicos. Então se você passa por algo parecido, talvez assistir não é a melhor opção. Inclusive, reforço aqui a necessidade de procurar ajuda profissional em algum momento difícil da vida. Conversar é sempre uma boa solução.

Falando agora do filme, confesso que me decepcionei. Tinha expectativas de que seria algo bacana, mas infelizmente o longa não me agradou 100% por aliviar a sua principal discussão. “Por Lugares Incríveis” tentou ser mais um romance adolescente do que um alerta para os transtornos mentais. O livro é mais denso e desenvolve o assunto com muita propriedade. Aqui temos uma retratação muito rasa, os personagens acabam não tendo a profundidade necessária.

Pessoal, de certa forma, preciso fazer certas comparações com o livro, que até hoje ainda é um best seller. O personagem Theodore Finch é o “grande plot”, tanto no livro como no filme, porém no livro ele é melhor trabalhado. A autora consegue mostrar seu drama psicológico, a depressão que ele passa, por camadas, ao longo da história. É nítido perceber que enquanto ele “salva” a Violet, ele se afunda cada vez mais. No filme isso não fica tão claro, apenas percebemos quando ocorre os acontecimentos do final. Talvez tenha sido uma decisão dos roteiristas, já que isso causa sim um espanto a quem está assistindo, pois se você não leu o livro, é bem provável que não esperava o final. No longa, me deu a sensação de que não havia necessidade de certos dramas em certos momentos, isso por causa da falta de complexidade. Acredito que eles quiseram passar a ideia de que a depressão é algo que nem sempre a gente percebe, mesmo sendo uma pessoa super próxima. A Violet até percebe sim, mas não teve poder para ajudar. A depressão atua em silêncio. Muitas pessoas que parecem estar felizes podem estar sofrendo por dentro. O ato final de Finch foi salvar alguém, já que ele sabia que era tarde demais para ser salvo.

Com relação à atuação, gostei da escolha dos atores principais – Elle Fanning e Justice Smith desenvolveram uma química interessante para seus personagens. A construção emocional de Violet é consistente graças a Fanning. Ela transmite a alegria e devastação de Violet de forma surpreendente. A trilha sonora também é um ponto forte por trazer uma mistura de momentos leves e outros mais tristes, combinando com a mensagem que o filme passa.

Ao final, “Por Lugares Incríveis” é mais um melodrama adolescente do que um filme com força para discutir problemas sérios. Acho que a história sobre superação, lidar com as dores e a busca de um refúgio poderia ter sido mais intensa. Para quem gosta de romances teen, pode ser uma boa opção. Recomendo mais a leitura do livro!

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#Filme | Judy: Muito Além do Arco-Íris

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Dos filmes que concorrem ao Oscar neste ano, um que eu estava ansioso para assistir – “Judy: Muito Além do Arco-Íris”, cinebiografia da atriz Judy Garland, estrelada por Renée Zellweger. O longa concorreu ao Oscar em duas categorias: melhor atriz e melhor cabelo e maquiagem, levando a estatueta pela atuação de Renée.

A história se passa no inverno de 1968. Com a carreira em baixa, Judy Garland (Zellweger) aceita estrelar uma turnê em Londres, por mais que tal trabalho a mantenha afastada dos filhos menores. Ao chegar ela enfrenta a solidão e os conhecidos problemas com álcool e remédios, compensando o que deu errado em sua vida pessoal com a dedicação no palco. O filme retrata esse período final de sua vida – se você pretende assistir para ver uma biografia completa da vida da atriz, não é esse o foco.

Apesar que em algumas passagens mostra os bastidores do filme “O Mágico de Oz” e tudo o que aconteceu para que a vida de Judy Garland chegasse ao ponto que chegou. Talvez sejam as partes mais interessantes. Tratada como uma marionete nas mãos do magnata da indústria cinematográfica Louis B. Mayer, Judy foi submetida a anos de abuso emocional e até mesmo físico. Dona de um talento e carisma imensuráveis, seus dons não bastavam para o estúdio MGM, que a controlou durante a maior parte de sua juventude, entupindo-a de remédios para emagrecimento, longas horas de jejum e uma opressão que lhe custou seu sono, sua saúde mental e – eventualmente – toda sua fortuna. Em uma passagem, vemos que Louis B. Mayer preferia Shirley Temple para o papel de Dorothy, já que Judy era considerada feia, corcunda, e precisava usar aparelho para corrigir a boca. Somente seu talento não bastava para o estúdio. Mesmo assim, a atriz que era a terceira opção para o papel, conseguiu gravar o filme, que lhe rendeu a fama imediata. Do estrelato mirim ela então partira para a falência e para a falta de oportunidades profissionais.

Sob a direção de Rupert Goold, a cinebiografia é mais um “filme de atuação” para Renée Zellweger brilhar, e como brilhou!  Interessante ressaltar que a história de Judy se aproxima de Renée – a atriz ficou anos afastada das telonas, cuidando de sua vida pessoal, até voltar em grande estilo ganhando um Oscar. Sua atuação está maravilhosa, com aquele olhar melancólico, uma instabilidade e solidão, porém com o tradicional “biquinho” de Renée. É importante ressaltar, que mesmo com a potência vocal de Judy, Renée regravou todas as músicas do filme.

“Judy: Muito Além do Arco-Íris” foi a grande volta por cima para Renée Zellweger, a chance de provar ao mundo que ainda é uma boa atriz. O filme poderia ter sido mais – queria ter visto outros momentos da carreira da atriz, até porque havia muitas histórias para isso. De forma geral, se você é fã da “era de ouro” do cinema, vale a pena conferir.

Já falei de “Dois Papas” (AQUI), “Parasita” (AQUI), “Ford Vs Ferrari” (AQUI) e “Adoráveis Mulheres” (AQUI), “O Escândalo” (AQUI), “Jojo Rabbit” (AQUI), “História de um Casamento” (AQUI).

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#Filme | História de um Casamento

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A cerimônia do Oscar está chegando (dia 09 de fevereiro) e estou intensificando minha maratona dos filmes que concorrem neste ano – hoje vou falar de “História de um Casamento” – longa escrito e dirigido por Noah Baumbach para a Netflix, e que concorre em 6 categorias – melhor filme, ator (Adam Driver), atriz (Scarlett Johansson), atriz coadjuvante (Laura Dern), trilha sonora e roteiro original.

A história gira em torno de Nicole (Scarlett Johansson) e seu marido Charlie (Adam Driver), que estão casados há mais de dez anos e atualmente passam por muitos problemas, optando pelo divórcio. O casal possui interesses contrários em relação ao trabalho – ele quer seguir trabalhando com sua companhia de teatro em Nova York e ela deseja seguir carreira em Los Angeles. Os dois concordam em não contratar advogados para tratar do divórcio, mas Nicole muda de ideia após receber a indicação da renomada Nora Fanshaw (Laura Dern), especialista no assunto. Surpreso com a decisão da agora ex-esposa, Charlie precisa encontrar um advogado para tratar da custódia do filho deles, o pequeno Henry (Azhy Robertson). Com a nova postura de Nicole, Charlie terá que mudar completamente sua vida, se quiser continuar vendo o filho.

Preciso começar dizendo que “História de um Casamento” é um filme fantástico! Inspirado no seu próprio relacionamento com a atriz Jennifer Jason Leigh, com quem esteve casado de 2005 a 2013, o diretor Noah Baumbach nos traz um relato verdadeiro de um casamento desgastado, levando em consideração interesses pessoais, que se sobrepõem a todos os anos de união. O longa começa com os protagonistas enaltecendo características do cônjuge, em um exercício de terapia de casal – praticamente podemos considerar um grande pedido de socorro de cada um. Depois, a relação só vem ladeira abaixo. Interessante analisar como a história nos faz pensar em cada um dos lados – primeiramente, Nicole expõe que nunca teve “voz” no casamento, que sempre fez todas as vontades do marido, até que decide por um ponto final. Com toda a discussão apresentada, a tendência é ficar ao lado dela, já que vemos que Charlie realmente não é uma pessoa ligada aos momentos que culminaram no divórcio. Depois, com a repentina decisão de Nicole em contratar uma advogada, visto o combinado de não envolver profissionais, pendemos em ficar ao lado do marido, que praticamente precisa mudar toda sua vida, tendo que cruzar o país toda semana para ver o filho, adquirir residência fixa em outro estado, sofrer com a alienação imposta pela mãe, além de ter que pagar os honorários de seu advogado quanto parte da advogada da esposa.

E o que falar da atuação de Scarlett Johansson e Adam Driver!? Os atores estão em perfeita sintonia, mostraram domínio de seus personagens e tiveram cenas perfeitas para brilharem. Quem também se destaca é Laura Dern, extremamente segura no papel de uma advogada fria e calculista. A direção de Noah Baumbach é outro ponto forte – as cenas mostram uma leveza ao mesmo tempo que incomodam com as atitudes. O jogo de câmera quase sem cortes, com cenas longas e zoom no rosto – principalmente da Scarlett – são técnicas utilizadas que dão um toque interessante à produção.

Infelizmente é um filme que não terá grandes expressões no Oscar – aposto na vitória de Laura Dern como melhor atriz coadjuvante, apenas.

Já falei de “Dois Papas” (AQUI), “Parasita” (AQUI), “Ford Vs Ferrari” (AQUI) e “Adoráveis Mulheres” (AQUI), “O Escândalo” (AQUI), “Jojo Rabbit” (AQUI).

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#Filme | Jojo Rabbit

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Chegou a vez de falarmos do filme “Jojo Rabbit”, que recebeu 6 indicações ao Oscar 2020 – melhor filme, atriz coadjuvante (Scarlett Johansson), figurino, montagem, design de produção e roteiro adaptado.

Baseado no livro de Christine Leunens, a história se passa na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. O pequenino Jojo Betzler (Roman Griffin Davis), de apenas dez anos, vive com a mãe Rosie (Scarlett Johansson), depois da morte de sua irmã mais velha e da ausência do pai que foi lutar na guerra. Jojo foi completamente impregnado pela propaganda nazista e é um orgulhoso membro da Juventude Hitlerista ao ponto de andar fardado quase que o tempo todo, ter as paredes de seu quarto cheias de imagens que idolatram o nazismo, além de ter Adolf Hittler (Taika Waititi) como amigo imaginário. Rosie coloca o filho em um acampamento infantil – uma espécie de grupo de escoteiros nazistas – para afastá-lo de casa, já que ela secretamente ajuda uma sobrevivente judia, a jovem Elsa (Thomasin McKenzie), que vive nas paredes da casa. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, Jojo começa a desenvolver empatia pela nova hóspede.

O filme é estrelado, dirigido e roteirizado por Taika Waititi (que também dirigiu Thor: Ragnarok). O cineasta consegue entregar uma interessante sátira ao nazismo. Inclusive nos faz lembrar de filmes como “O Grande Ditador”, de Charles Chaplin e “Primavera para Hitler”, de Mel Brooks. Em “Jojo Rabbit”, podemos analisar uma carga política por trás das piadas, além de um humor totalmente escrachado nos personagens de Sam Rockwell (vencedor do Oscar por “Três Anúncios para um Crime”), Alfie Allen (“Game of Thrones”) e Rebel Wilson (“A Escolha Perfeita”). O elenco infantil é o grande destaque – Roman Griffin Davis (em sua estreia nas telons) e Thomasin McKenzie conquistam o espectador pela fofura e, principalmente, pela carga dramática que seus personagens apresentam. Scarlett Johansson também faz um ótimo trabalho – inclusive foi indicada ao Oscar por dois filmes diferentes, na categoria principal e coadjuvante. A atriz traz uma leveza necessária – a relação de mãe e filho é belíssima e funciona para amplificar o abismo entre a lavagem cerebral nazista e a inocência infantil. Vou dar um pequeno spoiler aqui – se ainda não assistiu, pelo para o próximo parágrafo! A cena da morte da mãe de Jojo é extremamente emocionante – não tem como impedir que as lágrimas caiam. Toda a composição da cena, mostrando apenas os sapatos da personagem, que já haviam sido trabalhados em tela, foi simplesmente para despedaçar nossos corações. É de uma leveza emocional.

Com um humor inteligente, “Jojo Rabbit” é um filme necessário nos dias de hoje, que traz uma reflexão interessante para o espectador e uma mensagem de amor ao próximo. No Oscar, acho que infelizmente não deve ter grande expressão – merecia muito mais!

Quer saber mais sobre o Oscar 2020? Confira as críticas que já fiz sobre os filmes “Dois Papas” (AQUI), “Parasita” (AQUI), “Ford Vs Ferrari” (AQUI), “Adoráveis Mulheres” (AQUI) e “O Escândalo” (AQUI) 

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#Filme | O Escândalo

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Continuando a minha maratona dos filmes que concorrem ao Oscar, hoje vou falar de “O Escândalo”, que estreou nos cinemas brasileiros no dia 16 de janeiro e concorre em 3 categorias – melhor atriz (Charlize Theron), melhor atriz coadjuvante (Margot Robbie) e melhor cabelo e maquiagem. Infelizmente uma produção que não me agradou.

“O Escândalo”, filme dirigido por Jay Roach (Austin Powers), traz uma temática forte e que está em alta, principalmente em Hollywood. Movimentos como o “MeToo” e “TimesUp” continuam ganhando forma na indústria do entretenimento e as acusações contra um gigante do telejornalismo e antigo CEO da Fox News são a base para a história deste longa, baseado em fatos reais.

A produção narra os acontecimentos que levaram à demissão de Roger Ailes (John Lithgow), CEO da Fox News, após a denúncia de abuso sexual por diversas funcionárias. Assim, “O Escândalo” é contado a partir de 3 pontos de vista: o de Megyn Kelly (Charlize Theron) e Gretchen Carlson (Nicole Kidman), jornalistas reais; e o de Kayla Pospisil (Margot Robbie), personagem inventada para a história. As três personagens passam por momentos diferentes em suas carreiras – Megyn Kelly (Theron) está em sua melhor fase, no topo da carreira e é uma das profissionais mais respeitadas da área, mesmo sofrendo duras críticas por seu posicionamento político durante uma entrevista com o então candidato à presidência Donald Trump; Gretchen Carlson (Kidman) é a jornalista veterana tirada do horário nobre para apresentar um programa sem muita audiência – ela se encontra em decadência até de fato ser demitida do canal; e Layla (Robbie) é a novata recém-chegada na emissora, com grandes sonhos e ambições. Com um elenco cheio de estrelas, John Lithgow e Charlize Theron se sobressaem, entregando uma interpretação segura. Inclusive, assisti no YouTube alguns vídeos da verdadeira Megyn Kelly e posso dizer que Charlize Theron fez um excelente trabalho de caracterização – está muito parecida fisicamente e até a voz chega ser praticamente igual.

Porém, o filme é fraco em roteiro e direção. Em uma tentativa de imprimir uma imagem de um documentário descontraído, “O Escândalo” abusa de cenas com quebra da quarta parede, narrações em off didáticas, uma montagem frenética e zooms aleatórios. Os personagens não possuem uma profundidade, são totalmente rasos, não dando chance para atrizes como Nicole Kidman e Margot Robbie brilharem – na verdade Margot tem uma cena muito boa, onde sua atuação consegue trazer algo interessante para o vídeo – talvez esteja aí o porquê de sua indicação. Acho que os pensamentos, atitudes e, principalmente, a história de cada uma e suas consequentes evoluções perante os fatos ocorridos, deveriam ter sido melhor construído. Faltou a intensidade que a história propõe.

Já falei de “Dois Papas” (AQUI), “Parasita” (AQUI), “Ford Vs Ferrari” (AQUI) e “Adoráveis Mulheres” (AQUI)

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#Filme | Adoráveis Mulheres

Oi gente!
Assisti mais um filme que está concorrendo ao Oscar “Adoráveis Mulheres”, da diretora Greta Gerwing, concorre em 6 categorias: melhor filme, atriz (Saoirse Ronan), atriz coadjuvante (Florence Pugh), figurino, trilha sonora original e roteiro adaptado.

O longa narra a história das irmãs March – Jo (Saoirse Ronan), Meg (Emma Watson), Amy (Florence Pugh) e Beth (Eliza Scanlen). Filhas de Marmee March (Laura Dern), as quatro vivem suas vidas normais e sem grandes luxos enquanto os Estados Unidos passam pela Guerra da Secessão. Ligadas de alguma forma ao mundo artístico, as irmãs aguardam o retorno do pai (Bob Odenkirk), precisam lidar com o adoecimento de Beth e enfrentam os dilemas do amor. A narrativa, dividida em dois períodos: o auge da adolescência e o início da vida adulta, nos permite ter uma noção de como as mulheres daquela época lidavam com temas como arte, comércio, casamento, solidão e, principalmente, identidade e independência.

Greta Gerwing é, sem dúvidas, um dos principais nomes femininos em se tratando de direção. Aclamada pela crítica e indicada ao Oscar em 2018 por Lady Bird, a diretora traz uma nova cara à obra baseada no livro de Louisa May Alcott, que inclusive já foi adaptado várias vezes ao teatro, cinema e TV, sendo mais conhecida a versão de 1995, que também contou com um grande elenco como Susan Sarandon, Kirsten Dunst, Claire Danes, Christian Bale e Winona Ryder. A nova versão também traz nomes importantes como Laura Dern (cotadíssima a vencer o Oscar esse ano, porém por outro filme), Bob Odenkirk (Better Call Saul), Emma Watson (nossa eterna Hermione da saga Harry Potter), Timothée Chalamet (Me Chame pelo seu Nome) e Meryl Streep, interpretando a tia rica e ranzinza, rendendo ótimas cenas à atriz. Porém, Saoirse Ronan é o grande destaque do elenco – aos 25 anos, a atriz já acumula 4 indicações ao Oscar. Sua protagonista consegue defender a ideia do feminismo, ao mesmo tempo que mostra uma evolução do romantismo.

Distanciando-se do modo clássico de adaptações, Gerwig demonstra uma ousadia em seu roteiro ao trazer a narrativa não-linear. No início chega a confundir o espectador, mas com o tempo, a diretora acerta ao demonstrar passado e presente de diferentes formas, por exemplo, as cenas do passado possuem um filtro claro, com cores mais quentes, demonstrando a época alegre das personagens. O presente tem cores mais frias, puxando para o tom azulado, representando a tristeza. O roteiro consegue destacar todas as personagens – cada uma tem seu momento de brilhar. Gerwing conseguiu colocar mais profundidade em suas personalidades, isso é muito interessante. O figurino é outro grande destaque – tudo impecável!

Para mim, o grande trunfo do filme é a inteligência da diretora Greta Gerwing – senti muito a falta dela na categoria de melhor direção. No Oscar 2020, acredito que o filme não tenha grande destaque, infelizmente. Vencer a categoria de figurino não seria uma surpresa.

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#Filme | Ford vs. Ferrari

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2020 – hoje vou falar de “Ford vs. Ferrari”, do diretor e roteirista americano James Mangold. O longa concorre em 4 categorias – melhor filme, montagem, edição de som e mixagem de som. Confira também as resenhas de “Dois Papas” (AQUI) e “Parasita” (AQUI).

A história se passa no início dos anos 1960, quando Henry Ford II, neto do fundador de uma das maiores construtoras do mundo, decidiu que a Ford precisava ser mais arrojada no mercado. Não poderia se contentar apenas em ser a maior vendedora de carros do mundo, mas se transformar em sinônimo de qualidade. Com isso em mente, tentou a todo custo comprar a Ferrari, que imperava nos principais campeonatos de automobilismo. Além de quatro troféus de Fórmula 1, entre 1956 e 1964, a empresa italiana conquistou seis vezes a desafiante prova 24 Horas de Le Mans, na França, entre 1958 e 1964.Com a recusa na negociação, bater de frente com a poderosa italiana virou questão de honra para os americanos, que nunca haviam conquistado a prova, muito menos uma temporada na Fórmula 1.

Para que a Ford obtivesse êxito, foi contratado o visionário designer automotivo americano Carroll Shelby (Matt Damon), único piloto dos EUA a vencer o disputado evento de corrida na história. A parceria entre Shelby e o destemido piloto britânico Ken Miles (Christian Bale) foi o grande trunfo. Juntos, Shelby e Miles lutaram contra o domínio corporativo, as leis da Física e seus próprios demônios pessoais para construir um carro de corrida revolucionário para a Ford Motor Company, assumir o controle das pistas e derrotar os veículos dominantes de Enzo Ferrari, nas 24 Horas de Le Mans, na França.

O título do filme passa a ideia da rivalidade entre as duas construtoras automobilísticas ou até mesmo a rixa entre seus donos, porém Henry Ford II (Tracy Letts) e Enzo Ferrari (Remo Girone) não possuem nenhum embate no filme, portanto a produção vai muito além disso – trata-se mais de uma história de superação pessoal tanto de Ken Miles como de Carroll Shelby. E tudo isso para os atores brilharem! Matt Damon e Christian Bale fazem um ótimo trabalho. O elenco ainda traz Caitriona Balfe (Outlander), Jon Bernthal (O Justiceiro), Josh Lucas (Poseidon), Noah Jupe (Um Lugar Silencioso), Ray McKinnon (Mayans M.C.), entre outros.

A produção também é muito boa. As sequências de corrida foram filmadas sem ajuda de computação gráfica, ou seja, tudo o que vemos é tão real quanto possível. E todas essas cenas são muito boas, talvez a melhor parte do filme. A equipe também conseguiu reproduzir de forma bem real os anos 1960. Trilha sonora, fotografia, figurino, tudo remete à década. Apenas acho que duas horas e meia de tela foi muita coisa – o início, principalmente, é cansativo. No Oscar, acredito que não tenha grandes chances, talvez nas categorias de som, mas concorre diretamente com o fortíssimo “1917”.

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