#Filme | A Semana da Minha Vida

Oi gente!
Tem fim de semana que pede um filme clichê né?! Aproveitei o último fds para assistir “A Semana da Minha Vida”, filme musical teen da Netflix, que tem uma vibe “Camp Rock”.

A trama acompanha o jovem rebelde Will (Kevin Quinn) que, após uma confusão com a polícia, tem apenas duas opções: ir para o centro de detenção juvenil ou participar de um acampamento cristão. Optando pela segunda chance, ele vai para o local de férias, relutantemente, mas começa a ganhar interesse quando conhece Avery (Bailee Madison) — filha do líder do lugar. No acampamento, os jovens são divididos em três grupos para participarem de dinâmicas, jogos, brincadeiras e apresentação musical. A partir daí conhecemos os coadjuvantes, como os melhores amigos dos protagonistas: George (Jahbril Cook) e Presley (Kat Conner Sterling), que se gostam, porém não possuem coragem para se declararem, e também o vilãozinho Sean (Iain Tucker).

A história é bem batida, aquele clichezão mesmo! O roteiro é um pouco falho, mas gostei bastante das músicas, apesar do excesso. Boa parte da trilha é composta por canções famosas cristãs. O objetivo do filme é apresentá-las para uma nova geração, ganhando uma roupagem mais pop. Porém, principalmente no início, achei que foram muitas músicas – havia uma fala, uma música; outra fala, outra música. Saturou um pouco. Assim assim, os números eram ótimos, alguns até grandiosos. Não podíamos esperar menos do diretor Roman White, que já comandou videoclipes de Taylor Swift, Carrie Underwood, Shakira e Justin Bieber.

O elenco tem força em seus protagonistas. Bailee Madison não é cantora e isso fica bem nítido, porém quando está junto com Kevin Quinn, tudo melhora (Preciso comentar também que ele é a cara do Zac Efron em HSM). As histórias paralelas são fracas – Sean era para ser um vilão, mas não fica muito claro suas motivações – não entendi se ele gosta da Avery ou se quer apenas ser o centro das atenções.

Enfim, “A Semana da Minha Vida” passa uma mensagem sobre o poder do amor e da fé. A trilha sonora é o grande destaque, mas não espere nada além de mais um musical teen.

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | Nomadland

Oi gente!
“Nomadland” foi o grande vencedor do Oscar 2021! O longa concorria em 6 categorias e levou 3 estatuetas – melhor filme, direção (Chlóe Zhao) e melhor atriz (Frances McDormand).

A trama gira ao redor de Fern (Frances McDormand), uma mulher que perdeu tudo na Grande Recessão de 2008. Quando sua cidade desaparece do mapa, ela embarca numa van para viver como uma nômade, passando pelo oeste norte-americano, ao mesmo tempo que ainda carrega o luto, já que não consegue superar a morte de seu marido. Dentre empregos temporários e contratempos, ela faz amigos e descobertas no meio do caminho.

O interessante é que “Nomadland” mistura realidade e ficção – ele tem aquela cara de documentário, com depoimentos de pessoas que realmente vivem essa realidade, interpretando versões fictícias de si, como Linda May. É um retrato honesto de uma parcela da população norte-americana, que enfrenta, diariamente, perigos, frio e pobreza. O roteiro não se preocupa em retratar essa vida como problemática, mas sim, como uma escolha e um modo de vida de cada nômade. O filme é lindo, tem paisagens maravilhosas, é emocionante, real, porém, falta um conflito e o desenvolvimento se arrasta. Ainda assim, acho super merecedor do Oscar.

Frances McDormand proporciona outro momento marcante de sua carreira, porém não era minha aposta para vencer – houve atuações mais significativas. A vulnerabilidade da personagem foi o grande diferencial para esta vitória – foi um arco narrativo bem construído. E Chlóe Zhao se mostra uma grande aposta para o futuro (ela irá dirigir “Os Eternos” da Marvel).

Nomadland é sensível, com uma fotografia linda e com uma mensagem potente. Precisamos conhecer e ouvir as histórias contadas!

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | Os 7 de Chicago

Oi gente!
“Os 7 de Chicago”, filme da Netflix, escrito e dirigido por Aaron Sorkin, passou despercebido no Oscar 2021 – foram 6 indicações e nenhuma vitória. A produção se baseia em um dos julgamentos mais controvertidos e polêmicos da história dos Estados Unidos.

O drama é ambientado no ano de 1969 e acompanha todo o julgamento do grupo formado por Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen), Jerry Rubin (Jeremy Strong), David Dellinger (John Carroll Lynch), Tom Hayden (Eddie Redmayne), Rennie Davis (Alex Sharp), John Froines (Danny Flaherty) e Lee Weiner (Noah Robbins). Junto a eles está Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II), co-fundador do Partido dos Panteras Negras. Eles foram julgados e condenados por terem organizado protestos contra a Guerra do Vietnã e o governo do presidente democrata Lyndon Johnson, durante a Convenção do Partido Democrata em 1968, em Chicago; o evento se iniciou de forma pacífica, mas, com o choque da polícia, acabou sendo marcado por violência e revolta.

A condução do filme é feita para impactar, visto que o julgamento se desenvolveu perante interesses políticos. O grande diferencial do roteiro é o diálogo. E dentro da proposta apresentada, a edição também se destaca, já que o filme não segue uma narrativa linear. Logo no início, vemos uma breve apresentação dos personagens e, em seguida, já somos jogados no tribunal. Os fatos que ocorreram são intercalados ao desenvolvimento do julgamento. Dessa forma, poderia ter sido bem mais confuso, se a edição não tivesse funcionado bem.

O longa possui ótimas cenas envolvendo Yahya Abdul-Mateen II, Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne. O racismo escancarado do juiz Julius Hoffman (Frank Langella) e o tratamento diferenciado dado aos réus e aos Panteras Negras soa muito atual. Porém, as motivações de cada personagem não ficaram muito claras – poderia ter tido um aprofundamento maior.

“Os 7 de Chicago” apresenta uma narrativa forte que traz luz a temas ainda frágeis para a nossa sociedade. Fica a dica!

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | Mank

Oi gente!
“Mank”, um dos filmes mais autorais e intimistas do diretor David Fincher, cravou 10 indicações no Oscar 2021, levando duas estatuetas – melhor figurino e design de produção. O enredo se passa em Hollywood durante os anos 30 e 40, seguindo a história tumultuosa do roteirista Herman J. Mankiewicz (vivido pelo ator Gary Oldman) durante a criação da obra-prima “Cidadão Kane” (1941) e sua luta com o autor Orson Welles (Tom Burke) pelo crédito do script do grandioso longa.

A história também contempla o magnata da mídia sensacionalista William Randolph Hearst (interpretado por Charles Dance), a grande inspiração para o protagonista do clássico, e sua relação com a atriz Marion Davies (Amanda Seyfried). Além disso, vemos outros nomes famosos da história do cinema sendo retratados como Joe Mankiewicz (Tom Pelphrey) – roteirista e diretor de grandes sucessos, vencedor de 2 Oscars e irmão de Mank; Louis B. Mayer (Arliss Howard) – fundador do estúdio MGM Metro-Goldwyn-Mayer; David O. Selznick (Toby Leonard Moore) e o próprio Orson Welles.

O roteiro foi escrito por Jack Fincher antes de sua morte em 2003, David pretendia produzir o filme depois do lançamento de The Game (1997) com Kevin Spacey sondado para estrelá-lo, porém o filme nunca foi produzido por conta da insistência de Fincher em filmar em preto e branco. Em 2019, a Netflix resolveu tirar a produção do papel e levar para as telas.

Como sou cinéfilo de carteirinha, o longa foi muito interessante, trazendo uma experiência imersiva à Era de Ouro de Hollywood. O personagem principal é denso, sagaz e ácido, trabalhado em camadas pelo excelente Gary Oldman, em um de seus melhores momentos.

A fotografia em preto e branco do diretor Erik Messerschmidt é incrível, tanto que levou o Oscar. Toda a reprodução da Hollywood da época também é impecável. Mas, a história é um pouco arrastada, chegando a ser cansativa em alguns momentos. David Fincher saiu de um longo jejum cinematográfico após a direção de “Garota Exemplar”, em 2014 (mesmo tendo ótimas passagens pelas séries “House of Cards” e “Mindhunter”) para trazer um ótimo filme em 2020. Para quem curte a história do cinema, seria interessante assistir. E uma dica: ver ou rever “Cidadão Kane” também seria ótimo para a imersão.

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | Bela Vingança

Oi gente!
“Bela Vingança” tem se destacado nas premiações deste ano e recebeu 5 indicações ao Oscar – melhor filme, atriz (Carey Mulligan), direção (Emerald Fennell), roteiro original e edição.

O filme acompanha a história de Cassandra Thomas (Carey Mulligan), ex-estudante de medicina e funcionária de uma cafeteria. Assombrada por um acontecimento da época da faculdade ocorrido com uma amiga, todas as noites, após o trabalho, ela costuma ir a boates e, fingindo estar bêbada, se deixa levar pelo primeiro idiota que aparece para ‘salvá-la’. Sempre com segundas intenções, os rapazes se veem surpreendidos e assustados ao descobrirem a ‘pegadinha’. A situação muda quando Cassandra reencontra Ryan (Bo Burnham), um ex-colega da faculdade que tem um antigo crush por ela. A partir daí, Carrie encontra seu novo propósito: vingar-se dos responsáveis por suas memórias. Assim, a trama é conduzida por esse desejo de vingança, e aos poucos suas motivações são explicadas.

A produção é bem interessante. A protagonista apresenta várias camadas que são apresentadas ao longo do desenvolvimento do filme. Carey Mulligan está em um ótimo momento de sua carreira – depois de protagonizar o elogiado “A Escavação”, ela está de volta com força em “Promissing Young Woman” (nome original), tanto que levou o Critics Choice Awards e pode surpreender no Oscar (apesar de não ser minha aposta).

Mas quem fez história foi Emerald Fennell, que ao lado de Chlóe Zhao (de Nomadland), conquistou uma indicação na categoria de direção, em um ano que teve grande representação feminina. Emerald, que também é atriz e esteve recentemente na 4ª temporada de “The Crown”, é o grande destaque do filme por trazer uma direção segura e um roteiro surpreendente. O filme não procura ensinar uma lição de moral politicamente correta – talvez esse seja o grande diferencial. É importante discutir como o cenário do machismo e a cultura do estupro ganham forma e contornos profundos ao longo da narrativa. Gostei também da edição do longa, sendo bem ágil e precisa.

As feridas escancaradas são incômodas e isso faz com que “Bela Vingança” seja algo além de um filme puramente feminista. As bandeiras que o longa levanta, mesmo de forma implícita, são muito importantes. Porém, pelo estilo imposto, talvez não agrade a maioria. Eu curti e indico!

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | Judas e o Messias Negro

Oi gente!
Hoje vou falar de “Judas e o Messias Negro”, filme de Shaka King, que recebeu em seis indicações ao Oscar 2021 – melhor filme, melhor ator coadjuvante (com indicação dupla para Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield), roteiro original, canção original (“Fight for you”) e fotografia.

O filme é a história de ascensão e queda de Fred Hampton (Daniel Kaluuya), ativista dos direitos dos negros e revolucionário líder do partido dos Panteras Negras. A trama se passa em 1969, quando os conflitos raciais ganhavam força nos Estados Unidos. A luta pelos direitos civis dos negros já tinha resultado nos assassinatos de Martin Luther King e Malcolm X. Os Panteras Negras prosseguiam como uma organização considerada perigosa. O FBI investigava os Panteras Negras, assim como outras organizações de mobilização social, perseguindo suas lideranças. Assim, o agente Mitchell (Jesse Plemons) tenta infiltrar no grupo o criminoso Bill O’Neal (Lakeith Stanfield) para espionar o líder Fred Hampton.

O filme tem altos e baixos. A história é forte, assim como o protagonista – Fred Hampton lutava contra o racismo, atacava a polícia, denunciava o capitalismo e a desigualdade racial, unindo grupos e gangues. Daniel Kaluuya é com certeza o grande nome do filme e está bem cotado para ganhar o Oscar de melhor Ator Coadjuvante. O longa retrata um importante e específico período histórico para os Estados Unidos, porém não tão conhecido aqui no Brasil. O espectador pode ficar um pouco confuso e perdido, sugiro pesquisar um pouco sobre a história antes de assistir (foi o que eu fiz), inclusive pausei várias vezes para pesquisar sobre os fatos históricos apresentados ao longo do filme.

A fotografia é muito boa, com um tom noturno, sombrio e dramático. A edição é ágil, porém o roteiro apresenta algumas falhas. Faltou um aprofundamento na história de O’Neal (o Judas do título). O ator até entrega uma boa atuação, mas faltou um desenvolvimento maior. E algumas cenas são bem fortes e necessárias.

“Judas e o Messias Negro” retrata um importante período histórico, que deve ser contado e ressaltado por toda luta racial. A mensagem é forte e atual! Tinha grande potencial para ter mais destaque.

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | Pieces of a Woman

Oi gente!
Um filme que estava com boas expectativas para assistir era “Pieces of a Woman”, que rendeu uma indicação ao Oscar à Vanessa Kirby, na categoria de melhor atriz. Porém, infelizmente, a produção não me agradou tanto. Tem seus méritos, porém esperava mais.

O filme é a jornada emocional de uma mãe que acaba de perder seu bebê. Diante dessa perda, ela terá que lidar com as consequências que seu luto tem nas relações com o marido e a mãe, lutando para que seu mundo não desabe por completo.

O começo do filme é a sua melhor parte. Em um genial e bem elaborado plano sequência de mais de 20 minutos, vemos o trabalho de parto feito em casa. Durante sua realização, percebemos o amor entre Sean (Shia LaBeouf) e Martha (Vanessa Kirby) e a bebê Yvete, que está para nascer; também temos a parteira Eva (Molly Parker), que é uma substituta e, por isso, inicialmente sofre certa rejeição do casal, contudo ganha sua confiança e conduz o parto de modo muito humano. Logo de cara, o diretor constrói uma tensão inigualável, principalmente depois que percebemos a tragédia que se passará, e a brutal perda do casal.

A partir daí, o filme se propõe a fazer um questionamento: de quem é a culpa? Pulando de mês em mês, a produção vai retratando a vida de Martha e Sean e as repercussões daquele dia. Vemos Martha voltando ao trabalho e Sean retornando ao alcoolismo, além da dificuldade de retomar a vida sexual. Tudo isso se torna um abismo entre os dois. Por fim, o casal enfrenta a dura realidade de lidar com os outros integrantes da família, mais notavelmente a mãe da protagonista Elizabeth (Ellen Burstyn), que insiste em lidar com a perda da sua própria maneira.

A direção do cineasta húngaro Kornél Mundruczó é impecável neste início promissor. A cena do parto é extremamente detalhista e cheia de significados. Depois disso, o roteiro é fraco e pouco acrescenta ao desenvolvimento. O grande trunfo é a interpretação de Vanessa Kirby. A atriz está fantástica! Já seu companheiro de cena – Shia LaBeouf – deixa um pouco a desejar.

O filme se baseia única e exclusivamente na história de dor e angústia do casal. É uma produção sem grandes pretensões, mas que traz boas oportunidades de interpretação. Vanessa Kirby soube aproveitar muito bem essas oportunidades e conquistou indicações nas principais premiações.

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | Minari

Oi gente!
Hoje vou falar de mais um filme que concorre em algumas categorias do Oscar. “Minari: Em Busca da Felicidade” é dirigido por Lee Isaac Chung e estrelado por Steven Yeun (conhecido por seu papel na série The Walking Dead). No Oscar, o longa concorre em 6 categorias: melhor filme, direção, ator (Steven Yeun), atriz coadjuvante (Yuh-jung Youn), roteiro original e trilha sonora.

A história se passa nos anos 80. David (Alan S. Kim), um menino coreano-americano de sete anos de idade, que se depara com um novo ambiente e um modo de vida diferente quando seu pai, Jacob (Steven Yeun), muda sua família para a zona rural do Arkansas. A mudança não cai bem com todos os membros da família. As crianças parecem perdidas ao não ter praticamente nada para fazer e a mãe tem dificuldades de aceitar seu novo lar.

Após um início desafiador, a avó dos garotos (Youn Yuh-jung) chega da Coreia do Sul para auxiliar a família. A chegada da avó pega David de surpresa, já que o garoto tinha expectativas americanas do que uma avó deveria fazer (assar biscoitos e ser delicada, por exemplo), mas se depara com uma mulher de alta energia, que não tem medo de usar linguagem chula e de dizer sua opinião. Enquanto isso, Jacob, decidido a criar uma fazenda em solo inexplorado, arrisca suas finanças, seu casamento e a estabilidade da família.

 

Com o casal se despedaçando lentamente e um interessante conflito entre gerações, o roteiro de Lee Isaac Chung explora todas as nuances do convívio e a busca pela felicidade – o “sonho americano” que tanto almejam. “Minari” é um filme rico em simbolismos e tem uma história absolutamente adorável.

O ponto forte do filme é seu elenco. Steven Yeun teve uma boa oportunidade para conquistar sua indicação ao Oscar. Ye-Ri Han, que interpreta Mônica, a esposa em conflito com a realidade, faz uma boa dupla com o ator. O pequeno Alan S. Kim, que dá vida ao doce e divertido David, tem uma performance absolutamente comovente. Junto a Youn Yuh-jung, a avó, ambos entregam veracidade em interpretações profundas.

“Minari” traz sutileza envolta em camadas. O longa é falado em coreano e inglês, idiomas misturados pelos personagens na mesma conversa. A direção de Lee Isaac Chung é preciosa também. Praticamente autobiográfico, o filme é um convite para passear pelas memórias do diretor e roteirista, além de apresentar uma belíssima mensagem sobre família, raízes e luta contra o preconceito e xenofobia.

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | O Mauritânio

Oi gente!
Dando sequência aos filmes que têm recebido algumas indicações nas principais premiações do cinema, hoje foi falar sobre “The Mauritanian”, filme biográfico dirigido pelo vencedor do Oscar, Kevin MacDonald (Munique, 1972: Um Dia em Setembro).

“The Mauritanian” é mais um filme sobre os abusos e atos terríveis cometidos pelo governo e oficiais norte-americanos em nome da “guerra ao terror” após os atentados às Torres Gêmeas. Mohamedou Salahi é o mauritano do título. Pouco depois dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos, ele foi detido em seu país para questionamento e simplesmente desapareceu.

Salahi, interpretado no filme por Tahar Rahim, foi levado a Guantánamo. Após vermos a sua prisão no início do filme, a narrativa pula para 2005, quando passamos a acompanhar os esforços das advogadas Nancy Hollander e Teri Duncan, vividas por Jodie Foster e Shailene Woodley, para defendê-lo. Também seguimos a trajetória do advogado de acusação, o oficial militar vivido por Benedict Cumberbatch. Todos – defesa e acusação – descobrem que o caso de Salahi é estranho e cheio de peculiaridades, começando pelo fato dele ter sido detido sem que ninguém soubesse sequer do que ele estava sendo acusado.

O filme é baseado no livro “Diário de Guantánamo”, escrito pelo próprio Salahi, que caiu como uma bomba contra o exército americano e os governos de George W. Bush e Barack Obama. A produção foca em retratar a luta da advogada Nancy para provar a inocência de Salahi, que incluiu documentos totalmente censurados pelo governo, além dos relatos de tortura a que ele foi submetido, que incluíam até “humilhação sexual” por soldados do sexo feminino. Inclusive, as cenas de tortura, por mais pesadas, foram as melhores do filme, com destaque para a entrega do ator Tahar Rahim, que constrói um ótimo personagem.

Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) também traz uma boa interpretação, caprichando no sotaque americano, ao viver o oficial do Exército designado para fazer a acusação ao mauritano, mas que logo descobre o castelo de mentiras por trás da história. Shailene Woodley (Divergente) vive a assistente de Nancy, que passa a ter dúvidas sobre a inocência de Slahi. A atuação da atriz não chega a comprometer, mas está bem abaixo do que ela já mostrou em outras ocasiões, como na série Big Little Lies. Porém, o grande destaque é a atriz Jodie Foster, como é bom poder vê-la novamente em uma produção. Ótima construção da fria advogada, que aos poucos vai acreditando na história do mauritano e o defende com garra, enfrentando o Governo americano. A atriz foi premiada no Globo de Ouro, como melhor atriz coadjuvante.

“The Mauritanian” não é uma grande produção. O roteiro tem falhas e a edição também deixa um pouco a desejar. É mais um filme para atuação, e nesse quesito consegue conquistar. Achei um filme corajoso por expor um tema polêmico e que mexe com os sentimentos dos americanos que sofreram ao perder muitas vítimas no 11 de Setembro, além de fazer uma dura crítica ao Governo Obama, mesmo que apenas nas entrelinhas. A história de Mohamedou Salahi é importante e merece ser conhecida.

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange

#Filme | Liga da Justiça – Snyder Cut

Oi gente!
Quem aí também estava mega ansioso para a estreia de “Liga da Justiça – Snyder Cut”? Para quem não está sabendo o que é, vou contextualizar rapidamente! Em 2017, saiu nos cinemas o filme “Liga da Justiça”, mas até essa estreia muita coisa aconteceu. O diretor original do filme era o Zack Snyder, que já dirigiu outros filmes da DC como “Homem de Aço”, “Batman Vs Superman” e “Watchmen”, porém após divergências com a Warner e o suicídio de sua filha, o diretor abandonou o projeto, que foi assumido por Joss Whedon (diretor de “Vingadores”), que decidiu regravar diversas cenas, cortando o roteiro original e modificando a obra por completo.

Quando estreou nas telonas, Liga da Justiça foi extremamente criticado pelos fãs e pela crítica. E nesses 4 anos, os fãs fizeram campanhas na internet para que a versão de Zack Snyder fosse lançada! E, finalmente, ela está entre nós! E preciso dizer que não entendo como tiveram coragem de lançar aquilo em 2017, sendo que eles tinham uma obra prima!

O Snyder Cut é, sem dúvida nenhuma, muito superior ao filme dos cinemas. E se você for assistir, esteja preparado para 4 horas de duração. Na história, após a morte do Superman (Henry Cavill), Batman (Ben Affleck) tenta reunir um grupo de heróis para guardar o mundo de ameaças. Ao mesmo tempo, a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) é alertada da invasão do Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), servo do deus sombrio Darkseid (Ray Porter), que busca as três Caixas Maternas, artefatos de poder que lhe permitirão conquistar a Terra. Bruce e Diana formam uma liga de heróis com Aquaman (Jason Momoa), Ciborgue (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller). Porém, a equipe ainda precisa da ajuda do Homem de Aço.

O que podemos ver é que Jack Snyder tinha a intenção de desenvolver todos os personagens, algo que a Warner não queria, já que pretendia, e ainda pretende, lançar filmes solos como Aquaman e Flash. “Liga da Justiça” de Joss Whedon falhou por seguir esse pensamento, cortando o que era necessário, tornando-se um filme sem alma, fruto da convergência entre dois cineastas de estilos opostos e interferências do estúdio que deixaram a produção com diversos problemas no enredo e na execução. A narrativa dos personagens é extremamente importante para entendermos a obra final, principalmente o arco do Ciborgue. Agora é possível entender as motivações que fizeram eles ajudarem Batman e Mulher-Maravilha.

Outra grande alteração foi na narrativa do Lobo da Estepe. Além de ter seus efeitos especiais aprimorados, ele se torna muito mais plausível como ameaça para a Liga, já que suas motivações são mais exploradas. Além disso, as cenas de batalhas para conquistar as Caixas Maternas foram melhor desenvolvidas – antes parecia que ele conseguia muito fácil. Outro ponto que critiquei muito no filme de 2017 era o Flash – o personagem era o principal alívio cômico, se tornando bobo e sendo retratado em vários momentos como medroso. Aqui ele assume o verdadeiro papel de herói. Acho que um dos grandes erros da primeira versão foi tentar fazer o filme “com cara de Marvel”. O Batman se assemelhava ao Homem de Ferro, o Flash ganhou ares de Thor como alívio cômico, além da pouca importância do Aquaman e Ciborgue. Quem também ganhou mais espaço e brilhou por Louis Lane (Amy Adams).

Snyder soube aproveitar o tom sombrio que a DC tem em suas histórias. A estética é muito superior. “Liga da Justiça – Snyder Cut” é um presente para os fãs que acreditaram na visão de Zack Snyder. O filme traz melhorias significativas para a narrativa e o desenvolvimento de personagens. Inclusive, os atores se reuniram para a gravação de uma cena final que foi muito significativa para o futuro da franquia, trazendo o retorno de Lex Luthor (Jesse Eisenberg) e do Coringa, de Jared Leto (com uma interpretação bem fraca, por sinal). Era a produção épica que queríamos! Finalmente a redenção!

Lembrando que o “Snyder Cut” estreou na HBO Max, que ainda não chegou ao Brasil. Porém o filme pode ser alugado em algumas plataformas digitais como Google Play, Apple TV, Claro, Locke, Microsoft, Playstation, SKY, UOL Play, Vivo e Watch BR.

E pessoal, aproveitem e me sigam nas redes sociais 
Instagram do Entrelinhas | Instagram Felipe Lange | Fanpage Entrelinhas | Facebook Felipe Lange