#Filme | Roma

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Roma”, do diretor mexicano Alfonso Cuarón. O longa recebeu o maior número de indicações (assim como “A Favorita”) concorrendo em dez categorias – melhor filme, melhor direção, atriz (Yalitza Aparicio), atriz coadjuvante (Marina de Tavira), roteiro original, filme estrangeiro, direção de arte, fotografia, edição de som e mixagem de som. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI), “Vice” (AQUI) e “Green Book – O Guia” (AQUI).

O vencedor do Oscar Alfonso Cuarón (por Gravidade, em 2014) está de volta com mais uma obra prima e, novamente, com grandes chances de vencer a categoria neste ano. Inclusive, nos últimos anos, o prêmio de melhor direção foi dominado pelos mexicanos – Cuarón venceu em 2014; Alejandro González Iñárritu ganhou dois anos seguidos 2015-2016; e no ano passado quem levou a melhor foi Guillermo del Toro. Curiosidades a parte, Cuarón é favorito pois trouxe um filme emocionante – quase uma cinebiografia, já que a produção é consolidada a partir de memórias da infância do diretor.

Ambientado no México do início dos anos 1970, “Roma” narra a história de Cleo (Yalitza Aparicio), uma empregada e babá, que trabalha na casa de uma família de classe média. Sua patroa Sofia (Marina de Tavira) enfrenta problemas no casamento ao mesmo tempo que precisa cuidar dos quatro filhos, com o auxílio da empregada. Em um período conturbado da história mexicana, Cleo precisa enfrentar um grande dilema.

O longa pode fazer história no Oscar 2019 – vencer na categoria de melhor filme estrangeiro (o que é praticamente certo), além da categoria principal de melhor filme. Se isso acontecer também será a primeira vez que uma produção do serviço de streaming (Netflix) leva o principal prêmio da noite.

Vencer não seria surpresa. A produção é simplesmente impecável. Cada plano é brilhantemente pensado, com cenas longas em planos sequência, diálogos que retratam o cotidiano, com boas atuações. Yalitza Aparicio talvez seja o melhor acontecimento. A mexicana que era professora, da noite pro dia virou estrela de cinema e até ganhou uma indicação ao Oscar, desbancando outras atrizes que eram favoritas como Emily Blunt (de O Retorno de Mary Poppins). Com uma atuação segura e emocionante, ela nem precisa de falas para ser o grande destaque em “Roma”. Já a experiente Marina de Tavira também conseguiu uma indicação – na minha opinião desnecessária – e não tem grandes chances.

“Roma” é uma narrativa sobre o amor em suas diversas facetas. Alfonso Cuarón volta a impactar com uma história comovente e de cunho social. Não é meu filme favorito no Oscar (a minha torcida é de Green Book), mas se vencer será por grandes méritos.

#Filme | Green Book – O Guia

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Green Book – O Guia”, do diretor Peter Farrelly. O longa concorre em cinco categorias – melhor filme, melhor ator (Viggo Mortensen), ator coadjuvante (Mahershala Ali), roteiro original e edição. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI), “A Favorita” (AQUI) e “Vice” (AQUI).

Confesso que “Green Book – O Guia” me surpreendeu bastante. Eu não estava com grandes expectativas e a produção se mostrou excelente. O filme se passa no final dos anos 60, quando os Estados Unidos ainda era uma nação segregada, com o sul do país extremamente racista. Se um negro precisasse viajar pelos estados sulistas, poderia acabar espancado ou morto, tamanho o preconceito da região. Para ajudar, foi criado o Green Book (Livro Verde), que trazia uma lista de restaurantes e hotéis que aceitavam afro-americanos.

É onde o filme começa. Baseado em uma história real, Tony Lip (Viggo Mortensen) aceita um trabalho que foge de seu cotidiano: levar o Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), um pianista negro mundialmente famoso, em uma turnê de Manhattan ao Sul dos Estados Unidos – usando o Green Book para guiá-los aos poucos estabelecimentos da região que eram seguros. A transformação de Tony, de um conservador racista em alguém mais tolerante é um dos caminhos percorridos, mas não o único. Dr. Shirley também muda ao embarcar na jornada ao lado do motorista. Totalmente diferentes, os dois vão deixando de lado as diferenças para sobreviverem ao racismo.

Conhecido pela direção de comédias de sucesso como “Debi & Lóide”, “Quem vai ficar com Mary?” e “Eu, Eu Mesmo & Irene”, sempre na companhia do irmão Bobby, Peter Farrelly faz sua estreia como diretor-solo. E que estreia! O filme é muito bem construído, consegue passar com sutileza uma mensagem de luta e superação, além de ter ótimas interpretações de Viggo Mortensen e Mahershala Ali.

Vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 2017, pelo filme “Moonlight”, Mahershala Ali é o grande favorito na mesma categoria na premiação deste ano. O ator já levou outros prêmios como o Globo de Ouro e o SAG – com grandes méritos. Uma interpretação segura e maravilhosa. Mesmo com grande tempo de vídeo, é aposta certeira para o Oscar de coadjuvante. Já Viggo Mortensen tem um caminho mais difícil ao concorrer com Christian Bale (Vice) e Rami Malek (Bohemian Rhapsody), mas ainda assim corre por fora na categoria principal de atuação. O ator de “Senhor dos Anéis” também faz um trabalho brilhante – talvez o melhor em sua carreira.

“Green Book” consegue emocionar o espectador do começo ao fim, com uma história sensível e dramática na medida certa, com leves toques de humor, um elenco afiado e uma direção competente. A produção se torna cativante porque nos faz rir mesmo diante de situações horríveis, e porque nos afeiçoamos aos personagens principais e suas trajetórias. Um longa verdadeiramente comovente e encantador.

#Filme | Vice

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Vice”, do diretor Adam McKay. O longa concorre em sete categorias – melhor filme, direção, ator (Christian Bale), atriz coadjuvante (Amy Adams), ator coadjuvante (Sam Rockwell), roteiro original, edição, e maquiagem e penteado. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI), “Infiltrado na Klan” (AQUI) e “A Favorita (AQUI).

Conhecido por ter sido roteirista-chefe do humorístico Saturday Night Live, além de ter dirigido várias comédias escrachadas, Adam McKay ressurge em sua segunda indicação ao Oscar, após o bem-sucedido “A Grande Aposta” (vencedor de melhor roteiro adaptado). “Vice” mantêm o humor característico do diretor, ao retratar a história de Dick Cheney, vice-presidente no governo George W. Bush (2001-2009).

Cheney, hoje em dia, é tido como o mais poderoso vice-presidente da história dos Estados Unidos. Teve como primeiro cargo importante uma chefia de gabinete na Casa Branca em 1975 durante o governo de Gerald Ford e a partir daí só cresceu, sendo também Secretário de Defesa durante o governo de George H. W. Bush e chefe da empresa petrolífera Halliburton. De início, recusou a proposta de ser vice de Bush, considerando o cargo mais simbólico do que prático. Mas tudo mudou quando percebeu a inexperiência do presidente de passado privilegiado e festeiro. E com o atentado terrorista de 11 de Setembro, Cheney viu a oportunidade perfeita de exercer seu poder, nos eventos que acabaram desembocando na guerra do Iraque.

No elenco, McKay retorna a parceria com Christian Bale, que é um dos favoritos ao Oscar de melhor ator, e isso é visível, não somente pela boa atuação, mas também pela transformação que o ator passou ao engordar mais de 20 quilos para viver o personagem. Amy Adams também concorre, na categoria de melhor atriz coadjuvante, sem grandes chances, mesmo apresentando uma boa cena no início da produção e tendo muito tempo em vídeo. Por fim, Sam Rockwell, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2018 pelo filme “Três Anúncios para um Crime”, concorre na mesma categoria por interpretar o ex-presidente George W. Bush, também sem grandes chances de vitória – vale destacar a boa caracterização. Completam o elenco, Steve Carrell, Tyler Perry, Jesse Plemons, entre outros.

Um dos destaques do filme é a sua estrutura narrativa. O diretor Adam McKay aplica recursos já utilizados em A Grande Aposta, dando uma dinâmica interessante à produção. Temos criatividade, estilo próprio, humor na medida certa – tudo isso para contar a vida de uma das pessoas mais odiadas da história americana.

Independentemente de sua ideologia política, “Vice” consegue transcender devido a sua qualidade artística. Mas ainda assim, o filme se torna cansativo em quase 2 horas e 15 minutos de tela. Boa parte das cenas poderiam ter sido minimizadas e outras deveriam ter uma importância maior. Ainda assim, vale a pena assistir para ver mais uma vez o show de Christian Bale.

#Filme | A Favorita

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “A Favorita”, do diretor grego Yórgos Lánthimos. O longa concorre em dez categorias – melhor filme, direção, atriz (Olivia Colman), atriz coadjuvante (Rachel Weisz e Emma Stone), roteiro original, edição, direção de arte, fotografia e figurino, sendo líder de indicações ao lado de “Roma”. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI), “A Esposa” (AQUI) e “Infiltrado na Klan” (AQUI).

“A Favorita”, drama de época passado na corte britânica do século XVIII, pode ser um filme que irá dividir opiniões. Eu, por exemplo, não curti. Na história, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail Hill (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes à oportunidade única.

A história prometia um bom filme, mas o resultado final infelizmente não me agradou, mesmo com a produção caprichada, alguns diálogos interessantes e o figurino maravilhoso. No elenco, a tríade formada por Olivia Colman (Rainha Ana), Rachel Weisz (Lady Sarah) e Emma Stone (Abigail) até vai bem em alguns momentos, principalmente Colman – que entrará na próxima temporada de “The Crown” – e teve o melhor momento de sua carreira nas telonas.

A cargo de Robbie Ryan, a fotografia do filme tem a paleta de cores e o contraste que esperamos de um filme ambientado no século XVIII. Inclusive a direção de arte foi maravilhosa – e é o único detalhe que elogio com afinco – toda a iluminação do filme é natural, não há nenhuma luz artificial – se a cena ocorre durante o dia, a iluminação é proveniente das janelas. Já se está à noite, temos luz por meio de velas. Isso tudo deixou o filme mais plástico, mais bonito.

“A Favorita” é um filme sobre ambição e sobre o que alguém pode fazer para conseguir o que quer. O tema não é novo em dramas históricos, e poderia ter sido melhor trabalhado. Talvez agrade a academia – isso explicaria o número de indicações – podendo levar o prêmio em categorias técnicas como fotografia figurino e direção de arte.

#Filme | Infiltrado na Klan

Oi gente!
Bora conferir mais um filme indicado ao Oscar 2019 – hoje vou falar de “Infiltrado na Klan”, do diretor americano Spike Lee. O longa concorre em seis categorias – melhor filme, melhor diretor, ator coadjuvante (Adam Driver), roteiro adaptado, trilha sonora e edição. Lembrando que já falei de “Nasce uma Estrela” (AQUI), “O Primeiro Homem” (AQUI), “Bohemian Rhapsody” (AQUI) e “A Esposa” (AQUI)

O filme conta a história real de Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro do Colorado, que em 1978, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas. Quando precisava estar fisicamente presente enviava seu colega policial branco Flip (Adam Driver). Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

O filme é inspirado na estética Blaxploitation, movimento cinematográfico da década de 1970 protagonizado por cineastas e atores negros, cujas produções, com uma forte temática racial, davam vazão à criatividade de artistas que não tinham o mesmo espaço na indústria cinematográfica tradicional, ocupada quase que exclusivamente por homens brancos. A fotografia, o estilo e o humor são referências diretas ao gênero, que ganha homenagens inclusive no cartaz da produção.

“Infiltrado na Klan” é um filme engraçado por boa parte do tempo, apesar de sempre tratar com seriedade sobre o tema central – o racismo (seja da comunidade negra e até mesmo de judeus).  O elenco é um destaque a parte – John David Washington tem um bom desempenho, assim como Adam Driver (talvez receba os melhores elogios), através de um personagem quase sem expressão, mas que ao mesmo tempo passa toda a verdade de uma luta. Ainda completam o casting Topher Grace (de “The 70’s Show”), Laura Harrier (de “Homem Aranha – de Volta ao Lar”), Ryan Eggold (de “New Amsterdan”) e Jasper Pääkkönen (de “Vikings”).

A direção de Spike Lee – indicado ao Oscar pela primeira vez – é digna de se elogiar também. Ele é ácido, preciso e capaz de criar uma mescla de suspense policial dramático, que te arranca risadas ao mesmo tempo que abala emocionalmente. A fotografia e trilha sonora inspirada nos anos 70 e 80 contribuem para o ótimo trabalho realizado.

“Infiltrado na Klan” é um bom filme, mas não é um dos melhores da lista. Provavelmente não terá grande expressão no Oscar, apesar de merecer mais reconhecimento. O final do longa é super bom, o que faz com que tenhamos a sensação de que é uma produção extremamente maravilhosa, mas não, apresenta alguns erros. O filme é um confronto furioso e engraçado de um tema que continua sendo muito atual.

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#Filme | A Esposa

Oi gente!
Continuando os posts dos filmes que concorrem ao Oscar, hoje vou falar de “A Esposa”, longa que rendeu indicação à Glenn Close na categoria de melhor atriz – inclusive ela já venceu o Globo de Ouro e o Critic’s Choice Awards por esse papel.

O filme conta a história de Joan Castleman (Close) que há décadas é a esposa dedicada e perfeita do escritor, Joe Castleman (Jonathan Pryce). Ele acaba de vencer o Nobel de Litaratura e juntos eles partem para Estocolmo, na Suécia. Lá, ela é confrontada pelo jornalista Nathaniel Bone (Christian Slater), que quer escrever a biografia de Joe e remexe em segredos de seu passado.  Repelido educadamente por Joan, ele continuará na cola da família Castleman como um predador. No entanto, ele é apenas o agente para o desmoronamento de um mundo solidamente construído, sustentado numa grande e intolerável mentira.

Atualmente é difícil ver produções que tragam atores veteranos em papéis com grande destaque. E quando isso acontece é preciso enaltecer. A interpretação magnífica de Glenn Close é a grande razão para assistir a este drama dirigido pelo sueco Björn Runge, numa adaptação do romance homônimo de Meg Wolitzer. Simplesmente magnífica, Glenn tem grandes chances – e merecidas – de levar para casa seu primeiro Oscar, na única categoria que o filme concorre, após já ter sido indicada outras 6 vezes.

Como um todo, a direção de Björn Runge não escapa de algumas derrapadas e o roteiro é falho. O filme é um pouco parado em sua maior parte, se sustentando apenas nas boas atuações.  A narrativa da história ocorre em dois tempos – no presente, com a viagem do casal e do filho David (Max Irons), para a cerimônia e a entrega do prêmio. E no passado – por meio de flasbacks – quando o jovem Joe (Harry Lloyd) é ainda um professor que luta para escrever e ser publicado, ao mesmo tempo que se apaixona pela aluna mais talentosa, Joan (Annie Starke).

“A Esposa” é um bom drama, construído à base da consistente fotografia de Ulf Brantås. E a trilha sonora de Jocelyn Pook é dramática e acompanha harmoniosamente a dinâmica do casal. O que faltou foi um pouco de ousadia. Melancólico e representativo, o filme dá voz e empodera a mulher, ao mesmo tempo que é humano e emotivo. A história é fraca, mas conta com seguras atuações.  Jonathan Pryce – em um bom momento de sua carreira – é explosão em um retrato egocêntrico, contrapondo com Glenn Close contida, que leva o filme nas costas apenas com suas expressões verdadeiras.

Aproveite e veja os posts dos outros filmes que concorrem ao Oscar – “Nasce uma Estrela”, “O Primeiro Homem”“Bohemian Rhapsody”

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#Filme | Bohemian Rhapsody

Oi gente!
Aproveitando que saíram os indicados ao Oscar, hoje trago mais um filme que concorre na premiação – “Bohemian Rhapsody”, dirigido por Bryan Singer e que retrata a trajetória de uma das maiores bandas de todos os tempos – Queen, com destaque para a vida de seu vocalista Freddie Mercury.

Desde que lançou o trailer e as primeiras fotos de caracterização do ator Rami Malek, eu já estava mega ansioso para conferir. E eu preciso dizer que “Bohemian Rhapsody” é, acima de tudo, um ‘fan film’, ou seja, uma obra feita para os fãs do Queen. Eu tenho 26 anos (quase 27), sei a importância musical da banda, gosto de várias músicas, mas não vivi a época de ouro do grupo. Já aqueles que viveram e realmente são fãs, não tem como não gostar do filme.

E porque estou falando isso? É inegável a grandiosa produção do longa, porém não curti o roteiro – na minha opinião é fraco e pouco desenvolvido. Ele pega a história do Freddie Mercury para ser o fio condutor da narrativa, mostrando algumas fases do Queen, usando como ponto de início e final o show do Live Aid, um dos shows mais importantes que já aconteceu na história da banda, e principalmente na história da música mundial. Porém, ao mesmo tempo, o filme não diz nada que você já não saiba.

É óbvio que filmar uma biografia do Queen tem um ponto positivo muito forte. A trilha sonora é garantia de qualidade. Mas somente isso não basta. Freddie Mercury possuía um talento inegável, uma vida pessoal e social extremamente conturbada, além de uma complexidade (podemos dizer) exótica.

Temos cenas boas – não posso dizer que não – (alerta de spoiler!!) o momento em que Mercury bate boca com o produtor musical acerca da faixa icônica que dá nome à produção e ele duvida que a canção de seis minutos conquistará o público, preferindo que a banda se atenha a fórmulas pré-estabelecidas é um dos pontos altos da narrativa. Sabemos que a mistura experimental de rock e ópera foi um mega sucesso, além de uma obra-prima, e aí o roteiro acerta, pois o telespectador tem consciência disso e esperamos ansiosamente para ver a cena – mais ao final do filme – em que esse produtor quebra a cara. O início do filme, com as cenas em que os integrantes do Queen se conhecem e começam a cantar juntos e até mesmo as partes que mostram as composições de músicas icônicas, são momentos que agradam quem está assistindo – seja fã ou não. E o que falar da cena final – com o show do Live Aid – o roteiro traz mais de 10 minutos só com a apresentação – praticamente uma íntegra do que foi o verdadeiro. É de se arrepiar, eu fiquei arrepiado, mas, se você pesquisar o vídeo no Youtube e assistir, você verá um Freddie Mercury se acabando, suado, com as veias saltando no rosto e no pescoço – o que o ator Rami Malek não imprimiu no filme. Ele dubla toda a produção – o que é normal – mas não há uma entrega total quando deveria, é uma imitação de uma pessoa que já era muito caricata. Isso não quer dizer que ele está ruim, o ator está bem no filme, acho que merece alguns prêmios (como já venceu o Globo de Ouro), talvez mais pela caracterização, porém trata-se de uma interpretação que poderia ter ido um pouco mais além, mas ainda assim é o trabalho da vida dele – até o momento.

Sinto falta de uma presença maior dos demais atores que interpretaram o restante da banda – Gwilym Lee (Brian May), Ben Hardy (Roger Taylor) e Joseph Mazzello (John Deacon). Em vários momentos o longa traz a mensagem de que o Queen não é somente Freddie Mercury, mas em outros momentos falta essa interatividade do grupo. Além disso, o fato de o roteiro deixar coisas implícitas – para mim – não foi o ideal. Era aí que o filme poderia ter ousado. Sabemos que Freddie Mercury era homossexual, que teve inúmeros casos amorosos, inclusive com seu produtor pessoal (o único mostrado mais explícito). Só que a história vai muito além – o cantor contraiu AIDS – uma doença que na época era pouco conhecida e que matava muito rápido porque não havia informações, muito menos tratamento. Isso causava pânico. E em nenhum momento foi falado mais abertamente. Poderia ter se aprofundado na essência do ídolo excêntrico que foi Freddie Mercury.

Enfim, essa foi uma resenha bem difícil de escrever. Depois que assisti o filme fiquei alguns dias ainda pensando se eu tinha gostado ou não. É difícil criticar uma coisa que eu queria ter amado pra caramba. Mas o filme é bom, principalmente aos fãs que não vão assistir preocupados em achar defeitos. “Bohemian Rhapsody” é extremamente plástico; como produção é bonito. Mas como experiência cinematográfica tem erros, o que torna  simples.

Já assistiram “Bohemian Rhapsody”? Gostaram? E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
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#Filme | O Primeiro Homem

Oi gente!
Hoje trago a vocês uma dica excelente de filme “O Primeiro Homem” – quarto longa da carreira do jovem e premiado diretor Damien Chazelle e que concorre em quatro categorias do Oscar 2019 – edição de som, mixagem de som, direção de arte e efeitos visuais.

A produção é a cinebiografia de Neil Armstrong, astronauta conhecido por ser o primeiro homem a pisar na Lua. O filme relata a história de vida de Neil, focando em sua família, mas principalmente na carreira como engenheiro e astronauta da Nasa. O roteiro baseou-se no livro de James R. Hansen, que documentava a sucessão de eventos pessoais e profissionais que culminaram na ida de Armstrong, com a Apollo 11, à Lua. Em sua adaptação, o roteirista Josh Singer (dos jornalísticos “Spotlight” e “The Post”) emenda essas situações a partir de um ponto de vista mais íntimo, explorando o psicológico do astronauta.

O grande desafio de “O Primeiro Homem” é contar uma história que todo mundo sabe o final, mas que consiga prender o espectador do início ao fim. E isso, o diretor Damien Chazelle (do elogiado “Whiplash – Em Busca da Perfeição” e do estrondoso sucesso “La La Land – Cantando Estações”) faz com perfeição, contando com a ajuda de um elenco maravilhoso Ryan Gosling e Claire Foy. Em vez de focar no grandioso evento que foi a chegada à Lua, o roteiro nos mostra os desafios enfrentados por uma equipe enorme e também todas as frustrações do personagem – desde a perda da filha pequena até a morte de colegas em simples testes de rotina). O foco é o sacrifício e a jornada do piloto que teve a coragem de enfrentar desafios excepcionais para chegar lá antes de todos.

A fotografia do filme é um destaque a parte – simplesmente maravilhosa – a recriação da Lua, imagens de dentro do foguete – tudo perfeito! E a edição de som e mixagem poderão render Oscars ao longa. Outro destaque é a trilha sonora de Justin Hurwitz e o roteiro, que como já falei, procura priorizar o lado humano de Neil Armstrong e todos a sua volta – a maior parte das cenas temos as câmeras focadas nos rostos dos atores, criando aquela aflição, mas ao mesmo tempo, emociona. Além disso, a direção e edição priorizaram vários planos sequências, o que eleva ainda mais a produção, dando aquela cara de documentário. Preciso confessar que achei falta (um pouco) do estilo próprio que Chazelle imprime em seus filmes – poderia ter ousado um pouco mais. Ainda assim, o filme é feito na medida certa.

Com relação ao elenco, Ryan Gosling e Claire Foy mandam super bem. A construção do personagem no início é um pouco tímida – demora para Gosling conquistar a afeição do público. Já Claire Foy tem uma cena arrasadora, que com certeza lhe renderá uma indicação ao Oscar.  No geral, a dupla mostrou química. Ainda no elenco Jason Clarke, Kyle Chandler e Corey Stoll.

“O Primeiro Homem” é uma verdadeira experiência sensorial. O filme consegue seu objetivo de empolgar, ao mesmo tempo que torna seu biografado um livro aberto. Como obra artística, é um feito cinematográfico inegável, de muita qualidade técnica. Vale a pena conferir!

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#Série | Bodyguard

Oi gente!
Como falei para vocês em outros posts, aproveitei os dias de folga no final do ano para assistir bastante filmes e séries para falar aqui no blog! E hoje trago uma série produzida pela BBC e distribuída pela NetflixBodyguard (aqui no Brasil recebeu o nome de Segurança em Jogo).

A série conta a história do veterano de guerra David Budd (Richard Madden – para quem não lembra ele era o Robb Stark em Game of Thrones – preciso dizer que até hoje não superei o Casamento Vermelho). O personagem lutou na guerra do Afeganistão, voltou sofrendo as consequências físicas e psicológicas disso, arrumou um emprego junto a órgãos governamentais e luta contra células terroristas. Depois de um certo evento, sua função é proteger a Ministra Julia Montague (Keeley Hawes) de possíveis ataques que ela sofreria por estar defendendo políticas rígidas de anti-terrorismo. Os posicionamentos dela não são compatíveis com os dele, o que gera um conflito e uma atração imediata entre os dois.

Essa série já me conquistou na primeira cena! Logo no primeiro episódio, a tensão predomina quando David se posiciona para evitar um ataque terrorista em um trem. Gente, sério, que cena!! Muito bem produzida e atuada, com uma tensão crescente que pega o espectador logo de cara. Preciso dizer que a sequência – talvez os dois primeiros episódios – são mais devagar, um ritmo mais lento, o que melhora a partir do terceiro episódio. “Bodyguard” possui apenas seis episódios, porém tem quase uma hora de duração cada um.

O roteiro é afiado, apresenta diálogos bons, personagens bem construídos e alguns que deveriam ser mais explorados. No começo eu fiquei um pouco incomodado com a atuação do Richard Madden, mas depois ele passa por um processo de humanização e aí melhorou consideravelmente, inclusive a química com a atriz Keeley Hawes, ajuda bastante no desenvolver do personagem. Na minha opinião poderia ter focado um pouco mais na história da família de Budd – a esposa e filhos – que pouco aparecem, mas que renderiam uma narrativa paralela interessante. Mais ao final da temporada, tem uma cena envolvendo a esposa Vicky, e que a atriz Sophie Rundle dá um show de interpretação.

“Bodyguard” cumpre com o prometido, entrega um suspense político muito interessante e envolvente, com ótimas cenas de ação. É um entretenimento de ótima qualidade, um grande acerto. Vale a pena conferir uma produção – que não é americana – mas que retrata a guerra ao terror de forma esplêndida.

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#Filme | Podres de Ricos

Oi gente!
Neste final de ano aproveitei para colocar algumas séries que estavam atrasadas em dia e também para assistir alguns filmes que estavam na minha listinha – um deles foi “Podres de Ricos” (ou no original, “Crazy Rich Asians” – baseado no livro de Kevin Kwan). Confesso que quando lançou, não me interessei muito em assistir, mas depois das boas críticas e indicações às principais premiações, fiquei curioso para saber se realmente era bom.

E isso tudo refletiu para que “Podres de Ricos” se tornasse um dos maiores fenômenos nas bilheterias mundiais em 2018, tendo faturado US$ 230 milhões diante de um orçamento de apenas US$ 30 milhões. Uma verdadeira revolução no mundo das comédias românticas. Ao mesmo tempo que mantém uma série de clichês.

Na história, Rachel Chu (Constance Wu) é uma jovem professora de economia em Nova York e namora com Nick Young (Henry Golding) há algum tempo. Quando Nick convida Rachel para ir no casamento do melhor amigo, em Singapura, ela descobre que ele é o herdeiro de uma verdadeira fortuna. Lá, ela entra na mira de outras candidatas e da mãe de Nick (Michelle Yeoh), que desaprova o namoro.

Temos mais uma vez a história da moça pobre que namora um ricaço, mas não é aprovada pela mãe dele, que faz de tudo para acabar com o romance. É clichê? Sim, é clichê! Mas é um clichê super bem feito. A química entre Constance Wu e Henry Golding é maravilhosa e leva o espectador a realmente torcer pelos dois (pelo menos comigo aconteceu isso).

“Podres de Ricos” ainda tem uma representatividade interessante. Primeiro porque a produção é formada em sua totalidade por asiáticos ou descendentes. Tente se lembrar quando foi a última vez que você viu um filme de Hollywood com elenco inteiro composto por descendentes de asiáticos? Na verdade, não precisa porque não existe! Já tivemos tantos erros de escalação como o caso de Scarlett Johansson sendo a protagonista japonesa de “Ghost in the Shell”, mas também tivemos acertos ao lembrar do recente “Para Todos os Garotos que já Amei” com a descendente vietnamita Lana Condor.

Outro ponto positivo do filme é o protagonismo cultural e social da Ásia demonstrado de forma natural em um filme americano, além das ótimas atuações – os comediantes Awkwafina (vista recentemente em “Oito Mulheres e Um Segredo”) e Ken Jeong (conhecido pelo papel de Mr. Chow na trilogia “Se Beber, Não Case”) são um espetáculo à parte. Figurino luxuoso, paisagens maravilhosas, trilha sonora cativante também contribuem para o sucesso do longa.

E tem notícia boa! A Warner já confirmou a sequência “China Rich Girlfriend” e, provavelmente, veremos o último volume dos best-sellers “Rich People Problems” nas telonas também.

Enfim, “Podres de Ricos” é aquele filme despretensioso, que vale a pena conferir apenas para se divertir. É engraçado e bem produzido. Eu curti bastante!